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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

O totalitarismo de mercado verticalizado e o “cadáver insepulto"

por Sebastião Pinheiro (publicado no Facebook)

O presente é de egoísmo oportunista em escala absoluta. A cada fim de semana são mais de cem mortos na disputa mercantil por venda de droga de alta rentabilidade financeira, econômica que contraditoriamente não é intervinda (?) Ao mesmo tempo em que pessoas promovem passeatas e protestos contra os sacrifícios religiosos de animais domésticos transformando-se em “despacho humano” em acinte ou deboche escrito em quatro idiomas (foto).
Nas manifestações cidadãs ou nas redes de informação/alienação social pululam os arautos do retorno dos militares da Guerra Fria, “capitães de mato” com poder absoluto sobre vida, comportamento; Ao mesmo tempo em que no Congresso Nacional há uma escalada “religiosa” aproveitando a roubalheira da coalizão, legalizando uma série de arbítrios nas antigas ações de Estado, impactantes, mesmo quando a justiça, educação, saúde e oportunidades mantinham as castas da corte (nobres, plebeus, escravos e indígenas), pois o governo está cadáver insepulto.

Mas se isso fosse circunscrito a temática subcontinental, regional ou local não seria um problema, já que facilmente sanável pelo poder mundial globalizado. Por não entender esse “presente”, obriguei-me a ser “módulo” de “vetor” com direção e sentido ao passado.
A nacionalização do Canal de Suez por Gamal Abdel Nasser foi um rastilho de pólvora entre os muçulmanos no pan-arabismo que está registrado em um singelo livro do político Carlos Lacerda com vergência brasileira à época. Ali encontramos o nascimento do Iêmen do Norte em 1962, liberto da Federação da Arábia do Sul, disfarce do Protetorado britânico do Aden na proteção do petróleo da Pérsia e Arábia Saudita e depois identificado como Iêmen do Sul no conflito bélico até os anos 70. O Iêmen do Norte foi condenado à morte durante os oito anos (1986-1994) da Rodada Uruguai de gestação da nova Ordem Internacional que iria substituir a Guerra Fria pela Organização Mundial do Comércio.
A situação em Sanaa não é diferente na Líbia, Iraque, Síria, Paquistão, Afeganistão, Nigéria, Quênia embora todos sejam doutrinados para pensar que isso é um devaneio na intolerância ou ignorância religiosa/cultural, como tampouco permite perceber os massacres humanos nos choques de quadrilhas do narcotráfico, destruição de escolas ou deturpação do ambiente social da pobreza. Ao mesmo tempo em que o segmento de “petshops” ganha espaço e status de “guerra santa” pelo bem-estar animal doméstico sacrificado para aplacar outra fome.

Retornei da imersão ao passado lentamente, lembrando que no México há o alerta: Aguas, con los pendejos con iniciativa (Cuidado com os tontos empreendedores). Já na culta Europa, EUA, Canadá e Austrália o mercado criou uma nova figura muito além do “aprendiz” das corporações medievais (Lehrlings): É o “voluntario” que é espalhado ao mundo em missão messiânica para alterar infra-estrutura nas comunidades sem justiça social ou governo. Internamente esse voluntário cumpre o rito de passagem e iniciação no mercado de trabalho sem custos ao Estado e durante três a seis meses trabalha duro para merecer a vaga de assalariado pelo empregador que não corre riscos e formata como quer o antigo cidadão. Simultaneamente entre nós, a “vaca tosse”, a formalização do trabalho vai “pras cucuias” através de uma terceirização que nem os autores do projeto sabem o que é, mas foi imposta pelos representantes de bancos e CEOs transformados em diplomatas dos países centrais na Rodada Uruguai da OMC. Os diplomatas das elites e cortes periféricas já estão, também, com os dias contados substituídos pelos Cursos de Relações Internacionais ou Diplomatas de Mercado deleitam-se sobre o neologismo solidariedade (econômica, financeira, sanitária e humanística) como a da propaganda sobre a menina nordestina Luana (foto) que poderá comer se você doar um real ao dia, embora a ela chegue somente 0,07 centavos.

Abaporu, Tarsila do Amaral - 1928
Desculpem aqueles que estão pensando que nossa preocupação é com a alienação das bandeiras sociais, políticas locais, desgoverno ou na reação violenta nos países nominados. O que está se consolidando assustadoramente é um totalitarismo de mercado verticalizado, cuja argamassa é sua violência, acima de qualquer valor humano cultural, social ou religioso em pró do consumo antropofágico de tudo e todos, muito parecido à época do manifesto futurista de Marinetti no inicio do Século XX, contudo, agora, sob o controle financeiro internacional (CIRF). O quadro (foto) está pintado há quase um século, o “manifesto antropofágico” escrito, basta degluti-lo ou continuar submerso...

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"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

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