"

"Harmonizo meus pensamentos para criar com a visão". "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível".

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Conferência com Sebastião Pinheiro, Oaxaca - México

Conferência “Biopoder campesino y la salud del suelo”.
La Agroecologia es la mejor herramienta para restaurar el Biopoder campesino / La Agroecologia campesina necesita conciencia cósmica / Agroecologia, eliminar las causas, no corregir los efectos. Sabiduría de nuestros ancestros. Dr. Sebastião Pinheiro. Medio Ambiente FAHHO





segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O LISARB a facada e fogo.



9 de setembro de 2018.
 por Sebastião Pinheiro
(Redes sociais..)
 
LISARB, sim o “Pereba”, é verdade que ele andou sumido e não estava em retiro espiritual no Tibet ou Nepal. Nos últimos tempos calou, observou e relevou sobre a epidemia que se alastra. Não de modo algum me refiro à Febre Amarela Selvagem atacando as regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. As autoridades dividiram a dose internacional das vacinas em 5 partes para aplicar 1/5 da mesma em toda a população, mas avisou que, quem viajar para o exterior deve tomar a dose integral em outros locais.

O tempo passou a febre amarela continua fazendo vítimas, mas não sai nos jornais; tampouco me refiro ao sarampo, que não faz dois anos estava extinto e retornou como epidemia. Lisarb ficou assustado, pois se passou a fazer uma campanha para vacinação da tríplice e poliomielite, mesmo para as crianças já vacinas e com sua carteira pediátrica atualizada. O mais triste é que culparam refugiados políticos como causadores do surto, como não existisse governo, nem autoridades.

Qual a razão verdadeira para se revacinar crianças com suas vacinação em dia? Houve perda de imunidade, fraude, negociata? O Pereba é experto buscou respostas com profissionais da área sem sucesso.

Ele estava atônito com a epidemia de ódio. No domingo no final da tarde a TV mostrava o Museu Nacional queimando e Lisarb ruminou com suas entranhas: - Puseram fogo para roubar alguma coisa. O Pereba não exagera, a Copa Jules Rimet guardada dentro de uma estante sem proteção, era para ser garimpada pelo primeiro ousado; em 13 de dezembro de 1987 dois catadores de ferro velho provocaram o pior acidente com Césio137 radioativo no mundo e aquele não foi o primeiro no país, matutou o ferino escroto. Pôs-se a pensar sobre a hermenêutica como ciência técnica e a simiótica de seus símbolos e lembrou que Estamos completando um século da Reforma Universitária de Córdoba, fundada em 1621. Correu aos alfarrábios e encontrou o velho texto daquele manifesto e a parte que mais gostava: 

...“Las Universidades han sido hasta aquí el refugio secular de los mediocres, Ia renta de los ignorantes, Ia hospitalización segura de los inválidos y lo que es peor- el lugar donde todas Ias formas de tiranizar y de insensibilizar hallaron Ia cátedra que Ias dictara. Las Universidades han Ilegado a ser así fiel reflejo de estas sociedades decadentes que se empeñan en ofrecer e! triste espectáculo de una inmovilidad senil. Por eso es que Ia ciencia, frente a estas casas mudas y cerradas, pasa silenciosa o entra mutilada y grotesca al servicio burocrático. Cuando en un rapto fugaz abre sus puertas a los altos espíritus es para arrepentirse luego y hacerles imposible Ia vida en su recinto. Por eso es que, dentro de semejante régimen, Ias fuerzas naturales Ilevan a mediocrizar Ia enseñanza, y el ensanchamiento vital de los organismos universitarios no es el fruto dei desarrollo orgánico, sino el aliento de Ia periodicidad revolucionaria.”…

Ele não indiferente lembrou que sua Escola de N°20 visitou aquele museu, nos idos de 1957, mas ele não pode ir, pois não tinha sapatos, nem sandálias, já que a professora o proibiu ir de tamancos de madeira. Instilando e remoendo veneno e o ódio na memória pela insensibilidade, ignorância da sua professora, Lisarb começou a relevar, pois nem um Século depois a Reforma de Córdoba chegou ao Brasil. Ele estava se preparando, pois sabia o Carnaval que a imprensa ia fazer durante toda a semana na construção “alienadora messiânica”, ainda mais com uma campanha política, e presidencial.

Tudo que ele esperava ocorreu, mas eis que no dia 5 de setembro ocorreu a máxima e o incidente com um candidato à presidência empana o brilho do incêndio e todos esquecemos do Museu Nacional. Nem se chegou a calcular o valor das coisas nele “depositadas” e as pertinentemente denúncias ao Ministério Público Federal que uma catástrofe era anunciada e esperada. Nem os bombeiros funcionam bem no Brasil, pois em nada resultou a denuncia formal e fartamente documentada ao Ministério Público Federal.

Pelo óbvio, Lisarb deixou de abordar o incêndio e passou a ruminar o que estava sendo gestionado com habilidade pelo candidato vítima. Há muito sua falecida avó dizia do alto de sua sabedoria, embora analfabeta: “Toda formiga sabe a roça que corta”.

Existe algo que perdemos que é o respeito e cordura. Por cinismo a mídia é obrigada a não dizer “PCC” ou “Comando Vermelho” para não promover bandidos, mas candidatos tem a liberdade de ofender pessoas por terem um mandato e entrar na casa de todos e dizer em debates ou propagandas as maiores agressões e aberrações.

Lisarb sabia o quão difícil é trilhar por esses análises em país onde a professora foi formada para trabalhar com crianças em uma escola pública e impediu uma das maiores aulas que uma criança pode receber, ir ao museu de seu país.

Lisarb sentiu a mesma sensação que na visita ao museu. Ancião conhecia os maiores museus do mundo, mas aquele era o melhor, pois o faria igual a todos os outros alunos em posição privilegiada, e era o Museu Nacional de seu país.

Devaneando, enquadrou a visão do agressor como heroica, pois sobreviveu ao ataque e faz parte de sua formação profissional, duplamente. Já a visão da vítima é de dever cumprido pela metade, seja por sua crença religiosa, insanidade ou razão que se desconhece ou estará durante muitos anos escondida por outras razões.
 O melhor nesta ocasião é a comiseração tanto com o agressor-vítima e com a vítima agressora, e para isso nada é melhor do que Bertold Brecht e sua energia. 

A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contem
Ninguém chama de violento.
A tempestade que faz dobrar as bétulas
E tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua?
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para
viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios de que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados! quando só havia injustiça e não havia revolta.
Nós sabemos: o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós, que queríamos preparar o caminho para a amizade, não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós com um pouco de compreensão.

 *informações: emporioagricola@gmail.com

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Mandinga


MANDINGA   
uma entrevista realizada por  
Sebastião Pinheiro


N. prot.: 1176505. Prot. atendimento: 2015-0005025288

  
Esta história pertence à memória de uma anciã quilombola expulsa da sua terra na ditadura militar em Aracruz pelos interesses da Casa de Windsor. Entrevistada por mim em 1983, onde vive, no Lixão de São Pedro, junto com sua comunidade, na Ilha de Vitória, capital ES.



Reedição em PDF/Correções/Imagens: Oliver Naves Blanco 


setembro 2018


 

Capítulo I


São Mateus já era um porto turbulento com uma história longínqua com períodos cimentados sobre morte, desespero, dor e desgraça nos navios negreiros de propriedade e bandeira de ingleses, holandeses e portugueses, que ali aportavam com sua carga. Era o quinto maior porto de comércio de escravos, pela facilidade de transporte pelo rio, que dá nome à cidade, até as Minas Gerais, grande absorvedora de mão-de-obra na época.
É comum dizermos que o diabo mais sabe por velho que por diabo. Em paráfrase, podemos, também, afirmar que o "cavalheirismo e civismo ingleses", o são não por educação, cultura ou humanismo, mas por antiguidade e aparelhamento na organização do esbulho, guerra, repressão comercial ou através de seu sistema de justiça. Há muitos capitães-de-mato imitando-os nesta onda de "solidariedade" e voluntarismo.
Na região de São Mateus, uma das maiores primeiras propriedades era a de um português de Cintra, de nome Joaquim Pedro com familiares influentes na Corte lusitana e descendente direto de Vasco Coutinho, Capitão Donatário da região.
O grande negócio da época era a cana-de-açúcar, mas para a produção de açúcar (!). O que fazia este colonizador comprar constantemente escravos africanos, devido à sua curta vida útil, pelos maus-tratos no degredo e cativeiro. Para pagar aos traficantes ingleses, ele possuía uma das mais belas e grandes plantações de fumo fora da Bahia e um alambique para a produção de aguardente, ambos, com a devida autorização do rei de Portugal e reconhecimento, agora, do jovem regime independente brasileiro.
O feitor, embora obeso e afável, era tão tirano e cruel quanto seus pares. Chegou a ter mais de seiscentos escravos. Sentia-se justo, quando reprimia com severidade os revoltados. Recompensado, quando recebia a unção dos jesuítas. Seu pelourinho manchado de sangue cheirava a carne podre. Ele era temido até por capitães-de-mato, índios, negros fugidos e até mesmo pelos jesuítas.
As milícias portuguesas de segurança dos pioneiros raramente iam além da varanda da Casa Grande, pois ele a prescindia e o mesmo ocorria com as tropas com as novas cores imperiais.
Diziam as más línguas que seu pai alimentava seus cães com carne humana de indígenas após as caçadas.
O novo império brasileiro nascia, e tudo ia às mil maravilhas para o feitor de escravos. Embora, em suas terras, não houvesse minérios, a produção agrícola causava ciúmes aos mais poderosos mineradores do novo império.
Sua habilidade na administração das terras, plantações de fumo, engenho de açúcar e produção de aguardente era invejada em toda a Província ao sul da Bahia. Em suas terras nasceram as primeiras melancias que os africanos semeavam por toda parte ao longo dos caminhos.  Eram as mais doces e vermelhas cobiçadas nos calorosos verões à beira-mar e praça do mercado.
Ele, ainda jovem, viu seu pai e toda sua numerosa família ficarem calados quando foi declarada a independência do Império do Brasil de Portugal, esperando não arriscar seu patrimônio, pois não entenderam a manobra preventiva articulada por ingleses e portugueses.
 
 .... continue lendo essa linda história!



Rede Soberania

Rede Soberania
Esta Nação é da Multitude brasileira!

Blogueiros/as uni vós!

.

.
.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...