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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sábado, 29 de março de 2014

O que aconteceu com o vôo MH370?



por Tião P.

Nec Spem, Nec Metum, armata conscia (Sem esperança, sem medo, apenas armado de consciência). Como calar diante do que vem ocorrendo com o acidente da Malasian Airlines no voo MH 370, com 239 pessoas a bordo cada dia mais “desaparecido” e confuso, uma tragédia (desespero) sobre a tragédia (desastre). Consta na enciclopédia da web: “A tragédia é uma forma dramática cujos personagens protagonistas vêm-se enfrentados de maneira misteriosa, invencível e inevitável contra o destino ou deuses. As tragédias terminam geralmente na morte ou destruição física, moral e econômica do personagem principal (cidadão), quem é sacrificado assim a essa força que se lhe impõe e contra a qual se rebela com orgulho insolente ou hybris.

Em 29 de setembro de 2006 o Boeing 737-800 da Gol Transportes Aéreos em seu voo 1907 com 154 seres foi derrubado por um jatinho na mesma rota em sentido contrario; Em 31 de maio de 2009 o Airbus da Air France (AF-470) foi derrubado com seu comandante ausente do “cockpit” e cabine e 228 pessoas sucumbiram. No primeiro o “transponder” foi desligado, no segundo “pitots” congelaram e os co-pilotos não eram experientes, em ambas, irresponsabilidades.

Toda aeronave de porte é monitorada em voo por radares e emite ACARS (Aircraft Communications Addressing and Reporting System) e estamos há 20 dias completamente senão no escuro, desviados. Por quais razões? Militares?

Na época do acidente da AF 470 recebi um e-mail do amigo L. Carvalho afirmando que e-mail pode alterar sistema de orientação de voo sem a percepção no “cockpit” e há os e-mails bombas que podem derrubar o avião. Não existem bruxas.., mas no N.Y Times em 2007 estampou: “O equipamento GPS (hoje inserido em I-pad, telefones celulares, câmara digitais, relógios etc.), ligado em voo podem alterar a rota.

Passaram-se mais de vinte dias e apenas informações confusas dão espaço às versões do “folclore místico” e outras aberrações. O mundo televisivo é diferente daquele dos livros, pois no primeiro usa a “visão” e no outro a “imaginação” que se armazena, mais facilmente no cérebro, enquanto o outro se guarda no Disco Rígido (Hard Disk), logo não há memória, nem preservação. 

O voo “007” da Korean Airlines com 269 seres foi derrubado por entrar no espaço aéreo soviético que se justificaram por testar no momento um míssil balístico nas ilhas Sakalinas; O voo RG 987 da Varig em 30 de janeiro de 1979 “desapareceu” na mesma rota. Uma das versões é que trazia as peças do caça Mig 25 desertor que aterrissara no Japão; Seis anos antes, em 11 de julho outro voo RG 820 de forma muito estranha foi obrigado aterrissar em uma plantação na periferia de Paris, por um incêndio com 123 mortos e 11 sobreviventes. A versão é de transporte de carga imprópria inflamável... Muitas versões são alimentadas pelo poder, logo não se pode perceber o quanto de fantasia, loucura ou realidade há entre as diferentes versões. Sua dosagem seletiva é por ele controlada. 

A “força” militar adquire poder com a “arma informática” seus artefatos mais eficientes. Lembram do “bug” do milênio que apavorou o mundo. Vinte e quatro anos antes, um teste militar feito no Reator 4 de Chernobyl contaminou toda a Eurásia do Algarves até o Pólo Norte e Urais; Pôs em polvorosa o mundo e nos fez importar carne suína da Hungria e Leite em pó radioativos da Polônia. Como era Guerra Fria não foi necessário criar uma versão, apenas esconder que era um “teste” de defesa. Inimigos sim, mas pares!

O voo da Vasp VP-375 de 29 de Setembro de 1988 foi sequestrado pelo Raimundo Nonato e desviado para Brasília para ser jogado contra o Palácio do Planalto ocupado pelo conterrâneo Presidente Sir Ney. Treze anos depois a tragédia em Nova Iorque deixou os norte-americanos e o mundo perplexos.

Todos aguardam as respostas:
- O que aconteceu com o MH370 foi acidente, ato tresloucado..? 
- Ou foi ação organizada por inteligência (militar)..? 

Tenho reagido ao comportamento da mídia que usa, explora e conduz a violência em todos os noticiários para criar a instalação o Poder Supremo do Consumo e Alienação destruindo cultura, boa vontade e amor. Inconscientemente, todos têm a cada dia mais saudade da paz e segurança do dia anterior e medo do dia de amanhã. Criar o medo é um grande e rentável negócio. No filme “O homem da Máfia” (Killing them softly) Brad Pitt diz: “Os EUA não são um país, são apenas um balcão de negócios”. Talvez por isso, o título em inglês, e também em português, mas o que ocorre é que o mundo está se tornando isso. Então, use a memória e dê asas à imaginação.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Emissão de Declaração de Aptidão ao PRONAF - DAP

Portaria MDA Nº 21 de 27.03.2014
Publicado no Diário Oficial em 28 de março de 2014
Estabelece as condições e procedimentos gerais para a emissão de Declaração de Aptidão ao Pronaf - DAP.
O Ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário, no uso da competência que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição, e das atribuições previstas na Resolução nº 4.107, de 28 de junho de 2012, do Banco Central do Brasil, e observado ainda o disposto no Capítulo 10 do Manual de Crédito Rural do Banco Central do Brasil, que dispõe sobre o regulamento e as condições para a realização das operações de crédito rural ao amparo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - Pronaf, em especial no que se refere à identificação do agricultor familiar,
Resolve:

Fonte: LEGISWEB

quinta-feira, 27 de março de 2014

Galactolatria: mau deleite

Palestra de Sônia T. Felipe sobre as implicações éticas, ambientais e de saúde no consumo de leite bovino. Instituto Çarakura - Florianópolis 23/02/2013 - www.institutocarakura.org.br

*Agradeço a colaboração do Igor L. Guedes na edição desse vídeo.





sexta-feira, 7 de março de 2014

"rogai por nós"

Ora-pro-nobis, foto: O. Blanco
Sr. Tião P.

Pretensioso eu creia saber muito sobre química de venenos, mas por mais que estudasse e praticasse estou percebendo severas limitações. É óbvio que elas são bem diferentes daquelas dos operadores do “Agronegócios”. O fungicida Prothioconazole foi lançado por sua empresa que possui mais de vinte e cinco mil cientistas de primeira linha, inclusive na área de biologia molecular, mas a fitotoxicidade do produto comprometeu as lavouras onde foi aplicado, o que é imperdoável incompetência.

Antecipando-se à corrida ao Código de Defesa do Consumidor, entidades vieram a público, imediatamente, prestar serviços, ao meu juízo mais para resguardar imagem e interesses da empresa. Bem diferente do similar ocorrido nos EUA, no desastre em 1998, no Delta do Rio Mississipi com as sementes transgênicas de algodão Roundup Ready da Monsanto que não produziram pluma. Lá a justiça foi rápida e exemplar. As indenizações foram totais e milionárias, constando não validade dos futuros contratos para aquelas áreas. Aqui a violência estrutural não estimula defender direitos e “atravessadores” prestam serviços a ambas as partes. É o fim do Estado Nacional. Insólito!

O Prothioconazole foi anunciado pela Joint Meeting on Pesticides Specifications da FAO & JMPR do Codex Alimentarius da OMS - ONU que em 2008 fez suas “monografias”. Não encontrei uma linha sobre fitotoxicidade e raras referências à soja no documento de 181 páginas, o que é muito estranho. O diagrama mostra algumas rotas de metabolização em algumas plantas.

Ingênuo pensava que o que ocorria com os “Defensivos Agrícolas” era pelo regime de exceção & corrupção como consta no livro “A Máfia dos Agrotóxicos no Brasil”, mas estava, apenas, meio enganado. A instalação da Ferrugem Asiática criou o maior mercado de fungicidas da atualidade; Produto que ao ser usado, também nos cereais, passa a ser o carro chefe da empresa. Foram feitas as exaustivas experimentações e testes nacionais necessários? Há perspectivas de “venda de serviços” & “participações lucrativas” para alguns, mas perdemos todos no Estado Nacional... Onde fica a sustentabilidade nos países periféricos? Nos centrais há vinte anos isso já foi desdobrado em políticas públicas de governo denominada de: “SAÚDE DO SOLO”, onde são estimulados o aumento da população e diversidade de micróbios e há até o instrumento tecnológico do BIOCHAR para armazenar Carbono no Solo e evitar o Efeito Estufa.

Aqui a “agricultura moderna” de “mecanização intensiva”, “Agrotóxicos livres e imprescindíveis” e “conservação de solo & água” continuam como ordem suprema das grandes corporações financeiras e governo caudatário. Aguarda-se a imposição de novas políticas públicas de interesse privado de insumos e serviços das grandes corporações financeiras e industriais no Estado Híbrido do Século XXI que comemora a incorporação financeira da Agricultura Familiar, via FAO.

Caricato & periférico eu acreditava que nenhuma janela havia destruída nas instalações da Bayer, BASF e Hoechst durante a Segunda Guerra Mundial pela importância da produção imediata da “arma química” (Soman, VX etc.) para evitar a invasão do Ocidente pelos tanques soviéticos na Guerra Fria. E ainda, que a instalação de um complexo de fabricação de fosforados na década de cinquenta em Belfort Roxo, no Rio de Janeiro permitiria alcançar a “The poor man’s Atomic Bomb”, mas estudando o Roundup Ready (que possuía patentes já em 1938) encontrei outra razão. A síntese do “TBP” (Terti-butil Fosfato) que os nazistas usavam misturado com querosene para a purificação rápida e econômica do combustível nuclear para sua “bomba atômica” e que depois, na “corrida armamentista” proliferou em ambos os lados. Em Hanford, Benton, Washington se gasta treze bilhões de dólares em remediação ambiental.

Agora sei, é por isso que os inseticidas clorados vão ser substituídos pelos fosforados na agricultura do mundo (causando 87% das mortes de camponeses e trabalhadores) e nada de razões sanitárias, ambientais ou degenerescência celular...


Antecipar o conceito de “Saúde do Solo” evitando sua transformação em insumo, revitalizando a cromatografia de Pfeiffer como instrumento conceitual para construção de “saúde do solo” junto aos camponeses foi uma estratégia, mas descobrimos que, em todos os cromatogramas de Pfeiffer dos solos com soja Roundup Ready há mumificação da “matéria orgânica”, foto.

Como o Professor James E. Rahe da Simon Fraser University B.C.-Canadá, desde os anos 80 vem reiteradamente denunciando que, o uso de Glyphosate provoca o aumento dos fungos parasitas no solo e destrói os sistemas imunológicos (fitoalexinas) das plantas propagando epifítias (epidemias vegetais). No Brasil desde 2005 há a denúncia T. Yamada que demonstra esses dados em café, eucalipto, laranja, uva e cereais, e deve ser agregado soja.

Mudaram o nome da agricultura moderna para Agronegócios, mas não me ocupo do conceito jurídico de “quadrilha”, nem da violência estrutural do poder no Estado Híbrido do Século XXI, embora na segunda metade do século passado o termo tenha sido “Máfia”. Oremos: “Ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.”



quinta-feira, 6 de março de 2014

O regresso à terra por Vandana Shiva





Vandana e Stédile no III Encontro Internacional de
 Agroecologia, Botucatu - SP - Brasil
Vandana Shiva (Dehradun, 5 de novembro de 1952) é uma física, ecofeminista e ativista ambiental da Índia.
Na década de 1970, participou daquele que ficou conhecido como o Movimento das Mulheres de Chipko, formado em sua maioria por mulheres que adotaram a tática de se amarrar às árvores para impedir sua derrubada e o despejo de lixo atômico na região. Uma das líderes do International Forum on Globalization, Shiva ganhou o Right Livelihood Award em 1993, considerado uma versão alternativa do Prêmio Nobel da Paz.
Ela é diretora da Research Foundation for Science, Technology, and Ecology, em Nova Déli, segundo ela "um nome muito longo para um objetivo muito humilde, que é o de colocar a pesquisa efetivamente a serviço dos movimentos populares e rurais, e não apenas fazer de conta que estamos ajudando-os". Shiva é autora de inúmeros livros, entre os quais The Violence of the Green Revolution (1992), Stolen Harvest: The Hijacking of the Global Food Supply (2000), Biopirataria: a pilhagem da natureza e do conhecimento (Vozes, 2001), Protect or Plunder? Understanding Intellectual Property Rights(2002), Monoculturas da mente (Global, 2004), Guerras por água (Radical Livros, 2006).
Shiva é figura de destaque no movimento anti-globalização e consultora para questões ambientais da Third World Network. Entre suas atividades mais recentes, incluem-se iniciativas de ampla divulgação para a preservação das florestas da Índia, luta em favor das sementes como patrimônio da humanidade e programas sobre biodiversidade dirigidos a diferentes coletividades, além de pesquisas para o desenvolvimento de uma nova estrutura legal para os direitos de propriedade coletivos, como alternativa para os sistemas de direitos de propriedade intelectual atualmente em vigor.
Antes de se dedicar integralmente ao ativismo político, às causas feministas e à defesa do meio ambiente, Shiva foi uma das principais físicas da Índia.
Fonte: Wikipédia

terça-feira, 4 de março de 2014

O triste fim do Córrego Fortuninha em Assis (SP) II

Isto é de uma consciência cidadã...

Carnaval e eu pensando. Pensando na natureza. Pois é, fui rever um local que há pouco me preocupava quando residia em Assis. Fiquei surpreso ao ver cercas, placas e o inicio de uma intervenção ambiental: um pequeno plantio de árvores.


Como estava antes quando dei voz às imagens e as imagens olhar aos cidadãos de Assis, neste post:


Agradeço muito essa atitude. Agradeço a todos e todas que lutam por um bem-estar maior de nossas cidades.

Notícia sobre o fechamento _aqui_






...o problema do lixo é anualmente acumulado nas costas de gestores públicos. Não há saída para seus munícipes geradores de lixo, sendo estes, os mesmos a dar a mínima para o seu destino. Nem ao menos separam o orgânico, reciclam (?).

O problema do lixo não é só da prefeitura caro, cara, cidadão, cidadã... é de todos e todas! Não é um problema de investimentos, obras e tal, e sim de ATITUDE. Assis chegou a um ponto cuja única maneira de reverter essa situação é através da mobilidade de seus moradores!

Assis não tem só esse local ruim...

Aterro de lixo não doméstico é interditado em Assis

ONG "CIDADANIA EM ASSIS" ENTREGA, AO SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DE SÃO PAULO, BRUNO COVAS, RELATÓRIO SOBRE A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL EM OITO APPs  URBANAS DE ASSIS/SP


domingo, 2 de março de 2014

AGROFLORESTA

Aprendendo a Produzir com a Natureza




por Walter Steenbock e Fabiane Machado Vezzani - Ilustrações de Claudio Leme


APRESENTAÇÃO

Em  uma  definição  ampla,  sistemas  agroflorestais  (SAFs)  são  combinações do elemento arbóreo com herbáceas e/ou animais, organizados no espaço e/ou no tempo.

A legislação brasileira, em diferentes instrumentos legais (Brasil, 2009 Brasil, 2011), tem definido sistemas agroflorestais como “sistemas de uso e ocupação do solo em que plantas  lenhosas perenes são manejadas em associação com plantas herbáceas, arbustivas, arbóreas, culturas agrícolas forrageiras  em  uma mesma  unidade  de manejo,  de  acordo  com  arranjo espacial e  temporal, com alta diversidade de espécies e  interações entre estes componentes”.

Quando caracterizados pela alta diversidade de espécies e pela ocupação vertical de diversos estratos, os sistemas agroflorestais são comumente chamados, na literatura, de sistemas agroflorestais multiestrata (Angel-Pérez & Mendoza, 2004; Benjamin et al., 2001; Caja-Giron & Sinclair, 2001 Staver et al., 2001; Granados, 2005; Silveira, 2005; Holguin et al., 2007).

Muito embora diferentes definições de sistemas agroflorestais caracterizem estas áreas, grosso modo, como consórcios entre árvores e culturas agrícolas, é relevante destacar, nestes sistemas, o cuidado com o manejo da  luminosidade, da produtividade primária, da sucessão natural, da reciclagem de nutrientes e das relações ecológicas.

Em outras palavras, mais do que  identificar os  componentes de uma agrofloresta – árvores, arbustos e culturas agrícolas –, é importante caracterizar que intervenções ou práticas de manejo estão por trás dessa estrutura. Mal comparando, pode-se caracterizar uma praça como um loca que contém brinquedos infantis, como escorregador, balanço e gangorra. Entretanto,  são as  crianças balançando nos balanços, brincando na areia, rodando com o avô, jogando bola, subindo ou descendo do escorregador ou andando de bicicleta que fazem a praça.

De forma análoga, caso não considerarmos os elementos definidores da estrutura agroflorestal, corremos o risco de manter a mesma lógica produtiva da artificialização de agroecossistemas, comum na agricultura convencional, para a produção agroflorestal.

Na agrofloresta, não se trata de artificializar as condições para a germinação e crescimento das espécies de interesse, mas de potencializar os processos naturais para a otimização da produção, tanto das espécies de interesse quanto da biodiversidade como um todo. É justamente nessa diferença de orientação do processo produtivo que a prática agroflorestal pode contribuir para a sustentabilidade da produção de alimentos.


Para Götsch (1995), “os sistemas agroflorestais, conduzidos sob o fundamento agroecológico,  transcendem qualquer modelo pronto e sugerem sustentabilidade por partir de conceitos básicos fundamentais, aproveitando os conhecimentos locais e desenhando sistemas adaptados para o potencial natural do lugar”. A partir dessa definição, Götsch (1995) propõe que “uma intervenção é sustentável se o balanço de energia complexificada e devida é positivo, tanto no subsistema em que essa intervenção foi realizada quanto no sistema inteiro, isto é, no macrorganismo planeta Terra; sustentabilidade mesmo  só  será  alcançada  quando  tivermos  agroecossistemas parecidos na sua forma, estrutura e dinâmica ao ecossistema natural e original do lugar da intervenção (...)”.

Esta concepção se mescla ao pensamento contemporâneo de conservação ambiental, que vem assumindo cada vez mais a importância do uso sustentável da biodiversidade como paradigma e, neste paradigma, o envolvimento da dinâmica da biodiversidade associada à dinâmica do uso humano.

Cada vez mais se concebe a natureza não como uma imagem estática, na qual a sustentabilidade do uso represente algo como poder tirar um pedaço pequeno dessa imagem, sem comprometer sua integridade – o que de fato seria impossível. O uso sustentável só é possível na prática de contribuição deste uso com os processos naturais, no rumo crescente da integração, da troca e do aumento de biodiversidade e de produtividade.

A  concepção  geológica,  climática,  biogeográfica,  evolutiva  e  ecologicamente dinâmica da biodiversidade  indica que, mais que a preservação  das espécies ou comunidades de forma isolada, o objetivo central da conservação biológica é possibilitar a continuidade dos processos evolutivos e ecológicos (Pickett & Rozzi, 2000). Richard Primack, um dos mais expoentes representantes da biologia da conservação atual, em conjunto com outros colegas, descreve que, se pensarmos metaforicamente que a vida é como a música e esperarmos que a música  siga  vibrando, então não devemos pretender guardar os instrumentos musicais em vitrines e evitar que sejam tocados por seres humanos, mas sim devemos estimular que os músicos possam tocar delicadamente as cordas em um quarteto, reverberar os tambores e respirar com as lautas, mantendo o movimento musical adequado ao tempo. É com essa perspectiva que se trará a biodiversidade em nível de  genes,  populações,  espécies,  comunidades  biológicas,  ecossistemas  e regiões (Rozzi et al., 2001).

Fazer agrofloresta, nesta metáfora, é perceber e tocar a música. A prática agroflorestal envolve captar e entender como os processos vitais, os ciclos biogeoquímicos e as relações ecológicas estão acontecendo, identificando como potencializá-los para o aumento de fertilidade, produtividade e biodiversidade naquele espaço.

Essa identificação deve recorrer, sem dúvida, ao uso de conhecimentos acumulados, tanto a partir da prática acadêmica quanto a partir da prática produtiva – ou seja, ao uso do conhecimento científico e do saber ecológico local. Mas,  essa  identificação  envolve  também,  com  igual  importância,  o “perguntar” ao ambiente o que ele está fazendo no rumo do incremento de fertilidade e biodiversidade. Assim,  fazer agrofloresta  consiste em  trazer as  ferramentas  do  conhecimento  para  utilizá-las  nos  processos  naturais daquele espaço, naquele momento, em um movimento constante e balanceado entre percepção e prática. Em outras palavras, fazer agrofloresta é manter  um  diálogo  constante  com  o  ambiente  natural,  conversando  com seus processos e relações, perguntando o que é mais adequado ao seu luxo e, ao trazer sua contribuição a este luxo, receber dele a produção de alimentos. Assim, fazer agrofloresta é, também, educar-se ambientalmente.

Este  livro  traz alguns conceitos de ecologia, discutindo sua aplicação na prática agroflorestal. Não parte, entretanto, de hipóteses da aplicação desses conceitos, mas, principalmente, de “trazer ao papel”, ainda que de forma fragmentada, a aplicabilidade desses conceitos, experienciada, especialmente, por agricultores familiares associados à Cooperafloresta (Associação de Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo - SP e Adrianópolis - PR). Há quase duas décadas, agricultores e  técnicos destes municípios, no Alto Vale do Rio Ribeira, entre Paraná e São Paulo, vêm produzindo alimentos  em  conjunto  com  o  incremento  de  fertilidade  e  conservação  do solo, de biodiversidade, de autonomia e de segurança alimentar, por meio da agrofloresta. Hoje, nessa região, mais de uma centena de famílias têm na prática agroflorestal sua opção de produção e reprodução familiar, demonstrando, assim, esse caminho.

Na primeira parte deste  livro, apresentam-se e discutem-se conceitos ecológicos de  forma  contextualizada  com a prática agroflorestal. Na  segunda  parte,  descreve-se,  brevemente,  como  as  famílias  agricultoras  da Cooperafloresta fazem isso. Longe da pretensão de detalhar profundamente os conceitos, e mais longe ainda da pretensão de descrever  todos os aspectos  relacionados à prática agroflorestal, pretende-se que este  livro possa ajudar estudantes, agricultores  e  professores  a  utilizarem  a  agrofloresta  como  caminho,  ou como música.

Fonte: livro





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