"

'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sábado, 23 de janeiro de 2016

O tempo é o senhor da razão


por Sebastião Pinheiro (facebook)

O dia de Oxóssi passou e parece que muitos não prestaram suas obrigações: No dia seguinte à sua festa o "Jornal da Band" mostrou o Ministro da Fazenda Nélson Barbosa sendo "mijado" por um Prêmio Nobel em Economia em Davos, que tripudiou sobre a ressurreição da CPMF. Foi humilhação nacional. Na antevéspera foi a vez do Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini passar a mesma vergonha sendo obrigado a dizer algo esdrúxulo, não se sabe se por ordem ou vontade.

Para muitos, ambos fatos podem ter ficado em segundo plano, em função da jactância: "Neste país, não tem uma viva alma mais honesta do que eu". Publicitários fazem milagres, mas não podem modificar fatos públicos e só tempo é senhor da razão.

O amigo Benatto era o Diretor da Divisão de Ecologia Humana e Saúde Ambiental do Ministério da Saúde e tinha feito contribuições fantásticas com a Extensão da UFRGS ao conseguir três passagens para estudantes de Medicina irem ao Amazonas integrarem o Circo Mocorongo no Projeto Saúde & amp; Alegria (foto). A oportunidade forjou três profissionais engajados.

Um tempo depois ele me pediu para a retornar a Santos, SP e tratar com lideranças políticas interessadas em informações sobre os riscos em Samaritá, Quarentenário e Baixada Santista em 1999, onde eu trabalhara em 1991 a pedido do amigo Lutzenberger, (foto).

No mesmo "Jornal da Band" aparecia pelo segundo dia denúncias sobre o que está ocorrendo naquela área. Um dos grandes financiadores da candidatura de Collor de Mello à presidência foi o empresario Vaz Musa, da Rhodia. Aquela empresa tinha transferido fábricas proibidas na Europa e sintetizava compostos organoclorados já banidos por seus resíduos industriais HCB, Pentaclorofenol (PCP) ricos em Dioxinas e Furanos. Criminosamente distribuía esse lixo tóxico entre agricultores dizendo ser adubo que ia melhorar a terra. Na época acionamos o Ministério Público de SP e tivemos o apoio do Dr. Edis Milaré, e logo, conseguimos fechar o incinerador da Rhodia e interditar toda a área do Quarentenário, um terreno do Ministério da Agricultura em área de mangue que era usado pela empresa corrupta como lixão químico clandestino.

Na matéria a TV Bandeirantes denunciou ser um bairro popular onde todos estão condenados à doenças degenerativas devidas à contaminação do HCB, PCP e Dioxinas e Furanos Clorados igual a que em Love Canal, EUA; Seveso, Itália.

Naquela viagem, desde o ônibus pude ver que o antigo gigantesco terreno prístino, mas quimicamente envenenado do Ministério da Agricultura, que servira de depósito clandestino de lixo químico de classe I, agora transformado em um loteamento gigantesco. Sobressaiam-se na paisagem caixas de água do tipo cilindro metálico equidistantes, dando a entender que não usavam a água contaminada (a região possuía mais de 30 piezômetros para o controle da mesma pela CETESB), aquilo desejava dar aparência saudável à área. Cheguei à reunião apavorado, pois aquilo era mais que criminoso era manipulação populista.

Ninguém estava interessado no que eu alertava, fingiam não entender. Deixei com eles um exemplar do livro "Ladrões de Natureza", onde há o capítulo sobre Samaritá - Quarentenário e outro sobre a Cidade dos Meninos no Rio de Janeiro, onde a esposa do Presidente Collor queria criar um asilo infantil e no solo havia os mesmos índices de HCB, BHC, Dioxinas e Furanos, e, nós também conseguimos colocar uma pá de cal na ideia.

Vinte anos depois, vendo a notícia na "Band" me senti mais que envergonhado, me senti culpado. Lembrei de Tucuruí, lembrei dos soldados franceses ao encontraram em 1982, os últimos 40 tambores de Seveso, escondidos em 1976 por um corrupto, inescrupuloso. Eles e toda a cidadania estava tão esfuziante que ainda fardados sobre os caminhões foram recebidos pelas autoridades com garrafas de champanhe, pelo peso que tinham tirado da coletividade. Haviam sido 60 dias de desespero em toda Itália, França, Alemanha, onde eu trabalhava no Laboratório de Analise de Alimentos em Trier e Saarbruecken.

Mesmo tendo feito um trabalho sério com as autoridades. Pude perceber cafajestes travestidos de políticos progressistas tinham urbanizado uma área comprometida de forma criminosa. Uma área que fora recomendada ser totalmente isolada, remediada e transformada em reserva.

Vendo as imagens e diálogos na TV sobre o Quarentenário comecei a refletir sobre o que eu passei. "Pode haver ser humano tão honesto, mas não mais honesto que eu no país" foi uma das frases da semana. Senti ânsia de vomito. Honestidade é um valor espiritual absoluto acima de religião, ideologia ou interesses e luta de classes.

O Jornal da Band foi pródigo, me tirou da "fossa", um antídoto na notícia final sobre o envenenamento do ex-espião soviético asilado em Londres com um chá de Polônio 210. Pareceu-me galhofa diante do macabro político anterior.

Para extrair o veneno e mágoa de meu interior usei a alquimia de transmutar situações tristes em alegres: Os russos já haviam dado uma sopa de TCDD a Yússhchenko, agora um chá radioativo. La venditta é un piatto que se manja fredo.

Os desesperados de Samaritá – Quarentenário (foto) estão mais que tomando chá, estão respirando, engolindo HCB, PCP, Dioxinas e Furanos Clorados e quem está servindo
são os políticos que usufruem seus votos democráticos...

Os assassinos russos eliminam o desertor (que sabia o risco corria e optou por fugir e colaborava com o inimigo) por seus interesses e segurança dos ex-colegas do mesmo. O que a noticia não pode dizer é que os ingleses foram, pelo método, transformados em incompetentes e corruptos ao não saberem proteger seu "tesouro"; Ou será que eles administraram o Polônio 210 ao russo para criar problemas à Russia? No mundo da espionagem, inteligencia e economia não há ética.

Assassinatos são injustificáveis pela ética; mas é preciso coragem e honestidade para abordá-lo em quaisquer circunstâncias. Contudo, a frase do pai: "Meu filho, e as crianças daqui sofrem de leucopenia (caminho à leucemia), sem nunca terem entrado em uma fábrica", me fez cair na realidade: O fluxo de ódio, ignorância, corrupção e incompetência no exercício do poder vitimiza mais aqueles que, deveriam proteger. Ao que se pode dizer que é situação antagônica à dos russos por ser a ética um valor absoluto.

Desculpem a sinceridade, mas algum desgraçado bem intencionado vai fazer seu doutorado sobre o bairro Quarentenário e apresentar os números e índices macabros para inveja dos pares nos congressos, revistas, artigos, mas jamais poderá ser respeitado como um cidadão honesto, pois o tempo é o senhor da razão.

O amigo A. Benatto foi exonerado do cargo por uma pessoa que aproximou-se dele usando nossa amizade. Ficou dez anos no cargo e transformou o país no primeiro consumidor de agrotóxicos do mundo.

Garçon ma tasse avec lait s'il vous plaît.

Bokashi

em construção...
Adubo orgânico fermentado
- fertilização da planta & nutrição do solo

_ Bocashi _
Fonte das informações: livro - El ABC de la agricultura orgánica, Jairo Restrepo Rivera e Julius Hensel. Práticas no sítio SoLar, Eng. Agr. Oliver Blanco

A palavra bocashi é do idioma japonês para o caso da elaboração de adubos orgânicos fermentado, e significa previamente cozinhar no vapor os materiais orgânicos do adubo, aproveitando o calor que é gerado com a fermentação aeróbica (com a presença de oxigênio) dos mesmo. Podemos também entender como uma pré digestão de materiais orgânicos através do calor gerado pela decomposição.


Ingredientes e seus principais efeitos e colaborações na preparação do adubo fermentado

CARVÃO VEGETAL
- condicionador biofísico do solo




Melhora as características físicas do solo (estrutura e textura) o que facilita a distribuição das raízes, a aeração, a absorção e umidade e calor (energia). O seu alto grau de porosidade beneficia a atividade macro e microbiológica da terra, ao mesmo tempo que funciona como um tipo de ‘esponja sólida’ em que possui a capacidade de reter, filtrar e liberar gradualmente nutrientes úteis as plantas, diminuindo as perdas quando, uma eventual lavagem da terra acontecer.

As partículas do carvão proporcionam boa oxigenação ao adubo, de tal maneira, a não existir limitações no processo aeróbico da fermentação; outra propriedade, é de possuir a função de regulador térmico do Sistema radicular das plantas, tornando-as mais resistentes contra baixas temperatura noturnas registradas em algumas regiões.

Finalmente, o destino da decomposição total deste material na terra é a formação de húmus. (*para maiores informações pesquisar: “terra preta indígena” – TPI)

Recomendações

O tamanho ideal da partícula de carvão, pode variar de acordo com a sua utilização, por exemplo, para substrato de formação de plântulas (em bandejas) o ideal é usar o carvão semi pulverizado ou cisco de carvão. As partículas devem ter a largura em 0,5 a 1 cm x 1,5 cm e diâmetro de 1,5 cm.

(*Leonarditas – a aplicação de uma mescla do pó de carvão de origem vegetal, leonarditas e farinha de rocha, favorece a nutrição da terra, assim como a fertilização dos cultivos pela continua ação sinérgica entre eles e os minerais que se encontram na formação do solo, ficando altamente disoníveis compostos químicos para a absorção radicular. O desbloqueio – disponibilidade – e transformção dos elementos como o fósforo, e a transformação de compostos quelatizados a base de Fe (ferro) para o aproveitamento dos cultivos, são um claro exemplo desses beneficios, principalmente em terras argilosas.

ESTERCO
- aporte nitrogenado, relação C/N




É a principal fonte de N (nitrogênio) na elaboração dos adubos orgânicos fermentados. Melhora as características vitais e nutricionais da terra e a fertilidade dos cultivos com alguns nutrientes como: P (fósforo), K (potássio), Ca (cálcio), Mg (magnésio), Fe, Mn (manganês), Zn (zinco), Cu (cobre) e B (boro), entre outros elementos. Dependendo de sua origem, inocula microrganismos e outros materiais orgânicos em maior ou menor quantidade, melhorando as condições biológicas, químicas e físicas do terreno em que se aplica o adubo.

Recomendações

Utilizar de preferência o esterco de galinhas poedeiras, principalmente de granjas que possuí bom manejo de limpeza quando está espalha resíduos vegetais secos (capim moído, casa de arroz, resto de culturas bem trituradas e outras disponíveis) no piso, na parte de baixo, disponibilizando a chamada cama de frango.

*Em alguns casos particulares, com muito conhecimento e habilidade técnica, o esterco ou a cama de frango poderá ser substituída em parte ou totalmente por: farinhas de sangue, plumas, ossos frescos triturados e restos de pescado; dependendo da situação financeira do produtor ou oferta dos materiais nas localidades.

*Urina de animais: coletar e deixar em repouso por 15 dias em recipiente escuro com uma mescla de farinha de rocha; aplicação foliar 1% e 5%.

RESÍDUO VEGETAL - Casca de arroz ou casca de café



Melhora as características físicas da terra e adubos, facilitando a aeração, a absorção de umidade, a dose ou quantidade (volume) e nutrientes. Incrementa as atividades macro e microbiológicas da terra, ao mesmo tempo que estimula o desenvolvimento uniforme e abundante do sistema radicular das plantas, assim como suas atividades simbióticas com a microbiologia da rizosfera. A longo prazo, se converte em uma fonte de húmus. A casca de arroz é também uma fonte rica de Si (silício).

Outros resíduos vegetais devem ser utilizados de acordo com a disponibilidade e proximidade da propriedade em que se elabora o adubo. Capim (napie, braquiária, e outros), bagaço de cana, resto de culturas; importante é que estejam em partículas pequenas (bem triturados) e seco. Podem ocupar até 1/3 do volume total dos ingredientes do adubo. Controlam os excessos de umidades.

*resíduos de lasca de madeira, ou pó de serra, também podem ser utilizados dependendo da procedência química de tratamento da madeira; resíduos químicos, taninos e outros, podem interferir na fermentação, e, de acordo com o equilíbrio de umidade, podem complementar o volume do adubo em que elabora.

FARELO DE ARROZ
- qualidade na fermentação, formação de complexos vitamínicos e incremento enzimático




Favorecem em alto grau e qualidade a fermentação dos adubos; estabelece boas atividades enzimáticas as quais é incrementada pela presença de vitaminas complexas. É também um aporte de N (nitrogênio) e muito rico em outros nutrientes complexos gerados quando seus carboidratos se fermentam. Os minerais são: P, K, Ca, Zn e Mg.

Outros tipos de farelos como o de trigo, soja ou milho, podem ser utilizados, mas dê preferência ao farelo de arroz pela qualidade, valendo o esforço para adquiri-lo.

MELAÇO - cana-de-açúcar
- aporte energético 




Fonte de energia para a fermentação dos adubos; favorece a multiplicação das atividades microbiológicas e é rico em K, Ca, P e Mg; micronutrientes como, B (boro), Zn (zinco), Mn (manganês), Fe (ferro) e Cu (cobre); é também possuidor do grupo vitamínico do complexo B.

LEVEDURA, TERRA VIRGEM OU MANTO FLORESTAL E BOCASHI
- aporte em microrganismos




Constituem na principal fonte de inoculação microbiológica para a elaboração dos adubos orgânicos fermentados. É considerada a semente que dará o start ou arranque na fermentação.


*Recomendações: Bocashi = semente fermentada. A cada preparo, separar um pouco como isca e utilizar na inoculação do próximo adubo.

TERRA
- distribuição homogênea da umidade




Em muitos casos ocupam até 1/3 do volume total do adubo que se deseja elaborar. Tem a função de dar maior homogeneidade física e distribuição melhor de sua umidade no adubo; com seu volume adequado, aumenta o meio propício para o desenvolvimento das atividades microbiológicas. 
          
Funciona também como uma esponja, por possuir a capacidade de reter, filtrar e liberar gradualmente os nutrientes das plantas de acordo com sua necessidade. Dependendo de sua origem e variados tipos de argila é aporte de microrganismos inoculadores e outros elementos minerais.

Recomendações

As melhores terras para a elaboração do bocashi são de origem argilosas, pois facilitam a formação de complexos silicatados e ácidos húmicos, em total afinidade com a matéria Orgânica disponibilizada no adubo. No mínimo, os adubos tipo bocashi devem possuir 30% de terra.

FARINHA DE ROCHA, CINZA E CAL AGRÍCOLA
- aporte minerais e regulação do pH




Principal função é regular a acidez que se evolui durante todo o processo de fermentação e também contribuir com outros minerais úteis.

- a medida utilizada: 25 kg de pó de rocha ou cinza para cada 1 tonelada de adubo bocashi.

Finalmente, não podemos esquecer que na medida em que o solo recupera sua composição em grande quantidade ou porcentagem de matéria orgânica, ele exercerá um efeito tampão e regulador de pH terreno cultivado.

Práxis, sítio Solar B. janeiro 2016
Eng. Agr. Oliver Blanco
& Bibliografia _ foto



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Manifesto de Córdoba, 1918

"Se observarmos a atual preocupação da grande maioria dos estudantes desde então, vemos que, agora ocupam seu tempo com discussão, prioritária da tração "4 x 4" passam várias horas nas redes sociais, logo os compromissos (Manifesto de Córdoba, 1918) e prioridades posteriores caem no vazio ou se dilui no significado de "sustentável", sem identidade ou vínculo com cidadania, apenas com o consumo, e isso vale para a percepção de: agrotóxicos, transgênicos, nanotecnologia, agronegócio - agroecologia, biocombustíveis e legislação florestal etc. Ou seja, a cidadania foi substituída pela individualidade!"

Posfácio p. 189 (Saúde no Solo x Agronegócio, Sebastião Pinheiro)


REFORMA UNIVERSITÁRIA de 1918 

Da Juventude Argentina de Córdoba aos homens livres da América 
Manifesto de Córdoba 

21 de junho de 1918 

Homens de uma República livre, acabamos de romper a última cadeia que, em pleno século XX,
Análises de documentos, história
nos atava à antiga dominação monárquica e monástica. Resolvemos chamar todas as coisas pelos nomes que têm. Córdoba se redime. A partir de hoje contamos para o país uma vergonha a menos e uma liberdade a mais. As dores que ficam são as liberdades que faltam. Acreditamos que não erramos, as ressonâncias do coração nos advertem: estamos pisando sobre uma revolução, estamos vivendo uma hora americana. 


A rebeldia estala agora em Córdoba e é violenta porque aqui os tiranos tinham muita soberba e era necessário apagar para sempre a lembrança dos contra-revolucionários de maio. As universidades foram até aqui o refúgio secular dos medíocres, a renda dos ignorantes, a hospitalização segura dos inválidos e - o que é ainda pior - o lugar onde todas as formas de tiranizar e de insensibilizar acharam a cátedra que as ditasse. As universidades chegaram a ser assim fiel reflexo destas sociedades decadentes que se empenham em oferecer este triste espetáculo de uma imobilidade senil. Por isso é que a ciência frente a essas casas mudas e fechadas, passa silenciosa ou entra mutilada e grotesca no serviço burocrático. Quando em momento fugaz abre suas portas aos altos espíritos é para arrepender-se logo e fazer-lhes impossível a vida em seu recinto. Por isso é que, dentro de semelhante regime, as forças naturais levam a mediocrizar o ensino, e o alargamento vital de organismos universitários não é o fruto do desenvolvimento orgânico, mas o alento da periodicidade revolucionária. 

Nosso regime universitário - mesmo o mais recente - é anacrônico. Está fundado sobre uma espécie de direito divino; o direito divino do professorado universitário. Acredita em si mesmo. Nele nasce e nele morre. Mantêm uma distância olímpica. A federação universitária de Córdoba se levanta para lutar contra esse regime e entende que nele se vai a vida. Reivindica um governo estritamente democrático e sustenta que a comunidade universitária, a soberania, o direito de dar-se governo próprio radica principalmente nos estudantes. O conceito de autoridade que corresponde e acompanha um diretor ou um professor em um lar de estudantes universitários não pode apoiar-se na força de disciplinas estranhas à substância mesma dos estudos. A autoridade, em um lar de estudantes, não se exercita mandando, mas sugerindo e amando: ensinando. 

Se não existe uma vinculação espiritual entre o que ensina e o que aprende, todo ensino é hostil e por conseguinte infecundo. Toda a educação é uma longa obra de amor aos que aprendem. Fundar a garantia de uma paz fecunda no artigo combinatório de um regulamento ou de um estatuto é, em todo caso, amparar um regime de quartel, mas não um trabalho de ciência. Manter a atual relação de governantes e governados é agitar o fermento de futuros transtornos. As almas dos jovens devem ser movidas por forças espirituais. Os meios já gastos da autoridade que emana da força não se conformam com o que reivindica o sentimento e o conceito moderno das universidades. O estalo do chicote só pode atestar o silêncio dos inconscientes e dos covardes. A única atitude silenciosa, que cabe em um instituto de ciência é a do que escuta uma verdade ou a do que experimenta para acreditar ou comprová-la. 

Por isso queremos arrancar na raiz do organismo universitário o arcaico e bárbaro conceito de autoridade que nestas casas de estudo é um baluarte de absurda tirania e só serve para proteger criminalmente a falsa dignidade e a falsa competência. Agora advertimos que a recente reforma, sinceramente liberal, trazida à Universidade de Córdoba pelo Doutor José Nicolás Matienzo não inaugurou uma democracia universitária; sancionou o predomínio de uma casta de professores. Os interesses criados em torno dos medíocres encontraram nela um inesperado apoio. Nos acusam agora de insurretos em nome de uma ordem que não discutimos, mas que nada tem que fazer conosco. Se é assim, se em nome da ordem querem continuar nos enganando e embrutecendo, proclamamos bem alto o direito da insurreição. Então a única porta que fica aberta para nós à esperança é o destino heroico da juventude. O sacrifício é nosso melhor estímulo; a redenção espiritual das juventudes americanas nossa única recompensa, pois sabemos que nossas verdades são de todo o continente. Que em nosso país uma lei - se diz -, a lei de Avellaneda, se opõe à nossas aspirações? Pois reformem a lei, que nossa saúde moral está exigindo. 

A juventude vive sempre em transe de heroísmo. É desinteressada, é pura. Não teve tempo ainda de contaminar-se. Não se equivoca nunca na eleição de seus próprios mestres. Ante aos jovens não se faz mérito adulando ou comprando. É preciso deixar que eles mesmos elejam seus professores e diretores, seguros de que o acerto vai coroar suas determinações. Adiante, só poderão se professores na república universitária os verdadeiros construtores de almas, os criadores de verdade, de beleza e de bem. 

Os acontecimentos recentes da Universidade de Córdoba, com o motivo da eleição para reitor, esclarecem singularmente nossa razão de como apreciar o conflito universitário. A federação universitária de Córdoba acredita que deve fazer conhecer ao país e à América as circunstâncias de ordem moral e jurídica que invalidam o ato eleitoral verificado no dia 15 de junho. Ao confessar os ideais e princípios que movem a juventude nesta hora única de sua vida, quer referir os aspectos locais do conflito e levantar bem alta a chama que está queimando o velho reduto da opressão clerical. Na Universidade Nacional de Córdoba e nesta cidade não foram presenciadas desordens; se contemplou e se contempla o nascimento de uma verdadeira revolução que há de agrupar bem rápido sob sua bandeira a todos os homens livres do continente. Relataremos os acontecimentos para que se veja quanta razão tínhamos e quanta vergonha nos tirou a covardia e falsidade dos reacionários. Os atos de violência, dos quais nos responsabilizamos integralmente, se cumpriam como no exercício de puras idéias. Derrubamos o que representava o anacrônico e o fizemos para poder levantar o coração sobre essas ruínas. Aquilo representa também a medida de nossa indignação na presença da miséria moral, da simulação e do engano arteiro que pretendia filtrar-se com as aparências da legalidade. O sentido moral estava obscuro nas classes dirigentes por uma hipocrisia tradicional e por uma pavorosa indigência de ideais. 

O espetáculo que oferecia a assembléia universitária era repugnante. Grupos de amorais

desejosos de captar-se a boa vontade do futuro reitor exploravam os contornos no primeiro escrutínio, para inclinar-se depois ao bando que parecia assegurar o triunfo, sem lembrar a adesão publicamente empenhada, o compromisso de honra contraído pelos interesses da universidade. Outros - os demais - em nome do sentimento religioso e sob a advogação pelos interesses da Companhia de Jesus, exortavam à traição e ao pronunciamento subalterno (Curiosa religião que ensina a menosprezar a honra e rebaixar a personalidade! Religião para vencidos ou para escravos!). Tinha-se obtido uma reforma liberal mediante o sacrifício heroico de uma juventude. Acreditava-se ter conquistado uma garantia e da garantia se apoderavam os únicos inimigos da reforma. Na sombra, os jesuítas tinham preparado o triunfo de uma profunda imoralidade. Consentir com isso seria outra traição. À enganação respondemos com a revolução. A maioria representava a soma da repressão, da ignorância e do vício. Então demos a única lição que cabia e espantamos para sempre a ameaça do domínio clerical. 

A sanção moral é nossa. O direito também. Aqueles puderam obter a sanção jurídica, embutir-se na lei. Não permitimos. Antes de que a iniquidade fosse um ato jurídico, irrevogável e completo, nos apoderamos do salão de atos e expulsamos os canalhada, só então amedrontada. Que isso é certo, o patentiza o fato de, logo depois, a federação universitária ter feito uma sessão no próprio salão de atos e de mil estudantes terem assinado sobre o mesmo púlpito do reitor, a declaração de greve por tempo indeterminado. 

De fato, os estatutos reformados dispõe que a eleição para reitor terminará em uma só sessão, proclamando-se imediatamente o resultado, com a leitura de cada uma das cédulas e a aprovação da respectiva ata. Afirmamos, sem temor de ser corrigidos, que as cédulas não foram lidas, que a ata não foi aprovada, que o reitor não foi proclamado, e que, por conseguinte, para a lei, ainda não existe reitor nesta universidade. 

A juventude universitária de Córdoba afirma que jamais fez questão de nomes nem de empregos. Se levantou contra um regime administrativo, contra um método docente, contra um conceito de autoridade. As funções públicas se exercitavam em benefício de determinadas camarilhas. Não se reformavam nem planos nem regulamentos por medo de que alguém nas mudanças pudesse perder o emprego. O lema "hoje para você, amanhã para mim", corria de boca em boca e assumia a validade de estatuto universitário. Os métodos docentes estavam viciados de um estrito dogmatismo, contribuindo em manter a universidade distante da ciência e das disciplinas modernas. As eleições, encerradas na repetição interminável de velos textos, amparavam o espírito de rotina e de submissão. Os corpos universitários, zelosos guardiães dos dogmas, tratavam de manter a juventude na clausura, acreditando que a conspiração do silêncio pode ser exercitada contra a da ciência. Foi então quando a obscura universidade mediterrânea fechou suas portas a Ferri, Ferrero, Palacios e outros, ante o medo de que fosse perturbada sua plácida ignorância. Fizemos então uma santa revolução e o regime caiu a nossos golpes. 


Bakunin '4 x 4' 
Acreditamos honradamente que nosso esforço tinha criado algo novo, que pelo menos a elevação de nossos ideais merecia algum respeito. Assombrados, contemplamos então como se coligavam para arrebatar nossa conquista os mais crus reacionários. 

Não podemos deixar nossa sorte à tirania de uma seita religiosa, nem ao jogo de interesses egoístas. Eles querem nos sacrificar. O que se intitula reitor da Universidade de San Carlos disse sua primeira palavra: "Prefiro antes de renunciar que fique o varal de cadáveres dos estudantes". Palavras cheias de piedade e de amor, de respeito reverencioso à disciplina; palavras dignas do chefe de uma casa de altos estudos. Não invoca ideais nem propósitos de ação cultural. Se sente custodiado pela força e se levanta soberbo e ameaçador. Harmoniosa lição que acaba de dar à juventude o primeiro cidadão de uma democracia universitária! Recolhemos a lição, companheiros de toda a América; talvez tenha o sentido de um presságio glorioso, a virtude de um chamado à luta suprema pela liberdade; ela nos mostra o verdadeiro caráter da autoridade universitária, tirânica e obcecada, que vê em cada petição um prejuízo e em cada pensamento uma semente da rebelião. 

A juventude já não pede. Exige que se reconheça o direito de exteriorizar esse pensamento próprio nos corpos universitários por meio de seus representantes. Está cansada de suportar os tiranos. Se foi capaz de realizar uma revolução nas consciências, não pode desconhecer-se a capacidade de intervir no governo de sua própria casa. 

A juventude universitária de Córdoba, por meio de sua federação, saúda os companheiros da América toda e os incita a colaborar na obra de liberdade que se inicia. 

Enrique F. Barros, Horacio Valdés, Ismael C. Bordabehere, presidentes - Gumersindo Sayago - Alfredo Castellanos - Luis M. Méndez - Jorge L. Bazante - Ceferino Garzón Maceda - Julio Molina - Carlos Suárez Pinto - Emilio R. Biagosh - Angel J. Nigro - Natalio J. Saibene - Antonio Medina Allende - Ernesto Garzón. 



Relembrar Córdoba

ROMPER E AVANÇAR: TAREFAS PARA UM MOVIMENTO ESTUDANTIL COMBATIVO


sábado, 16 de janeiro de 2016

A corrupção e sua gêmea incompetência

por Sebastião Pinheiro

Vocês lembram o Pepê, Ministro de Assuntos Estratégicos de Collor. Apareceu na Lava Jato como o operador do próprio; Pobre e infeliz "Gasolina", digo PC, tesoureiro e financista. O quê pode o meta poder!

Sou ingênuo confundi "raiz - radical" com "fundamento - fundamentalismo", pois semântica e etimologia jamais foram meus fortes. Agora, fui obrigado a atualizar-me: Fundamento é a base ideológica, filosófica ou outra, de algo. Já o fundamentalismo é a estrita adesão a doutrinas teológica conservadoras, assim designadas pelos seus defensores. Por extensão este termo passou a ser usado em outras ciências como posição dogmática, fanática. Estou às voltas com três temas: - A ciência de Ludwik Fleck; - A possível Bomba H da Coreia; - A triste realidade nacional 25 anos depois.

Ludwik Fleck foi um cientista judeu de nacionalidade polonesa que dirigia no campo de concentração e extermínio de Buchenwald na Alemanha Nazista, a poucos metros dos fornos crematórios, um dos laboratórios de imunologia e microbiologia mais bem equipados e possuía uma equipe de outros presos de renome (médico Marian Ciepielkowsky; o sorologista francês Prof. X. Waitz; o bacteriologista Eugen Kogon e o Prof. Alfred Belachowsky do Instituto Pasteur) e mais de dez imunologistas alemães de alto nível profissional, intelectual e especialidade. Ele e sua equipe sobreviviam pela imperiosa necessidade de seu conhecimento pelos algozes nazistas para a produção da vacina contra o tifo exantemático causado pela riquétsia (Richettsia prowazekii) para a imunização das tropas SS.

Já conhecida bem antes de Napoleão as epidemias de tifo entre prisioneiros de Guerra (foto) e os campos de concentração eram o local constante de surtos para as pesquisas. De 1943 até 1945 em Buchenwald foram produzidos mais de 600 litros de «vacina» totalmente ineficaz devidamente aplicada em mais de 50 mil soldados SS. (O exército imperial japonês usara o mesmo artificio em Harbin, na China com o sacrifício de 400 mil cobaias humanas pelo Tenente General Ishiro Shii, que em 1960 foi dirigente na Olimpíada de Tóquio.).


A equipe de Fleck não sabia como produzir as quantidades requeridas pelos nazistas e montou uma farsa com um mero placebo (medicamento sem principio ativo) superando os rígidos controles e protocolos nazistas. As pequenas quantidades da vacina efetivas e eficazes para imunização eram administradas à equipe e sua própria família pelas condições no campo de concentração. Depois da guerra ele descreveu em uma série de trabalhos científicos e filosóficos os alcances e feitos na ação, fundamentos e sociologia no fundamentalismo da ciência.

Isto está contado no livro Revolución en la Evolución no capítulo “Un gran dilema em Biología”, de Lynn Margulis editado pela Universidade de Valência, em 2003 onde cita o livro de Ludwik Fleck "Genesis and Development of Scientific Fact" que traz sua Teoria do Feito Científico”.

Dita teoria afirma que todo “feito cientifico” nada mais é que um consenso entre científicos com vínculos, que interagem socialmente. Este “feito” é produto de um complexo processo social que começa com a observação individual ou com a medida e que termina com a integração de uma “afirmação verdadeira” estilizada no livre conhecimento da sociedade.

Fleck documentou o processo mediante o qual as atividades sociais como assistência a reuniões científicas, contribuição a revistas científicas e boletins profissionais faz a contribuição aos "mitos comuns", livros textos e outros instrumentos de socialização, consolidam grupos de pessoas que de outro modo serão científicos e técnicos ingovernáveis (grupos de pensamentos) e iriam constituir as “tribos de pensamentos” ou alternativos.

Do outro lado desse espelho, na Coreia do Norte, o atual líder, neto do formador da parte norte após a secessão do país, Kim Jong Un foi criado desde a primeira infância até a universidade na Suíça para exercer poder absoluto sobre fundamentos e fundamentalismo em todos os sentidos.

Seu pai explodiu sua primeira bomba atômica em 3 de Outubro de 2003 e ele coroa de forma macabra a obra familiar.

Bomba atômica é uma arma para o exercício de poder imperial. Para fazê-la é necessária muita ciência e uma quantidade de radioisótopo de um metal muito pesado como o Urânio ou Plutônio, que serão purificados e concentrados para a confecção do artefato militar, que ao explodir libera muita energia por fissão. Na atualidade ela é, em muito superada pela bomba H. Para se fazer a bomba termonuclear de fusão é necessário, o radioisótopo de metal muito leve, como o Hidrogênio. Os isótopos do Hidrogênio Deutério e Trítio se encontram na natureza em quantidades muito diluídas e sua concentração é dispendiosa, pois eles são encontrados na água da chuva em concentrações inferiores a picogramas ou 1 x 10 na potencia negativa 12 (0,000.000.000.001 gramas/Litro) e menos ainda nas água oceânicas e sua concentração precisa de muita hidroeletricidade para a produção de D20, e mais ainda para a T20 (águas pesadas).

O cientista britânico EdwardTeller foi o criador da Bomba de Hidrogênio. A propaganda militarista ufanista alcunhou a expressão que a Bomba Atômica é apenas a espoleta da Bomba H, para divulgar sua excelência destruidora em comparação com a atômica. Edward Teller ficou famoso pela proeza de doar sêmen para Eugenia, contudo algumas crianças nasceram com deficiências mentais.

Sobre a produção de Deutério e Trítio diz a lenda que os chineses encontraram que as águas juvenis, oriundas de fontes geotérmicas (vulcões) são mais ricas em Deutério e Trítio e passaram a tratar com jatos dessa água a lava vulcânica incandescente com exito; Depois começaram a moer certas rochas ricas em Sulfetos e dissolvê-la nas águas termais; Por fim aquecer, sob pressão para a produção não só do Deutério e Trítio, mas de outros isótopos (Neodímio) para a produção de imãs formadores dos campos eletromagnéticos indispensáveis na montagem do artefato termonuclear.

Há quem diga que o gigantesco uso de pós de rochas na agricultura chinesa nada mais são que o aproveitamento e disfarce do subproduto e não o seguimento pioneiro de Julius Hensel. Da mesma forma que o desenvolvimento dos inseticidas fosforados na agricultura do mundo, mais que negócios das empresas químicas era uma garantia de produção a baixo custo do Tributilphosphate (TBP), purificador de radioisótopos pesados por partição líquida. A bomba atômica coreana foi acelerada pela doação de 20 toneladas de TBP da China. Lembram do aprisionamento do Navio Espião "Pueblo", em 1968. Não foi noticiado por fundamentalismo do meta poder.

Há atualmente uma comoção nos EUA & UE devido à hegemonia chinesa no mercado de Terras Raras (Lantanídeos), para desespero norte-americano pelo seu valor estratégico em eletrônica, satélites, computadores e arte militar. Diz, ainda a lenda que o uso dos pós de rochas permitiu a concentração desses elementos para a industria e o resultado de seus ensaios na peletização de sementes é apenas um outro subproduto desviado para a agricultura.

Na guerra fria houve a denúncia de que Israel e África do Sul explodiram um artefato nuclear na atmosfera nas proximidades do continente Antártico. Há muito, no Hemisfério Norte se deixara de utilizar a atmosfera para testes, pois os inimigos tinham a possibilidade de recolhendo amostras de certos cultivos e alimentos (leite) podiam determinar os radionuclídeos (spuren) do fall-out e saber o tipo de artefato e as linhas e tendências no seu desenvolvimento. Os argentinos enviaram ao Bundesforschungsantalt für Getreide, Kartoffeln und Fettforschung Verarbeitung um bolsista para analisar seus trigos no final da década de 70, para conhecer que tipo radioisótopos eles continham. Na época, a França fazia seus testes no Atol de Mururoa sob o Oceano procurando que diluição na água do Mar impedisse o rastreamento de seus avanços científicos.

Agora o mundo sabe que um terremoto artificial de 5,3 na Escala Richter foi detectado, na Coreia do Norte, mas não se sabe o tipo e tamanho do petardo explodido, se de fissão ou fusão. Obviamente que sem o Fall-out fica muito mais difícil predizer qualquer certeza.

Na pobre e triste realidade nacional, o famoso Pepê (Pedro Paulo Leone Ramos) foi recebido na sede do Parque Nacional das Águas Escondidas pelo também secretário Lutz, a quem entregou um grosso volume sobre a questão nuclear, que tinha de ser lido até a manhã seguinte e enviado ao Planalto. O mais interessante é que naquela tarde quente um desavisado tamanduá bandeira entrara dentro do quintal da casa e passamos a tarde observando o portentoso comedor de formiga. Não sei se ele ficou sem dormir para estudar o documento. Retornei ao Sul tranquilo. Ele afirmara que no dia anterior estiveram uns dez caciques Caiapós e eles trouxeram um punhado de crianças, preocupados, pois o buraco atômico ficava nas nascentes dos rios de suas terras.

De chofre, ele me perguntou se eu conhecia Joseph Greiner. E sem resposta, explicou foi um cineasta alemão fulminado pela malária (Plasmodium falciparum) no Jary (foto) na expediçãonazista para delimitar a Amazônia Alemã, que Hitler pretendia ocupar nos anos seguintes, como já fizera com grande parte da Antártica.

A revolução redentora doara a área do Jary ao Daniel Ludwig, posteriormente indenizado pelos investimentos de risco que fizera com sua fábrica de celulose flutuante, hoje uma grande plantação de eucaliptos e pinheiros norte-americanos.

Aquele irreverente, que recebera o embaixador da Alemanha de cuecas cumpriu o que havia antecipado: Fazer por uma pá de cal naquele buraco na Serra do Cachimbo (foto). Um quarto de século passou e permite a reflexão: A corrupção e sua gêmea incompetência deixaram de ser fundamento político e agora são fundamentalismo, exponenciais como a microcefalia e desfaçatez, ambas piores que a Bomba de Nêutrons.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Botânica Camponesa

Arte foto - DiVersos Ateliê - Cananéia/SP

por Sebastião Pinheiro*
Falta menos de um mês para o Carnaval e como diz a letrada da marchinha: “Recordar é Viver...” os termos “Endossimbiose” e “Transplante de Bioma Fecal” trouxeram nostalgia. Antes deste século, no Km 68 em Alagoas, em um Assentamento da Reforma Agrária, onde está assentado o irmão da Ita fui convidado para falar sobre agrotóxicos, ao fazer reconhecimento do terreno, ignorei o pedido de consumo e optei por falar sobre Botânica Camponesa. Foi uma das apresentações mais felizes de minha vida profissional. Fazer com que pessoas humildes, alguns desarraigados da terra desde as Ligas Camponesas de F. Julião voltassem a sentir auto-estima e amor próprio. Nos primeiros anos deste século consegui idealizar, a pedido, o “Curso de Economia Invisível da Mulher Camponesa”, organizado e coordenado pelo Núcleo de Economia Alternativa e Movimento de Mulheres Camponesas (paritariamente), e que tive a responsabilidade de apresentar pequenas inserções sobre uma agricultura independente da conjuntura atual.

Já vencido pela idade (aposentado), durante 2014 atendi aos amigos e bolsistas do NEA participando no curso de “Botânica Camponesa no Assentamento Filhos de Sepé” no município de Viamão há 80 Km de Porto Alegre aos sábados, alternados, durante todo o dia. O curso não teve a aceitação e repercussão, pois das centenas de famílias assentadas, somente quatro ou cinco pessoas participavam do mesmo, mas conseguimos fazer coisas interessantes, embora sem atingir o que havíamos proposto.

Os descobrimentos do Novo e Novíssimo mundo nos trouxeram uma riqueza biológica fantástica com fortalecimento da economia e impondo à ciência estudar o novo: imaginem o mundo sem o milho, sem a batatinha, sem o chocolate, chiclete ou o amendoim.... Calcule para uma criança indígena ou camponesa conhecer a participação de seus ancestrais nesta domesticação, construção cultural, criação no momento em que a palavra biodiversidade ganhava valor sonante na boca de políticos servis, mercantilistas e entidades de informação e metapoder.

Uma grande maioria ainda hoje não sabe por que existem os Jardins Zoológicos e os Jardins Botânicos, pensam que é para o deleite dos seres exóticos e não Institutos de Estudos da Vida Vegetal e Animal, na comodidade do ambiente Central de forma mais barata para os alunos, sociedade e poder...

Não seja ingênuo de tentar discutir botânica com um jesuíta, pois vais passar vergonha. O Jardim Botânico da cidade de Nova York é maior que a união de todos os Departamentos de Botânicas das Universidades do Continente; da mesma forma que o Jardim Zoológico da Alemanha ocupada, era o maior centro de Investigação com a mesma dimensão no continente (foto)...
É óbvio que o estudo de algo em seu local de origem cria um universo e cosmogonia, impossível de ser alcançado por quem o faz “ex situ”, com a necessidade de traduzir em valor crematístico os investimentos, daí uma visão de origem e efeito é mais que casual, é caminho obrigatório e dele saem todos os monismos comportamentais que palramos, repetimos e aceitamos como clichês em todos os níveis de nossas formações.

No assentamento e na nossa botânica camponesa não tínhamos interesse no “darwinismo” ou “lamarquismo” imperantes a partir do século XVIII na Europa, mas em empoderar pessoas humildes na mais elitista de todas as ciências de nossas escolas, como ela não é ensinada, mas deveria sê-lo. E não pensem que isso ocorre por sermos os preguiçosos da periferia. A “endossimbiose” de Margulis & Sagan dos anos setenta, já era tema de livros no inicio do século passado e que sequer chegam aos nossos estultos doutores com sua arrogância e prepotência na atualidade. O livro “Simbiogênese: Um novo princípio de Evolução”, de Bóris, M. Kozo-Polyansky foi escrito em 1924 estimulado por outro clássico de 1902 de P. Kropotikin, “Ajuda Mútua um fator de Evolução”, que era uma resposta científica e política aos darwinista Wallace, Herbert, Spencer. Muitos outros cientistas como K.S Merezhkovzky e Wallin nos EUA ficaram esquecidos ou escondidos, e seus trabalhos não podia chegar à cidadania? Não seja ingênuo, é por isso que estávamos dentro de um assentamento ensinando botânica a pessoas que mal sabiam ler e escrever, tanto no Km 68 em Alagoas, como no “Filhos de Sepé” em Viamão para subverter a ordem.

Ao postar o último texto em homenagem aos camponeses – indígenas mexicanos, lembrei da situação esdrúxula no último curso de Botânica Camponesa. A bolsista universitária de nutrição, após ouvir que micróbios intervêm na síntese de Vitaminas do Complexo B e D, afligiu-se em corrigir, que as últimas não têm intervenção de microorganismos sendo sintetizadas nos rins de fígado. Agora às voltas com a “metagenômica” (e metaproteômica) e Transplante de Bioma Fecal – OPENBIOME BANK, surge a importância dos micróbios na transformação de D2 ergocalciferol e D3 choleocalciferol e desejo que ela tenha memória para ampliar sua visão monista da nutrição, com a cosmogonia, e não funcionalidade industrial, como alias é o que se ensina em toda a periferia do mundo.

Nossa prioridade é antagônica: Lutar pelo transplante de húmus através da saúde do solo e não alterar nossa dieta sendo obrigado a comer merda para recuperar a saúde, mas fiquei muito triste, pois o livro de Kozo-Polyansky Symbiogenesis, A New Principle of Evolution, (foto) antes desconhecido ou escondido, agora foi traduzido por Victor Fet e editado por Lynn Margulis, em junho de 2010 para o inglês e publicado pela Harvard Press. A cientista Lynn Margulis faleceu em 2011. No Brasil o livro custa hoje 490 reais o que equivale a mais de cem dólares. A vovó assentada com sua lucidez cosmológica sorriu ao sabê-lo: Não precisa esconder, está bem escondido, sorriu. Já a comissária política treinada para preservação da fé estava muito feliz com o termo biopoder camponês. Exultou quando soube que era tirado de Michel Foucault, repetindo o clichê: “Eu amo Foucault”... Envergonhado, mas não indiferente, fui escutar o Visceral Rock “Nada mudou”.


Um dia, não muito longe só nos restará a música e a dança... Estou pensando em promover cursos de música desalienante para jovens, camponeses e universitários. Leiam o livro de P. KropotkinAjuda Mútua, um fator de evolução”, sita coisas do Brasil que esse ancião desconhecia.., mas não tenho medo, pois o passado é depois de amanhã. Já pedi aos amigos mexicanos cópia do livro traduzido.
...
*Sebastião Pinheiro é Eng. Florestal e Agrônomo e escritor. Seu novo livro Saúde no Solo versus Agronegócio pode ser adquirido no e-mail: oliverhnb@hotmail.com (falar com Oliver Blanco)

Tem livro novo na praça... os Camponeses e Camponesas se sentem horados...
Contato Whatssap: 18 9.9693-6466

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...