"

"Harmonizo meus pensamentos para criar com a visão". "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível".

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Senhores Barões da terra



09 de julho 
Por Sebastião Pinheiro

Uma faísca explodiu dentro de minha cabeça: ao ler algo sobre a abelha melípona negra grande (Melipona scutellaris) que está em extinção acelerada na região do Belterra no coração da Amazônia. Quem estuda sempre se revela e rebela. Terá isso algo a ver com o Glyphosate (Glifosato) usado nas sementes transgênicas do único cultivo que ali existe?

Não tive juventude, mas conheço a letra “Help” dos Beatles [Help, I need somebody Help, not just anybody Help, you know I need someone, help!]. Eu pensava que, como todo fosforado, o Glyphosate tinha um comportamento químico de éster orgânico. Mas, reflexão é tudo. O Glyphosate é um sal e seus seis metabolitos idem [AMPA. HMPA, MPA, MAMPA, SARCOSINE y N-merthyl-N-phosphinomethylglycine] são sais, que se transformam; como são formulados em P.O.E.A., com presença de álcoois, entre eles o isopropílico. Me ocorre perguntar: - As abelhas ultrassociais carregam pólen e néctar em seu corpo e esôfago com a ação imediata de enzimas hidrolíticas para evitar sua rápida fermentação. Que impacto tem isso sobre o inseto ultrassocial? É público e notório que o Glyphosate é um poderoso inibidor da colinesterase cerebral, sem ser na sérica-plasmática. Quem tem os dados sobre sinergia e potencialização dos metabólitos (degradabólitos) do Glyphosate no esôfago das abelhas? É pedir demais ou as abelhas merecem?

Estava só em meu devaneio ultrassocial quando escutei e soube que hoje, no dia em que deveria completar 47 anos de casado, uma data em homenagem à República Argentina... resolvi recordar Vinicius, Toquinho, além de Francisco Tenório Cerqueira Jr, o pianista do grupo, sequestrado e torturado na ESMA em Buenos Aires, no macabro prelúdio da eliminação de aproximadamente 30.000 jovens na última ditadura no pampa.

Resolvi buscar o poema de Vinicius sobre a Reforma Agrária, como é muito comprido o coloco on-line para que, por meio das letras maiúsculas, a rima possa ser acompanhada. Faço isso para que o senhor presidente da U.D.R. agora responsável pela política fundiária no atual governo, entenda o que está plasmado na constituição dos artigos 184 a 191 e todos sabem que as 15.000 empresas do agronegócio possuem 101 milhões de hectares, enquanto os 4,3 milhões de camponeses (agricultores familiares) têm menos de 70 milhões de hectares. Minha homenagem ao pianista Francisco Tenório, que parecia ter aspecto de intelectual de esquerda... segundo seus assassinos...

Os Homens da Terra Senhores Barões da terra Preparai vossa mortalha Porque desfrutais da terra E a terra é de quem trabalha Bem como os frutos que encerra Senhores Barões da terra Preparai vossa mortalha. Chegado é o tempo de guerra Não há santo que vos valha: Não há foice contra a espada Não o fogo contra a pedra Não o fuzil contra a enxada: - União contra a granada - Reforma contra metralha Senhores Donos da Terra Juntai vossa rica tralha Vosso cristal, vossa prata Luzindo em vossa toalha. Juntai vossos ricos trapos Senhores Donos de terra Que os nossos pobres farrapos Nossa juta e nossa palha Vêm vindo pelo caminho Para manchar vosso linho Com o barro de nossa guerra: E a nossa guerra não falha! Nossa guerra forja e funde O operário e o camponês; Foi ele quem fez o forno Onde assa o pão que comeis Com seu martelo e seu torno Sua lima e sua turquês, Foi ele quem fez o forno Onde assa o pão que comeis. Nosso pão de cada dia Feito em vossa padaria Com o trigo que não colheis; Nosso pão que forja e funde O camponês e o operário No forno onde coze o trigo Para o pão que nos vendeis Nas vendas do latifúndio Senhor latifundiário! Senhor Grileiro de terra É chegada a nossa vez A voz que ouvis e que berra É o brado do camponês Clamando do seu calvário Contra a vossa mesquinhez. O café que vos deu o ouro Com que encheis o vosso tesouro A cana vos deu a prata Que reluz em vosso armário O cacau vos deu o cobre Que atirais no chão do pobre O algodão que vos deu o chumbo Com que matais o operário: É chegada a nossa vez Senhor latifundiário! Em toda parte, nos campos Junta-se à nossa outra voz Escutai, Senhor dos campos Nós já não somos mais sós. Queremos bonança e paz Para cuidar da lavoura Ceifar o capim que dá Colher o milho que doura, Queremos que a terra possa Ser tão nossa quanto vossa Porque a terra não tem dono Senhores Donos da Terra. Queremos plantar no outono Para ter na primavera Amor em vez de abandono Fartura em vez de miséria. Queremos paz, não a guerra Senhores Donos da Terra... Mas se ouvidos não prestais Às grandes vozes gerais Que ecoam de serra em serra Então vos daremos guerra Não há santo que nos valha: Não a foice contra a espada Não o fogo contra a pedra Não o fuzil contra a enxada: - Granada contra granada! - Metralha contra metralha E a nossa guerra é sagrada A nossa guerra não falha!


Vinicius de Moraes

 *** 



Por que as abelhas estão morrendo?


Nenhum comentário:

Postar um comentário

"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

Rede Soberania

Rede Soberania
Esta Nação é da Multitude brasileira!

Blogueiros/as uni vós!

.

.
.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...