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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Carta da produtora Maria José, Comunidade Veredas

Produtora Maria José, comunidade rural Veredas, Vazante/MG
No dia 29 de novembro, finalizamos o projeto PAIS no município de Vazante/MG. Recebi uma linda cesta cheia de produtos da Agricultura Familiar: bolachas de polvilho com amendoim, doce de pequi, doce de cenoura, doce de beterraba, cocadas, bolachas de nata e um vidro de picles. Essas delícias foram feitas pela Maria José. Todos os sábados ela vai a feira livre de Vazante vendê-las.

Havia uma mensagem na cesta e um cartão de Feliz Natal. A Maria pediu que eu a lesse no final do encontro...


domingo, 25 de novembro de 2012

Resultados do Projeto PAIS - Fortaleza de Minas/MG

famílias do PAIS na apresentação dos resultados
O projeto de Produção Agroecológica, Integrada e Sustentável - PAIS, no município de Fortaleza de Minas, conclui sua primeira etapa. Iniciado em maio de 2011 fechou as atividades institucionais em 24 de novembro de 2012, com ótimos resultados.

Como o objetivo de Fortalecer a Agricultura Familiar em Vazante e Fortaleza de Minas, promovendo a soberania alimentar, a sustentabilidade ambiental e a geração de renda no meio rural através da implantação da tecnologia PAIS, o projeto beneficiou diretamente 76 cidadãos residentes nas propriedades rurais das 20 famílias selecionadas.

Segundo a Fundação do Banco do Brasil em seu manual: "Espera-se, portanto, [...] os seguintes resultados:
 
famílias de agricultores orientadas e capacitadas para o manejo e cultivo adequado da produção e o uso sustentável dos recursos naturais
grupos de produtores organizados em associações e cooperativas, com o propósito de garantir melhores condições de acesso ao mercado;
aumento de renda familiar em percentual de sua receita mensal.”
 
Esses resultados foram alcaçados:
 
- Em 6 meses de práticas agrícolas, período em que se acompanhou as famílias a campo, a produção total de alimentos chegou a 43.395,92 kg. Deste montante, o consumo total de alimentos pelas famílias foi de 6.561,00 kg, gerando um excedente R$ 30.677,42.
 
- O acréscimo na renda das famílias foi de 45,39% - média R$ 311,36/família/mês. Com a descompressão da renda média, que é a economia das famílias com o autoconsumo de alimentos, o acréscimo médio na renda das famílias chegou a R$ 627,72/família/mês.
 
- Abertura da Associação Agroecológica;
 
- Apoio a comercialização: organização dos produtores do PAIS para o fornecimento de alimentos ao mercado social do município, projeto Mesa Cheia, PNAE e inauguração da Feira Agroecológica;
 
 
 
- Práticas Agroecológicas:
 
 
biofertilizantes
compostagem
caldas repelentes e defensivos alternativos
viveiro de plântulas
palha nos canteiros
Microrganismos Eficientes - EM
substrato para as mudas

 FOTOS DAS 20 UNIDADES PAIS

acesse aqui

Oliver Blanco
Coordenador de Projetos Pleno
GAIASOCIAL 
 

sábado, 24 de novembro de 2012

Defensivos Alternativos - PESAGRO-Rio


          
          Instintivamente reconheço, nestas estradas que percorro, o mundão de terras brasileiras. Brasileira, brasileira, já não sei 'si' é. Os cuidados com os solos são mínimos.

          Fico a pensar, já que o carro em que trabalho não possui um toca "pendrive", cd,... Penso como foi na prática toda aquela ocupação, mais do que isso, invasão. Um pseudo humano, frente a natureza divina, ser dono, chamar de meu, a posse de um pequeno pedaço do Planeta? Um pedaço da natureza, e não cuidar. 

          Como pensar na alternativa para tanto solo sendo esterelizado por culturas extenuativas?

          A consequência direta é o impedimento no desenvolvimento do município e o embrutecimento do peão, do agricultor...

          Solos com vida dispensa qualquer uso prático de mecanização (grade, arado...), adubação, agrotóxicos e outras técnicas da Revolução Verde.

          Solo com vida dispensa "inté" mesmo os Defensivos Alternativos. Nutrem todo tipo de cultivo nele semeado.

          Veja este manejo de solo na foto. O coeficiente Run off - escoamento ou feflúvio superficial da água - aí, foi alto.

          Deixe o mato crescer. Repouse o solo (“...mas no sétimo ano haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha.”  - Lv 25.4.) A terra necessitava, segundo Deus, de repouso, ela precisava se auto-restaurar, a natureza precisa refazer-se.

          Venda a Grade, o Arado e compre uma roçadeira. Solos tropicais dispensa o reviramento. Mantenha o subsolador, caso tenha feito manejos, há anos, forçados pelos peões da Revolução Verde. A pesquisa, a pesquisa... Agronomia para mim não precisa-se de mestrado, Douto... pelo menos nesses tempos atuais. "As portas do mundo é aberta" e as porteiras, quase todas, estão fechadas. É a prática, é a praxis... fi! 

          Roce o mato. Deixe o por cima do solo, apenas isso. Semeie coquitéis de leguminosas e gramíneas. Deixe as crescer.

Leguminosas, a salvação da lavoura.
Para a recompição da estrutura, da fauna microbiana, dos ácidos radiculares, da fertilidade (da vida) enfim, antes de qualquer plantio (introdução de um SAF, pomar comercial...) do solo, este é o caminho, biodiversidade vegetal.

Botucatu/SP - curso de Educador Florestal - Giramundo, IEA.
        Roce novamente. Mantenha a cobertura verde por cima, apenas isso? Nada; o tempo tem que agir, por isso planeje as atividades.  Deixe a vida crescer no subsolo. Habitat em que a visão humana não alcança.

         Não dispense a rocha moída, fina ou granulada, calcária ou fosfatada. Acelere então, a decomposição da massa verde.

        Plante. Plante a biodiversidade vegetal. Plante um pomar. Plante legumes. Feijão, milho (plantio direto). Mandioca... o que conseguir.

        Enquanto a fertilidade (ou vida) do solo não se equilibra e, caso tenha investido em uma cultura anual ou permanente, use os Defensivos Alternativos.    


ACESSE AQUI

Oliver Naves Blanco
Agroecologista

Fonte: PESAGRO-RIO

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

19 de novembro de 2012

Secretaria-Geral da Presidência da República 
instala Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica

Com a presença dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Mendes Ribeiro (Agricultura) será instalada nesta terça-feira (20/11), a partir das 9h30, a Comissão Nacional da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. O evento acontece no auditório do anexo I do Palácio do Planalto, em Brasília.

A Comissão, cuja secretaria-executiva cabe à Secretaria-Geral, é formada por representantes de 14 órgãos e entidades do executivo federal e por 14 entidades titulares e 14 entidades suplentes representantes da sociedade civil. O colegiado tem por objetivo promover a participação da sociedade na elaboração e acompanhamento do Plano e da Política de Agroecologia.

Na programação da reunião, que acontece até as 18h, estão previstos debate com representantes de movimentos sociais; apresentação das ações da Câmara Interministerial da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – à cargo do Ministério de Desenvolvimento Agrário e a discussão, em grupos de trabalho, do conteúdo e método de construção do Plano, o funcionamento da Comissão e cronograma de trabalho.

Saiba Mais

Decreto da presidenta Dilma Rousseff instituiu em 21/08/12, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica ( PNAPO). O documento prevê a elaboração de um plano com metas e prazos a serem cumpridos pelo governo federal e determinou elementos como a concessão de crédito, seguro, assistência técnica e pesquisa para ampliar a produção de base agroecológica no Brasil.

A Política Nacional de Agroecologia foi formulada de forma participativa, com engajamento da sociedade civil. Além da incorporação das pautas de movimentos sociais, a participação da sociedade civil se deu por meio de um seminário nacional e cinco seminários regionais coordenados pela Articulação Nacional de Agroecologia  (ANA) e pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com apoio do Ministério do Meio Ambiente. As Comissões Estaduais da Produção Orgânica (CPOrg) e a Câmara Temática da Agricultura Orgânica (CTAO) também integraram o processo. Participam ainda entidades como Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), além de técnicos de vários ministérios e órgãos públicos.

Em maio deste ano, a Secretaria-Geral da Presidência da República, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, implementou o Plano de Mobilização e Participação Social para a Agroecologia. Foi promovido o encontro Diálogos Governo e Sociedade Civil para debater o conteúdo do decreto, a estrutura de governança da política e colher subsídios para o Plano. Um grupo de trabalho composto por dez ministérios e órgãos públicos, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, consolidou a proposta.

sábado, 10 de novembro de 2012

... e agroecologistas levantam voo

"Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras"

Por Francisco Roberto Caporal

O título é uma frase do conterrâneo Érico Veríssimo e serve bem para ilustrar o que temos observado em nossas sociedades quando tratamos da questão ambiental. Pelo menos desde o início dos anos 70, estão bastante claras as evidências dos sérios danos ambientais resultantes do desenvolvimentismo construído a partir de estratégias de crescimento econômico ilimitado em sociedades baseadas no consumo e desperdício.

As inúmeras conferências que ocorreram pós Estocolmo-72, não serviram para nada. O que vimos é que foram gastos muita tinta e muito papel para teorizar sobre boas intenções. A conferência Rio 92 foi, talvez, a melhor demonstração da inconsistência da tecnocracia quando se trata do enfrentamento dos problemas ambientais. 

O balanço da problemática socioambiental tem mostrado que os impactos diretos e as externalidades geradas pelo modelo de crescimento e consumo estão absolutamente sem controle, apesar dos acordos e outros protocolos firmados entre países ao longo de mais de quatro décadas de estudos e negociações. O fracasso da conferência de Copenhague é só mais uma demonstração da ineficácia da estratégia montada pela tecnocracia estatal e pelas instituições de Bretton Woods que as patrocinam (ONU, FAO, Banco Mundial, etc.).

A conclusão que se pode chegar é que se não houver ampla participação da sociedade organizada e ambientalmente consciente nada vai mudar.  Tudo o que se construiu até hoje, no marco dos enfoques ecotecnocráticos, apenas tem servido para mostrar a falta de seriedade dos discursos institucionais sobre desenvolvimento sustentável. O que se observa, sim, é que apesar dos belos discursos de iminentes autoridades sobre a necessidade de retomarmos uma trajetória de proteção ambiental, de preservação dos recursos naturais, com redução dos impactos causados pelas atividades econômicas, o que encontramos na prática são políticas de estímulo ao consumo, políticas que patrocinam a continuidade dos mesmos processos econômicos que são responsáveis pelos impactos socioambientais. Por sorte, ainda há os que tentam construir “moinhos de vento” diante da inexorável evidência do imperativo socioambiental de nossa época.

Estimulados por uma crescente consciência da responsabilidade ambiental, para esses, está evidente que o compromisso com a sustentabilidade, neste planeta de recursos finitos (alguns quase esgotados), só tem sentido se nascer de uma forte solidariedade intra e intergeneracional. Sustentabilidade ambiental, antes de nada, é a busca da preservação de recursos naturais escassos e limitados, para que nossos filhos e netos possam dispor da base de recursos da qual necessitarão para que possam vir a ter uma vida digna e com qualidade.

O que anima é que no Brasil são milhares as experiências urbanas e rurais que vêm demonstrando que outro caminho de desenvolvimento é possível. Na nossa área de trabalho, a Agroecologia como uma nova ciência para um futuro sustentável, tem dado sustentação teórica, técnica e metodológica para uma multiplicidade de iniciativas de produção agropecuária de base ecológica, que preservam o meio ambiente e ao mesmo tempo oferecem alimentos sadios para a população. Isso demonstra que é possível uma agricultura diferente daquela imposta pela Revolução Verde, pelas grandes monoculturas e pela atual ditadura dos transgênicos.

Os tempos de mudança já começaram e precisamos estimular estratégias ambientalmente mais sustentáveis para evitar que a caminhada da nossa civilização continue em direção ao abismo. É sobre estes temas que trataremos na sequência de nossos artigos.

Francisco Caporal é engenheiro agrônomo, doutor pelo programa de Agroecologia Campesinado e Historia da Universidade de Córdoba (Espanha) e presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).

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