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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

N E M A T Ó I D E S

          São pequenos vermes "redondos" que compõe a diversificada fauna microscópica de solos do mundo inteiro. Impossíveis de se enxergar a olho nu, mas, muito fácil de diagnosticar no campo.
          Esses minúsculos organismos se tornaram inconvenientes ao homem, quando o homem, se tornou inconveniente à natureza de seu habitat, ou de alguma maneira proporcionou à proliferação de algumas espécies, quando diminuiu a diversificação de plantas em seu cultivo, substituindo a por uma única espécie plantada (as monoculturas). 
          Os nematóides vivem nos macrosporos do solo, no entanto, são seres aquáticos que sempre parasitaram as raízes novas de plantas, selecionando as de maneira natural. Já se tem formalmente descrita mais de 80.000 espécies e hoje deve haver no Brasil um grande número de espécies fitoparasitárias importantes. Quase todas as culturas selecionadas pelo homem, possuem algum dano causado por nematóides; intrinsecamente,  o manejo desta cultura é que difere se o dano é prejudicial ou não.  Portanto, sua proliferação desequilibrada na natureza do solo é consequência de um sistema de produção e manejo desta terra que, proporciona a destruição da biodiversidade.
A práxis
          Deparei-me com uma grande infestação de nematóides no município de Itaberá - SP, durante uma visita técnica na comunidade rural do assentamento Pirituba II. Na Agrovila II, se produz muito quiabo e, o primeiro caso de nematóide foi diagnosticado por mim e pelos companheiros (as) que me acompanhava, Nilton, Idália e Vagner, todos técnicos do Incra na época.
         A proliferação do verme se dá em reboleiras (foto ao lado); visivelmente poderíamos suspeitar sua ocorrência. As plantas começam a definhar e vão amarelecendo com o tempo. A preferência do verme por raízes novas afetam as plantas num estádio de crescimento inicial, causando um raleio no meio da cultura.
            Outro diagnóstico importante é feito nas raízes da planta infestada. A grande maioria destas raízes encontrava-se noduladas, com uma aparência muito fácil de reconhecer. Parecem inchadas, fugindo do seu natural. Esses nódulos, ao serem pressionados com as pontas dos dedos,  expelem muita água, característica certa da presença do bicho.
Amostragem
          Após toda essa atitude técnica, devemos proceder a amostragem do solo e das raízes para termos certeza da infestação, como também, identificar quais espécies estão presente no local e a sua quantidade média de parasitas e ovos. Coleta-se o solo em zig-zag (no mínimo 20 amostras) e pequenos pedaços das raízes para serem enviadas ao laboratório de nematologia (neste caso enviei as amostras ao laboratório da Unesp, campus de Jaboticabal).
 
Controle
                     “A adoção sistemática de práticas de manejo que interrompam o ciclo de vida dos nematóides é a saída para produtor ter estas pragas sob controle”, explica o pesquisador Jaime Maia dos Santos, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal/SP. "O segredo é interromper o ciclo de vida dos nematóides", diz o pesquisador.
          “No passado, eles não causavam tantas perdas porque nossas práticas de preparo do solo, com arações e gradagens sucessivas, de certo modo, contribuíam para redução da população dessas pragas, embora causassem outros tipos de perdas muito maiores. Com a mudança para o plantio direto, com o aumento da área plantada e o intenso plantio de culturas suscetíveis, os danos aumentaram”, informa.
           
Minhas conclusões,
          durante a prosa com o produtor, uma das perguntas que ele me fez, foi de como surgiu o bicho em seu lote de produção? Os nematóides poderiam já estar presente no solo, tendo sua proliferação devido ao plantio do quiabo, suscetível a certa espécie do verme. Porém, disse-me o produtor que já havia plantado o quiabo e era a primeira vez que aquilo ocorria. Neste caso, a dispersão do nematóide poderia ter ocorrida pela semente, ou até mesmo, por uma pequena quantidade de barro presa a sua botina. Muitos ovos de nematóide são dispersos desta maneira. Por exemplo, o que levou a uma grande infestação de nematóide na região do Mato Grosso, na cultura da soja, foram rodas de caminhões.
          Após o resultado das amostras, havia uma grande quantidade de nematóides e muitos ovos em sua lavoura. Sugeri, após a colheita dos quiabos que ainda restaram, a destruição dos restos de cultura e a realização da rotação de culturas, substituindo o quiabo pela crotalária, uma leguminosa que possui um controle natural de nematóides, pelo jeito o verme não é muito chegado em suas raízes.  
         
 Oliver Blanco
           

Nematóides
       

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