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"Harmonizo meus pensamentos para criar com a visão". "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível".

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Mandinga


MANDINGA   
uma entrevista realizada por  
Sebastião Pinheiro


N. prot.: 1176505. Prot. atendimento: 2015-0005025288

  
Esta história pertence à memória de uma anciã quilombola expulsa da sua terra na ditadura militar em Aracruz pelos interesses da Casa de Windsor. Entrevistada por mim em 1983, onde vive, no Lixão de São Pedro, junto com sua comunidade, na Ilha de Vitória, capital ES.



Reedição em PDF/Correções/Imagens: Oliver Naves Blanco 


setembro 2018


 

Capítulo I


São Mateus já era um porto turbulento com uma história longínqua com períodos cimentados sobre morte, desespero, dor e desgraça nos navios negreiros de propriedade e bandeira de ingleses, holandeses e portugueses, que ali aportavam com sua carga. Era o quinto maior porto de comércio de escravos, pela facilidade de transporte pelo rio, que dá nome à cidade, até as Minas Gerais, grande absorvedora de mão-de-obra na época.
É comum dizermos que o diabo mais sabe por velho que por diabo. Em paráfrase, podemos, também, afirmar que o "cavalheirismo e civismo ingleses", o são não por educação, cultura ou humanismo, mas por antiguidade e aparelhamento na organização do esbulho, guerra, repressão comercial ou através de seu sistema de justiça. Há muitos capitães-de-mato imitando-os nesta onda de "solidariedade" e voluntarismo.
Na região de São Mateus, uma das maiores primeiras propriedades era a de um português de Cintra, de nome Joaquim Pedro com familiares influentes na Corte lusitana e descendente direto de Vasco Coutinho, Capitão Donatário da região.
O grande negócio da época era a cana-de-açúcar, mas para a produção de açúcar (!). O que fazia este colonizador comprar constantemente escravos africanos, devido à sua curta vida útil, pelos maus-tratos no degredo e cativeiro. Para pagar aos traficantes ingleses, ele possuía uma das mais belas e grandes plantações de fumo fora da Bahia e um alambique para a produção de aguardente, ambos, com a devida autorização do rei de Portugal e reconhecimento, agora, do jovem regime independente brasileiro.
O feitor, embora obeso e afável, era tão tirano e cruel quanto seus pares. Chegou a ter mais de seiscentos escravos. Sentia-se justo, quando reprimia com severidade os revoltados. Recompensado, quando recebia a unção dos jesuítas. Seu pelourinho manchado de sangue cheirava a carne podre. Ele era temido até por capitães-de-mato, índios, negros fugidos e até mesmo pelos jesuítas.
As milícias portuguesas de segurança dos pioneiros raramente iam além da varanda da Casa Grande, pois ele a prescindia e o mesmo ocorria com as tropas com as novas cores imperiais.
Diziam as más línguas que seu pai alimentava seus cães com carne humana de indígenas após as caçadas.
O novo império brasileiro nascia, e tudo ia às mil maravilhas para o feitor de escravos. Embora, em suas terras, não houvesse minérios, a produção agrícola causava ciúmes aos mais poderosos mineradores do novo império.
Sua habilidade na administração das terras, plantações de fumo, engenho de açúcar e produção de aguardente era invejada em toda a Província ao sul da Bahia. Em suas terras nasceram as primeiras melancias que os africanos semeavam por toda parte ao longo dos caminhos.  Eram as mais doces e vermelhas cobiçadas nos calorosos verões à beira-mar e praça do mercado.
Ele, ainda jovem, viu seu pai e toda sua numerosa família ficarem calados quando foi declarada a independência do Império do Brasil de Portugal, esperando não arriscar seu patrimônio, pois não entenderam a manobra preventiva articulada por ingleses e portugueses.
 
 .... continue lendo essa linda história!



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