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"Harmonizo meus pensamentos para criar com a visão". "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível".

sábado, 14 de setembro de 2019

Restinga


Restinga 1975 Fonte: Imprensa - PMPA
por Sebastião Pinheiro
       e Oliver Blanco


    Uma manobra do modernismo industrial de forte impacto na agricultura respaldada prioritariamente em publicidade e propaganda, desprezou critérios qualitativos de análises em benefício dos quantitativos, rapidamente implantados na agricultura moderna, e consolidados por meio da burocracia, educação e ideologia; isso no tempo, tornou-se cultura.
  
O resultado disso facilitou a introdução em todos os lugares dos insumos industriais, substitutos das práticas artesanais autônomas e culturais, deixadas de lado mais rapidamente quanto mais pobres em biodiversidade, e clima mais adverso, e mais avançado o capitalismo.

As reações a perda de qualidade dos alimentos pelos consumidores foram imediatas e sentidas em forma crescente e exponencial, mas o maior interesse do governo e poder crematístico (valor da moeda) dos produtores inibiu todas as reações. Embora, na crise, com a derrota na Primeira Guerra Mundial e eliminação do império colonialista alemão, ocorreu a partir dos agricultores conscientes, e a qualidade retornou com seus velhos padrões sócio/culturais. É assim que ressurgem com diversos nomes (um deles é a “agricultura biológica-dinâmica”) praticada por grupos esotéricos e místicos em todas as latitudes e longitudes por perceber os danos a “natureza ultrassocial humana”.

O poder do complexo industrial, e militar, ganhou impulso ideológico com instrumentos severos para manter sua hegemonia e sufocar toda e qualquer pretensão à existência da vida na agricultura. Sendo que, os padrões de restauração da qualidade nos alimentos através da “Saúde do Solo” e “Biopoder Camponês” ficaram ocultados e se passou mais de 80 anos submersos, exceto nos grupos místicos.

Nas três últimas décadas do Século XX, a mudança da agricultura de matriz tecnológica química para a de matriz biotecnológica, com a Biologia Molecular substituindo definitivamente a Natureza, o natural sepultando a ultrassociabilidade humana, em que o alimento deixa de ser uma necessidade dos seres vivos e passa a ser um bem de consumo crematístico e, sua qualidade alcançável pelo preço mais elevado, subordina os valores do Estado Nacional. O que é mais notável nos países periféricos pelo nome de Agronegócios.

Ao ver o nome do Diretor corrupto do órgão
Fonte aqui
ambiental dos EEUU, Jess Rowland (foto) bloquear os estudos sobre a carcinogêneses do Glifosato (Glyphosate), é quando os “bombeiros agroecológicos” se encarregam da restauração da ordem natural ultrassocial humana e iniciam a insurgência para restaurar os valores econômicos (não crematístico!) da agricultura, espelhados na agricultura comunitária indígena diante do alto risco das Mudanças Climáticas.
   
A técnica de Cromatografia de Pfeiffer é restaurada em solos, alimentos e na remediação ambiental. 

1. Antes de fazer uma "Cromatografia de Pfeiffer" para solos/alimentos é necessário saber o que é a cromatografia.
Embora muitos cientistas anteriores tenham feito referências sobre a separação de substâncias durante as filtrações em colunas adsorventes ao passar por elas, o reconhecido criador desta técnica centenária se deve ao botânico russo-italiano Mikhail Tswett. Ele relacionou sistematicamente a separação dos pigmentos coloridos e incolores de plantas, principalmente quando se alterava a sequência de dissolventes puros utilizados.

         2. Estudando, entendeu que isso dependia de uma série de características físicas do suporte adsorvente que embalava a coluna e que quanto menor o tamanho das partícula, maior sua área superfícial e que isso facilitava a separação por fenômenos de adsorção diferenciada das substâncias na coluna.

         3. O dissolvente puro ou misturado ampliava ou restringia o poder de separação que garantia o manuseio das colunas e soluções incorporadas nas quatro forças fundamentais da natureza: força gravitacional, força nuclear fraca, força eletromagnética e a força nuclear forte. As forças fracas e fortes são efetivas somente em um intervalo muito curto e dominam apenas em nível de partículas subatômicas. A gravidade e a força eletromagnética têm um alcance infinito.

         4. Na cromatografia de Pfeiffer se aproveita a celulose como suporte na forma de papel, e quanto mais uniformes seus poros e espessura melhor é para a qualidade no desenvolvimento do cromatograma.

         5. O solo é uma interface muito homogênea que recobre o planeta Terra dotado de uma porção mineral desenvolvida dentro dos Ciclos Biogeoquímicos com uma dinâmica integral. Esse solo, por meio de uma solução de Soda Cáustica a 1% (0,24N), usada como solvente no absorvente de celulose (Papel Whatman 1 ou 4), permite uma análise em todas as latitudes e altitudes em que a agricultura é realizada e as exceções são facilmente contornadas.

         6. O solvente na concentração de 1% (0,24N) permite a análise integral do extrato do solo nos parâmetros mais importantes para a avaliação da Saúde do Solo, que é o resultado do metabolismo da biodiversidade das populações microbianas do solo e sua variabilidade em função das práticas e alterações fenológicas de todos os seres vivos que habitam nele.

         7. O estado da Matéria Orgânica em todos seus componentes desde a fermentação inicial do Carbono/Nitrogênio ou Oxigênio/Enxofre até o húmus possui suas variações determinadas com alta fidedignidade.

         8. Em toda e qualquer análise química/física há dois valores importantes: o valor em Branco (Cego) e o valor Adicionado que necessita ser recuperado. Este tem destaque na cromatografia do solo principalmente no estado ótimo da Matéria Orgânica por seu significado econômico.

         9. Quando a Cromatografia de Pfeiffer é utilizada em alimentos as precauções são exponenciais pois há uma variação gigantescas de substâncias com uma variabilidade infinita dentro de uma mesma espécie vegetal ou animal de alimentos, pelas diferentes espécies, formas de cultivo/criação, tecnologias empregadas e processamentos aplicados.

         10. Isto impõe a adoção obrigatória do valor Branco/valor Adicionado, padronizando ao máximo (espécie, idade, solo, clima etc.) para poder haver a comparação e determinação da variação determinada no cromatograma. Com isso, é muito fácil fazer as análises comparativa de qualidade. Sem isso, é necessária muitíssima experiência que apenas o tempo pode trazer.

         11. É difícil interpretar um croma de banana, porque a banana tem coisas que somente a banana tem. Quando comparamos duas bananas cultivadas com metodologias diferentes, é mais fácil observar, mas o melhor é quando temos a mesma espécie, com o mesmo grau de maturação no mesmo tipo de solo, então há um aumento realçador na diferença entre ambas que é o tipo de tecnologia, por exemplo, com e sem herbicidas.

         Isto é importante, já que qualquer variação na mesma espécie, na maturação, no solo, e clima irá alterar a possibilidade de comparação. Pelo que utilizamos colocar metade de um cromatograma comparado com a metade de outro para ver as coincidências e as divergências sobre ambos.

Em uma banana portanto, o valor do aditivo de substâncias para a avaliação é importante, pois é uma forma de reduzir a grande variabilidade e marcar as diferenças de forma dirigidas.

12. Nos produtos fermentados, o importante é ter uma mesma cepa do microrganismo com seu alimento, para que todos os tratamentos tenham essa variável uniformizada e única. A variação é dada pelo tratamento, seja fruta, açúcar ou outros ingredientes adicionado. No caso, cada um deles será um tratamento diferente e seu croma servirá para ver a contribuição do adicionado ao próprio. Obviamente, depois pode ser feita o arranjo ou a combinação de dois, três e, assim por diante. O prazo para o desenvolvimento de microrganismos e a realização do croma pode ser a cada sete dias ou a cada 14 dias ou mais, dependendo das condições ambientais onde a pesquisa é realizada. Com isso, é construído o holograma final desse cromatograma de interesse que permitirá rastrear a qualidade intrínseca do alimento.

         13. A cromatografia de alimentos é um complemento necessário à cromatografia do solo e possui o mesmo processo, com variações conforme com as peculiaridades dos alimentos (frescos, secos, frutas, legumes, folhas, cereais, farinhas e outros ...).

         14. Há uma variação notável que é a concentração de Soda Cáustica, pois é empregada a 0,1% (0,024N) e isso se deve ao fato de que nos alimentos não há presença de Matéria Orgânica complexa, como os ácidos húmicos. É óbvio que um analista experiente pode adaptar a concentração de Soda Cáustica para um solo em um tipo de análise especial e da mesma forma também em alimentos, à medida que aprofunda suas investigações particulares. O método dá essa liberdade.

         15. O que buscamos em um cromatograma de alimentos? - A solução extratora extrai os constituintes com o mínimo de alterações ou transformações, o que permite a sua identificação de carboidratos, gorduras, vitaminas, pigmentos, sais minerais, aminoácidos, polipeptídeos, proteínas, diferentes tipos de taninos e outros elementos do metabolismo secundário, substâncias inerentes aos alimentos originários dos ciclos biogeoquímicos de C, N, S.

16. Segundo a Tabela de Composição de Alimentos – suporte para decisão nutricional, da pesquisadora Sonia Tucunduva Philippi da USP (FSP), que em sua apresentação diz que “o conhecimento sobre os valores de energia, umidade, proteína, lipídios, carboidratos, vitaminas, minerais, fibras, ácidos graxos, aminoácidos e outros micronutrientes dos alimentos é imprescindível para um diagnóstico eficiente do consumo alimentar e o planejamento de políticas públicas de intervenção nutricional, principalmente em grupos com maior vulnerabilidade.”

A composição de sua “Tabela foi utilizada como base o banco do software VirtualNutriPlus (Philippi, 2008). As informações dos alimentos in natura foram retiradas de várias tabelas de composição de alimentos (vide suas referências bibliográficas). Em 2011 teve início a atualização e ampliação do banco de dados, e esta nova edição traz informações sobre 3.014 itens com valores para energia (kcal) e 33 nutrientes: carboidratos (g), proteínas (g), gordura total (g), fibra total (g), fibra solúvel (g), fibra insolúvel (g), colesterol (mg), vitamina A (RE), vitamina C (mg), vitamina B1/tiamina (mg), vitamina B2/riboflavina (mg), vitamina B6/piridoxina (mg), vitamina B12/cobalamina (mcg), vitamina D/calciferol (mcg), niacina/nicotinamida/PP/B3 (mg), folato/folacina/ácido fólico (mcg), ácido pantotênico (mg), vitamina E (mg), iodo (mcg), sódio (mg), cálcio (mg), magnésio (mg), zinco (mg), manganês (mg), potássio (mg), fósforo (mg), ferro (mg), cobre (mg), selênio (mcg) e gordura trans (g).

Pegando um exemplo para a composição bromatológica do Morango (vendido em mercados) contida na Tabela em que estamos utilizando como referência científica, sua análise bromatológica nos revelou: Energia 30.00 kcal, Umid 91.6, Carb 7.03, Prot 0.61, G tot 0.37, G poli 0.19, G mono 0.05, G sat 0.02, G trans 0.0, Col 0.0, Fib tot 1.53, Fib sol 0.55, Fib ins 0.98, A 3, D 0, E 0.26, Fol 17.7, C 56.7, B1 0.02, B2 0.07, B6 0.006, B12 0, Nia 0.23, Pant 0.34, Ca 14, Cu 0.05, Fe 0.38, I 9, Mg 10, Mn 0.29, K 166, P 19, Se 0.9, Na 1, Zn 0.13. Para efeito de comparação, ainda há campo para uma análise de morango que venha de outro modelo de agricultura (agroecologia). Com base nestes dado se começa a visualizar as diferenças na cromatografia dos alimentos. 

17. Os alimentos é uma mistura complexa de substâncias e os instrumentos mais utilizados para aferir qualidade e quantidade de seus constituintes é a Cromatografia líquida de Alta Eficiência (CLAE) ou Sistema High-performance liquid chromatografhy (HPLC). São instrumento caros e de difícil acesso. E neste caso, aprofundar os estudos da cromatografia de Pfeiffer para alimentos é uma necessidade de Saúde pública e inocuidade ao consumidor. Sendo este o único certificado camponês válido. Portanto, onde então se localiza no papel cromatográfico de alimentos esses constituintes bromatológico do morango? Vide Cromatografia de Pfeiffer para Alimentos uma sugestão:



18. Quanto a importância da composição dos alimentos para o consumidor, e sua inocuidade para a saúde pública se relaciona por exemplo aos: açúcares com a Diabetes mellitus; aos lipídios com alteração nos níveis de colesterol; aos metais pesados (provenientes de agrotóxicos e área de mineralização) contaminantes de alimentos; à lactose com a intolerância generalizando à lactose e outros.

Como todo pobre fui obrigado a estudar a noite, pois durante o dia tinha que trabalhar e assim fiz todo o secundário. Ontem à noite pude reviver nostalgias e reviver compromissos ao estar no Instituto Federal de Educação na Restinga onde há cursos de Agroecologia, Comércio e Turismo para trabalhadores que complementam sua formação depois do trabalho (PROEJA), eu estava ali diante deles, mas sem sair do meio de minha origem.

Os desavisados podem estranhar um curso de Agroecologia e noturno ali, mas poucos sabem que Porto Alegre é a capital do estado que tem a maior área agrícola do país aos longos de seus 245 anos e é um local privilegiado para realçar a contradição da “Agricultura Rural-Urbana” nacional, que tem um viés antagônico ao da Ilha do Caribe, onde é um importante espaço de produção de alimentos a partir da crise de 1989, enquanto entre nós é um território para restaurar a dignidade e cidadania de esquecidos pelo Estado e Sociedade. Esse resgate é feito através da alimentação saudável, produzidas com as próprias mãos como forma de resistência e existência…

De outra parte o Instituto Federal de Educação é uma escola de alta qualidade, atualmente são mais de 644 campus no país, com mais de 1 milhão de estudantes e mais de 70 mil servidores, entre professores e técnicos-administrativos. É uma obra social majestosa e de alta envergadura, que jamais anteriormente havia sido feita e junto ao Hospital Público criado completou o bairro cidadão em orgulho para seus habitantes.

A Restinga foi um bairro criado por “gentrificação” das elites da Cidade de Porto Alegre, e seus habitantes originários formados por camponeses deslocados, vítimas do êxodo rural e urbanização acelerada nos interesses da ditadura para o agronegócio de commodities, com massa salarial de baixo salário e consumo de produtos industrializados que se aglomeram em áreas públicas e privadas em “favelas” (faveladas, vila da miséria, vilas populares etc.) criando incômodos visuais para o governo autoritário. Seus habitantes foram transferidos compulsoriamente (de ali à gentrificação higiênica) para outro local a 22 quilômetros do centro de Porto Alegre onde foram deixados praticamente abandonados ou invisíveis, e a própria sorte, até a Construção do Hospital e Instituto Federal há menos de uma década. 

Quando um grupo fascista incentiva cretinos do agronegócios a atear fogo à Amazônia para destruir territórios indígenas, quilombolas (remanescentes de comunidades de ex-escravos), e descaradamente argumentam que o país não terá mudanças por vias democráticas... olho o Bairro da Restinga e vejo o contrário com tão pouco. Me fica a esperança de ver ali brotar uma fonte de felicidade para todos.  


 


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