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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O pensamento indígena

Foto tirada por Claude Lévi-Strauss em 1935-1936





antropólogo brasileiro

Eduardo Viveiros de Castro


Alguns textos mais, entrevistas, citações... segue.
Viva Zapata! Viva o Índio da América Latina!
A luta segue e segue... 





- 'O que se vê no Brasil hoje é uma ofensiva feroz contra os Índios'. _este link está em "O Globo" mídia Golpista (PiG) que não gosto de compartilhar, porém, boa leitura.._

Modo Capitalista de Produção, Agricultura e Reforma Agrária

Autor: Ariovaldo Umbelino de Oliveira.

prosa com o Ariovaldo Umbelino de Oliveira
 APRESENTAÇÃO
 
Compreender a questão agrária sob o modo capitalista de produção sempre foi tarefa difícil e complicada. Não porque muitos autores não a tenham praticamente esgotada, mas porque os estudos mais trazem discordâncias do que convergência. Por isso, esta temática cria atritos entre os conservadores e os progressistas, entre os socialistas e os comunistas, e entre todos eles e os anarquistas. Não há possibilidade nenhuma de consenso ou mesmo de aproximações. Sempre haverá pressupostos que se interporão abrindo espaço para a polêmica e discussões. Não há como encerrá-la no mundo político, ideológico ou teórico, pois sempre haverá um novo texto para reavivá-la, ou mesmo, o devir da história para (re) ou propô-la.
Assim, este livro nasce deste contexto do embate teórico, político e ideológico que tem movido os estudos sobre a questão agrária. Nasce de uma convicção sobre o papel e o lugar do campesinato na sociedade capitalista contemporânea. Não deriva de imposições apriorísticas da vontade individual do intelectual, mas do diálogo travado na caminhada das salas de aula, das pesquisas de campo, das discussões com os novos personagens da cena política do país, os camponeses em seus espaços de lutas, de estudos e reflexões. Por isso ele é um livro em transformação. Um conjunto de conhecimentos e saberes em transformação. Contém minhas primeiras reflexões, mas também, contém as últimas. 
 
Ele nasceu da fusão de meu primeiro livro publicado pela Editora Ática “Modo Capitalista de Produção e Agricultura”, Série Princípios nº 89, 1986, e três conjuntos de textos que escrevi referentes à renda da terra, publicados na revista Orientação do antigo Instituto de Geografia – USP; sobre a reforma agrária inéditos, sendo que apenas um havia sido publicado como verbete no “Dicionário da Terra” da Editora Civilização Brasileira em 2005; e outro conjunto de texto que publiquei sobre a questão agrária brasileira, os movimentos sociais de luta pela terra e a reforma agrária no Brasil. Este último conjunto de textos foi publicado em periódicos, apresentados e congressos, encontros e fóruns acadêmicos e políticos, e dois deles já circulam na Web, como enfrentamento político à farsa dos números da reforma agrária do MDA/INCRA do governo Lula. 
 
Dessa forma, espero que os leitores encontrem nele velhas e novas questões, mas, sobretudo, novos desafios teóricos e políticos para continuar a caminhada. Caminhada de quem apreendeu a caminhar junto, para junto, apreender a caminhar. Pretende ser instrumento de debate teórico e político simultaneamente. Sem medo de correr riscos. Riscos no mundo acadêmico, pois a parte dele publicada como livro pela Ática, sempre foi chamado de “livrinho”. O diminutivo para muitos vinha carregado de carinho e apreço, mas para outros carregava o fel amargo de quem não tem coragem de enfrentar a crítica. Como vocês podem ver, trata-se agora, do “livrinho” que cresceu, e deu frutos. Assim, ele retorna acompanhado dos “filhotes” que ajudou a parir. 
 
Mas, ele traz mais um desafio, romper a barreira imposta pelo “lucro a qualquer custo” das editoras comerciais e universitárias. Não vou negar, que minha experiência com elas não tenha sido contraditória, pois há de “tudo” também neste setor da produção editorial capitalista. Alegrias, frustrações, decepções não faltaram
nestes já mais de 20 anos de intenso convívio. 
 
Por isso, a decisão de caminhar na direção de destinar o conhecimento aos interessados, sem a mediação da exploração capitalista do mercado editorial. Ele vai para a Web, levando o recado e a tentativa de tornar o conhecimento acessível sem a mediação da “compra monetária do livro”. 
 
A esperança nasceu da convicção de que a abordagem e o ensino do capitalismo precisam conter também a sua superação. Espero que ele represente o início de minha libertação das editoras comerciais. Por isso, espero apenas que aqueles que dele fizerem uso lembrem-se apenas de citar a fonte, porque ele também nasceu de muitas outras fontes citadas. 
 
Acredito mesmo, que ele já é parte da luta pela difusão ampla, geral e irrestrita do conhecimento livre e gratuito. 
 
Por fim, queria que ele representasse uma homenagem singela e carinhosa à Dom Tomás Balduíno, semeador e símbolo de esperança e renovação permanente na luta pela terra no Brasil. 
 
São Paulo, no final do ano de 2007.
Ariovaldo Umbelino de Oliveira
arioliv@usp.br
 
As imagens são do Seminário de Energias Renováveis e o aproveitamento e integração na cadeia de produção agrícola: propriedade e campo, agroindústria, cidade. Realizado na COAPRI - Cooperativa dos Assentados e Produtores Rurais de Itapeva e Itaberá - SP - 2008.
 
 
Mesa: Ana Terra, prosa Ariovaldo

Mesa: Oliver Blanco, prosa Catalã

COAPRI


dinâmica em grupo

prosa Delwek Matheus

Magnólia


Dr.ª Sany, relatando...

Catalão

Cataluña

elas também estão atentas, AS CRIANÇAS

Prosa técnica: Oliver, Utilização do resíduo da prensagem a frio de sementes de Girassol: Torta de girassol, substitui em 42% a soja em ração animal

oficinas
prosa

Oliver e Dudu
Dudu
Sany, Oliver, Ana Terra

Marcião, Oliver (pandeiro), Bel e Bomba, animando o fim do Seminário

Apiaí, presentes

terça-feira, 20 de junho de 2017

AGROECOLOGIA & AGRONEGÓCIO, QUANDO REDUCIONISMO E HOLISMO SÃO AMBIVALENTES




          Ao atingir o ATROPOCENO (termo que evoluiu da Noosfera esculpida por Theillard du Chardin, Wladimir Vernadsky e Edouard LeRoy em 1922), o Prêmio Nobel Paul J. Crutzen buscou demonstrar a capacidade dos humanos em comprometer a atmosfera do planeta e os riscos deste acometimento para a Vida. Vida que não existe sem a energia dos alimentos, que antes, subentendia-se ser produzida pela Agricultura, mas hoje em dia isto também é questionado.
          Para se entender o que é agricultura necessita-se dizer que ela não existe na natureza, pois é a criação de um grupo de espécies denominada de “ultrassociais”, que produzem os alimentos que necessitam no espaço da natureza. Os mais antigos seres ultrassociais são as Térmitas a mais de 300 milhões de anos atrás; as Formigas cortadeiras a mais de 130 milhões de anos atrás; as Abelhas melíferas a mais de 60 milhões de anos atrás e mais recente algumas toupeiras; e, finalmente as Mulheres a mais de 10 mil anos atrás o que nos inclui nesta classe especial de seres vivos. É imprescindível ler “A Natureza” de J. W. von Goethe para perceber que a agricultura existe enquanto o tempo humano ocupar seu espaço. Depois ela volta a suas origens ao finalizar as ações ultrassociais. 

          Mutatis mutandis, nos últimos 30 anos o substantivo agricultura perdeu força e dois neologismos inundaram o mundo: AGROECOLOGIA e AGRONEGÓCIO com a estratégia de se perceber o antagonismo. 

          A agricultura, palavra de origem latina “agri” referente a campo e, “cultura” com respeito a cultivar, é um ato social inerente a homens e mulheres que tem modificado sua práxis e paradigmas ao longo da história dependendo das condições climáticas, geográficas, topográficas, econômicas, sócio políticas e culturais, respondendo aos diferentes modelos estruturais segundo o contexto. Isso mostra que seria impossível a existência de uma visão única de desenvolvimento da agricultura, e pelo contrário, o desenvolvimento da agricultura é diversificada e contextual. Apesar disso impõe uma visão hegemônica que se converte em violência estrutural sem que percebemos suas raízes originais pelos interesses do poder e sua consolidação é cotidiana cada vez com maior ênfase. Na moderna enciclopédia “Wiki”, em inglês é possível ler a definição de indústria de alimentos (A Food Industry é um complexo, coletivo global de diversas empresas que fornece a maior parte dos alimentos consumidos pela população mundial. Somente agricultores de subsistência, aqueles que sobrevivem ao que cultivam e os caçadores-coletores podem ser considerados fora do escopo da indústria de alimentos moderna, que inclui:

Agricultura: criação de culturas, animais e frutos do mar;

Fabricação: agroquímicos, construção agrícola, maquinaria e material agrícola, semente, etc.;

Processamento de alimentos: preparação de produtos frescos para o mercado e fabricação de produtos alimentares preparados;

Marketing: promoção de produtos genéricos (por exemplo, propaganda de leite), novos produtos, publicidade, campanhas de marketing, embalagens, relações públicas, etc.;

Atacado e distribuição: logística, transporte, armazenagem

Foodservice (que inclui Catering);

Mercearia, mercados de fazendeiros, mercados públicos e outros varejistas;

Regulamentos: normas e regulamentos locais, regionais, nacionais e internacionais para a produção e venda de alimentos, incluindo a qualidade dos alimentos, segurança alimentar, soberania alimentar, marketing / publicidade e atividades de lobby da indústria;

Educação: acadêmico, consultorias, vocacional;

Pesquisa e desenvolvimento: tecnologia alimentar;

Serviços financeiros: crédito, seguro.)

          Esta definição adversa mostra como, o que antes era ação da agricultura humana, atividade ultrassocial, é agora um terreno dominado por setores poderosos envolvidos nela, através da violência estrutural, de bloquear e destruir a consciência social, e de negar sua interdependência com o biopoder campesino em todos os rincões do mundo por mais longe e periféricos que pareçam. 
          Da mesma forma que no “Ponto Quatro” do discurso de Truman, ao jurar o cargo de presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 1949, constava dois tipos de agricultura: A 'Moderna' e a de 'Subsistência'. A moderna assentada nos novos insumos e tecnologia de capital por qual instituía-se o crédito; A de subsistência era o nome dado a Agricultura Familiar de forma desdenhosa para que aceitassem mais rapidamente os créditos para adquirir insumos e tecnologias.
        O tempo passou e agora temos dois "novos" conceitos:  o 'Agronegócios' e a 'Agroecologia'. Antes, a agricultura moderna domesticava a agricultura de subsistência através de créditos, da extensão rural e do ensino das ciências rurais. Aqueles recalcitrantes que resistiram as políticas públicas multilaterais, internacionais e nacionais deixaram de ser de 'subsistência', e agora fazem parte da agricultura familiar agroecológica, enquanto hoje ambas estão com a mesma finalidade reducionista em nichos de mercados diferentes para pobres e ricos respectivamente. A expressão “bolha da realidade” torna-se necessária quando se fala de Agroecologia no Hemisfério Sul, pois ilustra a distância entre o discurso e a prática, entre o real e o ideal, de países e territórios sob o controle e poder da indústria de alimentos que não permite - ou elaboração a sua medida -, das políticas públicas.
          Falamos do esgotamento de uma e o crescimento de outra embora, o que acorre na realidade é o controle total de ambas, controle monolítica, exercida pelo poder da indústria (Council on Foreign Relations). O aparente “esgotamento” da “agricultura moderna” não significa que a sociedade industrial necessita mudar seu modelo, mas que a forma como vem sendo realizada, deve adaptar-se ao suporte natural que não aguenta mais as grandes inversões de energia exógena, com base na química de síntese industrial. Quer dizer, muda a matriz tecnológica que deixa der ser de química industrial grosseira, e passa a ser uma matriz "de vida", biossíntese, matriz muito seletiva para uma meia dúzia de empresas que superam os Estados Nacionais e tem capacidade para fazer inversões superiores a mil milhões de dólares ao ano. O poder do, AGRONEGÓCIOS, tradução de Agrobusiness merece uma análise sintática: Agricultura é fruto do trabalho ultra social das espécies citadas antes e é uma contradição usar a expressão agri-business (sem ocupação) pois ela somente existe através do trabalho e fora da natureza. Em espanhol agro-“negócio” tem o mesmo significado, negação do ócio. A que ócio se refere, se a agricultura não existe na natureza e é a ação ultrassocial que permite uma imprescindível produção de alimentos?
          O matemático Carol Lewis primeiro e Boaventura de Souza Santos depois, nos levam ao espelho onde o real e o virtual ocupam a mesma imagem. A agro+ecologia, neologismo criativo que reflete no espelho, elimina o sufixo "Cultura" de profundo significado no contexto em que o húmus cria as guerras, por ganância, por civilização, pela agri+cutura apoiada pelo exército. 
            Nada na América Latina questiona o Agronegócio. A presidenta da Argentina Cristina F. de Kirchner tentou cobrar o pagamento dos custos da segurança social através de impostos dos agronegócios e foi derrotada por seu povo vítima da propaganda massiva. A nova ordem internacional não permite tal cobrança, o que é uma afronta, uma desgraça.
           Para evitar desequilíbrio ou visão unilateral do problema que já nos deu tanto dano na fase da "agricultura moderna" é que se criou a agroecologia sem poder, com discurso e retórica, como uma bandeira manipulada, manipulável e ingênua, que é tomada pela a maioria dos movimentos sociais agrários e rurais da América Latina. Bandeira que conta com sua própria aristocracia científica-intelectual formada no seio das universidades dos Estados Unidos e Europa, onde a essência emancipadora do poder campesino, do sujeito político, do ator social transformador, alcança para scientific papers e congressos, mas praticamente nunca para a realidade.
           Olhemos para a educação. Porque o México adapta a carreira de Engenharia Agroecológica, que já tem registro faz 25 anos e no Brasil a licenciatura e Bacharelado vazios de poder? Parece que no México utilizam-se a mesma estrutura acadêmica-administrativa de professores de suas Universidades Autônomas junto aos cursos tradicionais, propiciando uma transição suave e indolor, enquanto aqui no Brasil se cria escolas em locais isolados e sem condições mínimas de materiais como laboratórios ou infraestruturas de acordo com as necessidades do curso? Será para montar um faz de conta, uma farsa, satisfazendo o Banco Mundial – CFR, mas sem criar incômodos ao Agronegócios?
"biofertilizantes" com microgeo, NOVA 'Extensão' agroecológica do Estado...
O grande tomador de empregos técnicos de qualidade na agricultura, até as últimas décadas do século XXI era a Extensão Rural criada anos atrás pela Fundação Rockefeller com a finalidade de capitalizar internacionalmente a agricultura baseada no consumo de insumos e pacotes tecnológicos.
            No caso do Brasil quando se retornou a “democracia”, aquela extensão rural foi abandonada, as grandes organizações e grupos contestadores retornados do exílio passarão a criar ONGs com dinheiro “indulgentes” de cidadãos dos países industrializados. Indulgentes dólares, libras, euros, yenes, que buscam expiar a culpa induzida pelas grandes corporações pelo marketing e mídia de massa subliminar, interessadas na nova mudança no sentido da matriz tecnológica da biotecnologia e biologia molecular para vender os serviços da agroecologia. É inconsciente o valor proporcional do custo participativo de cada logo, etiqueta, selo e certificado no trabalho campesino (café, cacau, frutas, legumes, etc.). Essa é a Agroecologia deles e não somente no Brasil, mas também no México e Colômbia por dois exemplos  (Ne$tlé, Caca-Cola, PepsiCo, Cargill, GIZ, USDA, JICA, assim como Fundações, Organizações e demais entidades, que, com dinheiro privado ou triangulando dinheiro público, levam a cara e os interesses da matriz hegemônica).  
            É Ortega e Gasset quem disse: “A juventude raramente tem razão nas coisas que dizem, mas sempre tem razão nas coisas que afirma”. Por todo Brasil se escuta reclamações das condições do curso e desilusão dos alunos. É muito raro que se consiga êxito na Agroecologia sem uma grade acadêmica com suficiente Cálculo, Matemática, Estatística, Física, Biologia, Fitogeografia, Botânica, Química, Bioquímica e Fitoquímica, Fisiologia, Etnologia, Pedagogia e Filosofia.
          É difícil enfrentar uma articulação que tem por trás uma Ordem Internacional. Em vários países da América Latina a agroecologia inunda ou inundará as universidades, assembleias legislativas, ministérios e congressos nacionais, como o contraponto ao Agronegócios que corre solto sem controle para a distração, não de alegria, mas o resultado é útil para desviar a atenção dos mais humildes e dar fé de futuro aos mais jovens. Há um outro cão com esses ossos! é o ditado que deveria sem empregado, mas não é assim.
           O resultado da ganância do capitalismo na agricultura industrial moderna impôs o termo banqueiro “sustentabilidade”, que em economia significa manutenção de stock de capital e, a criação do neologismo Agribusiness, urbi et orbi traduzido como “agronegócios”, um termo muito contraditório pois, como não há agricultura na natureza - como se havia mencionado antes, ela é o resultado do trabalho ultra social -, então tampouco pode haver ócio nela e é aonde mais se rouba “mais valia” através da escravidão, servidão, salário e consumo de serviços desnecessários e tira a dignidade do campesino por apropriar-se de seu biopoder ultrassocial.
          Durante os governos de Lula e Dilma no Brasil, a inveja política e mesquinhes, conduziu a fiscalização do governo (INPS) a fechar a Cooperativa Ecológica Coolméia com mais de 30 anos de idade e de exemplo no mundo.
              Os agronegócios nacionais passam a significar a sustentabilidade sem solução de continuidade para o abastecimento ao mundo das commodities subsidiadas pelo faminto povo latino-americano que deve abastecer por meio da transformação da indústria para que as quedas internacionais dos preços garantam os negócios através do consumo interno. Parece, que ninguém quer ver que a ação ultra social é cotidianamente transferida do campesino para a indústria de alimentos. Por outro lado, a importação de serviços quita o valor dos produtos e faz os países centrais, através de uma dúzia de empresas, monopolizar o comércio internacional de alimentos de qualidade. A Alemanha por exemplo, sendo a maior produtora de orgânicos-agroecológicos, sendo que sua produção agrícola, pesqueira e florestal gera somente 3% de seu Produto Interno Bruto. Lá a palavra agroecologia é estranha dentro de sua academia, política e economia, no entanto, é importante para o seu comércio exterior.   
               O artigo Agribusiness, peasants, lefts-wings goverment on the State in Latin American: An review and theoritical reflections, de L. Vergara-Camus y Cristóbal Kay (Wiley Agrarian Change, 03/01/2017), é leitura necessária e de útil discussão em todos os ambientes agroecológicos, pois podem induzir a desvios ideológicos. Qual é o governo latinoamericano que esteve ou está realmente no “poder”? A maioria deles unicamente administraram o governo ou parte do mesmo, respondendo aos interesses de oligarquias locais e internacionais, do CFR, dos grupos banqueiros, das Multinacionais, das Indústrias, dos proprietário de terras e da mídia de massa. É necessário reconhecer que longe de consolidar-se um genuíno “poder de esquerda”, alguns governos impulsionados por organizações e movimentos campesinos, sindicatos, e sociais, atuam como mecanismos de contenção e midiatização de lutas populares. Também é certo que existem governos na América Latina que apesar das pressões do poder financeiro, político e midiático mundiais, assim como de limitações internas como a especulação e alienação de grandes setores da população, sua existência tem permitido a abertura de espaços massivos de participação, organização e formação política. No entanto, administrar um Estado que se tem construido e funcionado e operado sob as regras da Ordem Mundial dominante, dificilmente resultará em um único fato político-administrativo de "governar", no desenvolvimento de um biopoder campesino crescente, sólido ou de qualquer outro poder popular vivo.
               Poderia terminar aqui, mas volta a Educação e ao nosso recente giro pelo Nordeste do Brasil. Nos últimos 30 anos não realizaram investimentos, em educação, saúde, segurança, agricultura e alimentos. Tudo foi é violência estrutural manipulada e conduzida com maestria. Neste sentido o artigo citado é contundente: “A patente paradoxal da mobilização (popular) com proposta da retórica das ações virtuais com muita propaganda e publicidade inconsequente”. Algumas ONGs que faziam trabalhos com as migalhas das indulgência da comunidade europeia, passaram a ter dezenas de milhões de dólares para executar o acima exposto como se fossem políticas públicas. No Sul maravilha uma OSCIP de um herói governo recebeu 2,5 milhões de reais, embora os encarregados de um departamento de economia solidária de uma incubadora universitária dispunha de 150 mil reais. Aos mesmo tempo, um deputado conquistou para seu grupo de apoio 500 mil reais por emenda parlamentar ao orçamento nacional...  Isto foi repetido em todas as latitudes e longitudes nacionais e ultramar. Tivemos a oportunidade de visitar uma ONG e ela passou a ter a estrutura de um órgão federal, com mais de 80 monitores de computador, automóveis, enquanto a municipalidade local estava envergonhada e com atraso no repasse em seus recursos por ter gestão independente.
               Agora os vejo humilhados, chorando porque dois terços do seu pessoal foi despedido pelos cortes das dotações orçamentais. Não há humildade, nem autocrítica em dizer: pelo governo devíamos propostas e propósitos sociais e ideológicos inerentes ao povo, bem aproveitado pelos golpistas da CFR, Indústria e Agronegócios. Fizemos um desserviço ao Biopoder Campesino.
                  Minha triste conclusão é que a agroecologia é um espelho virtual da realidade dos interesses da indústria de alimentos, que já está escondida por trás do espelho, aguardando a ordem para refletir a sua imagem sustentável, vazia de poder tão arrogante e prepotente quanto a agricultura moderna das ditaduras, mas com o humano cada vez mais deformado.
            No entanto, apesar das decepções e desilusões, nem tudo está perdido. Devemos denunciar o preparo para os técnicos nacionais e internacionais das grandes empresas, atuando em agroecologia para a Nestlé, Caca-Cola, Cargill, Pepsi Cola e outras com desenvoltura no "upgrade" do agronegócio ecológico. 
          Todo o trabalho que fizemos desde 1968 na agricultura e que nos custaram muitos danos econômicos sociais e outros pela ditadura em interesses das multinacionais de agrotóxicos, hoje são conquistas para a Ne$tlé, Caca-Cola, Monsanto, Bayer, etc. Os alimentos orgânicos (agroecológicos) são ideologicamente e religiosamente para os mais ricos, "educados" e de fora (exportação), e nesta história,  os movimentos sociais autênticos foram usados na transição de uma matriz tecnológica por outra.
             Contudo, não fomos derrotados. Hoje em dia trabalhamos com o Bio-Poder Campesino e nele, com ESPIRITUALIDADE, que começamos a perceber um México multiétnico. A atividade ultra social da agricultura impõe valores espirituais, espiritualidade campesina que não deve-se confundir com o misticismo e o esoterismo europeu pois é antagônico a todos eles, espiritualidade que é resistência. Mas cuidado que já na Holanda e na Universidade Oxford há dez anos fazem estudos sobre como introduzir “espiritualidade” no comércio de alimentos “agroecológicos”. Recordamos a banana jarocho de Vera Cruz que jamais teria a competência dos orgânicos (agroecológicos) da Ne$tlé, Caca-Cola. Agora parece que passa a tê-lo. Embora, ao longo do tempo ganhamos no bio-poder campesino, pois antecipamos a imagem para diante do espelho  e nela perde a condição virtual e passa a ser real.
             O que nos deixa atônitos não é a falta de laboratórios e práticas verdadeiramente agroecológicas no Hemisfério Sul, e sim a sua extensão-agroecológica que está sendo gestada na faculdade de educação, em um país que nunca, jamais, em tempo algum aplicou políticas públicas de Paulo Freire com poder (e bio-poder campesino), mas somente com governos caricatos e despossuídos. Será que estamos preparando o ambiente publicitário para que a extensão assuma a função ultra social campesina a favor da indústria de alimentos? Onde a biotecnologia escoltadas pelos neo-agrônomos utilizam da interface dos insumos agroecológicos da indústria de alimentos, espalhadas por bacharéis e nutricionistas?
            Nos deixa envergonhado, não com essa realidade, mas com a ausência de um nacional na bibliografia do artigo diversionista referido acima, e embora, tenha mais de dez referências a presidenta do Brasil. Isso impede e induz o estudioso em ver a “bolha da realidade virtual da agroecologia”. Calar-se seria ser cúmplice ou comparsa. Não tenham medo, recordamos os anos 80 em que recebemos no Sul maravilha três especialistas alemães em agricultura orgânica. O estranho é que eles tinham cinco anos de estudos na Escola da multinacional de agrotóxicos Hoechst e somente um curso de 3 meses em agricultura orgânica, mas chegaram como “experts”. Com o que viram, um retornou em uma semana com forte choque cultural. A outra, da mesma forma, retornou em três meses, depois de cair de um cavalo. O último ficou muito perturbado com a campanha contra os agrotóxicos de sua Alma Mater e a lucidez contra a “bolha virtual” do GTZ-CFR...
            Nas universidades agora surgem as cadeiras de Agroecologia, com professores deficientes pela formação ortodoxia e os alunos reclamam, pela mesma visão e missão da Ordem Internacional da agroecologia industrial com sua ganância e reducionismo, pois o que estão fazendo é substituir o veneno químico e fertilizantes sintéticos por produtos biossintéticos das mesmas grandes empresas que somente substituem sua linha de produção. Mudança lenta e gradual para não incomodar estruturalmente, na periferia do mundo, ao sabor dos interesses centrais, que há 30 anos tem na biopirataria da agricultura orgânica sua venda rentável de serviços e ganancias formidáveis, embora o que mais avança é o discurso sociológico Agroecologia sintonizado com bandeiras e militância dos movimentos sociais ansiosos por governos ao invés de poder.
             Poucos foram os que montaram estratégias, organizaram a produção e desenvolveram tecnologias para a agricultura orgânica e agroecologia. A rebeldia no Sul do Brasil, êxitos processos e pioneirismo, mas também foram sufocados pela alienação, corrupção e servilismo ao serviço do poder do grande capital internacional e aquelas ânsias de “governo”. Vivemos isso.   
            A “Agroecologia do U.S. State Dept.” se tornou um fogo de palha que se alastra sem conservação de energia ou produção de calor, mas prepara corações e mentes para as grandes empresas, pois não há políticas públicas de genuíno biopoder campesino.
            Com tudo, seu valor hoje em dia é superior a 200 mil milhões de dólares/ano de comida de alta qualidade, exclusiva para a elite em contradição com seu discursos e aparente utopias, mas meras distopias a serviço da Eugenia de Spencer, Hitler e outros.  

Fundação Juquira Candirú Satiagraha
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