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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A CISTERNA DE PLÁSTICO NO SERTÃO, EM LONGO PRAZO SERÁ UM GENOCIDIO AO CUBO?

por Sebastião Pinheiro 

Tem coisas que os amigos pedem, são difíceis, mas precisam ser atendidas. Fui consultado sobre as cisternas de plástico para o sertão. Refugie-me no meu congá. Bati o tambor de bambu gambá junto a uma peneira com massa puba e “Terra Preta de Índio” invoquei a Linha da Mata. Logo chegaram “Caninana” & “Três Flexas”. Ao saber que o problema envolvia pouca água eles pediram a batida do Kultrun (mapuche) e teponaztli (azteca). Chegaram os iluminados Siete Cueros e Nezahualcoyotl acostumados com o deserto, o primeiro mascando pétalas de arrayan e o segundo palitando os dentes com espinho de cactos. Em seguida eles pediram o canto da “Linha do Oriente” e três velas e incenso, chegaram dois mascates kafre da Serra da Barriga e São Francisco. Ajoelhado esclareci desnecessariamente o problema, também meu. Oxé que senti um calafrio, vixe um cheiro de bolinho de bacalhau & chopinho, misturado com perfume de lavanda e pólvora queimada inundou meu congá e todos riram. Eram dois velhos conhecidos, o amigo Lutz e Maria Bonita. Sem cerimônias começou a faina, cada um falava a continuação do outro como em um jogral rotineiro ou filarmônica com excelsa regência.

“Um dos temas mais diabólicos das últimas duas décadas é a destruição da agricultura sertaneja. Isto fez este antigo estudioso das Ligas Camponesas usar a aritmética, pois a catástrofe agora será um milhão de vezes pior que a da Revolução Verde (que atingiu muito mais o Sul e fez desaparecer o agricultor organizado, e agora tem o pequeno produtor familiar que tenta sobreviver, mas vem sendo tratado como reserva de mercado & contrapartida para a produção de alimentos naturais como matérias primas certificadas e garantida para a integração nas grandes marcas como Coca-Cola, PepsiCo, Nestlé, Cargill-Seara e outros de interesse da Fundação Rockefeller. É só esperar, tudo que está sendo manipulado e induzido para esse destino.

Os riscos das cisternas de plástico para a saúde da família camponesa hoje e amanhã. A resposta seria muito simples e fora da lógica dos doutores de universidades e institutos. As cisternas de plástico não foram projetadas para armazenar água da chuva, o foram para depositar água tratada com um período de residência mínimo onde a liberação de substancias tóxicas do plástico ficam inferiores a 1 x 10-9 ou 0,000.000.001 grama/Litro, onde somente as moléculas ultra-tóxicas, por exemplo DIOXINAS & FURANOS HALOGENADOS causam danos. 

Quando se coleta a água da chuva, não é preciso dizer que ela é resultado da evaporação do mar e que não contem sais minerais é água destilada e não mata a sede, por não ter minerais, e, para todos os seres vivos a presença de sais minerais, sua diversidade e quantidade determinam a evolução de cada espécie, metabolismo e qualidade de vida. Logo o consumo de água sem minerais seria um problema muito sério. Mais eis que a “mão divina” fez que a organização camponesa, como a Fênix começasse a fazer as cisternas de placas. A água da chuva, pura em contato com a parede da cisterna solubiliza quantidades mínimas dos minerais presentes no cimento (Si, Ca. Mg, Fe, Zn, Nióbio, Terras Raras etc.). Essa dissolução ao longo de 12 a 24 meses (tempo de residência) deixa a água com uma concentração sub-ideal para os seres humanos da região sertaneja cujo solo é bastante rico em sais minerais e permite com uma boa agricultura (sem agrotóxicos ou adubos químicos solúveis) produzir alimentos altamente mineralizados que compensam harmoniosamente os minerais da água. Recordem que eu sempre recomendei fazer o que fazíamos em casa colocar uma pedra de Enxofre de aproximadamente três quilos por cisterna de placas a cada dois anos ou quando aquelas desaparecessem. Com a cisterna de placas o sertanejo antes de tomar a água mineral de Deus equilibrada com sua agricultura camponesa, ele se organiza e resgata o valor do mutirão. É isto que se quer destruir para sua diáspora como mão de obra aviltada na construção civil do sudeste.

Com a cisterna de plástico que água ele vai tomar? Água destilada de laboratório com a liberação de substancias química conhecidas e desconhecidas (DIOXINAS E FURANOS HALOGENADOS) que são formadas na água pelo contato, calor e tempo de residência (armazenamento). Substancias, muitas delas são mimetizadoras hormonais. Isto é conhecido e denunciado há mais de 25 anos pelo livro “Our stolen Future” de Colburn e outros que foi traduzido no Brasil (1995) pela Cooperativa Ecológica Coolméia (depois fechada pelo governo por dever 165.000 reais ao INSS) e com uma edição pela L&PM Editores (vendido pela internet): “NOSSO FUTURO ROUBADO” ou “FUTURO ROUBADO”.
Os principais contaminantes das cisternas de plástico são: METAIS PESADOS (Arsênico, Cádmio, Mercúrio, Chumbo, Cromo, Zinco, Estanho, Manganês,) são acumulativos daninhos ao sistema nervoso. 

Os resíduos químicos tóxicos são: PVC Vinylchlorid; Polystyrol; Polyhydroxy ether de Bisphenol A; PolyUrethane; Isothiocyanate; Dietilhexylphthalate; Acrylnitril e causam câncer de mama, próstata, estomago, pulmão, bexiga, linfático, leucemia, mas devido as interações com os metais pesados e entre eles os principais danos são nascimentos de bebes deformados e a infertilidade devido a feminilização masculina, impotência e alteração hormonal nas mulheres. 

Substancias complexas que potencializadas (sinergizadas) com bebidas alcoólicas, cigarro, resíduos de agrotóxicos e outros formando outras substancias muitíssimo mais perigosas que raríssimos laboratórios têm condições de analisar, mas são impossíveis de diagnosticar ou avaliar toxicologicamente.

Se a realidade tem essa cara e tamanho, por que então se quer usar a cisterna de plástico? A constituição garante minha opinião. - A cisterna de plástico precisa eliminar o poder de organização camponês (que nos últimos trinta e cinco anos fez mais que os governos ou organismos multilaterais (FAO, OMS, UNEP, UNIDO, OMC) para enraizar com dignidade o agricultor autônomo e livre no Sertão.

Quando em 1981 comecei a ver o dinheiro de entidades europeias chegar ao Brasil no mesmo momento que a Extensão Rural (Rockefeller) diminuía suas ações fiz questão de colocar no ERAA de Cruz das Almas que devia ser feita uma projeção onde aquilo ia terminar, pois ninguém dá dinheiro a ninguém de graça.... Quando vimos o dinheiro internacional para o 1 milhão de cisternas conversamos com o pessoal para que abrissem os olhos com a mesma projeção.

O que devemos entender é que só existe governo autônomo ou autêntico quando ele tem dinheiro dele e não necessita de empréstimos de bancos. O Banco Mundial usa a dependência como instrumento de submissão dos governos carentes.

Assim qualquer governo, por mais comprometido e identificado com seu povo fica impedido de atender as demandas ou obrigado a atender as manipuladas, induzidas ou planejadas por ele. O negócio funciona assim: O assessor 34 do Banco Mundial telefona para o Gabinete da Presidência do país pobre e diz: “Avisa o chefe que os empréstimos para saúde, educação, infra-estrutura estão prontas para a assinatura, mas o que está travando é essa organização de cisternas, que não interessa a um grupo grande corporações. É bom fazer uma substituição pelas de plástico”.

Com o governo mesmo percebendo o ardil e precisando cumprir prioridades, quem irá pagar o pato? Isto não é fraqueza nossa, nem privilégio. Em qualquer país do mundo, seja na União Europeia, América, Ásia ou África e isso que ocorre e não há imprensa (T. Turner, Rupert Murdoch) que denuncie ou acadêmico que abra a discussão e debate sincero.
Lembro que gravamos uma reportagem onde foi dito que, a questão da água para o sertanejo não era uma questão de cisterna, mas de crédito para habitação rural para se poder, como na Austrália captar mais água para melhorar a infra-estrutura do sertão. Onde há mais Sol será feita a agricultura natural do amanhã e permitir autonomia à família sertaneja, que necessita mais de 60 metros cúbicos de água e só pode captar com um telhado de qualidade e pelo menos com 200 metros quadrados. Jamais se deve coletar água da chuva sobre plástico (lona preta) que é mais perigoso que o incolor, pela presença de pigmentos que contém metais pesados.

Outro aspecto do plástico é que ele é menos durável que a cisterna de placas por ser facilmente oxidado pela luz ultravioleta que no sertão não é pouca, ficando quebradiço e liberando moléculas halogenadas de baixo peso molecular. Jamais uma cisterna de plástico conseguirá nas condições sertanejas de luminosidade e calor superar oito anos de idade. Não há em nosso país estudos técnico-científicos sobre a formação de novas substancias pela luz ultravioleta e pelo calor e seu comportamento toxicológico na água depositada por longo tempo nessas cisternas.

Se o pessoal dos organismos multilaterais das Nações Unidas, Banco Mundial e governos fossem mais inteligentes criaria no crédito de instalação habitacional-cisterna de placas a obrigação de recuperação das micro bacias hidrográficas revegetação/reflorestamento com algodão arbóreo, ou árvores frutíferas sertanejas ou de múltiplos propósitos como quebra-vento em uma “silvicultura social” como fazem os indianos há pelo menos três milênios para a dinâmica do ciclo da água.

Minhas sugestões para as organizações nordestinas:

1. Consigam o Livro Futuro Roubado ou Nosso Futuro Roubado (é um só com dois títulos);

2. Leiam e discutam-no e preparem um cordel;

3. Encenem uma peça teatral com os movimentos sociais;

4. Criem um Núcleo de Debate com estudantes secundários para multiplicarem o entendimento social;

5. Apoio as paróquias para que os párocos usem essa leitura em suas ações evangelizadoras;
6. Levem aos interessados subsídios para que eles conjuntamente transformem em vetores de políticas públicas regionais.

Para a elite acadêmica: Este texto é elaborado em contraponto à “Teoria Matemática da Tecnologia” da Max Mason e Warren Weaver (reservado da Rockefeller Foundation, 1949) & Plano America 2050 da mesma fundação (1996), que pode ser lido em inglês no site do NEA/ITCP UFRGS.

Quando estávamos terminando as obrigações e se preparavam baixou o esculápio Cipriano Barata, circunspecto, sem cerimônias e taciturno determinou: Vocês não disseram, mas a pior ameaça é de próprios candidatos do governo que já estão instalando cisternas de plástico até em brejo, nem tão prioritário (São Sebastião da Roça/PB) e isso vai se alastrar desmoralizando o Sertão e prostituindo os sertanejos. Sorridente e experiente assinalou: Essa luta é missão em Aruanda.

Ele puxou o último canto:

“Com licença de Oxalá é Vovó Roza que vai saravá”
“Com licença de Oxalá é Vovó Roza que vai saravá”.
O perfume de Alfazema inundou o congá.

**

ONGs defendem reservatórios de alvenaria

Fonte: CAA

Um comentário:

OneOff disse...

Caro Sebastião Pinheiro, muito boa sua matéria, chamar a atenção para esse tipo de questão é realmente papel dos tem olhos de ver... muitos não tem! Uma curiosidade, você disse que colocava uma pedra de Enxofre de aproximadamente três quilos por cisterna de placas a cada dois anos ou até quando aquelas desaparecessem. Qual a finalidade desse procedimento?

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"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

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