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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sábado, 21 de maio de 2016

Show de ladrões e oportunistas


por Tião - Juquira Candirú Satiagraha

Todo barco pirata é pequeno, veloz e com bom poder de fogo, mas é na sua tripulação que está a chave para evitar que ele se torne na solidão da espera, uma Nau de Insensatos.
A audiência do Presidente do STF a vários partidos políticos exigindo a impugnação do Presidente da Câmara e indicação do Ministro M. A. de Mello como relator à solicitação para o dia seguinte provocou a reação, e deixa uma pulga atrás da orelha na marujada (foto)...
A ingenuidade abre as portas do paraíso aos gentios, pelo que duvido que o voto do Ministro Teori Zavascki tenha sido elaborado em poucas horas.
Emergencial foi a liminar de sua excelência concedida para a solicitação feita em 17 de Dezembro passado. Essa é a diferença entre o artista e o virtuose. O primeiro executa, atende, já o segundo o faz com tal desempenho, harmonia (oportunidade) que é único e está acima da razão.
Ingenuidade pouca é bobagem. Não houve competência para conter o parceiro Cunha na candidatura à Câmara Federal. No poder ele mostrou que o buraco era mais em baixo, além do infra-mundo moral, ao mesmo tempo que sua eficiência gestora gigantesca, em proveito próprio. Fez-se de conta enfrentar sua súcia com refrões juvenis e clichês, mas "No hay mal que dure cien años, ni enfermo que los aguante". Menos de duas horas depois do anuncio do presidente do STF ribombou o trovão anunciando a Mãe de todas as tempestades a liminar de afastamento, pegando a todos no contrapé. O elaborado voto estava já a tempo suficiente em um barril de carvalho, que pela mitologia celta simboliza honra.
Já há tanto tempo amadurecido, tinha a qualidade suficiente para impedir aventuras rocambolescas nos escaninhos de vaidade e poder. À luz, impediu "as vivandeiras de tribunais" e que, moribundos recebessem a "visita da saúde"; Cadáveres levantassem nos necrotérios; Zumbis das tumbas ou acorrentados fossem libertos e até pôs uma pá de cal na proposta de eleições extemporâneas confundindo e levantando ondas ameaçadoras de retrocesso.
O jovem estudante foi citado, por não querer deixar o país, quando o interessante é ensinar a todos a chegar ao país como cidadãos e não como privi+legiados, como disse a ministra dissecando a etimologia do termo. Lembro o militante e político comunista que requeria recuperar o título nobiliárquico de seus antepassados, em situação juvenil pior que a do estudante em preparação para ser elite hereditária. Há a liberdade em deixar o barco pirata a qualquer tempo, pela prancha...
Lembro ainda da época estranha, à saída do sopor da ditadura: O traficante "Meio Quilo" teve a bandeira nacional colocada sobre seu caixão, rapidamente retirada por um policial em vergonha pessoal. Nada mudou desde Pero Vaz de Caminha, os descendentes das capitanias hereditárias roubam desde a merenda à pesquisa científica ou através das propinas centralizadas para os partidos, campanhas, construção do patrimônio de seus caciques ou na prestação de serviços (não convocação à CPI da Petrobras). Escolas são ocupadas por novos "caras pintadas”, início de carreira política lembram o oportunismo para se eleger e ter sua lancha em um condomínio em Miami. Policiais, promotores, juízes, pastores, artistas, técnicos, analfabeto conquistam mandatos, não por e para o exercício cidadão, mas por repercussão midiática de suas ações, úteis para arrastar votos da massa, multidão ou horda, em campanhas que a cada dia mais parece um show da Broadway, sem conteúdo, compromisso, apenas vaidades.
Motim só ocorre em alto mar, como diria Haydée Tamara Bunke Bider, "Tania" em seu poema:
 “Dejar un recuerdo”.
¿Con que he de irme, cual flores que fenecen?.
¿Nada será mi nombre alguna vez?.
¿Nada dejaré en pos de mi en la tierra?.
¡Al menos flores, al menos cantos!.
¿Cómo ha de obrar mi corazón?.
¿Acaso en vano venimos a vivir, a brotar en la tierra?

Na infância chorava com o sentimento caipira na música de "Jararaca e Ratinho". Já com a faca nos dentes concordei com “Reunião de Bacana” de Ary do Cavaco & Bebeto di São João.
Se gritar pega ladrão
Não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão
Não fica um
Você me chamou para esse pagode
Nem me avisou aqui não tem pobre
Até me pediu pra pisar de mansinho
Porque sou da cor eu sou escurinho
Aqui realmente está toda a nata
Doutores senhores até magnata
Com a bebedeira e a discussão
Tirei a minha conclusão
Lugar meu amigo é minha baixada
E ando tranquilo e ninguém me diz nada
E lá camburão não vai com a justiça
Pois não há ladrão e é boa a polícia
Lá até parece a Suécia bacana
Se leva o bagulho e se deixa a grana
Não é como esse ambiente pesado
Que você me trouxe para ser roubado"

Os mais pretensiosos preferirão a obra teatral de Fernando Melo, “Greta Garbo, quem diria acabou no Irajá” ou “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto melhor adequados ao salvado do naufrágio, na significação de Goya. Contudo, o cangaceiro “Jararaca” foi baleado quando da invasão de Mossoró e enterrado vivo (foto). Corre a voz no sertão que faz milagres. A propaganda anuncia que do outro lado da prancha está a "Arca da Salvação". No portão de Auschwitz dizia "O trabalho liberta".

A visão premonitória de "Tânia" e seu lindo poema continuam. 
"Vocês passarão, eu passarinho".

Pois estou à bordo, na minha Natureza e Lar. 
E la nave va...

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"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

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