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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

terça-feira, 22 de junho de 2010

Teoria da Trofobiose

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Perguntaram-me uma vez sobre a Teoria da Trofobiose...
O desequilíbrio nutricional tanto dos seres humanos como também das plantas, desencadeiam mudanças no estado de resistência e suscetibilidade aos agentes causadores de doenças, pragas e patógenos. Então, se uma planta está equilibrada em nutrientes, obviamente, tem construída em seu interior forte síntese de proteínas, inibindo assim, o ataque dos agentes. A teoria cabe também aos humanos, em que se  fazendo da alimentação produzidas em agroecossistemas equilibrados (com diversidade biótica, estrutura trófica e ciclos de materiais) serão mais resistentes às doenças.

O tratamento do solo, por conseguinte, se torna sine qua non, para que se inicie a sanidade biológica de plantas e humanos. Ana Primavesi diz que "quanto mais variada a matéria orgânica que um solo recebe, tanto maior e mais ativa se torna a microvida, a mobilização de nutrientes e a saúde vegetal. Assim, por exemplo, as lagartinhas da traça (Ascia monusta orseis) do repolho, brócolis e couve-flor, somente atacam plantas deficientes em molibdênio, o Elasmopalpus que mata até 20% das plantinhas rescém nascidas de feijão e milho, não as ataca mais se as sementes forem enriquecidas com zinco. 
-->A lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda) do milho não o ataca quando for aplicado boro ao solo."

Francis Chaboussou  explica melhor sobre a Trofobiose:

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"As pesquisas têm mostrado que a maior parte dos insetos e dos ácaros fitófagos dependem de substâncias solúveis existentes na seiva das plantas ou no suco celular, tais como aminoácidos livres e açúcares redutores, pois estes não são capazes de desdobrar proteínas em aminoácidos. Foi a partir da relação entre o estado nutricional da planta e sua resistência às doenças, que Dufrenoy (1936) postulou que toda circunstância desfavorável ao crescimento celular tende a provocar um acúmulo de compostos solúveis não utilizados, como açúcares e aminoácidos, diminuindo a resistência da planta ao ataque de pragas e doenças. A partir disso, Francis Chaboussou formulou, em 1967, a teoria da trofobiose, ao afirmar que todo processo vital está na dependência da satisfação das necessidades dos organismos vivos, sejam eles vegetais ou animais, ou seja, a planta, ou mais precisamente o órgão vegetal, será atacado somente quando seu estado bioquímico, determinado pela natureza e pelo teor de substâncias nutritivas solúveis, corresponder às exigências tróficas (de alimentação) da praga ou do patógeno em questão”. Assim, a explicação para o aumento de pragas ou desequilíbrios biológicos nos agroecossistemas pode estar associada ao estado dominante de proteólise nos tecidos das plantas." (Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento - nº 21- julho/agosto 2001 17)
   
Francis Chaboussou, ao enunciar a teoria da trofobiose, lançou um dos pilares da agroecologia. Ao longo desta obra, o leitor encontrará uma sólida argumentação científica, demonstrando que os parasitas não atacam as plantas cujos sistemas nutricionais estejam equilibrados; em contrapartida, são os fertilizantes solúveis e os agrotóxicos que os atraem, gerando, assim, um ciclo de dependência. As pragas e doenças vegetais hoje chegam à casa do milhar, com o uso crescente desses agrotóxicos e fertilizantes. Resultante desse processo é o fracasso da “revolução verde” e do “agronegócio”, com suas lamentáveis e sombrias conseqüências para o planeta. O equilíbrio da composição mineral do solo é condição sine qua non para a sua fertilidade; o problema está em como alcançar esse equilíbrio. 

Nesta obra pioneira, Chaboussou, mostra como o equilíbrio biocenótico da fertilidade do solo propicia a produção de alimentos limpos, sem uso de agrotóxicos ou fertilizantes químicos. Aí está, para os cientistas e para os agricultores pesquisadores, a base de uma tecnologia da vida - a agroecologia -pela qual se propõe alcançar a maravilhosa harmonia da natureza com a própria consciência humana, por um modelo de produção capaz de alimentar a humanidade, sem dilapidação dos recursos não renováveis. Fonte: Editora Expressão Popular. _Baixe o Livro aqui_

Oliver Blanco 

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A tristeza da concentração de Terra brasileira

Flagellum Dei et comissarius a Deo contra usurarios et detinentes pecunias otiosas. (Flagelo de Deus e seu enviando contra os usurários e os possuidores de riqueza improdutivas.)
Descrição que de si mesmo fez Marco Sciarra, chefe de salteadores napolitanos da década de 1590 (resenha tirada do livro de Eric Hobsbawm, BANDIDOS)

                    A concentração de Terras no Brasil deixa uma triste história a ser contada. A coerção sempre gerará resistências e lutas. Mata quem manda ou mata quem mata?

Relato

18 de junho de 2010
Por José Júlio da Ponte
Presidente da Academia Cearense de Ciências
Em Diário do Nordeste

No ano passado, recebia, em minha Clínica de Planta, a visita do líder comunitário da Chapada do Apodi, José Maria Filho - o Zé Maria do Tomé: "Vim adquirir os livros que você escreveu contra esses venenos"..
Dei-lhe, graciosamente, os livros solicitados, a par de palavras de encorajamento.

Pouco tempo depois, a tenacidade de sua luta o levaria à primeira vitória: a Câmara de Vereadores de Limoeiro do Norte, rendendo-se aos seus argumentos e aos apelos da Pastoral da Terra, aprovava a lei municipal que coibia as pulverizações aéreas (usando aviões) de agrotóxicos, tal como pretendiam os poderosos produtores de bananas da Chapada.
Zé Maria telefonou-me exultante. Afinal, aquele era o objeto imediato de sua campanha. Todavia, havia mexido em um vespeiro de pujante ferocidade, justo os tais bananicultores. Com efeito, Zé Maria viveu pouco para comemorar.

No dia 21 de abril deste ano, seu corpo tombava, cravejado por 19 balas. Uma cilada covarde, inominável, urdida, por ironia, junto ao campo dos aviões que impedira de voar. Calaram a voz de protesto do ambientalista.

Com Zé Maria, sepultavam, pouco tempo depois, a lei que proibia as pulverizações aéreas.
A mesma Câmara não hesitou em torná-la sem efeito. O mesmo prefeito apressou-se a sancionar a revogação, mui sensível aos apelos dos ilustres produtores de bananas. Prevaleceu, enfim, a lei dos mais fortes.

Segundo Marx, "Homens de argila que se moldam facilmente aos caprichos dos capitalistas". Assim, sepultaram um sonho. Um crime inominável.

Quase dois meses depois, não se sabe quem o praticou e quem o patrocinou.

Enquanto isto, milhares de consumidores continuam a ingerir as frutas envenenadas oriundas da Chapada do Apodi. Resta-me o profundo constrangimento.
(publicado em 17 de junho)

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