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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Naufrágios no Mediterrâneo e o último Rinoceronte Branco


por Sebastião Pinheiro*
No fim de semana debrucei-me trans- e interdisciplinarmente sobre a ética e moral nos naufrágios no Mediterrâneo para entender o último rinoceronte branco (do norte), mas têm muitos que não entendem o significado. Permitam demonstrar: Na minha infância fui vizinho ao Castelo Baruel construído em 1879 e perto dele foi construída a Capela de Santa Cruz por mim freqüentada entre 1957 e 1959, onde auxiliava o padre prussiano, ex-capelão militar, como “coroinha”. Ele usava aquela igreja para uma comunidade na maioria idosos alemães. Com os pais do padre aprendi as primeiras palavras em latim e alemão, pois a missa era rezada nos dois idiomas assim como as músicas cantadas e acompanhadas no piano. Todos os domingos às seis da manhã eu tinha minha atividade “pastoral” ajudado pelos genitores do padre, meus preceptores após a missa.

Eles haviam morado em Tanganika e vivido a Primeira Guerra Mundial. Foram eles que me ensinaram que a Alemanha convocou através da Conferencia de Berlin em 1885 as principais potencias europeias para organizar o continente Africano, então repartido como uma pizza entre os convidados tendo apenas dois países independentes (Libéria comprado pelos EUA e Etiópia do rei Haile Selassie I), cujo mapa cumpre seu centenário (foto). Leia-o.

Exultaram ao saber que meu natalício era no mesmo dia que o de Otto von Bismarck ganhei como presente de doze anos entrada para assistir o filme “Kirongozi o mestre Caçador” na matinê do Cine Hollywood a 4 quadras da paróquia. O documentário versava sobre a vida de um guia de safári paulistano J. Alves de Lima Fº de genealogia cafeeira, que trabalhava com os britânicos matando animais de grande porte na África. Matar um elefante, leão ou rinoceronte rendia na época mais de 30 mil dólares e era um dos negócios mais lucrativo no império britânico pós a escravidão, além do monopólio do marfim.

Caçadores profissionais ou desportistas acompanhavam os safáris por segurança e o mesmo ocorria na Índia e em todo o Império Britânico que lucrou muitíssimo com isso. Só o “chifre de pelos” de um rinoceronte (foto) valia mais de mil dólares. No filme uma das cidades era a ilha de Zanzibar, antigo centro de tráfico de escravos, então sede das autoridades da África Oriental Britânica, onde ocorreu a guerra mais curta do mundo, apenas 38 minutos, em 1896.

Esta foto de Farroukh Bulsara de ascendência indiana é da época de Kirongozi e você nem o reconhece, mas vendo a foto adulto e a caráter não há jovem, balzaquiano e anciãos que não reconheçam “Sua Alteza Real do Queens” Freddie Mercury nascido em Zanzibar. Por que será que não recebeu o título de cavaleiro do Império Britânico?

Se você com nossa formação de escola pública procurar no mapa da África Tanganika e Zanzibar terá dificuldades. Aprendi com os pais do padre que venceram a Guerra em Tanganyka na primeira Guerra Mundial, mas perderam a Guerra na Europa e tiveram de entregar a colônia, que havia sido totalmente alfabetizada e entregaram o monopólio do cultivo de Piretro à coroa britânica, que logo o repassou aos norte-americanos. Estes países ficaram independentes em 1961 e diante da expansão do pensamento sobre o “Socialismo Africano” de Lumumba, Bella, Kennyata, Senghor, Nkrumah, Touré, Nyerere, Agostinho Neto e Samora Machel e Thabo Mbeki se deu a fusão de Zanzibar e Tanganika no dia 26 de Abril de 1964 passando a chamar-se Tanzânia.

Na Rodésia havia o governo britânico racista de Ian Smith que “ilhava” totalmente o desenvolvimento da recém liberada Zâmbia (ex-Rodésia do Norte). Fortalecida Tanzânia e Zâmbia com apoio financeiro, logístico e operacional da China começaram a construir uma ferrovia de 1.860 Km em meio a pântanos e selva contrariando a vontade dos EUA, URSS, França, Grã Bretanha e principalmente do Banco Mundial pois acelerava o fim da Rodésia e África do Sul do Apartheid.

Julius Nyerere disse: “Todo o dinheiro neste mundo é vermelho ou azul. Eu não tenho o meu próprio dinheiro verde, então onde eu posso obter algum? Eu não estou tomando uma posição da guerra fria. Tudo que eu quero é meios para construir a ferrovia".

O empenho e fraternidade dos trabalhadores chineses (15.000) e africanos (60.000) era tão grande que a ferrovia “Tanzânia-Zambia Railway foi inaugurada com dois anos de antecedência ao previsto no projeto, pois esteve sob comando dos guardas vermelhos de Mao Tsé Tung. Um deles foi meu colega de estudo na Alemanha, que participara como engenheiro agrônomo na construção, pois eles produziam todos os alimentos ao longo do canteiro de obras da Ferrovia. Em uma visita à Casa de Karl Marx em Trier desde Saarbrücken passamos pela Estação de Saarlouis, e o colega chinês disse: Aqui nasceu o “Leão da África”, o General alemão Paul Emil von Lettow-Vorbeck, que com apenas 3.000 soldados alemães e 11.000 soldados nativos treinados (Askaris) na Primeira Guerra Mundial derrotou reiteradamente durante quatro anos mais de 300 mil soldados britânicos, belgas, portugueses e franceses. Ele dizia que a confiança, lealdade e respeito dos soldados africanos orgulhava o prussiano mais radical... Perguntei sobre qual a razão. O chinês displicente olhando pela janela do trem respondeu. - É que todos os soldados askaris eram bem alfabetizados e tratados de igual para igual e respeitada sua identidade e ambiente. Nós aprendemos a fazer o mesmo durante a construção da Ferrovia TA-ZA. O trem estava chegando a Trier, ele finalizou: - Há o esqueleto do dinossauro (Iguanodonte) Dysalotosaurus lettowvorbecki encontrado nas margens do Lago Tanganyka que está no museu em Berlim e tem como homenagem o nome do general (foto). A China também foi dividida como uma pizza em 1865 depois de ser imposta a ela o consumo de ópio monopolizado pelos ingleses e somente com a revolução vermelha ficamos finalmente livres. Para muitos dos nossos analistas, a estratégia de Bismarck era nas quatro colônias do império alemão através da educação destruir os outros colonialistas e provocar a luta pela “Freiheit und Einheit”, doce vingança pela pulverização germânica por duzentos anos...

Sim, há responsabilidade ética e moral nos naufrágios no Mediterrâneo e o último rinoceronte branco?

No livro Ecofascismo, Jorge Orduna registra o número de baleias caçadas no Atlântico sul e os ingleses tomaram as Ilhas Malvinas, pois necessitavam de um porto (Stanley) para o apoio logístico, depósito e comércio de licenças e serviços. Lá está o registro de quantos milhares foram mortas a cada ano até ficar antieconômico e se substituir o óleo de baleia pelo gás de petróleo e eletricidade...

Para militares, estratégia é a ciência e arte, já tática é sua aplicação; Da mesma forma ética é equivalente à estratégia e moral é sua prática entre os povos.

Ontem na TV percebi que “militante/torcedor é um fanático, sem estratégia ou tática, ou seja, sem ética ou moral seja ele azul, vermelho ou verde.

Um norte-americano, dono de um canal de televisão à cabo em Lüderitz capital da Namíbia tentou subornar um funcionário de hotel com cem dólares, mas recebeu a resposta cortês: “Isso, aqui não funciona, infelizmente o senhor não tem reserva”. Outro visitante estrangeiro do alto de sua ignorância afirmou em discurso: “A cidade é tão limpa que nem parece que estamos na África”. Finalmente alcancei entender o porquê do fracasso do Receituário Agronômico e maior consumidor de agrotóxicos do mundo, da concentração da terra & Reforma Agrária ou atraso e sobre preço nas obras públicas e privadas no Brasil.

No Baruel F.C time de várzea pude ver o ocaso do jogador da seleção Brasileira e ídolo corintiano Baltazar e torcer ao lado do padre e seus pais depois da missa...


Os lemas da Tanzânia são uhuru na umoja, que em swahili significa liberdade e unidade África...) e furaha maadhimisho ya miaka (significa Feliz aniversário).

*Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor. (publicação original em sua página do facebook)

sábado, 18 de abril de 2015

O Pontal


"Um dos principais centros de conflitos pela terra no Brasil, ali estava a última grande reserva florestal de mata atlântica do interior do Estado de São Paulo. Foram mais de 100 anos de violência social e ambiental. O documentário "O Pontal do Paranapanema" conta essa história, desde o início da grilagem das terras, a chegada dos pioneiros, a exploração marcada pela formação das grandes fazendas, os impactos sociais e ambientais, até as ocupações pelo movimento dos sem terra, o começo da reforma agrária e as tentativas de buscar um desenvolvimento sustentável para a região.

Depois de tanta devastação, algumas feridas começam a cicatrizar, mas o futuro ainda é incerto... uma história que se repete por todo o Brasil."















Documentário / 2005 



Ficha Técnica:

Direção
Chico Guariba
Produção Executiva
Zita Carvalhosa
Roteiro
Júlio Rodrigues
Consultoria Histórica
Paulo Henrique Martinez
Direção de Fotografia
Bruce Douglas
Direção de Produção
Afonso Coaracy
Direção de Arte e pós-produção
Rudi Böhm
Montagem
Mirella Martinelli, Marcio Miranda Perez
Edição de som e mixagem
Eduardo Santos Mendes
Narração
José Rubens Chachá
Trilha Original
Mario Manga

Participação em Festivais:
Selecionado no 5º Ecocine -- Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental 2006.
Participou do Cine'Eco -- Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente da Serra da Estrela 2006.
Melhor documentário na II Mostra Internacional de Cinema Ambiental.Troféu baobá
Mostra Ecocine -- Cabo Frio
I Mostra Nacional de Vídeos Ambientais de Vila Velha.
VII Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental Goiás
I Festival Latino-Americano de Vídeo Ambiental de Iraquara, Prêmio de Melhor Vídeo-documentário
Festival de Cinema de Campinas 2005
32º Jornada Internacional de Cinema da Bahia 2005
9º Festival de Cinema, Vídeo Dcine de Curitiba 2005


"o jeitinho"

Zé Carioca
por Sebastião Pinheiro*

O Imposto de Renda anuncia aos quatro ventos e sete mares que foi fraudado ao encontrar 520 declarações com o abatimento por pagamentos à mesma empregada doméstica (CPF). Perdão, mas o técnico de contabilidade pouco honesto não é o responsável, apenas vetor, pois todo brasileiro se orgulha do “jeitinho” que é a origem (mãe e pai) de todos os males (corrupção), onde a Receita é mal autodenominada de Leão.
A Receita Federal caso deseje sabe não só o dia da semana, a fase da lua, a conjunção de Júpiter na hora de pagamento de cada consulta profissional ou serviço ou em quantos lugares o autor está e fazendo o que naquele momento. No mesmo jornal da TV uma autoridade corrupta apareceu dizendo que o bloqueio de celular no presídio (CE) estava atrapalhando a vizinhança e por isso foi desligado depois de instalado e pago (não há responsabilidade com a qualidade dos serviços). A reportagem mostrou o edificante e pedagógico diálogo entre um preso e uma vítima experta. É por isso que um juiz precisa fazer um exercício hercúleo e ter a sorte de encontrar uma linha solta no escândalo de venda de gasolina para desencadear a Operação Lava Jato e causar uma comoção nacional ao desmascarar o “jeitinho” experto de um grupo político já condenado por tal. O escracho se dá quando o corrupto “grampeado” questiona: “Que país é esse” e a TV mostra para que todos riam na alienação do inconsciente.

Não é preciso ao poder (não uso governo por razões obvias) complexos laboratórios de informática com milhares de doutores a organizar cruzamentos e rastrear dinheiro público, saúde, agricultura, educação, obras públicas. Basta a vontade de fazê-lo, mas isso elimina o tráfico de influência e barganha de poder dos aditivos na transformação de dinheiro público em patrimônio privado nas capitanias hereditárias.

O que está envergonhando é a atitude imoral e criminosa externada em todos os debates: “O meu partido rouba, mas o seu também roubou”; “Vocês estão roubando demais”, nós não roubamos tanto; ou o ex-líder da presidente que vem à TV dizer “Nós perdemos a eleição”... Esse é o Deus me livre cotidiano...
Noves fora, eu já vi esse filme antes estrelado por Tomé de Souza; Duarte da Costa, Nassau; Mem de Sá, Villegagnon; D. Pedro I e II, Deodoro e assim por diante. O personagem Prestes tinha o mandato de senador da República, mas deram o “jeitinho” de cassá-lo e tornar ilegal o partido mais por ordem da Guerra Fria que por desacato à constituição; O remake Getúlio teve final trágico; O de João Goulart cômico no jeitinho do CIRF e exílio; Na “redemocratização” o caçador de marajás pareceu chanchada, tinha até “doleiro” oficialmente contrabandeando ouro e apresentando documento formal de empréstimos escrito em papel oficial uruguaio que se compra em papelaria e novamente não houve crime.
Qual é a projeção desenlace para a realidade atual? Não se angustie, pois não haverá solução ou eliminação da origem da corrupção e “o jeitinho” seguirá como cacoete etnológico cada vez mais acentuado.
O empreendedorismo do “jogo do bicho” é exemplar. Quando explicado a um inglês ou alemão causava incredulidade e depois muito riso, pois é fruto da ignorância, corrupção, e falta de valores éticos e morais (chegou a empregar mais de um milhão de pessoas no RJ, ES, SP do Estado. Elegeu milhares de vereadores, centenas de deputados e alguns governadores). Ele foi o berço ou forja do tráfico e hoje tem exército particular. Não é só no México que muitos dos “soldados” são veteranos de Afeganistão e Iraque e recebem regiamente. Sua ressonância mórfica está entre nós está em expansão e por trás do contrabando de armas militares para o narcotráfico/milícias há gente graúda, mas graúda mesmo e com articulação política, que a alguns chamam de “crime organizado”. Só pode haver crime organizado onde há o governo equivalente?
Eu não queria abordar ética do pagamento de imposto, onde não há ética em sua aplicação, mas a TV me obrigou, quando desejava abordar a ética na saúde. No mesmo jornal da TV apareceu um grupo de estudantes-bolsistas com gaiolas cheias de mosquitos Aedes para que as pessoas pusessem o braço para ver que aquele mosquito não pica em merchandising sanitário. O problema é que de 4 a 18% das levas liberadas de mosquito transgênico têm fêmeas transgênicas que sim picam e não são estéreis. Ao se acasalarem com os mosquitos selvagens contaminados com o vírus teremos em menos de dois anos uma desgraça total como o denunciado em Jacobina na Bahia, mas quem está interessado?
Quem vai se preocupar com detalhes, quando dia a dia aumenta o espanto com a lista de presos e todos estão como torcedores a espera que finalmente se chegue a um figurão.
A dengue no mundo não segue padrões de dispersão natural. O que está acontecendo é que a Chikungunya e a dengue estão sendo vistas como a mesma coisa, por serem tratadas como o mesmo veneno, mas isso mascara muitos aspectos importantes. Por que os especialistas calam?

Pode um mosquito em menos de três anos invadir toda a África e América Latina se não tiver uma política de interesse por de trás? Quanto vale para as empresas de biotecnologia laboratório sociais naturais. Chikungunya (em swahili) nome significa “o que pára empinado”. Eu sempre soube que os vírus recebem o nome de onde foram encontrados. Como tonto procurei a cidade de Chikungunya e não a encontrei. É um ótimo disfarce confundir o vírus com o mosquito.
Faz hoje 100 anos do início dessa desgraça e eu não vou deixar sem comemorar. Foi em 15 de abril de 1915, na cidade de Ypern onde o Exército Alemão usou por Primeira Vez o gás de Guerra contra os soldados franceses e na semana seguinte foi a vez dos britânicos conhecerem a obra do Premio Nobel Fritz Haber. No círculo na foto é da talvez mais famosa vítima da arma química de resposta britânica: Adolf Hitler. Ao sobreviver, podemos ver a importância dada por ele e seus pares totalitários essa tecnologia para à Saúde, Agricultura e Industria principalmente como produto de exportação.

Vou continuar a estudar ética e moral, pois sei a origem das introduções da Ferrugem do Café; Bicudo do Algodoeiro; Cancro Cítrico; Malária entre muitas outras, que agora chegam às invasoras mutantes aos herbicidas como dos negócios mais rentáveis do mundo. Nele os vírus, sejam sintetizados ou naturais é o objetivo maior militar e civil.
Zum Geburtstag viel Glück (Parabéns à você)
Zum Geburtstag viel Glück (Nessa data querida)..
Zum Geburtstag lieber Adolfinho
Zum Geburtstag viel Glück

Meu presente para todos é o último rinoceronte branco (foto) existente nesse planeta cheio de piratas, fascistas e insanos.


*Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor. (publicação original em sua página do facebook)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Jamais alimente seus pesadelos

"As lágrimas dos jovens são fortes como um segredo, podem fazer renascer um mal antigo." Belchior - citado no blog Cosmonicar, Ronaldo M. Botelho


por Sebastião Pinheiro*

Ontem após o Jornal da TVs fui dormir preocupado e os meus recorrentes pesadelos voltaram... Nele eu estava em um lugar estranho e uma fileira de crianças ocidentais e asiáticas passavam por mim gritando, chorando desesperadamente. Nimrod foi destruído. Alguns mais céleres vociferavam: Nimrod foi destruído, malditos sejam.

Atônito como “Jonas olhando aos céus” divaguei sobre a última vez que estive em Concepción, Bíobío no Chile. Uma das crianças era muito parecida com o bebê que tinha menos de um ano de idade e era amarrado em uma cadeirinha no bagageiro de uma bicicleta que a jovem estudante mãe trazia para sua companhia no trabalho na cantina da Universidade onde estávamos alojados e era obrigada a fazer o nosso desjejum. No Chile pela cordilheira o frio é um companheiro inseparável em todos os vales. Pobre bebê. A discussão estudantil e acadêmica era sobre o decantado neologismo “agroecologia”. A jovem mãe desejava, mas não podia assistir as conferencias, pois tinha de tomar conta da cantina. Convidamo-la com insistência, mas ela temia perder o trabalho que permitia estudar...

Aquilo me deixou confuso, eu estava, novamente com um povo maravilhoso que tivera a oportunidade de conhecer quase 40 anos antes como estudante, onde o individualismo e egoísmo não tinham espaço. O tempo passou na senda do autoritarismo.

Eu, agora, estava a mais ou menos nove anos viajando para aprender com camponeses da América Latina o pouco que sabia e ensinar o muito que não sabia ganhando muito dinheiro, que para pouco ou nada me servia. O pior é que percebia que toda tecnologia, método ou estratégia apropriada e libertaria era rapidamente aproveitado pelos interesses oficiais disfarçados entre os camponeses e estudantes. Sim, eu estava alimentando e fortalecendo o monstro que pensava combater. Um mês antes no último curso que participara gente do Banco do Mundo demonstrara interesse no nosso conhecimento, por isso foi à última participação em cursos e após Bíobío a última viagem por autenticidade.

Agora de volta àquela algazarra de crianças chorosas porque Nimrod fora destruída pensei na situação elitista montada em nossas realidades para o culto ao individualismo, egoísmo e vaidades no âmbito do saber, muito longe do que dizem os maestros secretos (paraguaios) “Quisiera una educación para estudiar no una educación para vivir parece pouco por estarmos todos inconscientes. Mas a gritaria das crianças era uma chama de esperança a Nimrod onde foi forjado por primeira vez o bronze, saber que permitiu a construção de um império, onde as letras e o alfabeto nos legou a saga de Gilgamesh no talvez mais antigo épico da humanidade (Semíramis). Se as crianças sentem, choram nem tudo está perdido... Há uma grande esperança.

No grande pátio uma jovem com seu guarda-pó branco alvíssimo começaram com palmas a atrair as crianças chorosas e em poucos minutos o silencio era sepulcral e era possível escutar a sua voz suave em plenitude: - Nimrod é o nome de uma cidade muito antiga na Assíria, onde foi construída a Torre de Babel, cujos monumentos valiosos foram destruídos ontem. Não tem nada a ver com o nosso herói X-Men, Nimrod, sentinela estelar caça mutantes no Universo Alternativo companheiro de Raquel Summers em sua viagem ao passado para modificar a linha do tempo.

Na mesma intensidade em que as crianças exultavam com a novidade da jovem maestra minha agonia e lágrimas aumentavam, mas estancou abruptamente: - Preservar monumentos para a erudição e deleite de alguns refletindo o seu poder político, militar e econômico, não é o mesmo que o educar para estudar. Sim o Nimrod X-men garante a viagem para reescrever o passado no inconsciente do Universo real e presente.


Seus oponentes fazem o mesmo, com a mesma ignorância, arrogância e prepotência.

Desperte, jamais alimente seus pesadelos.

*Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor.




terça-feira, 14 de abril de 2015

Eduardo Galeano - livros

O sangue que corre nas veias Latinas é diferente!



Mais 10 livros de Eduardo Galeano para descarregar, aqui.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

O totalitarismo de mercado verticalizado e o “cadáver insepulto"

por Sebastião Pinheiro (publicado no Facebook)

O presente é de egoísmo oportunista em escala absoluta. A cada fim de semana são mais de cem mortos na disputa mercantil por venda de droga de alta rentabilidade financeira, econômica que contraditoriamente não é intervinda (?) Ao mesmo tempo em que pessoas promovem passeatas e protestos contra os sacrifícios religiosos de animais domésticos transformando-se em “despacho humano” em acinte ou deboche escrito em quatro idiomas (foto).
Nas manifestações cidadãs ou nas redes de informação/alienação social pululam os arautos do retorno dos militares da Guerra Fria, “capitães de mato” com poder absoluto sobre vida, comportamento; Ao mesmo tempo em que no Congresso Nacional há uma escalada “religiosa” aproveitando a roubalheira da coalizão, legalizando uma série de arbítrios nas antigas ações de Estado, impactantes, mesmo quando a justiça, educação, saúde e oportunidades mantinham as castas da corte (nobres, plebeus, escravos e indígenas), pois o governo está cadáver insepulto.

Mas se isso fosse circunscrito a temática subcontinental, regional ou local não seria um problema, já que facilmente sanável pelo poder mundial globalizado. Por não entender esse “presente”, obriguei-me a ser “módulo” de “vetor” com direção e sentido ao passado.
A nacionalização do Canal de Suez por Gamal Abdel Nasser foi um rastilho de pólvora entre os muçulmanos no pan-arabismo que está registrado em um singelo livro do político Carlos Lacerda com vergência brasileira à época. Ali encontramos o nascimento do Iêmen do Norte em 1962, liberto da Federação da Arábia do Sul, disfarce do Protetorado britânico do Aden na proteção do petróleo da Pérsia e Arábia Saudita e depois identificado como Iêmen do Sul no conflito bélico até os anos 70. O Iêmen do Norte foi condenado à morte durante os oito anos (1986-1994) da Rodada Uruguai de gestação da nova Ordem Internacional que iria substituir a Guerra Fria pela Organização Mundial do Comércio.
A situação em Sanaa não é diferente na Líbia, Iraque, Síria, Paquistão, Afeganistão, Nigéria, Quênia embora todos sejam doutrinados para pensar que isso é um devaneio na intolerância ou ignorância religiosa/cultural, como tampouco permite perceber os massacres humanos nos choques de quadrilhas do narcotráfico, destruição de escolas ou deturpação do ambiente social da pobreza. Ao mesmo tempo em que o segmento de “petshops” ganha espaço e status de “guerra santa” pelo bem-estar animal doméstico sacrificado para aplacar outra fome.

Retornei da imersão ao passado lentamente, lembrando que no México há o alerta: Aguas, con los pendejos con iniciativa (Cuidado com os tontos empreendedores). Já na culta Europa, EUA, Canadá e Austrália o mercado criou uma nova figura muito além do “aprendiz” das corporações medievais (Lehrlings): É o “voluntario” que é espalhado ao mundo em missão messiânica para alterar infra-estrutura nas comunidades sem justiça social ou governo. Internamente esse voluntário cumpre o rito de passagem e iniciação no mercado de trabalho sem custos ao Estado e durante três a seis meses trabalha duro para merecer a vaga de assalariado pelo empregador que não corre riscos e formata como quer o antigo cidadão. Simultaneamente entre nós, a “vaca tosse”, a formalização do trabalho vai “pras cucuias” através de uma terceirização que nem os autores do projeto sabem o que é, mas foi imposta pelos representantes de bancos e CEOs transformados em diplomatas dos países centrais na Rodada Uruguai da OMC. Os diplomatas das elites e cortes periféricas já estão, também, com os dias contados substituídos pelos Cursos de Relações Internacionais ou Diplomatas de Mercado deleitam-se sobre o neologismo solidariedade (econômica, financeira, sanitária e humanística) como a da propaganda sobre a menina nordestina Luana (foto) que poderá comer se você doar um real ao dia, embora a ela chegue somente 0,07 centavos.

Abaporu, Tarsila do Amaral - 1928
Desculpem aqueles que estão pensando que nossa preocupação é com a alienação das bandeiras sociais, políticas locais, desgoverno ou na reação violenta nos países nominados. O que está se consolidando assustadoramente é um totalitarismo de mercado verticalizado, cuja argamassa é sua violência, acima de qualquer valor humano cultural, social ou religioso em pró do consumo antropofágico de tudo e todos, muito parecido à época do manifesto futurista de Marinetti no inicio do Século XX, contudo, agora, sob o controle financeiro internacional (CIRF). O quadro (foto) está pintado há quase um século, o “manifesto antropofágico” escrito, basta degluti-lo ou continuar submerso...

Terceirização

sexta-feira, 3 de abril de 2015

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Crises na Agricultura

Jairo Restrepo Rivera em curso: abc de la agriCultura orgánica - Tablon, HGO. México. 

A verdade deve ser dita em qualquer lugar deste mundo para defender a Vida! Aos Campesino e Campesinas da América Latina.









quarta-feira, 1 de abril de 2015

'Monoculturas da Mente'


"Havia florestas ricas e diversificadas, como a Amazônia, no Brasil, ricas em diversidade, ricas em produção, habitat para mais espécies do que qualquer outro lugar na Terra.

E nos foi dito: as florestas não são produtivas.

Nossas florestas foram convertidas para eucaliptos, para a indústria de celulose. Para pinheiros, que alimentam a indústria madeireira.


Essas monoculturas são altamente empobrecidas. São empobrecidas quando medidas em termos de vida, quando medidas em diversidade e quando medidas quanto ao que podem fornecer às comunidades locais.


O mesmo vale para a agricultura. As monoculturas de soja que estão se expandindo na América Latina, são desertos verdes. Elas não possuem diversidade, não atendem a necessidades locais. Elas são colocadas em navios cargueiros para torturar animais na Europa e nos EUA, como ração para gado, ou para serem convertidas em combustível para automóveis, sob a forma de biodiesel.

Isso está empobrecendo não só as pessoas, como também a natureza.

E a cegueira que nos impede de ver, tanto a riqueza da diversidade quanto a própria diversidade é o que chamo de monocultura da mente. Funciona maravilhosamente a partir de uma posição de poder. Você extermina a vida, você extermina a auto-organização da vida, você extermina a sustentabilidade das comunidades locais e você torna tudo dependente de seu poder, seu controle, sua propriedade.

Uma monocultura da mente é, literalmente, a raiz da ditadura sobre a Terra. É um instrumento de poder e controle. Não produz mais e sim controla mais.”

Vandana Shiva
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