"

'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Plantas invasoras e o manejo do pasto



O manejo do pasto com a correta utilização da estrutura da planta 
diminui a incidência de plantas daninhas e aumenta a produtividade.

Cyperus esculentus L. – essa planta tem aparecido em pastos na região de Dores do Indaiá, Minas Gerais.
Cyperus esculentus L.

            Plantas daninhas são ecotipos – ecologicamente adaptado ao habitat. Seu aparecimento se dá pela ação direta do homem na condução e no manejo do ambiente de produção, bem como, já implantado o sistema de exploração agrícola, pela adversidade climática ocorrida no ano.

            Outras condições para seu aparecimento em locais não desejáveis são:

  • Grandes alterações climáticas, como um ano de muita incidência de chuvas. As sementes de Cyperus esculentus L. (Tiririca), por exemplo, possui uma longevidade no solo de 21 a 76 anos, permanecendo em estado de dormência podem dar um grande estouro de germinação;
  • A decadência da fertilidade anual do solo em ambiente de produção. A falta de certos nutrientes (micros ou macronutrientes) poderá acarretar no aparecimento de certas plantas adaptadas a sua indisponibilidade no solo, tornando a “daninha” em muitos dos casos, uma planta indicadora do excesso ou da falta de nutrientes, como também de solos adensados, entre outros;
  • Disseminação via sementes de baixa pureza, podendo ocorrer devido às irregularidades em campos de produção, sendo estes, sem o registro do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - e sem a fiscalização e a assistência técnica pela Empresa que a comercializa;
  • A degradação de culturas perenes, em pastagens, por exemplo, pela utilização incorreta da planta forrageira e o manejo de animais sem o ajuste do uso das características estruturais da planta as condições de campo.

A degradação do pasto em virtude da produção extensiva de bovinos é agravada quando plantas indesejáveis começam a disputar espaço entre as touceiras de capim. Isso ocorre pelo desconhecimento das características de crescimento da forrageira bem como sua utilização em pastejo continuo.
pastejo extensivo, Belém/PA - 2007, oliver blanco
O que gerencia toda produção de massa verde é a luz. Pesquisas sobre as alturas de entrada e saída dos animais no pasto, de forrageiras como o Brachiaria brizantha cv. Marandú e Xaraés, Panicum maximum cv. Mombaça, Tanzânia, Aruana, Massai, entre outras, têm evidenciado o controle da altura da planta para um manejo produtivo e correto da planta.  A competição interespecífica por luz faz com que a planta possua uma altura ótima de produção e utilização pelos animais.

Fonte: Carvalho F.A.N. et al Nutrição de Bovino a Pasto, 2003
Porém, essa competição por luz deve ocorrer entre a planta desejada, a forrageira. Na medida em que o pastejo ocorre de forma insustentável (sem a ciclagem de nutrientes) fazendo com o pasto permaneça com baixa cobertura vegetal - o animal permanece pastejando a forrageira continuamente, deixando a totalmente sem as folhas - outras plantas surgem tornando-se competidoras no pasto, sendo assim, a luz permite o desenvolvimento de plantas indesejáveis. Neste caso, o manejo da altura da planta é importante, por abafar o desenvolvimento da planta indesejável.

O controle de outras espécie de plantas em nível de pasto se dá pelo manejo correto da estrutura da planta forrageira, sendo esse controle com melhor eficiência em lotação rotacionada e pelo uso correto da calagem referente à indicação da análise de solo e da saturação por base requerida pela forrageira.
piquetes de Mombaça para vacas de elite P.O. Belém/PA - 2007 oliver blanco
piquetes de Mombaça para vacas de elite P.O. Belém/PA - 2007 oliver blanco
O aumento das famosas "plantas daninhas" no pasto, diminui a disponibilidade de forragem e aumenta a procura pelo animal, no ato do pastejo, de capim com a quantidade e a qualidade protéica necessária ao seu dispêndio de energia, diminuindo assim, sua eficiência em pastejo e a conversão em ganho de peso ou produção em leite.

o texto foi escrito para o circular técnico da empresa Wolf Seeds em Ribeirão Preto, 2007.
Oliver H. Naves Blanco  

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Campanha Idec - Transgênicos












Caros amigos e amigas,

acabo de participar de uma campanha para impedir o fim da rotulagem de alimentos transgênicos. Essa é uma causa importante pois, caso os rótulos não vierem mais com o símbolo ?T?, não teremos como saber se os alimentos têm ou não ingredientes transgênicos em sua composição.

Eu não quero transgênicos na minha mesa. E você?

Se você também não quer, acesse agora o site do Idec e envie uma mensagem para os deputados que estão com a decisão sobre a rotulagem nas mãos!


Obrigado!




Democracia Rural - Joaquim Nabuco Essencial

Sem palavras...

Acampamento na beira da estrada no município de Itararé/SP

"O perído atual, porém, não é de conservação, é de reforma, tão extensa, tão larga e tão profunda que se possa chamar revolução; de uma reforma que tire esse povo do subterrâneo escuro da escravidão onde ele viveu sempre, e lhe faça ver a luz do século XIX. Sabeis que reforma é essa? É preciso dizê-lo com a maior franqueza: é uma lei de abolição que seja também uma lei agrária.

Não sei se todos me compreendeis e se avaliais até onde avanço neste momento levantando pela primeira vez a bandeira de uma lei agrária, a bandeira da constituição da democracia rural, esse sonho de um grande coração, como não o tem maior o abolicionismo, esse profético sonho de André Rebouças.

Pois bem, senhores, não há outra solução possível para o mal crônico e profundo do povo senão uma lei agrária que estabeleça a pequena propriedade, e que vos abra um futuro, a vós e vossos filhos, pela posse e pelo cultivo da terra. Essa congestão de famílias pobres, essa extensão de miséria - porque o povo de certos bairros desta capital não vive na pobreza, vive na miséria -, esses abismos de sofrimento não têm outro remédio senão a organização da propriedade da pequena lavoura. É preciso que os brasileiros possam ser proprietários de terra e que o Estado os ajude a sê-lo. Não há empregos públicos que bastem às necessidades de uma população inteira. É desmoralizar o operário acenar-lhe com uma existência de empregado público, porque é prometer-lhe o que não se lhe pode dar e desabituá-lo do trabalho que é a lei da vida.

O que pode salvar a nossa pobreza não é o emprego público, é o cultivo da terra, é a posse da terra que o Estado deve facilitar aos que quiserem adquiri-la, por meio de um imposto - o imposto territorial. É desse imposto que nós precisamos principalmente, e não de impostos de consumo que vos condenam à fome, que recaem sobre as necessidade da vida e sobre o lar doméstico da pobreza. [...] É tempo de cessar esse duplo escândulo de um país nas mãos de alguns proprietários que nem cultivam suas terras, nem consentem que outros as cultivem, que esterilizam e inutilizam a extensão e a fertilidade do nosso território; e de uma população inteira reduzida à falta de independência que vemos. Se eu não estivesse convecido de que uma lei agrária prudente e sábia podia criar um futuro aos brasileiros privados de trabalho, teria que aconselhar-lhes que emigrassem, porque a existência que levam não é digna de homens que se sentem válidos e querem dar a seus filhos uma educação que os torne independentes e lhes prepare uma condição melhor do que a da presente geração."

Discurso de Joaquim Nabuco em São José - Praça de São José de Riba-Mar, 5 de novembro de 1884.
Ocupação Itararé/SP

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A importância da Agricultura Familiar na alimentação escolar

O artigo é de Eduardo Sá, pela Carta Maior. De uma importância sem tamanha... O fortalecimento da Agricultura Familiar deve ser prioridade nas políticas públicas e ser reconhecida e respeitada pelos cidadãos brasileiros que se desligaram da terra.
Fonte da foto: portalhoje
Apesar de ter mais de 50 anos de existência, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) só teve seu marco legal [Lei 11.947] sancionado em 2009, graças à mobilização da sociedade civil, sobretudo por meio do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). A disputa travada no Senado não foi fácil, devido à força de setores privados das indústrias de alimentos, refeições coletivas e da bancada ruralista que tentaram, mais uma vez, monopolizar o mercado institucional da alimentação escolar.

Com a lei algumas conquistas foram atingidas, como o reconhecimento da alimentação como um direito humano e a obrigatoriedade de que no mínimo 30% dos recursos sejam destinados à compra de alimentos da agricultura familiar através de chamadas públicas de compra, com dispensa de licitação. O PNAE garante a alimentação escolar dos alunos da educação básica em escolas públicas e filantrópicas. Seu objetivo é atender as necessidades nutricionais dos alunos para contribuir na aprendizagem e rendimento, bem como promover hábitos alimentares saudáveis

Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão responsável pelo programa, a união repassa a cada dia letivo aos estados e municípios R$ 0,30 a R$ 1,00 por aluno, de acordo com a etapa de ensino. O investimento é calculado com base no censo escolar do ano anterior ao atendimento. A sociedade acompanha e fiscaliza o programa por meio de conselhos, do tribunal de contas e do ministério público, dentre outras instituições. O orçamento de 2012 atingiu R$ 3,3 bilhões para beneficiar cerca de 45 milhões de estudantes, sendo que aproximadamente R$ 900 milhões devem ser direcionados para a compra diretamente da agricultura familiar. A liberação do orçamento de 2013 está previsto para meados de janeiro, com estimativa de cerca de R$ 3,5 bilhões, o que significa R$ 1 bilhão para a agricultura familiar.

O cardápio a ser oferecido às escolas e os procedimentos para aquisição pública de alimentos também foram alterados pela lei. A comida deve levar em consideração a produção local, a sazonalidade e conter alimentos variados, frescos e que respeitem a cultura e os hábitos alimentares saudáveis, como frutas três vezes por semana. Só podem comercializar com o PNAE os agricultores que possuem a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Até julho deste ano, cada agricultor poderia comercializar até R$ 9 mil por ano para o programa, mas a partir da resolução nº 25, do FNDE, o limite passou para R$ 20 mil. A mudança é fruto de um acordo com as mulheres do campo durante a Marcha das Margaridas, segundo a Secretaria de Agricultura Familiar (SAF). As prefeituras e secretarias estaduais são obrigadas a publicar os editais de compras dos alimentos em jornais de circulação local ou na forma de mural em lugar público.

De acordo com o estudo realizado em 2010 pelo FNDE em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), no qual foram encaminhados para as secretarias municipais e estaduais de educação 5.565 formulários, com resposta de 3,136 (14 estados), as regiões sul e sudeste lideram o ranking de compra da agricultura familiar. No sul, mais de 50% dos municípios que responderam compram da agricultura familiar, enquanto no norte apenas 15%. Os gestores da educação apontam como desafio, por município: a falta de DAP das organizações (557), dificuldade de logística (1.094), falta de informação dos atores envolvidos (701), etc. As hortaliças, legumes e verduras, seguidas das frutas, lideram as compras, e as gorduras e óleos com os orgânicos e cereais são os menos comprados. Até o fechamento da matéria o FNDE não disponibilizou dados mais atualizados. 


 Fonte: Carta Maior


- Resultados do projeto PAIS fortalece o texto acima, veja aqui: Resultado do projeto PAIS - Fortaleza de Minas/MG

Projetos como o Mesa Cheia (moeda social) no município de Fortaleza de Minas, fortalece programas como o PAA e PNAE, educando cidadãos e conscientizando crianças sobre a importância da alimentação e a reciclagem do lixo.
 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Carta da produtora Maria José, Comunidade Veredas

Produtora Maria José, comunidade rural Veredas, Vazante/MG
No dia 29 de novembro, finalizamos o projeto PAIS no município de Vazante/MG. Recebi uma linda cesta cheia de produtos da Agricultura Familiar: bolachas de polvilho com amendoim, doce de pequi, doce de cenoura, doce de beterraba, cocadas, bolachas de nata e um vidro de picles. Essas delícias foram feitas pela Maria José. Todos os sábados ela vai a feira livre de Vazante vendê-las.

Havia uma mensagem na cesta e um cartão de Feliz Natal. A Maria pediu que eu a lesse no final do encontro...


domingo, 25 de novembro de 2012

Resultados do Projeto PAIS - Fortaleza de Minas/MG

famílias do PAIS na apresentação dos resultados
O projeto de Produção Agroecológica, Integrada e Sustentável - PAIS, no município de Fortaleza de Minas, conclui sua primeira etapa. Iniciado em maio de 2011 fechou as atividades institucionais em 24 de novembro de 2012, com ótimos resultados.

Como o objetivo de Fortalecer a Agricultura Familiar em Vazante e Fortaleza de Minas, promovendo a soberania alimentar, a sustentabilidade ambiental e a geração de renda no meio rural através da implantação da tecnologia PAIS, o projeto beneficiou diretamente 76 cidadãos residentes nas propriedades rurais das 20 famílias selecionadas.

Segundo a Fundação do Banco do Brasil em seu manual: "Espera-se, portanto, [...] os seguintes resultados:
 
famílias de agricultores orientadas e capacitadas para o manejo e cultivo adequado da produção e o uso sustentável dos recursos naturais
grupos de produtores organizados em associações e cooperativas, com o propósito de garantir melhores condições de acesso ao mercado;
aumento de renda familiar em percentual de sua receita mensal.”
 
Esses resultados foram alcaçados:
 
- Em 6 meses de práticas agrícolas, período em que se acompanhou as famílias a campo, a produção total de alimentos chegou a 43.395,92 kg. Deste montante, o consumo total de alimentos pelas famílias foi de 6.561,00 kg, gerando um excedente R$ 30.677,42.
 
- O acréscimo na renda das famílias foi de 45,39% - média R$ 311,36/família/mês. Com a descompressão da renda média, que é a economia das famílias com o autoconsumo de alimentos, o acréscimo médio na renda das famílias chegou a R$ 627,72/família/mês.
 
- Abertura da Associação Agroecológica;
 
- Apoio a comercialização: organização dos produtores do PAIS para o fornecimento de alimentos ao mercado social do município, projeto Mesa Cheia, PNAE e inauguração da Feira Agroecológica;
 
 
 
- Práticas Agroecológicas:
 
 
biofertilizantes
compostagem
caldas repelentes e defensivos alternativos
viveiro de plântulas
palha nos canteiros
Microrganismos Eficientes - EM
substrato para as mudas

 FOTOS DAS 20 UNIDADES PAIS

acesse aqui

Oliver Blanco
Coordenador de Projetos Pleno
GAIASOCIAL 
 

sábado, 24 de novembro de 2012

Defensivos Alternativos - PESAGRO-Rio


          
          Instintivamente reconheço, nestas estradas que percorro, o mundão de terras brasileiras. Brasileira, brasileira, já não sei 'si' é. Os cuidados com os solos são mínimos.

          Fico a pensar, já que o carro em que trabalho não possui um toca "pendrive", cd,... Penso como foi na prática toda aquela ocupação, mais do que isso, invasão. Um pseudo humano, frente a natureza divina, ser dono, chamar de meu, a posse de um pequeno pedaço do Planeta? Um pedaço da natureza, e não cuidar. 

          Como pensar na alternativa para tanto solo sendo esterelizado por culturas extenuativas?

          A consequência direta é o impedimento no desenvolvimento do município e o embrutecimento do peão, do agricultor...

          Solos com vida dispensa qualquer uso prático de mecanização (grade, arado...), adubação, agrotóxicos e outras técnicas da Revolução Verde.

          Solo com vida dispensa "inté" mesmo os Defensivos Alternativos. Nutrem todo tipo de cultivo nele semeado.

          Veja este manejo de solo na foto. O coeficiente Run off - escoamento ou feflúvio superficial da água - aí, foi alto.

          Deixe o mato crescer. Repouse o solo (“...mas no sétimo ano haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha.”  - Lv 25.4.) A terra necessitava, segundo Deus, de repouso, ela precisava se auto-restaurar, a natureza precisa refazer-se.

          Venda a Grade, o Arado e compre uma roçadeira. Solos tropicais dispensa o reviramento. Mantenha o subsolador, caso tenha feito manejos, há anos, forçados pelos peões da Revolução Verde. A pesquisa, a pesquisa... Agronomia para mim não precisa-se de mestrado, Douto... pelo menos nesses tempos atuais. "As portas do mundo é aberta" e as porteiras, quase todas, estão fechadas. É a prática, é a praxis... fi! 

          Roce o mato. Deixe o por cima do solo, apenas isso. Semeie coquitéis de leguminosas e gramíneas. Deixe as crescer.

Leguminosas, a salvação da lavoura.
Para a recompição da estrutura, da fauna microbiana, dos ácidos radiculares, da fertilidade (da vida) enfim, antes de qualquer plantio (introdução de um SAF, pomar comercial...) do solo, este é o caminho, biodiversidade vegetal.

Botucatu/SP - curso de Educador Florestal - Giramundo, IEA.
        Roce novamente. Mantenha a cobertura verde por cima, apenas isso? Nada; o tempo tem que agir, por isso planeje as atividades.  Deixe a vida crescer no subsolo. Habitat em que a visão humana não alcança.

         Não dispense a rocha moída, fina ou granulada, calcária ou fosfatada. Acelere então, a decomposição da massa verde.

        Plante. Plante a biodiversidade vegetal. Plante um pomar. Plante legumes. Feijão, milho (plantio direto). Mandioca... o que conseguir.

        Enquanto a fertilidade (ou vida) do solo não se equilibra e, caso tenha investido em uma cultura anual ou permanente, use os Defensivos Alternativos.    


ACESSE AQUI

Oliver Naves Blanco
Agroecologista

Fonte: PESAGRO-RIO

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

19 de novembro de 2012

Secretaria-Geral da Presidência da República 
instala Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica

Com a presença dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Mendes Ribeiro (Agricultura) será instalada nesta terça-feira (20/11), a partir das 9h30, a Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. O evento acontece no auditório do anexo I do Palácio do Planalto, em Brasília.

A Comissão, cuja secretaria-executiva cabe à Secretaria-Geral, é formada por representantes de 14 órgãos e entidades do executivo federal e por 14 entidades titulares e 14 entidades suplentes representantes da sociedade civil. O colegiado tem por objetivo promover a participação da sociedade na elaboração e acompanhamento do Plano e da Política de Agroecologia.

Na programação da reunião, que acontece até as 18h, estão previstos debate com representantes de movimentos sociais; apresentação das ações da Câmara Interministerial da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – à cargo do Ministério de Desenvolvimento Agrário e a discussão, em grupos de trabalho, do conteúdo e método de construção do Plano, o funcionamento da Comissão e cronograma de trabalho.

Saiba Mais

Decreto da presidenta Dilma Rousseff instituiu em 21/08/12, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica ( PNAPO). O documento prevê a elaboração de um plano com metas e prazos a serem cumpridos pelo governo federal e determinou elementos como a concessão de crédito, seguro, assistência técnica e pesquisa para ampliar a produção de base agroecológica no Brasil.

A Política Nacional de Agroecologia foi formulada de forma participativa, com engajamento da sociedade civil. Além da incorporação das pautas de movimentos sociais, a participação da sociedade civil se deu por meio de um seminário nacional e cinco seminários regionais coordenados pela Articulação Nacional de Agroecologia  (ANA) e pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com apoio do Ministério do Meio Ambiente. As Comissões Estaduais da Produção Orgânica (CPOrg) e a Câmara Temática da Agricultura Orgânica (CTAO) também integraram o processo. Participam ainda entidades como Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), além de técnicos de vários ministérios e órgãos públicos.

Em maio deste ano, a Secretaria-Geral da Presidência da República, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, implementou o Plano de Mobilização e Participação Social para a Agroecologia. Foi promovido o encontro Diálogos Governo e Sociedade Civil para debater o conteúdo do decreto, a estrutura de governança da política e colher subsídios para o Plano. Um grupo de trabalho composto por dez ministérios e órgãos públicos, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, consolidou a proposta.

sábado, 10 de novembro de 2012

... e agroecologistas levantam voo

"Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras"

Por Francisco Roberto Caporal

O título é uma frase do conterrâneo Érico Veríssimo e serve bem para ilustrar o que temos observado em nossas sociedades quando tratamos da questão ambiental. Pelo menos desde o início dos anos 70, estão bastante claras as evidências dos sérios danos ambientais resultantes do desenvolvimentismo construído a partir de estratégias de crescimento econômico ilimitado em sociedades baseadas no consumo e desperdício.

As inúmeras conferências que ocorreram pós Estocolmo-72, não serviram para nada. O que vimos é que foram gastos muita tinta e muito papel para teorizar sobre boas intenções. A conferência Rio 92 foi, talvez, a melhor demonstração da inconsistência da tecnocracia quando se trata do enfrentamento dos problemas ambientais. 

O balanço da problemática socioambiental tem mostrado que os impactos diretos e as externalidades geradas pelo modelo de crescimento e consumo estão absolutamente sem controle, apesar dos acordos e outros protocolos firmados entre países ao longo de mais de quatro décadas de estudos e negociações. O fracasso da conferência de Copenhague é só mais uma demonstração da ineficácia da estratégia montada pela tecnocracia estatal e pelas instituições de Bretton Woods que as patrocinam (ONU, FAO, Banco Mundial, etc.).

A conclusão que se pode chegar é que se não houver ampla participação da sociedade organizada e ambientalmente consciente nada vai mudar.  Tudo o que se construiu até hoje, no marco dos enfoques ecotecnocráticos, apenas tem servido para mostrar a falta de seriedade dos discursos institucionais sobre desenvolvimento sustentável. O que se observa, sim, é que apesar dos belos discursos de iminentes autoridades sobre a necessidade de retomarmos uma trajetória de proteção ambiental, de preservação dos recursos naturais, com redução dos impactos causados pelas atividades econômicas, o que encontramos na prática são políticas de estímulo ao consumo, políticas que patrocinam a continuidade dos mesmos processos econômicos que são responsáveis pelos impactos socioambientais. Por sorte, ainda há os que tentam construir “moinhos de vento” diante da inexorável evidência do imperativo socioambiental de nossa época.

Estimulados por uma crescente consciência da responsabilidade ambiental, para esses, está evidente que o compromisso com a sustentabilidade, neste planeta de recursos finitos (alguns quase esgotados), só tem sentido se nascer de uma forte solidariedade intra e intergeneracional. Sustentabilidade ambiental, antes de nada, é a busca da preservação de recursos naturais escassos e limitados, para que nossos filhos e netos possam dispor da base de recursos da qual necessitarão para que possam vir a ter uma vida digna e com qualidade.

O que anima é que no Brasil são milhares as experiências urbanas e rurais que vêm demonstrando que outro caminho de desenvolvimento é possível. Na nossa área de trabalho, a Agroecologia como uma nova ciência para um futuro sustentável, tem dado sustentação teórica, técnica e metodológica para uma multiplicidade de iniciativas de produção agropecuária de base ecológica, que preservam o meio ambiente e ao mesmo tempo oferecem alimentos sadios para a população. Isso demonstra que é possível uma agricultura diferente daquela imposta pela Revolução Verde, pelas grandes monoculturas e pela atual ditadura dos transgênicos.

Os tempos de mudança já começaram e precisamos estimular estratégias ambientalmente mais sustentáveis para evitar que a caminhada da nossa civilização continue em direção ao abismo. É sobre estes temas que trataremos na sequência de nossos artigos.

Francisco Caporal é engenheiro agrônomo, doutor pelo programa de Agroecologia Campesinado e Historia da Universidade de Córdoba (Espanha) e presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

II Fórum Paulista de Agroecologia - Rede APA

Agroecologistas, extensionistas do Brasil,

Grande honra divulgar esse encontro. A transversalidade* na experiência agroecológica deverá ser pauta deste encontro. Novos elementos para novos paradigmas de produção e consumo; sim, o caminho em Rede nos levará as conexões existentes entre esses elementos, assim podemos desmembrá-los. "Agenda ambiental, bem viver, colaboração, corresponsabilidade, governança democrática, processo de desintermediação, valorização do local, inserção sociolaboral e geração de trabalho, emprego e renda, são elementos que possiblitam a transformação social." Para técnicos, agroecólog@s, a transição agroecológica, a luta.

A modernidade expõe a ferida e, na selva de pedra, o ser antes familiar se contamina com a competição, seu modo de vida perdulário; viver é consumir. Assim, não podemos esquecer da REFORMA AGRÁRIA. Nossa real independência, a libertação do pseudo feudalismo e das amarras do colonialismo econômico, sistêmico, agrícola; sim, teremos um Brasil emancipado, só depois de sua implantação: 

Tem sido negado o direito à terra a mais de 2 milhões de famílias rurais. A concentração fundiária e a morosidade na implantação da reforma agrária constituem hoje um dos principais obstáculos ao desenvolvimento e consolidação dos sistemas familiares de produção rural no Brasil. O desenvolvimento da agricultura familiar e do agroextrativismo é estratégico para a soberania e a segurança alimentar e nutricional das populações do campo e da cidade. Integra esse quadro o acirramento da violência no campo, a criminalização da luta pela terra e da ação dos movimentos sociais, a morosidade da justiça, o êxodo rural e a situação de vulnerabilidade social vivenciada por parcelas significativas da população urbana (CONSEA, 2007, p.17).

A Carne é Fraca

Para a Rede APA. Uma definição de rede por Fritjof Capra: Uma das mais importantes considerações da compreensão sistêmica da vida é a do reconhecimento que redes constituem o padrão básico de todo e qualquer sistema vivente. Ecossistemas são entendidos como teias de alimentos; organismos são redes de células, e células são redes de moléculas. Onde quer que nos deparemos com vida, constatamos redes. A vida no campo social também pode ser compreendida em termos de rede, mas não estamos aqui abordando reações químicas; e sim comunicações. Redes vivas em comunidades humanas são as redes de comunicação. Assim como as redes biológicas são também autogeradoras, mas o que geram é especialmente o impalpável. Cada comunicação cria pensamentos e significados, os quais, por sua vez, dão lugar a comunicações posteriores, e assim uma rede inteira gera a si própria (CAPRA, 2003).          
 
"É com muita felicidade que divulgamos o VI Encontro da Rede APA (Articulação Paulista de Agroecologia) e o II Fórum Paulista de Agroecologia que se realizará nos dias 9, 10 e 11 de novembro no Campus de Sorocaba da UFSCAR."

As inscrições já estão abertas no site http://apetecaapua.wix.com/forum

*"A transversalidade e a interdisciplinaridade são modos de se trabalhar o conhecimento que buscam uma reintegração de aspectos que ficaram isolados uns dos outros pelo tratamento disciplinar. Com isso, busca-se conseguir uma visão mais ampla e adequada da realidade, que tantas vezes aparece fragmentada pelos meios de que dispomos para conhecê-la e não porque o seja em si mesma." Dra. Lenise Aparecida Martins Garcia
 


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

SEED FREEDOM - Sementes Livres

Sementes: patrimônio dos povos a serviço da humanidade



seedfreedom
NOVA DELHI, LISBOA, 2 de Outubro 2012: O relatório cívico global sobre a liberdade da semente, uma publicação colectiva de mais de cem organizações, especialistas, activistas, agricultores, agricultoras e movimentos de base de todo o mundo, é lançado hoje pela rede de guardiões e guardiãs de sementes Navdanya, durante o festival Bhoomi 2012, que celebra a soberania da semente e a feminilidade. O relatório marca o arranque da campanha global para a liberdade da semente (1) que visa pôr fim às patentes sobre as sementes e denunciar as leis de sementes que impedem agricultores e agricultoras de guardar e trocar as suas variedades locais. A primeira iniciativa massiva da campanha, a Quinzena de Acção pelas Sementes Livres (2), vai ser assinalada com eventos e acções em todos os pontos do globo, incluindo Portugal.

O relatório global faz a ligação entre a concentração e as restrições no sector global das sementes (3) e os actuais regimes de direitos de propriedade intelectual (4) e a conivência corporativa. Ao mesmo tempo retrata os movimentos em defesa da liberdade das sementes em todos os continentes, apresentando a perspectiva local da produção e utilização de sementes: a importância cultural do milho na região dos Andes, os esforços das agricultoras na Índia de preservar as suas sementes tradicionais e o sistema tradicional de preservação de sementes em África. O relatório recebeu os contributos de personalidades conhecidas do sector das sementes tradicionais e da soberania alimentar, entre elas Vandana Shiva, física, activista, fundadora da Navdanya e porta-voz do movimento para a Liberdade da Semente.

Segundo Vandana Shiva, ““As patentes sobre as sementes não têm justificação ética nem ecológica, pois são direitos exclusivos concedidos a uma invenção. A semente não é uma invenção. A semente incorpora a nossa diversidade bio-cultural, o resultado de milhões de anos de evolução biológica e cultural no passado, e a promessa de milénios no futuro.”

A partir de hoje, 2 de Outubro e aniversário de Gandhi, até dia 16 de Outubro, Dia Mundial da Alimentação, será celebrada a Quinzena de Acção pelas Sementes Livres, com eventos e acções de protesto, partilha e celebração da liberdade da semente por todo o mundo. Em Portugal, a Campanha pelas Sementes Livres (5) apelou à organização de eventos locais, desde trocas de sementes e conhecimentos tradicionais e oficinas de preservação de sementes de variedades tradicionais, passando por trabalho comunitário em hortas, debates sobre o estado crítico da semente e sementeiras livres, até encontros de defensores de sementes e a declaração de zonas de sementes livres (6).

Na declaração do movimento cívico para a liberdade da semente (7) é assumido o compromisso sólido de “defender a liberdade da semente enquanto liberdade de evolução das diversas espécies, enquanto liberdade das comunidades humanas de reclamar as sementes como um bem comum”. Para este efeito, defensores e defensoras, guardiões e guardiãs das sementes por todo o mundo continuarão a guardar as suas sementes e a criar bancos comunitários de sementes tradicionais. Juntos empenhar-se-ão em pôr fim às patentes sobre a vida que encarecem e empobrecem a comida, às sementes geneticamente modificadas que contaminam os  campos e às leis injustas que entregam o controlo da cadeia alimentar a uma dúzia de corporações e governos. Juntos retomarão as sementes livres.

Para mais informações:
Lanka Horstink – coordenadora da Campanha pelas Sementes Livres em Portugal, tel 910 631 664, sementeslivres@gaia.org.pt

Campanha pelas Sementes Livres
semear o futuro,colher a diversidade
Campo Aberto | GAIA | MPI | Plataforma Transgénicos Fora | Quercus
www.sosementes.gaia.org.pt
www.seed-sovereignty.org

Movimento global para a Liberdade da Semente:
Smitha Peter, Navdanya, http://www.navdanya.org/
Email: smthpeter@gmail.com
Mobile: + 91 (0) 8800 254470
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