"

'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O Veneno Está na Mesa 2

Da série deste blog vagabundo: suicídio consciente...



quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cromatografias da Bahia




Recentemente a Blanco AgriCultura - Desenvolvimento de Comunidade esteve na Bahia e prestou consultoria técnica para a regeneração da Agricultura Familiar no município de Candeias. 

O local é o chamado Recôncavo Baiano, região geográfica que circunda a Baía de Todos os Santos. Sendo mais preciso, município de Candeias, zona metropolitana de Salvador. De riqueza mineral descoberta nos anos 50, era do presidente Vargas, o petróleo e o gás praticamente corre pelos dutos, sangria da terra, passando em extensão entre comunidades rurais-periurbanas, fazendas e pequenas propriedades até as refinarias na baixa do porto.

O bioma é o de Mata Atlântica ao longo de toda faixa litorânea; de florestas ombrófilas o clima se cunha como úmido a subúmido. Relevo acidentado em boa parte da sua extensão com planícies marinhas e fluvio-marinhas. Poucas áreas planas com predomínio da bacia sedimentar.

Geologia composta de bacias sedimentares do Fanerozoico com a ocorrência de arenitos, depósitos costeiros (areia de praia), depósitos fluviais e folhelhos.  

Os solos de Candeias são predominantemente argissolos, constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural com argila de atividade baixa imediatamente abaixo do horizonte A ou E. Suas subordens se apresentam como: acinzentados, amarelos, vermelho-amarelos e vermelhos. São abrúpticos e fragipânicos. Adrúpticos!? Fragipânicos!? é, corre lá e pega a apostila de solos...

Enfim, a baixo coloquei uma sequencia de imagens deste novo trabalho que venho realizando de Cromatografia do Solo, graças aos mestres Jairo Restrepo e Sebastião Pinheiro. Não obstante, não faço mais planejamentos agrícolas, sem antes tirar uma fotografia da vida do solo.

A prosa é técnica. E aí... bora prosear?





Amostra 1.
Agrofloresta do Sr. Asdrubal, vista do alto. Candeias/BA
Milho em consórcio com o Mana Cubio, área no meio da Agrofloresta
21.04.2014 - Croma da Agrofloresta do Sr. Asdrubal - Comunidade Passé - Candeias/BA - Milho em consórcio com Maná Cubio (03 cm)
 Amostra 2.
Milho em consórcio com o Mana Cubio
Planta do Mana Cubio
21.04.2014 - Croma da Agrofloresta do Sr. Asdrubal - Comunidade Passé - Candeias/BA - Milho em consórcio com Mana Cubio (25 cm)
 Amostra 3.
Área de produção da Pimenta de cheiro

coleta da amostra, área da pimenta de cheiro
21.04.2014 - Croma da Agrofloresta do Sr. Asdrubal - Comunidade Passé - Candeias/BA - Pimenta de cheiro (25 cm)

Amostra 4.
21.04.2014 - Croma da Agrofloresta do Sr. Asdrubal - Comunidade Passé - Candeias/BA - Cobertura vegetal de Brachiaria sp, Rambutã, Noni, Cupuaçu (03 cm)
Amostra 5. 
21.04.2014 - Croma do lote do Sr. Orlando - Acampamento Sudic (MST) - Comunidade Caroba - Candeias/BA - Sapé nativo, milho e feijão (25 cm)
 Amostra 6.

21.04.2014 - Croma da propriedade do Sr. Zé Preto, Comunidade Menino Jesus - Candeias/BA - Quintal Agroecológico (25 cm)
Amostra 7. 
21.04.2014 - Croma da propriedade da Sra. Juscilene, Comunidade Passagem dos Teixeiras (Posto Fiscal) - Candeias/BA - Baixada com Bananas, capim, milho - (20 cm)

As fotos são públicas, desde que citem a fonte: @extensionista. 

Abraços, O.Blanco

sábado, 19 de abril de 2014

"Os índios estão sob fogo cerrado".

Cresce disputa pelas terras dos índios no país.‏


Por Daniela Chiaretti | De São Paulo

"Os índios estão sob fogo cerrado". A frase, da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, professora emérita da Universidade de Chicago e professora titular aposentada da Universidade de São Paulo (USP), explicita o sentimento de especialistas em relação à questão indígena no Brasil, às vésperas do Dia do Índio, comemorado dia 19. "As terras indígenas e as unidades de conservação, terras mantidas fora do mercado, estão sendo mais do que nunca cobiçadas."
O cerne do conflito é a disputa pela terra. A extensão das terras indígenas no Brasil chega a 13% do território nacional, distribuídas desigualmente. A Constituição diz que a terra indígena demarcada é da União, mas os índios têm direito a usufruto exclusivo.
A maior extensão de terras indígenas está na Amazônia, onde tudo tem grandes proporções - municípios, latifúndios, unidades de conservação. Foi ali, e também no Centro-Oeste, que a maior parte das terras indígenas extensas e contínuas foi reconhecida depois que a Constituição garantiu os direitos indígenas, em 1988. A demarcação que sobrou fazer é a de terras mais disputadas, mais caras e de histórico de ocupação mais complexo.
No Nordeste, Leste e Sul, os índios vivem em territórios bem pequenos. Os milhares de guaranis-kaiowás confinados em áreas diminutas no Mato Grosso do Sul, ou vivendo à beira das estradas enquanto aguardam solução para o seu caso, constituem o lado mais dramático desse quadro. Os guaranis são o povo indígena mais numeroso do Brasil e se espalham pelo Mato Grosso do Sul, pelas fronteiras com Paraguai e Argentina e também pelo Estado de São Paulo.
Segundo dados de 2010, do IBGE, existem 240 povos indígenas no Brasil. Falam 154 línguas. Embora alguns povos estejam ameaçados de extinção, a população indígena vem crescendo. Eram 896.917 no último Censo.
"Trata-se de um mosaico de microssociedades", diz o catálogo da exposição "Povos Indígenas no Brasil", que está no Parque Ibirapuera, em São Paulo, organizada pelo Instituto Socioambiental, o ISA. "Metade das etnias tem uma população de até mil pessoas, 49 etnias têm parte da população habitando países vizinhos e há 60 evidências de povos 'isolados'".
Na outra ponta estão dezenas de projetos de lei tramitando no Congresso e que ameaçam terras indígenas e novos processos de demarcação. Há projetos de mineração que se sobrepõem a esses territórios e projetos hidrelétricos que o governo quer impulsionar e que afetam povos indígenas. No Centro-Oeste, terras que índios reivindicam são muitas vezes ocupadas por produtores rurais que têm título expedido pelo Estado.
"Essa é uma semana do índio de pouca comemoração e muita apreensão", diz Adriana Ramos, secretária-executiva-adjunta do ISA, ONG reconhecida pelo trabalho com os índios. "Estamos vivendo momento de grande ameaça aos direitos constituídos e de multiplicação de conflitos, inclusive fomentados por discurso de políticos e representantes empresariais."
Uma das maiores ameaças vem da Proposta de Emenda Constitucional 215/2000. O projeto tira do Executivo a competência de aprovar as demarcações e transfere o processo ao Congresso. Na visão de indigenistas, se aprovado, não haverá novas demarcações de terras indígenas no país. O governo disse ser contrário à iniciativa e a considera inconstitucional. No fim de 2013, foi instalada uma comissão especial para analisar a PEC. No colegiado, a maioria é de deputados ruralistas.
Há ainda projetos de abrir terras indígenas para arrendamento com fins agropecuários ou de mineração", diz Adriana. "Essas propostas são 'vendidas' como alternativas econômicas a populações que vivem em situações de fragilidade. Mas elas se contrapõem ao modo de vida tradicional desses povos", critica. Essas iniciativas operariam em um vácuo deixado pelo poder público. "O Estado dá pouco apoio a alternativas econômicas condizentes com o modo de vida indígena. Poderia desenvolver o manejo sustentável de produtos da biodiversidade. Extração de óleos da floresta, fibras, frutas, turismo. Tudo isso poderia ser implementado."
"Hoje, a situação é difícil", reconhece o antropólogo Marcio Meira, que esteve à frente da Fundação Nacional do Índio (Funai) de 2007 a 2012, o mais longevo presidente do órgão. "Os setores da sociedade que são historicamente anti-indígenas, têm agido de forma muito agressiva, principalmente no Congresso Nacional", avalia. "O centro é a base ruralista. Qual o agravante? Que essa base hoje tem muita força. Boa parte das exportações do Brasil vem daí", diz Meira.
Segundo o antropólogo, "esse poder tem tentáculos" no Judiciário e no Executivo. "Há muitos processos de judicialização das terras indígenas e muitos juízes nos últimos anos têm se manifestado contrários aos índios, com decisões polêmicas." Ele lembra que, dentro do governo, existem ministérios mais favoráveis aos povos indígenas, mas há outros com posições mais conservadoras.
Meira enxerga, também, alguns avanços nos últimos anos. Um dos principais teria sido na área da educação, com o ingresso de índios nas universidades. As estimativas são de que existem 1.700 indígenas em universidades federais, recebendo bolsas de R$ 900. "É um investimento de R$ 20 milhões anuais, algo que não existia há um ano."
Os índios têm direito a Bolsa Família e aposentadoria rural. "Mas a saúde indígena ainda tem muito gargalo", afirma o antropólogo. E embora hoje não haja quase nenhuma terra indígena sendo homologada, há alguns casos de desintrusão, o que demanda investimento e esforço enorme do governo. O caso mais famoso é o da terra indígena Awa-Guajá, no Maranhão, iniciado este ano, e depois suspenso para que o Incra encontrasse uma solução para os produtores rurais. Eles tinham que sair da terra e não sabiam para onde ir.
A última homologação de terra indígena no Estado de São Paulo ocorreu há 16 anos, informa Otávio Penteado, assessor de programas da Comissão Pró-Índio SP, no boletim da entidade. No Estado, há 17 terras indígenas em processo de demarcação e estima-se que há outras 16 sem processo iniciado. Mais da metade das 29 terras indígenas de São Paulo não está demarcada, o que deixa a população sem acesso às políticas públicas. São Paulo, segundo a ONG, é a cidade brasileira com mais índios no espaço urbano - seriam quase 12 mil, segundo o Censo de 2010.
"É nas áreas indígenas que se concentram algumas das maiores riquezas do Brasil em termos minerais e de biodiversidade", diz o professor Antonio Carlos de Souza Lima, professor do Departamento de Antropologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro, da UFRJ, referindo-se a terras na região Norte. "São notadamente as mais bem conservadas."
Ele defende uma proposta de educar a sociedade brasileira para valorizar e respeitar a diversidade que há no país. "A primeira coisa é ter a plena consciência de que isso tem que fazer parte da educação brasileira, que vivemos em um país multicultural e pluriétnico. Com populações que têm direito a viver de acordo com modos diferentes dos cultivados pela sociedade contemporânea", diz. "A conscientização tem que sair das boas intenções e avançar do papel para as práticas."
O Brasil tem há seis anos legislação que regulamenta a obrigatoriedade de ensino, nas escolas, de história e cultura afro-brasileira e indígena. "Essa lei até hoje não é aplicada. Ninguém cumpre", diz Souza Lima. "Todo mundo centra a questão no tema da terra, porque é a defesa mais imediata aos ataques", afirma. "Mas isso não substitui um projeto de longo prazo para esse tema."
"O brasileiro não conhece o Brasil", diz Souza Lima. "Tem que entender que índio que vive nu na aldeia, distanciado de tudo, não é a regra hoje em dia. Até filhos de ianomâmis frequentam escolas e universidades. Ao incorporar certos elementos da sociedade não indígena, eles o fazem de acordo com a sua própria lógica. E por isso não deixarão de ser índios." Segundo o professor, "é fundamental ouvir o que os próprios indígenas têm a dizer sobre os seus projetos e o que têm passado. Isso tem que ser ouvido pelos escalões mais altos da administração".
O governo, no âmbito do Ministério da Justiça, prepara um projeto que altera os procedimentos de demarcação das terras indígenas. A minuta, divulgada há alguns meses, desagradou indigenistas e ruralistas.
Em outra frente, na Secretaria-Geral da Presidência, procura-se estabelecer parâmetros que regulamentem a consulta prévia. Trata-se de pôr em prática o artigo 6 da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O tratado versa sobre os direitos fundamentais dos povos indígenas e tribais, foi aprovado em 1989 e começou a vigorar em 1991. O Brasil foi um dos 20 países que ratificaram a convenção, com posterior aprovação no Congresso e promulgação pelo Executivo. A convenção internacional ganhou status de lei.
A Convenção 169 diz que a consulta aos povos afetados por algum projeto tem que ser feita de boa-fé. O governo tem vários projetos de hidrelétricas na Amazônia que afetarão grupos indígenas. A ideia da consulta, segundo algumas interpretações, é que ela teria que ser prévia, livre e consentida. A ideia do veto é debate superado: a meta é ter o consentimento dos afetados ou chegar a um acordo. O problema é que a convenção é genérica, é preciso criar um padrão sobre a consulta. Bolívia, Peru e Chile percorreram essa trilha. No Brasil criou-se um grupo interministerial em 2012, que procura avançar nesse campo.
Enquanto o governo tenta avançar nessa frente, os índios sofrem com a invasão de suas terras por garimpeiros e madeireiros, pela contaminação de recursos hídricos por mercúrio ou agrotóxicos e pela pressão do entorno, segundo indigenistas.
Na visão de Manuela Carneiro da Cunha, a isso se soma "o cerco legislativo, uma investida sem precedentes do Congresso", diz ela. "Desde a Colônia até os anos 90, a legislação sempre declarou os direitos dos índios. Mas era um movimento inócuo, porque ninguém respeitava. Hoje, quando os índios tentam fazer valer seus direitos, tenta-se esvaziá-los."

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Mosquito Transgênico


Prezados, a CTNBio ( Comissão Tecnica Nacional de Biossegurança ) está para liberar o mosquito transgênico, Aedes aegypti , da empresa Oxytec, com promessa de controle da dengue, embora seja de conhecimento de que nenhuma técnica isolada é efetiva para seu controle.


Existem controvérsias científicas sobre a eficácia e segurança deste mosquito transgênico, relatadas em vários trabalhos científicos publicados em revistas conceituadas. 

Em nenhum lugar do mundo esta liberação comercial foi aprovada, no Brasil este processo está ocorrendo de forma acelerada e irresponsável por motivos políticos e econômicos. 

Faltam estudos básicos solicitados por membros da CTNBio que não foram devidamente elucidados.

A técnica apresenta falhas, entre elas o fato de que existe escape de fêmeas que são férteis e de ocorrência de machos não estéreis nas liberações, ou seja estamos introduzindo massivamente uma população de mosquitos que embora sejam da mesma espécie é uma população exógena, sem termos a exata dimensão de sua potencialidade de ser mais ou menos eficiente na transmissão da doença.

As bases internacionais de regulação e avaliação de risco regulamentando os insetos transgênicos, em particular, dos mosquitos transgênicos, estão ainda imaturas. 

Mesmo nos Estados Unidos, normalmente mais flexíveis na liberação de OGMs o assunto ainda está em discussão, para liberação dos mosquitos transgênicos na Flórida, uma vez que isto é um fato completamente novo com que o mundo regulatório não está familiarizado.

Houve uma convocação da Organização Mundial de Saúde para desenvolver os princípios norteadores para a avaliação dos mosquitos transgênicos,mas que ainda não está concluída.

Mas a CTNBio de forma apressada e num claro desrespeito ao princípio da precaução, está aceleradamente aprovando sua liberação comercial.

O Brasil se propõe a submeter a sua população a ser cobaia de uma experiência irresponsável, pois ainda não foram concluídos os estudos das liberações em campo com a presença da população, em nosso território e tampouco em nenhum lugar do mundo e já está para ocorrer a liberação comercial, algo inadmissível, cientificamente , eticamente e moralmente.

Se você não quer ser cobaia de uma empresa que visa o lucro ao custo de expor a sua saúde e de sua família, assine e divulgue esta carta, que tem a intenção de barrar esta liberação absurda e prematura.

José Maria Gusman Ferraz

O Estado de SP, 25/04/14 -  entrevista com o prof.  José Maria Gusman Ferraz. 

 "Davi contra o Golias transgênico"

"O cientista José Maria Gusman Ferraz fez parte, por três anos, da CTNBio, a comissão que libera o uso de transgênicos no País. E denuncia a displicência com que as plantas e outros organismos geneticamente modificados são aprovados na comissão. A mais recente aprovação, que Gusman Ferraz considera absurda, é a do mosquito transgênico contra a dengue" 



Compartilhe a petição!
CTNBio Comissão Técnica Nacional de Biossegurança: 
Não aprovem a liberação comercial do mosquito transgênico

09/04/2014
Mosquito da dengue transgênico pode ser liberado no Brasil (Tarso Veloso | Valor)

sábado, 5 de abril de 2014

Cinquentenárias Ditaduras


Sebastião Pinheiro

Estarrecido acompanhei as manifestações cinquentenárias do início da última ditadura. Li material dos dois lados. Consternado reflito: Quando existiu democracia anteriormente, já que certas “liberdades” não garantem sua existência. Para o exercício da cidadania é indispensável que o Estado esteja a serviço de todos e não para alguns, “mais iguais” das elites nacional togada, fardada, batinada ou esfarrapada, onde toda e qualquer repressão e morte são instrumentos de intimidação (medo e terror).

Festejos com nostalgia nas lembranças épicas para uns, memória “denigrante” para outros reflete como algo não superado nem transformado. Como disse o artista: “Faz parte do meu show”. O uso de ditados exóticos transparece erudição; Os russos dizem: “Quem olha para o passado se arrisca a perder um olho, mas quem não olha perde os dois.” Já os genuínos tupis e tapuias diziam: “Jamais levante a casca de uma pereba, pois podes conhecer a real dimensão da ferida”. Vida republicana que, aqui está atrasada anos luz da cidadania para todos (de forma pública). Não confundam, mercado e consumo é outra coisa e há bastante e de boa qualidade nos EUA e adjacências.

Reflita, quantos presidentes dignamente eleitos conseguiram terminar seus mandatos e passar o poder para o seu sucessor também eleito desde a instauração (golpista) da república? Entre os 34 foram raros e isso não foi privilégio nosso, nem de nossos vizinhos. Onde a cidadania deveria ser mais consolidada tivemos no Século XX as ditaduras, franquista, salazarista, grega, turca, filipina se quisermos ficar próximos ao Primeiro Mundo e muito similar ao presente entre árabes, africanos e asiáticos.

Não queremos ver, mas os interesses bancários (e industriais) são hegemônicos e únicos sobrepondo-se a tudo como uma escola. Há tutela e qualquer alteração deverá ser de forma “lenta, gradual e irrestrita” pelos preceitos do Council Foreign Relations, que impôs a “abertura” e todas suas consequências (e que o Golbery explicou serem os movimentos de diástole e sístole). Contudo, quantos bancos havia antes do golpe de 64? Quantos há agora e quantos haverá no futuro próximo? De onde surgiu o HSBC, que é milenar e faz parte do acordo pela devolução e dívida por Hong Kong.

Antes de comemorar a presença das diminutas escaras (casquinha de ferida), vejamos: O Fulgêncio Batista acumulou tanta “entropia” (energia incapaz de realizar trabalho para o Império) e sua substituição por Fidel Castro era aceita no anseio de transformar a insatisfação em energia livre, renovação, mas eis que deram com os “burros n’água”. O mais importante é que mesmo sendo uma ilha, foram obrigados a mudar de lado e servir ao poder antagônico até serem abandonados à própria sorte...

Aqui mantiveram o congresso aberto, mudavam o gorila de turno, para atenuar a entropia e favorecer a concentração financeira. A abertura é concomitante com a reaproximação da China (Nixon) e imposta por Carter com sua política de “direitos humanos”. Palavra que hoje é repetida de forma estranha: A soberania alimentar é um direito humano; A “merenda escolar” é um direito humano. Palram como os papagaios e caturritas, pois antes a ordem era: Há fome no mundo (não a de Josué de Castro) e alinharam a todos em dois polos; Depois veio a “A segurança alimentar” do CIFR-Fundação Rockefeller aproveitando reflexo (medo) da Lei de Segurança Nacional e por fim a soberania alimentar e merenda escolar-direito humano, comemorando a democracia, quando nos supermercados há a cada dia maior espaço para comida para cães e gatos.

Os festejos da redentora me são indeléveis: 397 anos depois de sua fundação por São José de Anchieta nela nasci; Órfão fui criado por tios, mas em 1960 quis viver com minha mãe, operária têxtil e irmão menor. Prestei exame de admissão para o único ginásio (noturno) “gratuito” de São Gonçalo/RJ graças à complacência de um exilado argentino (Don Villafañe), que mesmo fora do prazo me inscreveu: “São 600 e há 20 vagas, das quais 4 reservadas para os políticos do PTB de Miguel Couto Filho...” Eu tinha então doze anos e fui o quarto classificado, graças à escola que começou com São José de Anchieta e se manteve pública pelo valor do café e organização social. Lembro, o primeiro colocado, Sr. Expedito tinha 35 anos; O segundo Elber, 24 anos, pára-quedista profissional do Exército: A Terceira Elida 21 anos. Quando me chamaram todos riram, pois eu era uma criança e usava calça curta. O governador do Estado do Rio era Roberto Silveira (PTB ), que alugava peças em casas de correligionários e fazia de conta que abria escolas. Isto é república, é uma democracia?

Diante do sucesso inusitado de seu rebento, minha mãe levou-me ao Colégio público Henrique Lage, em Niterói para tentar inscrever para fazer exame, mas o diretor dissuadiu-a, ao fazer meia dúzia de perguntas a ela, não a mim... Entendi que a escola era para ricos e não para todos.

Desde a favela do Mutuapira acompanhei a renúncia “golpista” de Jânio suas consequências em diferentes etapas através do “parlamentarismo” enquanto o golpe era fomentado, como pode ser bem documentado no livro-tese do uruguaio Andrés Dreiffus em 1983, já aposentado da UFMG. Todo mundo fala no infame Lincoln Gordon, mas nenhuma referência é feito ao “afogamento” do embaixador soviético Ilya Tchernitshov na praia de Copacabana. O jogo era pesado e estava muito além do poder local.

Eu trabalhava como “Office boy” no Depto. Comercial da Legação da República Popular da Bulgária e trabalhei na Feira de São Cristovão (aquela da bomba da CIA; bombas no Cine Bruni etc.), onde o outro lado expunha seus produtos na abertura para o Leste contrariando a Ordem Imperial da Guerra Fria. Esse é o golpe no mundo e nós nos masturbamos como se existisse um poder, autonomia, autocontrole nacional. Lembram do Geisel em Londres acompanhando Sua Majestade Real no Museu da II Guerra Mundial dizendo que não via nele uma bandeira brasileira e que iria providenciá-la... Escola cidadã evita gafes. Contemporizo lembrando o príncipe holandês Barnhard subornado pela Lookhead e a abdicação de Juliana.

O ambiente da favela é a escola brutal para a rebeldia ou servidão, já no limiar da marginalidade retornei à cidade fundada por São José de Anchieta, através da transferência para o novo Escritório da Legação da Bulgária, instalado no sétimo andar do Edifício Triângulo, construído por Niemayer no cruzamento das ruas Direita, Quintino Bocaiúva e José Bonifácio. Ali aprendi espanhol, lia estudava o jornal “Novos Rumos”, como também o distribuía em mais de cem lugares. O convívio com os diplomatas búlgaros me fez pensar em diplomacia, mas a clareza de ausência de cidadania, não de democracia demoveu-me e graças a eles fui estudar agricultura para ter casa, comida e estudo. Depois do desastrado discurso na Central do Brasil. Em 15 de março Nissim Nissimov, Cristo Gumnerov, Vodnentcharov e Madrik Zahakian avisaram que iam ficar “recolhidos” no Rio de Janeiro. Nissim pediu-me que queimasse todos os livros, selos de primeiro dia de circulação e lembranças, pois uma noite longa e dolorosa se debruçaria sobre a nação. Fiquei sozinho no escritório e no dia 19 de março antes do meio dia, bateram à porta, um agente do DOPS e um oficial da Aeronáutica e queriam entrar. Foram barrados. Disseram que o escritório devia ser fechado, pois o governo do Estado havia declarado ponto facultativo pela “Marcha com Deus pela Família e Liberdade” ia passar pela Rua Direita rumo à Praça da Sé com a Dona Leonor esposa do governador...

Eu gostava de ficar no escritório, pois aproveitava mais para estudar e fazer os deveres do último ano de ginásio noturno no Estadual do Imirim, que era extremamente difícil pela má qualidade cidadã no ensino de donde eu vinha. Arrogante, como todo favelado que deseja exercer cidadania: apontei a placa onde dizia em dois alfabetos Legação da República Popular da Bulgária e arrematei os senhores sabem ler o que está escrito aqui. Isso aqui não é um órgão público paulista é uma representação diplomática da R.P. da Bulgária. Ganhei um cascudo e um tapa na orelha. Nesses dias era muito estranho, havia a ação da R.U.P.A (Ronda Unificada da Primeira Delegacia Auxiliar) que prendia trezentas a quatrocentas pessoas espalhando terror na cidade. Muitos tirados da cadeira do barbeiro, de dentro do ônibus e até de cinema. Era um período de treinamento com intimidação e medo, muito antes do golpe.

Veio o primeiro de abril, para mim um dia especial, meu aniversário. Vi as livrarias da Quintino Bocaiúva serem invadidas por militares e os livros destruídos e recolhidos por caminhões na calçada. O mesmo vi nos correios com a Revista “Cuba Hoy”; O Depto. Comercial da Legação da Hungria foi invadido e seus diplomatas foram maltratados. Acompanhei a prisão dos diplomatas chineses e as acusações que eram espiões e possuíam armas etc. Vi a campanha de “Ouro para o Bem do Brasil”, recolhendo alianças e relógios antigos.

No fim do ano conclui o ginásio e atendendo as recomendações dos búlgaros fui estudar no Colégio Agrícola. Ali era preciso dissimular, pois lá toda semana havia o controle da repressão de Ribeirão Preto. Formado tirei meu passaporte 709842 assinado pelo mesmo oficial da Aeronáutica que me outorgara um cascudo na porta do Depto Comercial da Legação. Fui para a Argentina. Voltei e vi duas coisas fantásticas no Rio Grande do Sul: - 1200 moinhos coloniais fechados pela ditadura em cumprimento à Ordem do CIFR-Rockefeller dono da Purina e que não queria que a gauchada fizesse suas próprias rações; Hoje monopoliza as rações e expandiu para os animais domésticos. - Mais de seiscentas Caixas de Empréstimo Cooperativas Rurais tipo Reiffeissen que funcionavam em todo o Estado auto-financiando os Agricultores foram proibidas e fechadas pelo mesmo CIFR-Rockefeller. Primeiro centralizaram o crédito estatal para disciplinar e depois o internacionalizaram. Foi criado o AGIPLAN para que as sementes de grandes corporações substituíssem as locais; O II PNDA projetava o consumo de agrotóxicos para 280 mil toneladas em 1980, quando ele estava em 16 mil toneladas.

Geisel cumpriu a ordem do CIFR-ROCKEFELLER e criou o PROCAL. A venda era pelo banco do Brasil, através de crédito rural, mas devolvia em dinheiro vivo 40% do valor da nota apresentado ao caixa do mesmo banco. A farra transformou-se em súcia no Adubo Papel. As cooperativas de feijão, milho e trigo se transformaram em cooperativas de soja, e hoje é uma entidade para-Monsanto.

Uma das coisas que mais me emocionou, em 1973, em Quatro Irmãos/RS foi uma escolinha pré-fabricada de madeira em uma ladeira quase em meio a uma plantação de soja cheia de crianças. Desdenhosamente era chamada de “churrasqueira do Brizola”, mas ali pude entender que a educação não era questão de partido, pois ele também era do PTB, nem de pessoas, mas de sociedade. Para se ter uma democracia é necessária a cidadania e não rebeldia ou servidão. Violências levam a ditaduras e justificam as repressões. Jango foi humanista e evitou o que aconteceu em Jacarta (1965) no ano seguinte, meio milhão de jovens mortos... Dois anos antes mediara a crise nuclear cubana. Triste, em 1971 o livro que mais ocupava as vitrines na Rua Barão do Itapetininga era “Minha Luta”, de Adolfo Hitler. Henry Ford queria seus automóveis funcionando com óleo de soja, impedido escreveu “o Judeu Internacional”, que estimulou os nazistas e O anti-semitismo. Na foto está Hitler em um campo de soja na Europa.

Os golpes beneficiam muitos em seus interesses pessoais corruptos, perseguem e prejudicam a quem os contrariam ou deseja cidadania. Esse embate não constrói democracia, pois ela se baseia não em votos, mas em estruturas cidadãs com direitos e deveres para todos.

Cinquenta anos depois do último golpe foi expurgada a corrupção? Foi extirpado o Analfabetismo? Há utopia quando o rebelde de ontem é o condenado encarcerado por corrupção hoje? O golpista de ontem continua dicotômico: vítima para uns e salvador da pátria para outros. Dentro de outros cinquenta anos é possível que tenhamos outras “viúvas” e “vivandeiras de quartel”. Afinal e a cidadania? Raros são os sobreviventes que sabem o que significava um “moinho colonial” em uma comunidade; Pior, hoje a grande maioria crê que o sistema de crédito cooperativo atual é o mesmo que se tinha antes, pois esquecem o contexto...

O açodamento na compra da Refinaria Pasadena era contrapartida ao visitante Bush Jr. (março de 2006); Exportação de Álcool-Biodiesel e perspectivas eleitorais (SP)? A Lavagem de 10 bilhões por burocrata da Petrobrás é consequência?

Nos festejos não vi uma linha sequer dizendo: Democracia é cidadania para todos (direitos, deveres, prêmios e punições). Cidadania não permite que uns se beneficie do sacrifício de outros. Golpe é governo para os amigos com licença para roubar em desrespeito às utopias. Enquanto continuar assim acordaremos todos os primeiros de abris esperando a presepada escrota. Eu infelizmente serei obrigado esperar os “Parabéns a Você”.

Rogar a São José de Anchieta para transformar o Brasil em uma grande escola; Ou seria melhor fazê-lo a Lutero (Georg Spalatin (Burkhardt) que cem anos antes de “Didática Magna”, de 1625 do Bispo Comenius já preconizavam “A primitiva natureza do homem era boa: A ela libertando-nos da corrupção devemos regressar.”

terça-feira, 1 de abril de 2014

O Homem que Plantava Árvores

Quando uma pessoa cuida da natureza ao seu redor, a natureza torna-se o centro, então ela cuidará de 10, 20, 30, 100, 1.000 pessoas a sua volta. Oli

...pelas cidades e campos mais verdes; ocupações de praças, terrenos, Latifúndios Já!

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