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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Chuva de Agrotóxicos


por Sebastião Pinheiro


Dois respeitáveis jovens amigos postaram o vídeo sobre a chuva de agrotóxicos no Mato Grosso. Eu tinha a idade deles, quando na cidade de Tangará da Serra mais de uma centena de pessoas morreram pela mesma intoxicação; e em Rio Verde (GO) a CETESB encontrou mais resíduo de venenos no altar da catedral da cidade que nos campos de algodão. Porque a história se repete?

O cientista afirma que foi pesquisado o leite materno e encontrado venenos, mas o prato é recalentado há meio século. Os primeiros mapas foram feitos em 1950 e o levantamento mundial foi feito em 1966 depois do escândalo das águias na América do Norte (EUA, Canadá e México). Igual que aqui, na Guatemala outro “cientista”, em 1978 encontrou no leite materno os inseticidas que agora aterrorizam meus jovens amigos. Lá a Nestlé aproveitou a onda para fazer propaganda que o seu leite (Ninho) era mais são, pois as vacas comiam somente capim onde não era aplicado aquele veneno incitando as mães consumi-lo abandonando o aleitamento materno.

É um mundo muito estranho, o chargista sueco que desenhou o profeta Maomé com cara de cachorro foi chamado para debater a liberdade de expressão resultando em três mortos em Copenhagen, uma das cidades mais humana e civilizada da Europa, onde o Glyphosate está proibido, não por contaminar a água.

Lembram-se do nosso filósofo contemporâneo Edmundo, o Animal, que jogou pelo Vasco e Palmeiras que chamou um juiz de futebol de “Paraíba”. Recebeu o desafio de um trabalhador (nordestino) da construção civil carioca: “Eu queria vê-lo dizer “Paraíba” aqui nessa obra”.

Benito Juárez
É verdade, antes havia respeito ao direito alheio significando a paz (B. Juarez, foto), mas hoje, é tudo consumo, mercadoria e não há valor em nada que não tenha preço. E até a blasfêmia é usada como arte, cultura e direito.

O pior é que as notícias vão e vem sem nenhum acumulo cívico, educacional ou riqueza moral.

Antes os agrotóxicos eram tecnologia militar deslocada para a agricultura para subsidiar a corrida armamentista embora obsoleta, mas os valores que eles representam podem ser percebidos quando o país passa a ser o primeiro consumidor do mundo em 2004, no governo de quem? O estranho é que todas as audiências no congresso nacional, requerimentos na MPF e ações públicas de seus correligionários foram para as calendas gregas. Os exemplos dos EUA em capacitação e treinamento de agricultores baseados nas normas da EPA ou da Diretiva Comunitária 414/91 da União Européia jamais foram aplicados, no entanto ONGs para-partidárias enriqueceram nesse mesmo período pregando uma agricultura sem venenos, que outro renomado cientista afirmou ser coisa de duendes, sereias e boitatás.

O amigo Dr. Joel Filártiga está apavorado com o meio bilhão de litros de Glyphoste usados no mundo. Há muitos que afirmam que a doença celíaca (Intolerância ao Glúten) (foto) é provocada pelo Glyphosate e outros dizem que os “obesógenos” são disparados pelos agrotóxicos.


A Monsanto diz que seu herbicida foi inventado por seu cientista John Franz, que está no Hall da Fama, no entanto a molécula de Glyphosate tem patentes industriais anteriores à Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, Áustria e Hungria. Ele era patenteado como um poderoso agente quelatizador de minerais (sequestrador de minerais no ambiente, alimentos, água, etc.).

Se eu perguntasse para um estudante secundário europeu ou asiático os riscos e perigos do uso desse agente quelatizador na agricultura, em um trabalho de grupo orientado, por um período de quatro horas, se obteria um resultado de excelente qualidade. No entanto, nas universidades nos cursos de Biologia, Nutrição, Agronomia e Veterinária na América Latina é impossível fazer entender ao professor dos agronegócios o porquê as plantas adventícias Buva (Conyza bonariensis); Cardo Estrela Amarela (Centaurea diffusa, C. soltistialis) dentre outras, infestam os milhões de hectares de campos onde se usam aquele herbicida. Estas plantas adventícias como muitas outras possuem em seu metabolismo secundário mecanismos de acumulo de micronutrientes (oligoelementos) e elementos traços e sub-traços que a sua vez podem bloquear a toxicidade daquele herbicida (8-Hidroxiquinoleína). Ao mesmo tempo em que nos cultivos (soja, trigo, milho, arroz, feijão etc.) por não haver mecanismos similares as plantas ficam carentes desses elementos estratégicos, entre eles as Terras Raras resultando na “fome oculta” (Hidden Hunger), postado ano passado e cria a corrida para os alimentos de grife para os que podem pagar mais, enquanto a ignorância permanece exponencial através dos alimentos escassos, erodidos em minerais e outros nutrientes.

Em certos países se está acelerando a maturação e secagem de grãos para facilitar a colheita em condições climáticas adversas. O desequilíbrio nesses cultivos leva à formação e incremento de micotoxinas (vomitoxina), que proíbe o consumo animal desse grão no país, mas não o impede de que seja vendido para países pobres da África, sob a alegação que o comprador é responsável pela qualidade do que adquire (Folha de São Paulo de 23 de Dezembro de 2014).

Voltando ao vitupério do “Animal”: - Essa liberdade de expressão (expressa+ ação) é igual ou diferente das dezenas de degolados, explodidos, chacinados, estuprados e outros diuturnamente mostrados em nossos lares?


Não é necessário explicar que os agrotóxicos na época da ditadura civil-militar eram objetos na luta pela cidadania. Hoje eles são sujeitos de terror, alienação, medo e conformismo do consumidor vítima da Eugenia Mercantil do Império

Edição Oliver Blanco
Sebastião Pinheiro, pelo 'facebook'

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"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

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