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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

leitura Rachel Carson

Campanha Permanente Contra a Utilização de Agrotóxicos em solos brasileiros...

 BIOCIDAS, como tudo começou...


Um dos livros que marcaram o século XX


Ao ser introduzido para uso no combate a pragas, o DDT — o mais poderoso pesticida que o mundo já conhecera — terminou por mostrar que a natureza é vulnerável à intervenção humana. A maior parte dos pesticidas é efetiva contra um ou outro tipo de insetos, mas o DDT era capaz de destruir de imediato centenas de espécies diferentes de insetos. O DDT, cujo inventor recebeu o Prêmio Nobel, tornou-se conhecido durante a II Guerra Mundial, quando foi usado pelas tropas americanas contra insetos causadores da malária. Ao mesmo tempo, na Europa, começou a ser usado sob a forma de pó, eficiente contra pulgas e outros pequenos insetos. 

No livro Silent Spring (A Primavera Silenciosa), lançado em 1962, Rachel Carson mostrou como o DDT penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do homem (chegou a ser detectada a presença de DDT até no leite humano!), com o risco de causar câncer e dano genético. 

Rachel Carson 

A grande polêmica movida pelo instigante e provocativo livro é que não só ele expunha os perigos do DDT, mas questionava de forma eloqüente a confiança cega da humanidade no progresso tecnológico. Dessa forma, o livro ajudou a abrir espaço para o movimento ambientalista que se seguiu. Juntamente com o biólogo René Dubos, Rachel Carson foi uma das pioneiras da conscientização de que os homens e os animais estão em interação constante com o meio em que vivem.

Quando o DDT se tornou disponível para uso também por civis, poucas pessoas desconfiavam do miraculoso produto, talvez apenas aquelas que eram ligadas a temas da natureza. Uma dessas pessoas foi o escritor E. W. Teale, que advertia: "Um spray que atua de forma tão indiscriminada como o DDT, pode perturbar a economia da natureza tanto quanto uma revolução perturba a economia social. Noventa por cento dos insetos são benéficos e, se são eliminados, as coisas em pouco tempo fogem do controle." Outra dessas pessoas foi Rachel Carson, que propôs um artigo para o Reader's Digest falando sobre a série de testes que estavam sendo feitos com o DDT próximo a onde ela vivia, em Maryland. A idéia foi rejeitada.

Treze anos mais tarde, em 1958, a idéia de Rachel de escrever sobre os perigos do DDT, teve um novo alento, quando ela soube da grande mortandade de pássaros em Cape Cod, causada pelas pulverizações de DDT. Porém seu uso tinha aumentado tanto desde 1945, que Rachel não conseguiu convencer nenhuma revista a publicar sua opinião sobre os efeitos adversos do DDT. Ainda que Rachel já fosse uma pesquisadora e escritora reconhecida, sua visão do assunto soava como uma heresia. Então, ela decidiu abordar o assunto em um livro. 

A Primavera Silenciosa levou quatro anos para ser terminado. Além da penetração do DDT na cadeia alimentar, e de seu acúmulo nos tecidos dos animais e do homem, Rachel mostrou que uma única aplicação de DDT em uma lavoura matava insetos durante semanas e meses e, não só atingia as pragas, mas um número incontável de outras espécies, permanecendo tóxico no ambiente mesmo com sua diluição pela chuva.

Rachel concluía que o DDT e outros pesticidas prejudicavam irremediavelmente os pássaros e outros animais, e deixavam contaminado todo o suprimento mundial de alimentos. O mais contundente capítulo do livro, intitulado "uma fábula para o amanhã", descrevia uma cidade americana anônima na qual toda vida — desde os peixes, os pássaros, até as crianças — tinham sido silenciadas pelos efeitos insidiosos do DDT. 

O livro causou alarme entre os leitores americanos. Como era de se esperar, provocou a indignação da indústria de pesticidas. Reações extremadas chegaram a questionar a integridade, e até a sanidade, de Rachel Carson.

Porém, além de ela estar cuidadosamente munida de evidências a seu favor, cientistas eminentes vieram em sua defesa e quando o Presidente John Kennedy ordenou ao comitê científico de seu governo que investigasse as questões levantadas pelo livro, os relatórios apresentados foram favoráveis ao livro e à autora. Como resultado, o governo passou a supervisionar o uso do DDT e este terminou sendo banido. 

A visão sobre o uso de pesticidas foi ampliada e a conscientização do público e dos usuários começou a acontecer. Logo, já não se perguntava mais "será que os pesticidas podem ser realmente perigosos?", mas sim "quais pesticidas são perigosos?"

Então, em vez dos defensores da natureza terem de provar que os produtos eram prejudiciais, foram os fabricantes que passaram a ter a obrigação de provar que seus produtos são seguros.

A maior contribuição de A Primavera Silenciosa foi a conscientização pública de que a natureza é vulnerável à intervenção humana. Poucas pessoas até então se preocupavam com problemas de conservação, a maior parte pouco se importava se algumas ou muitas espécies estavam sendo extintas. Mas o alerta de Rachel Carson era assustador demais para ser ignorado: a contaminação de alimentos, os riscos de câncer, de alteração genética, a morte de espécies inteiras... Pela primeira vez, a necessidade de regulamentar a produção industrial de modo a proteger o meio ambiente se tornou aceita. 


Fonte: www.geocities.com

Lendo o livro saberás o porque da notícia abaixo... 

leitura Fritjof Capra

Excelente livro do Capra. Pensamentos necessários para uma humanidade que preserva o planeta as novas gerações... boa leitura!


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Suicídio Consciente VI - da serie de textos contra os BIOCIDAS

Agrotóxicos: os 10 alimentos mais perigosos - ANVISA

fique esperto consumidor, fique esperto...


Campanha Permanente Contra o Uso dos BIOCIDAS em solos brasileiros...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Entrevista: Carlos Armenio Khatounian

O campo revelado

Seja na escala planetária, seja naquela da nossa vida cotidiana, velhos hábitos são difíceis de contestar. Depois de estabelecido, um modus operandi pode se transformar numa espécie de transe, em que qualquer variação da norma se assemelha a uma excentricidade. E é a nos acordar desse transe, quando a o assunto é a sustentabilidade no campo, que se dedica o professor da Esalq-USP, Carlos Armenio Khatounian.

Um dos maiores nomes da agroecologia no Brasil, Khatounian contesta a ideia de que só a agricultura empresarial é eficiente e bem-sucedida. Lembra que as propriedades menores e de trabalho familiar ainda são predominantes no mundo, com grande capacidade de adaptação aos soluços da economia e ao aproveitamento racional dos recursos naturais.
Mais que espaço e oportunidade, há necessidade de uma agricultura de base ecológica, especialmente em tempos de superpopulação, em que a segurança alimentar ascende ao topo dos problemas globais. No entanto, diz o professor, nenhuma inovação no âmbito das lavouras dará conta do recado se a humanidade não reformular, urgentemente, os padrões de sua própria dieta.

por Carolina Derivi


 


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Uso de agrotóxicos no Brasil está fora de controle

País consome cerca de 789 mil toneladas de agrotóxicos por ano.


17 de Novembro de 2011 por Débora Ferreira

O Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo. Dados da Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - mostram que anualmente são produzidos no Brasil 613 toneladas de agrotóxicos. Com relação ao consumo, esse número chega a 789 mil toneladas por ano.

Para a coordenadora do Grupo de Estudos em Saúde do Trabalhador Rural da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Eliane Nonato Silva, os efeitos mais danosos do uso de insumos químicos recaem sobre os pequenos produtores. Segundo a professora, os efeitos na saúde dos trabalhadores são basicamente de dois tipos: os agudos, que são identificados mais rapidamente e que são ocasionados pela exposição do produto em grandes doses de agrotóxicos; e os crônicos, que são resultado da exposição de pequenas quantidades desses insumos químicos ao longo de vários anos e que, portanto, são mais difíceis de serem detectados.

O assessor da Diretoria do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Pedro Harting, afirmou que as multinacionais produtoras dos agrotóxicos não têm interesse em investir em estudos e pesquisas sobre os impactos do uso desses produtos para a saúde humana.

O coordenador estadual de Meio Ambiente Agroecológico da Emater, Marco Aurélio Borba Moreira, defendeu o incentivo à produção agroecológica.
Segundo ele, já existem casos em que a produção de alimentos orgânicos chegou aos mesmos patamares de produção das lavouras tradicionais. “Já temos condições de produzir alimentos mais saudáveis e compatíveis com os níveis de produção tradicional”, comentou. Ao falar sobre o uso abusivo de produtos químicos utilizados atualmente, Moreira considerou como preocupante o fato de o consumo médio de agrotóxicos por habitante no País chegar a cinco quilos por ano.

O relator da Subcomissão Especial sobre o uso de agrotóxicos a suas consequências à saúde, deputado federal Padre João (PT), fez uma explanação sobre o trabalho que está sendo desenvolvido no âmbito da subcomissão, criada pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. O trabalho da subcomissão vai resultar em um relatório que poderá subsidiar projetos de lei sobre o assunto.

Segundo Padre João, uma pesquisa feita pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, da Anvisa, detectou que, de um total de 3.130 amostras analisadas, 29% apresentaram resultados insatisfatórios quanto à porcentagem de agrotóxicos presentes. Entre as culturas mais afetadas estão as de batata e tomate.


Colaboração:  Rogério Borges de O. Paz
                        Técnico Agrícola -Projeto PAIS/Vazante-MG


domingo, 13 de novembro de 2011

Camponeses e Impérios alimentares, Van der Ploeg

Mutirão PAIS, implantação da tecnologia na propriedade do Sr. Astidônio e Ana, Vazante/MG. nov 2011


Neste domingo (13/11) de manhã assisti pela TVE um programa Rural do Rio Grande do Sul. Consegui pegar uma pequena parte da entrevista com o Agrônomo Van der Ploeg que dizia: “que existe um mesmo desafio mundial, Europa, Ásia e América Latina, de fortalecimento da agricultura familiar através da sustentabilidade e que para isso necessitamos de uma extensão rural voltada a mulheres e jovens no campo.” Ploeg também citou o papel dos extensionistas como fundamental para a preservação cultural e da natureza, como também configurar as relações econômicas locais. Extensionistas dedicados e alinhados com os novos desafios mundiais, a agricultura camponesa necessita de recampesinização.

Catedrático em sociologia rural pela universidade holandesa de Wageningen, Jan Douwe Van der Ploeg, abordou nesta sexta-feira (11/11), no escritório central da Emater/RS-Ascar, em Porto Alegre, em debate “A Agricultura Familiar e o papel do Estado no Desenvolvimento Rural: cenário e perspectivas de futuro”.   

Van der Ploeg é autor do livro Camponeses e Impérios Alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalização. O engenheiro agrônomo é especialista na sociologia dos países em desenvolvimento, métodos e técnicas de investigação social, e reforçou seu conhecimento ao viver em países como Peru, Colômbia e Guiné Bissau, África.


Traduzido pela Rita Pereira, Porto Alegre, UFRGS e sintetizado pela Eliane Tomiasi Paulino e publicado na AGRÁRIA, São Paulo, n 9, pp. 85-95, 2008.

Oliver

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Notas a Imprensa: P.A.I.S. Fortaleza de Minas - MG


Novos valores são buscados na integração de famílias produtoras rurais do município de Fortaleza de Minas com a implantação do Projeto PAIS – produção agroecológica integrada e sustentável. Valores auto-afirmativos (expansão, competição, quantidade e dominação) serão trocados, respectivamente, por integrativos (conservação, cooperação, qualidade e parceria).

          Descobrir a importância de produzir alimentos saudáveis e com vida pela comunidade agrária organizada e, ao mesmo tempo, informar a sociedade, fazer com que ela descubra esses valores, fortalece a agricultura familiar interconectada com as famílias urbanizadas. Colocar uma nova maneira de pensar a produção de alimentos, integrada em redes de "organismos, partes de organismos e comunidades de organismos" colocamos também uma nova maneira de questionar a natureza ao nosso redor.

O PAIS propicia a um grupo de produtores a se auto-certificarem como "orgânicos" dentro de padrões técnicos justos, filosóficos e culturais, refletindo ao consumidor a consciência de que a alimentação saudável é coisa séria e todos devem ter acesso, desde que comecem a observar o mundão de solos ao seu redor e a questionar o modelo econômico dominante de ocupação. Lester Brown nos define sustentável: "Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras."  

Cada família rural contemplada com a tecnologia social PAIS é uma pequena parte do todo.  A soma das pequenas partes sintetiza novas relações comerciais das comunidades com a preservação do meio ambiente, sem degradá-lo para as futuras gerações. Um circuito econômico inferior é gerado no campo com a produção de frutas, hortaliças, plantas medicinais, ovos e carne de galinhas caipiras, numa área de 0,5 ha/família. A escala dos produtos gerados, processados ou não, surge com a união das 20 famílias; a área produtiva então passa a ser de 10 ha.  O todo aqui é maior que a soma das pequenas partes.

O PAIS gera um excelente resultado quando a família agricultora acredita nas mudanças trazidas pelos técnicos e na organização de suas práticas agrícolas manejadas em conjunto com a natureza. A tecnologia integrada, quando implantada e diversificada, é acrescida por técnicas resgatadas culturalmente, guardadas ainda por muitos produtores rurais, preservadas por nossos avós. O modelo tecnológico implantado não exclui o pequeno produtor, o provoca a recriar, a empreender e a se associar. O foco é a Agroecologia, a produção sem a utilização de agrotóxicos e fertilizantes químicos. 

          Em Fortaleza de Minas, após implantado o primeiro PAIS na propriedade de Gerson de Almeida e Minervina, que juntos tocam o “Pesqueiro do Tisgo”, obtivemos os primeiros resultados no município, refletindo na principal cidade da região, Passos. Quarenta dias após o plantio de alface lisa, alface crespa e chicória, num total de 2.000 pés, o produtor começou sua colheita e comercialização. Os primeiros 600 pés foram entregues no comércio de Passos e vendidos a R$ 0,50 cada, onde o produtor mantinha um pequeno mercado. O projeto PAIS do Gerson possui uma produção diversificada: beterrabas, rúculas, cenouras, tomates e pepinos já foram plantados e, após a colheita do alface e chicória, novas culturas serão semeadas, garantindo uma renda que pode ser distribuída em um período de 4 meses, entre R$ 4.000,00 e R$ 5.000,00.

          Novos PAIS serão implantados. Após o término da entrega dos kits PAIS, produtores do bairro Areias estão executando seus projetos com a realização de mutirões. Através deles a tecnologia é implantada em um dia de trabalho, quase toda a estrutura é acabada, faltando um retoque no telhado do galinheiro central. Atualmente, das vinte famílias contempladas com o projeto, sete podem iniciar o plantio no mês de novembro, quatro aguardam a visita técnica para introduzir a irrigação por gotejo, quatro esperam a chegada do mutirão e as outras 4 famílias já começaram seus trabalhos, conciliando o manejo da produção de leite com a introdução do PAIS. O final da implantação do projeto para as 19 famílias de Fortaleza de Minas está previsto para o mês de novembro. O grupo de produtores receberá acompanhamento técnico até outubro de 2012.

Oliver Blanco
Coordenador do Projeto PAIS - Vazante e Fortaleza de Minas/MG
oliver.blanco@gaiasocial.org.br

domingo, 30 de outubro de 2011

CONFISSÕES DO LATIFÚNDIO


ô meu Pai!

CONFISSÕES DO LATIFÚNDIO

Pedro Casáldaliga

Por onde passei,
plantei
a cerca farpada,
plantei a queimada.

Por onde passei,
plantei
a morte matada.

Por onde passei,
matei
a tribo calada,
a roça suada,
a terra esperada...

Por onde passei,
tendo tudo em lei,
eu plantei o nada.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Entrevista com Ariovaldo Umbelino

Debate de compra de terras por estrangeiros é para encobrir falta da reforma agrária, aponta professor da USP

A compra de terras por estrangeiros no Brasil é uma questão a ser debatida com prioridade pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. No último mês, uma subcomissão foi criada para analisar e propor medidas específicas a esse respeito.
Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – de janeiro deste ano –, apontam que estrangeiros detêm 4,5 milhões de hectares de terras no Brasil – isso equivale ao território do estado do Rio Grande do Norte. No ano de 2010, a área na posse de estrangeiros correspondia a 4,35 milhões de hectares – o que significa um aumento de 3,44%.
Contudo, para o professor de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo (USP), Ariovaldo Umbelino, o problema no campo brasileiro não está na posse de terras por pessoas jurídicas ou físicas estrangeiras, mas sim, na ausência da reforma agrária. Em entrevista à Radioagência NP, Umbelino descreve como ocorreu a construção do discurso de problemática em torno das terras brasileiras em mãos de estrangeiros. Ele também critica a postura da esquerda política na abordagem da questão.
Radioagência NP: Como o senhor analisa a questão da compra de terras brasileiras por estrangeiros?
Ariovaldo Umbelino: É uma farsa essa questão de venda de terra para estrangeiro. No meu artigo [Ariovaldo publicará em breve um artigo científico sobre o tema] eu trato como tragédia e farsa. Tragédia porque isso apareceu no Brasil [em 1968] quando se vendeu aos estrangeiros quase 30 milhões de hectares no país. Deu um “forrobodó”, os militares fizeram toda a legislação que está em vigor, que é de 1971, derivada desse verdadeiro escândalo de venda de terra. Sabe quanto de terra a lei de 1971 permite os estrangeiros comprarem do Brasil? 25% do Brasil, mais de 200 milhões de hectares. E eles [os estrangeiros] têm quatro milhões. Quer dizer, onde está o problema? Isso é uma coisa manipulada, construída.
Radioagência NP: O senhor aponta no artigo que a volta da discussão sobre venda de terras a estrangeiros estaria no ano de 2008, tendo a ver com o ex-presidente do Incra, Rolf Hackbart, e o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. Como se deu a volta desse debate na atualidade?
AU: Por que o assuntou voltou hoje? Porque o seu Rolf Hackbart queria, junto com o Guilherme Cassel, montar estratégias de não se discutir mais reforma agrária no Brasil. Para o Incra não fazer mais reforma agrária. E aí, em 2008, exatamente no ano em que fazem as duas medidas provisórias de entrega de terras do Incra na Amazônia Legal para os grileiros – as medidas provisórias 422 e 458. Exatamente depois de uma entrevista do João Pedro [Stédile] ao Estadão. E da ocupação das fazendas da [indústria de produção de papel] Stora Enso no Rio Grande do Sul, no Dia da Mulher, em 2008. E a partir daí o Rolf solta essa notícia, põe esse assunto em discussão: venda de terra estrangeira. Então não era um problema, de repente virou um problema.
Radioagência NP: E o que acontece depois disso?
AU: Bem, aí acontece que o Rolf solta essa notícia, divulga os dados de 4 milhões de hectares [pertencentes a estrangeiros no Brasil]. O jornal Estadão faz manchete. A Folha de S. Paulo faz manchete também. Dá aquele alarde como se os estrangeiros fossem donos do Brasil. Só que os grandes proprietários do Brasil, são brasileiros. E ninguém escreve nada sobre isso, ninguém escreve mais nada sobre questão agrária e sobre reforma agrária no Brasil. Parece que está tudo bem, que é bom que não tenha reforma agrária mesmo.
Radioagência NP: Mas não existem empresas estrangeiras adquirindo terras no Brasil?
AU: As empresas internacionais, os grupos internacionais não estão interessados em terras, eles estão interessados no que se produz nas terras do Brasil. Só em dois setores da economia os estrangeiros estão comprando terras juntos, porque compraram as usinas de açúcar. As usinas, em sua grande maioria plantam cana em terra própria. E o outro setor é o setor de celulose.
Radioagência NP: Então, qual é o principal problema do campo brasileiro na visão do senhor?
AU: O problema é não fazer a reforma agrária. O problema é entregar terra grilada [para os grileiros], lá na Amazônia Legal, terra do Incra. E, no entanto, todo mundo fica discutindo essa história da venda de terra estrangeira. Tudo porque se acredita que essas empresas [estrangeiras] são as donas das terras no Brasil. Isso não é verdade. Tem uma aliança de classe [da burguesia estrangeira] com a burguesia brasileira. Elas [as empresas internacionais] compram a produção, elas não produzem. Se você pegar no setor de grãos, elas não produzem direto. E o número de estrangeiros que estão no Brasil produzindo direto é insignificante perto da quantidade dos brasileiros.
Radioagência NP: E a esquerda no Brasil, como se posiciona diante desse quadro?
AU: O grande problema é que se usa uma teoria do imperialismo que já não explica o nosso mundo. Lênin [teórico marxista russo] fez a teoria – no fim do século XIX para o século XX – que é perfeita para entender o mundo. Porque a conquista e a formação dos impérios eram feitas pela ocupação territorial. Hoje não é mais pela ocupação territorial. Essa coisa é que fica na cabeça de uma parte da esquerda, com essa visão. E os jornais brasileiros é uma mídia completamente vendida, sabe que publicando esses artigos [sobre aquisição estrangeira de terras no Brasil], a esquerda fica toda ouriçada. Mas a esquerda não fica mais ouriçada com concentração fundiária, não fica mais ouriçada com a falta de reforma agrária, com o aumento do número de assassinatos no campo. É um falso nacionalismo, porque não está nem aí, a economia brasileira inteira já está internacionalizada, e com isso parece não ter problema.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.
27/07/11

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Carta de Araras sobre as Políticas de Ater para os Assentamentos em São Paulo


Os participantes do I Fórum sobre as Políticas de Assistência Técnica e Extensão Rural para os Assentamentos e Agricultores Familiares do Estado de São Paulo, que reuniu representantes de diversas instituições nos dias 1 e 2 de setembro de 2011 no campus da UFSCar em Araras, tendo em vista o conjunto de discussões e avaliações sobre acesso, qualidade e transparência na gestão e execução das políticas de Ater para os assentamentos e Agricultores Familiares de nosso Estado, elaboraram as seguintes recomendações e proposições:

1.   Constituir um Comitê Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural em São Paulo e Comitês Regionais de ATER em cada Território Paulista – Comitês de ATER, envolvendo prestadores de ATER, público beneficiário, órgãos estatais, sociedade civil organizada e universidades, com a finalidade de garantir o controle social e a definição de planos estratégicos específicos para cada território;
2.   Buscar apoio para a realização dos Seminários Regionais e Estadual de ATER preparatórios para a Conferência Nacional de ATER;
3.   Descentralizar a chamada de prestação dos serviços de ATER de forma a levar em consideração os territórios, a diversidade de instituições credenciadas para a prestação de serviços nestes territórios e as indicações dos movimentos sociais e organizações provenientes das comunidades onde serão prestados os serviços;
4.   Noticiar amplamente a abertura de qualquer edital para contratação e execução de serviços de ATER, incluindo o envio de comunicação diretamente às entidades credenciadas e outras não credenciadas relacionadas ao tema;
5.   Definir nos editais públicos de contratação de serviços de ATER tempo suficiente para o envio de propostas condizentes com as realidades a serem trabalhadas, evitando, assim, projetos sem a adequação necessária;
6.   Suprir os projetos aprovados de ATER com verbas iniciais, no âmbito dos contratos, para a realização dos diagnósticos necessários para a execução do plano de trabalho;
7.   Definir, de forma participativa, os critérios de seleção das entidades de ATER nos editais públicos;
8.   Ampliar os recursos voltados para a prestação dos serviços de ATER, criando condições nos editais para que haja investimento, quando necessário, na melhoria da infraestrutura das entidades prestadoras de ATER;
9.   Ampliar a contratação de técnicos para a fiscalização e monitoramento dos contratos de prestação de serviços de ATER, bem como estabelecer um sistema eficiente e participativo que evite a paralisação dos contratos em andamento, já que estas fiscalizações, embora fundamentais, tem retardado o processo de continuidade do recebimento das verbas para a realização de atividades previstas;
10.  Integrar e articular, a partir dos Comitês de ATER estadual e regionais a serem criados, as diferentes políticas públicas existentes em nível Federal e Estadual, voltadas para o público beneficiário de ATER;
11. Garantir a formação de equipes multidisciplinares na execução dos serviços de ATER;
12. Realizar capacitações específicas para as entidades prestadoras de ATER sobre as chamadas públicas vigentes e incentivar a participação das mesmas nos referidos editais;
13.  Efetuar uma adesão imediata do Estado de São Paulo ao PRONATER;
14. Rediscutir em processos participativos e deliberativos a regulamentação e gestão das DAPs, com destaque para a discussão da proposta de se permitir a participação dos beneficiários nas chamadas de ATER e de se realizar a emissão deste documento no processo de ATER;
15. Favorecer os processos participativos e deliberativos na regulamentação e gestão dos condicionantes relacionados à outorga da água, com destaque para a discussão da proposta, entre outras, de se desvincular este condicionante do acesso ao Pronaf;
16. Sistematizar continuamente e divulgar as experiências de ATER agroecológica desenvolvidas pelos agricultores(as) e técnicos(as);
17. Garantir maior acesso das mulheres a chamadas específicas, bem como a participação em todo o processo de execução de projetos de ATER;
18. Simplificar os procedimentos administrativos para a contratação e execução dos serviços de ATER;
19.   Aumentar o número de técnicos por beneficiário atendido, garantindo a qualidade do atendimento;
20. Criar um Programa de Formação Continuada em Agroecologia e Agricultura Familiar voltado para os profissionais de ATER;
21. Apoiar iniciativas que busquem a adequação dos currículos das universidades com foco no trabalho com Agricultura Familiar, Agroecologia e ATER;
22. Apoiar a implantação EFAS (Escola Família Agrícolas) gerenciadas pelos agricultores(as) familiares com apoio das organizações e universidades;
23. Garantir, por meio de custeio de despesas, a participação da sociedade civil e organizações sociais, nos conselhos de desenvolvimento rural do Estado e nos comitês de ATER a serem criados.

Participaram do Fórum e/ou da elaboração deste documento representantes das seguintes instituições:

APA - Articulação Paulista de Agroecologia
ASSINCRA – Associação dos Servidores do INCRA
CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral
CATIVAR – Cooperativa de Assistência Técnica Integral do Vale do Ribeira
COOPLANTAS - Cooperativa dos Produtores de Ervas Medicinais
EMBRAPA MEIO AMBIENTE - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
ESALQ – USP – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
FETAESP – Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo
ICT - Instituto Cílios da Terra
Instituto Giramundo Mutuando
IPE - Instituto de Pesquisas Ecológicas
ISA - Instituto Socioambiental
ITESP - Instituto de Terras do Estado de São Paulo
MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
NACE- PTECA (ESALQ – USP) - Núcleo de Apoio às Atividades de Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental
OMAQUESP – Organização de Mulheres Assentadas e Quilombolas do Estado de São Paulo
ONG MAE (Meio Ambiente Equilibrado) – Londrina
SOF – Sempreviva Organização Feminista
UEL – Universidade Estadual de Londrina
UFSCAR - Universidade Federal de São Carlos
UNESP - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” FCAV
UNIARA – Centro Universitário de Araraquara
UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas
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