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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Manejo dos Solos Tropicais e Agroecologia



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      As técnicas agrícolas dominantes em nosso território são errôneas e acelera a degradação do solo. Muito se dissemina técnicas de preparo de solo importadas de países que possui um clima temperado onde o solo deve ser lavrado e revirado para que a matéria orgânica acumulada devido ao clima seja decomposta rapidamente.

      Somos um país de clima tropical e nossos solos são pobres em matéria orgânica. Devido ao clima quente e úmido a decomposição é acelerada. Assim, o aproveitamento pelas plantas do produto decomposto da matéria orgânica, o húmus, é pouco ou
quase nada.

     O grande desafio da Agroecologia é fazer a transição da agricultura convencional – uso de adubos químicos, agrotóxicos, preparos de solo c
om lavragem pesada – para um sistema que conserve o solo e o meio ambiente – uso de adubos verdes, cobertura vegetal e resíduos vegetais (resto de culturas), plantios de quebra-ventos, árvores, preparos mínimo do solo, policultivos, entre outras técnicas relevantes ao bom funcionamento dos ciclos biogeoquímicos, da fauna e da flora. Também é um desafio, obter alimentos saudáveis, em equilíbrio com os recursos naturais e sem a dependência de insumos externos. Ficar então, livres das sugadoras multinacionais que visam apenas o lucro e a contínua degradação ambiental, cabendo ao cidadão o consciente consumo.

     A Agroecologia é uma ciência de caráter multidisciplinar, logo, fornece os princípios básicos para o estudo e tratamento de ecossistemas produtivos ou preservadores dos recursos naturais, e que sejam culturalmente sensíveis, socialmente justos e economicamente viáveis (ALTIERI, 1987), neste caso, para o correto manejo de nossos solos, aqui entra todos os so
los brasileiros, deve se trabalhar inúmeras técnicas, todas elas integradas. O camponês e a camponesa deve estar consciente que todas são importantes no sistema. A Agroecologia exige muito trabalho, conhecimento e paciência até que se atinja um estádio de evolução para comercializar os excedentes de alimentos, assim como, as associações de produtores estarem unidas para processá-los em agroindústrias. O processo é lento. Mas no futuro, vai sorrir aquela família de produtores rurais que privilegiarem introduzir um sistema que preserve a multiplicação de bons tratos com a terra.

      Alguns conhecimentos técnicos que devem ser concretizados e construídos nas cercanias dos Assentamentos rurais são:

      • A preservação de nascente
s. É vital a conservação do recurso ÁGUA; plantar árvores nativas em sua volta e nas margens de cursos d’águas e lagos contribuirá para a preservação dos recursos hídricos, mantendo micro climas favoráveis às culturas;
• Introduzir ÁRVO
RES. Para que um sistema agrícola comece a manter o respeito ao equilíbrio com o meio ambiente, deve-se realizar o plantio de 12 a 15 árvores por hectare (10.000 m²). As árvores são seres reguladores de clima, ajudando o solo a não perder sua vida estrutural, mantendo os índices pluviométricos estáveis e bem distribuídos;
• Cobertura vegetal. Um solo tropical nunca pode ficar sem cobertura vegetal, no limbo. Pois existem no solo muitos organismos benéficos (fungos, bactérias, minhocas, etc.) que estruturam o solo, ajudam a sintetizar a matéria orgânica proveniente da matéria morta vegetal. O solo tem vida, deve ser uma esponja com macro e microporos contendo: gases (oxig
ênio, carbono) e capacidade de infiltração e armazenamento de água. Portanto, o assentado deve procurar introduzir as técnicas de plantio direto, não seria ainda a solução agroecológica, mais é o primeiro passo para não deixar o solo descoberto;
• Uso de LEGUMI
NOSAS. Leguminosas são plantas indispensáveis na Agroecologia, quanto mais elas estiverem no sistema, melhor será a vida do solo. É através delas que colocamos no solo, a adubação nitrogenada. São ricas em proteínas e açúcares fazendo com que sirvam de substratos aos microrganismos do solo, ajudando na sua estruturação e fornecendo nutrientes as plantas desejáveis. Leguminosas são plantas companheiras; no entanto, criar um banco de semente coletivo ou individual deve ser obrigação para preservá-la no sistema. Colecione sementes;
• Uso de calcário e rocha fosfatada (ROCHAGEM). São dois minerais dentro de um sistema agroecológico indispensáveis para manter a ciclagem do sistema, sem eles a mobilização dos nutrientes no solo não acontece, fazendo com que o sistema não se desenvolva ou quase pare.

      Lembramos que: nossos solos não podem permanecerem descobertos; bons tratos com a terra é condição indispensável para o crescimento de boas raízes e a conseqüência é a colheita de bons frutos, a  conservação ambiental, local este, que adquiriste para viver em família e criar filhos fortes e sadios.

      Planeje a evolução de sua terra conquistada. As informações de manejo ecológico dos solos são muitas, assim, estaremos à disposição para passá-las, podendo, no entanto, ser construídas e concretizadas em conjunto, técnicos e produtores. Somos todos agentes de mudanças e o futuro a nós pertence, basta querer agarrá-lo. Não sejamos iguais ao agro negócio, temos nossa própria ideologia em relação à natureza que nos cerca. DEUS agradece, pois ele está entre nós. Amém!
OLIVER BLANCO
Engenheiro Agrônomo
Texto publicado no Jornal "Ocupação" para a Regional do MST em Itapeva/SP em 2008.

AGRO NEGÓCIO...


AGRO NEGÓCIO...

Palavra por demais utilizada hoje em todos os cantos do Brasil e que se refere à produção agrícola e pecuária do país.

Estamos vivenciando um crescimento estrondoso neste seguimento, mas uma boa parte dos produtores ainda não sabem ou não têm acesso às tecnologias disponíveis. Nossa política agrícola é incipiente, nossa fiscalização ineficiente, nossos dirigentes não apresentam um conhecimento global do mercado, ou seja, não parecem estar preparados para as funções que exercem.

Ainda estamos engatinhando em muitas fases do processo. Como preservação do solo, do ambiente, dos mananciais, rios, florestas. Biomas estão sendo dizimados sem critério algum – destruições das matas, poluições, uso indiscriminados de defensivos, mão de obra explorada sem as mínimas condições de proteção.

Isto tudo em nome do agronegócio. Pelo o que representa este seguimento, precisamos sim, estarmos atentos aos concorrentes, Estados Unidos, Austrália e outros; conhecermos os mercados compradores, suas exigências, potencial e nos profissionalizarmos para atendê-los.

Há muito que se fazer neste país para termos um agronegócio competitivo em nível mundial. Precisamos criar formas, técnicas e maneiras de transferir as tecnologias aos produtores. Precisamos estimular estes produtores a buscarem o conhecimento. Melhorar as condições de transportes, armazenagem e principalmente: criarmos profissionais para vender nossa produção.

Mercados são conquistados com produtos de qualidade, então temos que atentarmos a toda cadeia produtiva de um determinado produto. Um exemplo bom é a carne, hoje um mercado muito difícil, mas o país está transpondo todas as barreiras, conseguiu superar os Estados Unidos, Austrália, mas em contrapartida, temos problemas com o couro dos animais, a alimentação em muitos casos é deficiente, em função da falta de conhecimento das pastagens, manejos, da sanidade e outros agravantes. O mesmo para soja, algodão. Veja o caso do café, a Alemanha é o maior exportador do mundo e não produz um único grão.

O Brasil é sem dúvida o futuro da produção de carnes e grãos, por isso as entidades de classe, os governos Estaduais, Federais, as universidades, técnicos e demais profissionais ligados a esta cadeia, não podem descuidar em nem um momento da extrema importância do agronegócio.

O agro negócio é o nosso negócio.

LUIZ BLANCO

“Viver, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só fazer outras maiores perguntas” Guimarães Rosa

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cachaçaria Mel Na Boca



Localizada no interior de São Paulo, em Ribeirão Preto, a Cachaçaria Mel na Boca expõe aos apreciadores da boa cachaça brasileira uma seleção das melhores bebidas produzidas hoje no Brasil.

A cachaça vem preservando e acompanhando a evolução cultural do Brasil. A bebida é armazenada e descansada em barricas artesanalmente fabricadas com madeiras nobres de nossa Terra. Umburanas, bálsamos, amendoinzeiras, jequitibás-rosa, freijós são as madeiras em que hoje dão sabor, aromas, cor e vida as nossas cachaças, além das barricas de carvalho cuja origem vem da Europa ou dos Estados Unidos.

Bebida para se prosear com os amigos, festejar em dias de quermece, cantarolar em rodas de viola. A cachaça é a nossa cultura. É do Brasil.

Então... fique a vontade. Se achegue gente. Pode entrar, a casa é paulista mais tem um jeitão de mineiro. Olha o sítio sô: www.cachacariamelnaboca.com.br

Agradecemos desde já a hospitalidade.

Abraços de preservações permanentes...

Oliver Blanco


segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dedicação


Quando comentei com meu pai que iria projetar um pequeno jornal informativo para produtores rurais, chamado O Extensionista, lembro que me surpreendeu dizendo: "a EMATER já faz isso há muito tempo".

A EMATER (serviço de extensão rural criada em 1956 no Estado do Paraná, acordados em convênios entre os governos do Brasil e dos Estado Unidos) era a denominada ETA Projeto 15 - Escritório Técnico de Agricultura. Passou a ser a Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) em 1977, no ano em que vim ao mundo. Em 23 de dezembro de 2005, de empresa pública para a autarquia, tornou-se um Instituto, hoje representada em muitos Estados brasileiros, podendo ter nomes diferentes mas com a mesma ideologia em implementar o pacote tecnológico da (In)Revolução Verde com base na lavra pesada dos solos tropicais, aplicação de venenos (Agrotóxicos) e uso abusivo de fertilizantes químicos sem o devido respeito as leis de aplicação técnica, máximo e mínimo, regido aos Adubos.

Este momento ocorreu logo em que me formei em Engenharia Agronômica pela Unesp - campus de Jaboticabal/SP. Na academia, um ano antes, circulou o "Sinapse", jornal editado e revisado por mim para divulgação dos trabalhos da Associação Atlética, com um "jeitão" alternativo e de caráter político forte.

Hoje, depois de 4 anos de formado, 'ainda' tenho a paciência em tecer esse blogue, com uma linguagem rustica campesina voltada ao real desenvolvimento interno e libertário de nossa agriCultura, tradicional Familiar, aglutinada a partir de Movimentos Sociais, Indígenas e Quilombolas do Brasil e em especial a todos e todas, Campesinos e Campesinas Latinos Americanos. 

Dedico a todas(os) as(os) técnicas(os) extensionistas, sendo vocês Agrônomas(os), Zootecnistas, Veterinárias(os), Biólogas(os) entre outros, interessados em costurar as veias abertas da América Latina. Em curar os solos degradados de nosso continente, dando a ele o seu correto manejo; em regenerar a mineralogia dos solos e recuperar nossas matas, as margens de rios, lagoas, córregos e nascentes; em reconstruir habitat e preservar a nossa fauna e flora, nossos guardiões das florestas, índios; em redesenhar, resgatar e preservar nossa Cultura camponesa, selvagem, agroecológica orgânica e natural.

Elevar ao grau de importância máxima a Soberania Alimentar e Social dos povos.

Nessa pegada forte concluo: nosso inimigo cavalga em máquinas obsoletas, sedentas por lucros, transmitindo doenças e ao mesmo tempo a cura imediatista de um sistema economicamente instável, ambientalmente degradável, incurável, a-cultural, e desprovido de respeito Constitucional. Alienados apocalípticos em nossa Terra mãe, visionários da guerra e não da paz, do bate cabeça humano inconscientes ao invés da harmonia social consciente.

Seremos a “propriocepção em defesa do real desenvolvimento interno e emancipador do território brasileiro e Latino. AgriCultura, nossa luta.” 

Aos corações revolucionários que teimam em bater, dedico.

Oliver Blanco



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