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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

domingo, 15 de março de 2015

Saúvas, "cigarratas" e natureza


Por Sebastião Pinheiro

Fontaine acordou com dor no testículo esquerdo, não era a primeira vez. Era a dor recorrente da passagem de mais um cálculo renal. Agora, uma anciã vizinha condoída trouxe o cupá uma erva desconhecida. “Fo” ou “Fonta” assim o tratavam recebeu o nome do centro avante artilheiro na Copa Mundial de Futebol em 1958, Just Fontaine. Ele fez e tomou a tisana.

A erva era forte e a sensação muito estranha. Tomou dois litros e passou a sentir formigamento, sonolência, dormitou. Delirou: O mundo andava para trás era domingo 15 sem ter sido sexta-feira 13. Um monte de gente transformada em saúvas se aglutinava e parecia felizes e defendiam o sauveiro, ou os sauveiros de tanta “içá”. Umas eram mais ricas e bem vestidas, outras falavam mais que três idiomas, os miseráveis eram poucos e de aluguel.

“Fo” sempre foi comedido não comparou aquilo às “Diretas Já” de 31 anos atrás. Na multidão de saúvas reconheceu a saúva responsável pelo órgão de Meio Ambiente que vendeu licenças e foi responsável pela morte de cem toneladas de peixes no rio dos Sinos. Num canto bem assanhados estavam os que impuseram o cultivo do eucalipto com dinheiro público para expulsar os agricultores e concentrar a posse da terra atendendo o Banco Mundial. Também compareceram os ladrões do DETRAN impunes e os que fecharam a Escola dos Sem Terra. Sim, estavam todos e a imprensa alardeava os números com flashes e rasante de drones sobre o formigueiro. Sentiu-se deslocado em ambas as situações. Lembrou a frase recorrente: “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Erroneamente atribuída à M. Lobato ou a Mário de Andrade, contudo aventada pelo naturalista francês Saint Hilaire.

Devaneou a saúva encontra-se mais íntima à humanidade do que se possa imaginar: Somos pouquíssimos os membros de sociedade ultra-sociais, onde todos têm função geneticamente programada e somente os humanos estabelecem as mercantilmente estabelecidas em eugenia às avessas...

Por desacople de sinapses dormitou, mas houve um novo delírio. Agora era a sexta-feira 13 e todos estavam transformados em uma coisa estranha parecia inseto, mais uma cigarra, mas alguns tinham rabo e orelhas de ratos e guinchavam alto como as cigarras em dia de calor. Sim era um bicho transgênico, eram “cigarratas” agitadas em desespero, pois não chegavam a 2% do número esperado e tentavam demonstrar que não estavam envergonhadas, mas era impossível deixar de transparecer o obvio, quando a imprensa esteve em contra, pois seguia normas e ordens superiores, pelo medo de ficar sem imagens mundiais ou ter de pagar mais caro sua incúria.

“Fonta” descobriu vários conhecidos, alguns difíceis de reconhecer transfigurados pela ansiedade, desilusão outros já grisalhos participaram da compra do Incinerador de Lixo. Havia os Assentados da Reforma Agrária que semanalmente compravam verduras e frutas em caminhões de comerciantes que os visitam em situação esdrúxula e imoral. Estavam ali os dirigentes do órgão ambiental que abandonou a cápsula de Carbono radioativo roubada em Porto Alegre, igual a 13 de setembro de 1987 em Goiânia na “Nova República”, que causou o maior desastre atômico do mundo civil fora de um reator, mas parece não interessar a ninguém. Muitos estão ordenados a comemorar o aniversario da Lei de Biossegurança, onde se trocou o número e a assinatura, mas se convalidou a ordem financeira internacional. Os mais numerosos e festivos eram o da Agroecologia.

Os acólitos de Adhemar de Barros bradavam aos quatro ventos: “Rouba, mas faz”, emulado pelo companheiro Maluf ex da ditadura. As saúvas em coro no dia posterior bradaram: “Canta, rouba e não faz” provocando risos. Sim, a educação de escola privada permite o privilegio cultural e suaviza a agressão, pois a “arrogância é a prepotência da ignorância”, inseparável aos de pouca instrução, cultura familiar e exacerbada insurgência.
 
As saúvas lembraram que no início as “cigarratas” reclamavam haver herdado o “maldito”. Ressaltavam que o “sacrifício estruturante” e sustentabilidade (eta palavrório bonito) havia evaporado. Mas a verdade é que o verão se esvai e ficam os seis desastres com ônibus que elevam as vítimas a mais de cem mortos e mutilados. Não há infra-estrutura, estradas, escolas, SUS e as leis são feitas para atender o sistema financeiro internacional e não a formação do povo. A "marolinha" pode transformar-se em Tsunami... 

Aquilo era um “Bumba Meu Boi” partidário. Em momentos de lucidez “Fo” lembrou que não era membro de torcida organizado (militante) ou desorganizada (parcela alienada contrafeita ao perder capacidade de consumo), nem torcedor e jamais ficara na geral ou arquibancada. Sempre esteve e está dentro do campo, na maioria das vezes sem caneleira e não por “bicho” ou vaidade, mas escutando os insultos de “protagonista”, pelos alçados fanáticos contrafeitos. Quem sabe faz e dá o exemplo que arrasta e educa. 

Na humanidade sobressai-se um grupo seleto de seres vivos (cupins, abelhas, formigas e outros), também seres ultra-sociais, todos pela característica mais marcante: A necessidade de transformar o ambiente para a produção de alimentos e energia, embora ela vá além ao dominá-lo. Atividades que hierarquizam a divisão de trabalho e capacidade de fazer prisioneiros, escravos ou estabelecer parcerias vantajosas e estratificar o poder (organização, ambição e egoísmo).


Antes éramos apenas nômades, até desembarcar na agricultura, que molda a humanidade à sua feição (gregário, crente, místico, prolífico, isolado, comunitário, independente e autônomo, subordinado) formando comunidades fraternas pela crença, língua e raça criando a identidade que desemboca no Estado Nacional, onde o termo amizade era de significado pessoal, já a amizade coletiva era a solidariedade, herdada do pixurín tupi-guarani que originou o (pixurum, mutirão e mixurão). A industrialização impôs a lenta e inexorável individualidade e necessidade social e econômica de geração e acúmulo de riquezas.

A escala de valores da sociedade industrial exige um sistema de educação, comportamento diferente com outra moral e ética a cada dia mais fora da natureza, e abstrata tornando os critérios e parâmetros da sociedade agricultora insustentáveis, contudo ela é imprescindível por sua capacidade de transformar o Sol em Alimento, ainda não totalmente atingido como indústria. Veja na Wikipédia a definição de Food Industry, traduza... 

A Justiça social só pode ser definida a partir do fato concreto da “injustiça social” e para alguns ela corresponde à “justiça distributiva” de Aristóteles diferente à “justiça comutativa” (cega) que se aplica aos iguais. Justiça social balizador do contrato do Estado de Bem Estar para garantia da liberdade e igualdade (fraternidade) de oportunidades e opções coletivas entre humanos nas suas relações na agricultura, comércio e manufatora quanto à riqueza, sua estabilidade, cada dia mais precária pelo avanço industrial (científico tecnológico), atualmente totalmente rota pelo sistema financeiro internacional. 

O auxílio da física ajuda a discernir: Em ótica sabemos que o branco é a soma de todas as cores e o preto a ausência de cor. A variação entre esses extremos permite infinitos tons de cinza, mistura dos extremos, que pedagogicamente podem ser separados entre a disputa do poder do criador da riqueza (agricultura-comércio) e o poder (manufator-industrial) intermediado pelo comércio, agente do poder financeiro (supremo). O concerto entre ambos os extremos determina o valor do trabalho e distribuição da riqueza como ideologia do poder (financeiro). Para o capital quanto maior sua concentração e estratificação menor deve ser a interferência da justiça social, pois isso acelera a perfeição ultra-social (eugenia mercantil), enquanto a inversa é o socialismo Fabiano (eugenia ética).

 Neste diapasão a gestão da justiça social fica minuto a minuto mais frágil pelos conflitos entre os extremos, embora sua existência esteja garantida pela necessidade de liberdade e igualdade, mesmo que aparente como ocorre nas ditaduras.

A aplicação do capitalismo desde Assíria, Babilônia permite sua evolução com mecanismos cada vez mais sofisticados para satisfazer seu desenvolvimento e crescimento. Dia a dia tons de cinza que pertenciam à ideologia do socialismo Fabiano são incorporados pelo capitalismo através do mercado e anunciados ao mundo como sua virtude e benevolência (cotas e consumo).

A “água” e o “ar’ são os elementos mais indispensáveis à vida. No tempo dos bisavós, negar água ao viajante era um desrespeito, ultraje e má educação. Hoje pedir água é o desrespeito e ultraje, pois a venda (ou outorga) de água nos acompanha mesmo nas mais remotas tribos da Amazônia ou interior da África e Ásia; Nos aviões ou na China já há “ar purificado” para a primeira classe ou elite dirigente sejam de saúvas e ou “cigarratas”. A leitura de “Ecofascismo”, de Jorge Orduna e “Causas Naturales”, de J. O’ Connors. 

O termo “justiça social” tão pujante até as primeiras décadas do Século XX inexiste no corolário dos governos periféricos no Século XXI sem espaço ideológico. Eis a necessidade de um novo neologismo, disfarce para reorganizar a relação de poder e manter o equilíbrio social.

Em 20 de Janeiro de 1949 o presidente Harry Trumann em seu discurso de posse usou pela primeira vez o advérbio “desenvolvimento”, antes usado somente na embriologia e com significado concreto. Hoje podemos dissecar sob a ótica da justiça social, diplomacia, política, religião o que significou o termo subdesenvolvido...


Isso são águas e ares passados, pois entre 1986 e 1994 nas tratativas da Rodada Uruguai para a nova Ordem pós-GATT (OMC) vimos surgir o neologismo “sustentabilidade”. O termo herbivoria trata do conhecimento sobre a relação entre saúvas, cigarras não-transgênicas e natureza e foi criado recentemente diante da ineficiência dos formicidas para o controle dos insetos, mas isso demorará meio século para chegar ao mercado. 

Agora, sem ingenuidade podemos adentrar ao neologismo “Solidariedade” recordando que a palavra surge de uma ação estratégica entre Tatcher, Reagan e Papa J. Pavlvs II para soçobrar o bloco soviético de economia capitalista de Estado, onde já não havia justiça social, apenas a comutativa.

Quando não há educação e compromisso a epidemia de dengue, saúva ou “cigarratas” prolifera e periodicamente surgem os adeptos de usar os “defensivos agrícolas” como solução. Bem este é o vosso país esta é a vossa bandeira.

Espero que o “cupá” tenha limpado os rins do Fontaine e possa ser usado para o cérebro de saúvas e cigarra(tas).

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