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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

terça-feira, 12 de julho de 2011

Cartilhas incentivam técnicas agrícolas sustentáveis


Uma coleção de cartilhas que busca incentivar agricultores e extensionistas rurais - profissionais que disseminam conhecimentos e técnicas de expansão e produção alimentar - a adotar práticas sustentáveis no manejo de plantas e frutas foi lançada, em maio, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Os textos trazem ainda informações sobre o calendário de colheitas e a importância social e econômica das espécies.

Os primeiros cinco livros trazem como tema espécies importantes para a alimentação (pequi, mangaba, umbu, coquinho azedo) e o artesanato (capim dourado e buriti) de famílias de proprietários rurais. Nas publicações, há informações sobre a distribuição do s espécimes, características e ciclo de vida das plantas, calendário de colheita, importância social e econômica, além de receitas com mangaba, umbu, coquinho azedo e pequi e dicas de coleta e uso sustentável do capim dourado e do buriti para artesanato. 

"Mas o mais interessante são as recomendações e boas práticas de manejo e transporte. As cartilhas explicam quais cuidados se precisa ter com as espécies e como plantá-las", afirma Aldicir Scariot, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e coordenador da iniciativa. 

O lançamento foi realizado na sede central da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), e contou com a presença da oficial de programa do PNUD Rose Diegues, além de diretores da instituição, da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e do Ministério do Meio Ambiente, entre outras autoridades. As cartilhas também foram produzidas em parceria com o Instituto S ociedade, População e Natureza (ISPN).

Linguagem simples 

A intenção é auxiliar a preservar, no local, os recursos genéticos nativos e permitir a sustentabilidade da atividade por longos prazos. Um dos pontos altos da coleção, de distribuição gratuita, é sua linguagem simples e fácil de ser interpretada, dirigida a agricultores e técnicos extensionistas. 

"A tiragem inicial foi de mil exemplares de cada livro, mas a procura foi tão grande que vamos aumentar para cinco mil exemplares", ressalta Scariot. As publicações estarão disponíveis em comunidades tradicionais e indígenas, cooperativas e associações de agricultores. A coleção também vai se transformar em kit de leitura nas escolas rurais. 

O coordenador da iniciativa lembra que o Brasil tem 31,3 milhões de pessoas morando em áreas rurais, o que equivale a 16,7% da população. Ao todo, 58% das propriedades têm menos de 25 hectares, ou seja, são minifúndios. "Tentamos, com as cartilhas, conter a perda de recursos genéticos nativos, que desempenham papel importante na alimentação e na renda familiar", afirma Scariot, que reforça ainda que os livros ajudam na conservação da diversidade ambiental.

Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável

“Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável” é uma série de publicações voltadas aos produtores agroextrativistas, organizações de base comunitária e instituições de pesquisa sobre boas práticas para o extrativismo, beneficiamento de frutos, gestão de pequenos projetos e ainda sobre normas para a regularização de agroindústrias comunitárias.

Esta coleção é composta por 5 publicações, com informações sobre a coleta e o manejo dos seguintes frutos: umbu, mangaba, capim dourado e buriti, coquinho azedo e pequi.

Faça download dos arquivos:

Umbu – Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável
64 páginas (.pdf 15,8 Mb)

Mangaba – Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável
68 páginas (24,8 Mb)

Capim Dourado e Buriti – Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável
72 páginas (.27,4 Mb)

Coquinho Azedo – Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável
60 páginas (.pdf 31,8 Mb)

Pequi – Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável
84 páginas (.pdf 24,6 mb)



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Mohamed Ezz El Din Mostafa Habib

Entrevista
Agricultura brasileira é deficiente

fonte: foto
De acordo com o engenheiro agrônomo Mohamed Ezz El Din Mostafa Habib, é possível desenvolver uma agricultura sustentável por meio do manejo ambiental, sem utilizar agrotóxicos

Por: Graziela Wolfart e Patricia Fachin

Mohamed Ezz El Din Mostafa Habib assinou, juntamente com outros pesquisadores, um relatório que acusa a Monsanto de saber, há mais de 30 anos, que o herbicida Round-Up provoca anomalias congênitas. O professor da Unicamp estuda os efeitos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente desde a década de 1970 e afirma que testes feitos com o glifosato, princípio ativo do Round-Up, “mata qualquer criatura de origem vegetal, (...) causa problemas de desenvolvimento embrionário, atinge células de tecidos do corpo humano e prejudica o desenvolvimento das crianças”.

Em entrevista à IHU On-Line por telefone, Mostafa Habib menciona ainda que a transgenia, outro ramo de atividades da empresa, também causa impactos à saúde humana. “Realizamos testes em animais de laboratório com a ração fabricada a partir da soja transgênica e soja não transgênica. Observamos impactos negativos no desenvolvimento dos ovários e do sistema reprodutor dos animais”, relata.

Mohamed Ezz El Din Mostafa Habib é graduado em Engenharia Agronômica e mestre em Entomologia (Controle Biológico) pela Universidade de Alexandria, Egito, e doutor em Ciências Biológicas (Entomologia) pela Unicamp. Além de lecionar na instituição, ele é pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Unicamp.


***Alguns catados da entrevista:

“... Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio  entendeu quando aprovou a produção e a comercialização, é um produto de largo espectro tóxico, ou seja, mata qualquer criatura de origem vegetal. Ele ainda é tóxico para o ser humano e causa problemas de desenvolvimento embrionário, atinge células de tecidos do corpo humano e prejudica o desenvolvimento das crianças.”

“É fundamental realizar pesquisas para definir o zoneamento agrícola brasileiro e verificar quais são as condições agrícolas de cada região do país. Dentro desse zoneamento, é preciso ter um plano governamental para otimizar as condições de cada região. Não é possível plantar soja desde o Rio Grande do Sul até o Amazonas; isso é ridículo. Portanto, cada região do Brasil deve identificar a sua vocação, a sua coerência e ver como ela se manifesta na cultura local.”

“As multinacionais que produzem agrotóxicos desrespeitam a sociedade brasileira e o futuro desse país. Elas utilizam o Brasil para ter retorno financeiro e, hoje, trabalham para retirar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o poder de opinar sobre os agrotóxicos, que são os maiores inimigos da saúde brasileira.”


“O modelo do agronegócio brasileiro é arcaico porque se baseia na exportação de grãos, que serve de matéria-prima para os europeus fabricarem ração animal. Se esse setor fosse um pouco mais inteligente, poderia produzir a ração no Brasil e exportar o produto com um valor agregado. Já estou cansado de ver o Brasil exportando matéria-prima e chamar isso de agronegócio; isso é agroburrice, ignorância. Países que buscam o seu desenvolvimento não podem exportar matéria-prima, energia e, muito menos, água.”

“O que acontece no Brasil é uma atividade agrícola extremamente deficiente, que precisa evoluir.”



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