
por Sebastião Pinheiro
atualizações do livro Agroecologia 7.0
Alexandre
Soljenítsin, em seu livro "O Arquipélago Gúlag" no prefácio
escreve o provérbio: “Aquele que recorda o passado perde um olho. Aquele que o
esquece perde os dois!”. As boas escolas
que tornam seus alunos caolhos ensinam como o petróleo privado substituiu o
carvão mineral estatal, provocou a Conferência de Berlim de repartição da
África em 1884 e suas consequências nas primeira e segunda (1914-18 e
1939-1945) Guerras Mundiais e desencadear até nossos dias de mudança climática.
Antes de
brilhar o Sol dos Tempos Modernos, em todas as propriedades rurais haviam
estruturas para preparar e armazenar os resíduos sólidos e líquidos da criação
de aves, animais, e também vegetais, que recebiam tratamentos prévios
para o seu emprego. Estes eram os
principais insumos dos agricultores para o manejo do solo, água e sua produção,
significando a gestão, manejo, ciência e cultura da matéria orgânica.
A parte mais
nobre destes resíduos e tratamentos eram denominados "purines" pela
riqueza em Nitrogênio amoniacal.
Esterqueiras,
poços e lagoas de chorumes eram parte imponente nas propriedades e seu manejo e
controle de energia e qualidade importante para o controle de vetores e
importância para a saúde no solo, economia de água e controle das pragas e
doenças na saúde das aves domésticas, rebanhos de animais e qualidade de seus
produtos.
Nos países
denominados "em desenvolvimento, do G.A.T.T" (Ponto 4, de Truman) seu
uso foi impedido, através de políticas públicas autoritárias sobre as
atividades culturais camponesas, pois concorriam com o consumo de derivados de
petróleo, impediam as projeções e vendas da indústria petroquímica
(combustíveis, fertilizantes e agrotóxicos). Foi imposto um "modelo
ideológico" disfarçado em tecnológico e lenta e inexoravelmente
transformados em ditaduras militares.
No entanto,
nos países com "cultura agrícola caolha" seu uso não foi impactante,
pois para o uso crescente de insumos industriais eram necessárias maiores
quantidades de matéria orgânica no solo para equilíbrio energético.
Em função da
mudança de matriz tecnológica que já deixou a petroquímica nos países centrais
(caolhos), nos últimos 35 anos, vem sendo transformada em biotecnologia, que
necessita de Sol, Natureza, Clima e Território. Logo a matéria orgânica entre os que possuem os dois
olhos volta a ter importância e os países deixam de ser "em
desenvolvimento do GATT" e passam a buscar
a "sustentabilidade da OMC", novo colírio.
A situação
torna-se mais grave, pois a alienação e ignorância anterior combinadas com a
propaganda dos produtos da biotecnologia criam o anseio de consumo da
biotecnologia modernizadora, através da compra de matéria orgânica industrial
das mesmas indústrias petroquímica agora conglomerados de capital e poder no
Complexo Industrial Militar.
Isto é bom
para os países caolhos, pois significa maior velocidade de amortização para
seus produtos, com melhores preços, sem concorrência, e garantido através da
venda de serviços para os países com dois olhos míopes. Assim se apropriam do
Sol, Natureza, Clima e Território e organizam (financiam) as transições em sanitarismo,
saúde, meio ambiente, educação, agricultura e política.
Bloqueiam os
que trabalham com o desenvolvimento, adequação, formação e introdução de
biotecnologias autóctones de forma antecipada e apropriada para evitar a perda
de um olho acadêmico, técnico e mediocridades na Sociedade heteronômica, que
usa suas estruturas para proteger o interesse mercantil de empresas
biotecnológicas industriais.
Enxergar com
acuidade a política é trazer elementos muito além do mercado e consumo,
alicerçados em cultura e espiritualidade.
Na
agricultura purines nitrogenados e M.O. permitem uma estratégia assaz.
Depois de ver na televisão as questões do
agronegócio, fui estudar a "crise" dos fertilizantes e busquei
"chorume", em homenagem aos avatares que lá atrás (1850) perceberam
os erros industriais e militares prussianos com os sais químicos solúveis
aplicados em os pisos. Construíram o uso da “farinha de rocha” e o ridículo com
que foram tratados pelos oportunistas de plantão, que ainda não sabem o que é o
Ciclo Ultrassocial da Matéria Orgânica Camponesa, um “Purim”-microbiano, na
serule e sucessão ecológica e termostato do planeta (clima).
Ontem os oportunistas na TV, logo no início do
Purim. Uma pessoa mal-intencionada comparou que os depósitos de rocha podem
sustentar 500 empresas produtoras de farinha de rocha para a crise. Você não
sabe o que significa heteronomia. Tenho cópia do estudo contratado e feito
pelos mesmos cretinos há 26 anos, dizendo que as rochas moídas não tinham
concentração de sais, nem solubilidade para uso. Para os "iniciados"
o estudo foi sobre os "Carbonatitos". Elas são rochas ígneas
alcalinas, como as vomitadas por Ol Donyo Longai ou pelo Kilimanjaro, berço da
humanidade. Todos são "tralhados", foi até o "filé mignon"
da mina Guaíba (atrás do P...). Todas as áreas do Carbonatito no Brasil são
registradas como reservas de mineração, por testas de ferro ao nível de
ex-ministros da ditadura...
Pior, a opinião daquele estudo dizia que isso não
tinha futuro, quando já existiam 4 trituradoras de pedra e um mercado. Dizer
que no antigo solo manto basáltico é cretinismo. Sabe-se que, há vinte anos,
outros cretinos buscam legislações que privilegiem os grandes interesses dos
holandeses, britânicos, australianos, americanos, alemães e chineses em monopolizar
a remineralização dos solos. No entanto, quarenta anos atrás.
Há
um desespero com o Potássio, mas os corruptos da ditadura vão fechar a mina bem
perto de Sergipe, para fazer negócio, desculpe, não seria tráfico de dinheiro
em dólar? O agronegócio é tão elogiado quanto se fosse economia, mas agora
voltamos a Aristóteles/Carpentier: é mera crematística.
Estudar os purines/biofertilizantes no Ciclo da
Matéria Orgânica e buscar o olho perdido.
Amor, paz e espiritualidade brotam do ciclo da
matéria orgânica, celebremos à Vida.
A mitologia
é mais que colírio, amplia a visão e riscos ambientais. Antropólogos estudam a
cosmovisão do povo Carajás sobre a gênesis do planeta.
Para
entender a matriz da biotecnologia vamos estudar a Lenda de Tainá-kan.
[Os índios
Carajás contam a lenda de Tainá-Can (a Estrela Vésper), Imaeró e Denakê. Imaeró
certo dia estava à beira do rio quando olhando o céu viu brilhar intensamente a
luz de Tainá-Can, admirou-se com sua beleza e se perdeu de amores por Tainá-Can
pedindo-lhe para que ele descesse do céu para casar-se com ela. Imaeró era uma
Carajá muito bonita e falou com tanta paixão que Tainá-Can desce do céu em uma
noite e acorda Imaeró dizendo que veio para se casar com ela, mas para a
surpresa de Imaeró tão brilhante estrela ao tomar a forma humana era um velho
já enrugado.
Imaeró ao ver aquele velho
recusa-se a casar com ele, pois esperava um homem jovem e não um ancião. Sua
irmã Denakê compadecida do pobre velho resolve se casar com ele, Tainá-Can
então diz que iria trabalhar para alimentar Denakê, pois ela possuía bom
coração e no mesmo instante foi para o mato fazer o roçado para plantar,
ordenando a Denakê que não o seguisse e ficasse em casa preparando a comida.
Como demorava muito Denakê resolve segui-lo e para sua surpresa ao invés de um
ancião encarquilhado pela idade encontra um guerreiro Carajá jovem e forte,
feliz e surpresa o leva para casa para mostrar a sua família, Imaeró ao ver tão
belo jovem o reclama pra si, dizendo que tinha sido ela e não sua irmã Denakê
que o tinha invocado no que Tainá-Can responde: “Você foi "caolha",
incapaz de enxergar além do que seus olhos podiam ver, seu amor não era por
mim, e sim pelo meu brilho, contudo sua irmã soube me amar mesmo parecendo
velho, Denakê será minha esposa. Então a bela índia Imaeró se transformou no
Urutau, pássaro que até hoje canta tristemente ao ver Tainá-Can no céu. Quanto
a Tainá-Can e Denakê tiveram muitos filhos, ensinaram os Carajás a plantarem a
mandioca, o milho e após muitos anos de uma vida feliz ambos subiram ao céu, e
até hoje é possível ver Tainá-Can brilhando e uma pequena estrela ao seu lado,
a bondosa Denakê.]
Essa lenda
Carajá traz em si uma lição muito importante, a necessidade de conseguirmos ver
através das aparências. Muitas das escolhas erradas que fazemos em nossas vidas
fazemos unicamente por não saber identificar a diferença entre essência e
aparência. A Natureza tão sábia mãe nos cobriu de exemplos que não sabemos
tomar para nós, muitos dos predadores mais perigosos se apresentam de forma
muito bela, justamente para atrair a sua presa, como as plantas carnívoras com
suas belas cores que tem como único objetivo atrair insetos incautos.
Nem tudo que
parece realmente bom aos nossos olhos é o melhor para nós. Salomão, o mais
sábio rei que o povo de Israel já teve certa vez disse: "Há caminhos que
ao homem parecem bons, mas o seu final é a morte...” Se deixar guiar apenas
pela aparência é a maior prova de loucura que uma pessoa pode dar, contudo é o
que vivemos todos os dias.
Somos fruto
de uma sociedade enferma, louca e extremamente hipócrita, preocupada com uma
autoimagem, mas nem um pouco preocupada com a própria essência. As pessoas não
valem mais pelo que são e sim pelo que aparentam, pois como dizem: imagem é
tudo.
Na Terra das Aparências tudo
que é essencial é desprezível e descartável. Relacionamentos de interesse e
conveniência, a busca insana pela “forma perfeita” que a mídia vende e que nos
leva a uma corrida louca em direção a autodestruição, necessidades artificiais
são criadas a cada instante. Fetichismo, hedonismo, individualismo, tudo isso é
apenas um reflexo embaçado de uma sociedade que caminha a passos largos para o
abismo. Uma sociedade podre, doente, decadente que preocupasse cada vez mais
com o que aparenta ser e menos com o que realmente é.
Nela é importante saber fazer. Contudo, saber fazer não significa que se
sabe o que está fazendo. Logo é mais
importante saber o saber. O que não é
tão fácil, entendendo a lenda de Tainá-Kan é fácil. Ao sentir-se o Polifemos da
mitologia grega e deseja mudar, leia e estude este texto.
As Chinampas
mexicanas são um sistema respiratório celular [processo onde os nutrientes são
convertidos em energia útil no solo, ao mesmo tempo que elimina produtos
residuais, respectivamente dióxidos de Enxofre - Carbono, cloreto de sódio e
água], que atuam no metabolismo de seres primitivos do Enxofre e Oxigênio em
sucessão, por ação humana sincronizada, oferecendo gradientes no tempo-espaço a
ambas, para a biodiversidade reguladora dos ciclos biogeoquímicos do planeta,
em especial o Ciclo da Matéria Orgânica, conjunto dos Ciclos do Carbono e
Enxofre.
A respiração
celular do S combina suas duas valências com Carbono e ou Oxigênio, e reage com
outros minerais. Há três tipos de respirações anaeróbicas celulares na ausência
de Oxigênio:
a) Fermentação de álcool (tio álcool),
b) Fermentação de ácido lático e [Lactobacillus®
no solo reduz a biodiversidade microbiana?]
c) Decomposição de matéria orgânica.
A quantidade
de respiração celular necessária para que um organismo se mantenha em um estado
constante é denominada de respiração de manutenção; já fisiologicamente a
respiração significa o transporte Enxofre/Oxigênio e seus dióxidos de Carbono
entre as células e o ambiente externo, através de diversas formas na natureza,
onde cada ser tem seu sistema respiratório (anatômico), desde uma membrana até
um aparelho usado para passar o ar para dentro e para fora pelos órgãos
respiratórios.
A Ecologia
da Regulação Biótica do Planeta, preocupa-se com a dinâmica da respiração do
Carbono, um conceito usado no cálculo de carbono (como CO2) fluxo
ocorrendo na atmosfera e a Respiração do Ecossistema, medição da produção bruta
de dióxido de carbono por todos os organismos em um ecossistema (incluindo a
fotorrespiração enzimática de RuBP e Oxigênio.).
Os vulcões
garantem o abastecimento abundante de Enxofre e Minerais (Ferro) às Chinampas.
Isto é bem menos presente e notável na Terra Preta de Índio da Amazônia, onde a
excessiva pluviosidade os lixivia. A formação da TPI usa a migração dos
minerais ventilados desde o Saara e arrastados desde a Cordilheira dos Andes
pelos rios, depositados nas vazantes.
A Amazônia
está sobre a placa tectônica Guiano-brasileira de origem basáltica que é a
rocha-mãe dos seus solos, que através do tempo e calor pelo aspecto redutor da
pluviosidade o reduz a Óxido de Ferro II.
Da mesma
forma a matéria orgânica em grande parte é oxidada [C(s) + O2(g) → CO2(g)] à
Dióxido de Carbono (CO2) gasoso.
A Redução
indireta através de monóxido de Carbono (CO) pela ação enzimática (Ф) pode
ocorrer: o óxido de Fe III é reduzido a CO em três estágios:
3Fe2O3 + CO Ф → 2Fe3O4 + CO2
Fe3O4 + CO Ф → 3FeO + CO2
FeO + CO Ф → Fe + CO2
O Fe3O4 é
diretamente reduzido a Fe passando à wustita (FeO). Já a redução indireta é
através de Hidrogênio (pluviosidade), também enzimática em 3 estágios:
3Fe2O3 + H2 Ф → 2Fe3O4 + H2O
Fe3O4 + H2 Ф → 3 FeO + H2O
FeO + H2 Ф → Fe + H2O
A redução
direta pelo Carbono durante a coivara ou queimada Δ:
No processo
de redução direta do Carbono sólido, as três seguintes reações de redução podem
ser escritas:
3Fe2O3 + C Δ → 2Fe3O4 + CO
Fe3O4 + C Δ → 3FeO + CO
9 FeO + C Δ → Fe + CO
Somente uma
mínima quantidade de redução poderá ocorrer através de contato direto de reação
de partículas de Carbono sólido-sólido, de forma lenta através do monóxido
intermediário.
O próprio
solo fecha o ciclo da Matéria Orgânica, mas a mão humana é vital, no caso do
Enxofre abundantes nas cinzas vulcânicas para as Chinampas, mas escasso no
Amazonas.
Ela é feita pela inoculação
microbiana na TPI através de excrementos humanos ricos em S de origem animal
(caça, peixes e vegetais) como matéria orgânica excretada na vida microbiana de
Enxofre e sua ação junto à biomassa, resíduos de lenha como “piro carvão”, e
resíduos vegetais ricos em tecidos duros das cascas de cocos abundantes na
dieta indígena pela riqueza em azeites. As cascas dos cocos são abundantes em
lignina, esclerossomas (esclereídas), presentes na cor café de muitos rios
amazônicos, como o Rio Negro.
Estes
esclerossomas são polímeros de núcleos aromáticos de α, β e γ Fenilpropano,
substância precursora na síntese microbiana de ácido chiquimico, que dá origem
a todo o metabolismo secundário dos microrganismos e plantas, ligados à saúde e
biodiversidade microbiana no solo e bioma. (ver abaixo).
O
Fenilpropanóide é responsável ainda pela formação da “melanina”, importante
para a absorção na fotorrespiração ao transformar a partícula (fóton) sobre o
corpo negro que é o solo escurecido por ela para transformar o fóton em luz e
calor. Luz, estratégica para as ações do Silício, Ferro e minerais no
metabolismo do Carbono e Enxofre, e, na geração de calor celular para a vida
microbiana.
Os α, β e γ
Fenilpropanos (também denominados de fenilpropanóides) são essenciais para a
síntese do aminoácido Fenilalanina, que deriva o Triptofano, Tirosina e muitas
outras substâncias do metabolismo secundário de forte impacto sobre a saúde
(sistemas imunológicos), e regulação biótica da natureza.
Os
fenilpropanóides são encontrados em todo o reino vegetal, e servem como
precursores de uma série de polímeros naturais, os quais fornecem proteção
contra a luz ultravioleta, defesa contra herbívoros e patógenos, além de
mediarem interações planta-polinizador por pigmentação e compostos de aroma
floral (Ácidos hidroxicinâmicos; Aldeídos cinâmicos e monolignóis; Cumarinas e
flavonoides; Estilbenoides, nele o renomado trans-resveratrol), todos oriundos
da molécula das esclereidas compostas de α, β e γ Fenilpropano. Nestes quatro
compostos está grande parte do sistema imunológico adquiridos através da
alimentação pelos animais, vegetais e microrganismos a partir do solo vivo, que
é a Terra Preta de Índio da Amazonia e outros do sistema Waru-Waru e Chinampas
Mexicanas.
Este é o
grande legado agroecologia, indígena camponesa, que denominamos de Biografeno,
Biofullereno, antagônicos ao mercantilizado BIOCHAR, que nada mais é que
“piro-carvão”, com a função da Fênix grega de ressurgir das cinzas. Mas a
sabedoria de Tainá-Kan usou o fóton, o Enxofre e o Carbono para produzi-lo,
tudo isso graças a compreensão de Denakê, pois saber, o saber liberta.
VAMOS FAZER O PURIM DE TAINÁ-KAN?