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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Um pentelho feminino é mais forte que uma junta de bois

Tree Woman by Shoshanah Dubiner
por Sebastião Pinheiro

Em 1983 um lindo “caga-cebo”, que no sul é conhecido como cebinho ou cambacita (Coereba flaveola) fez seu ninho a dois metros da janela de meu apartamento. O síndico disse que ia cortar o pé de araçá vermelho (Psidium longipetiolatum), mas eu o alertei sobre o ninho do pássaro e legislação ambiental. Quando retornei das férias a árvore havia sido cortada e o ninho com filhotes destruído. Registrei denúncia na Secretaria Municipal do Meio Ambiente e o condomínio foi multado em quase mil dólares. Aceitei pagar minha parte, se fosse apresentada a ata com a autorização do corte e licença do órgão municipal. Como não havia, o síndico arcou com sua irresponsabilidade e crime sabendo que eu fora o denunciante. O mais estranho é que o síndico era um fervoroso religioso (“pai de santo”).
Quinze anos depois outro “cebinho” realizava seu primeiro vôo acompanhado de seus pais às sete e meia da manhã na calçada da Av. Ipiranga, 3330 em Porto Alegre. Voava em minha direção. Percebendo suas dificuldades estendi o dedo indicador dobrado para o apoio. O esbaforido pousou e arfando ficou uns três minutos se recuperando de sua proeza para desespero de seus pais que voavam trinando ao meu redor entre orgulho e desconfiança. Transeuntes e transito estatelados.
Mas porque estou me lembrando disto? O tempo passou. No único arbusto na “reserva florestal de meu castelo de verão” no Balneário Pinhal, a um metro da varanda outro casal de “cebinhos” está construindo seu ninho (foto), embora o verão esteja terminando.
Mas quem vai se preocupar com ninhos ou cebinhos, quando há o Best Sellers transformado em filme “50 tons de cinza? Em ótica o preto significa ausência de cor enquanto o branco a somatória de todas as cores. O olho humano precisa de muito treino para poder perceber mais de quinze diferentes tons de cinza, mas qual é a mensagem implícita do livro/filme? No Ocidente diferente do Oriente “res cogitans” e “res extensa” foram separadas com Descartes; e graduar tonalidades de “poder” e “espiritualidade” entre preto e branco com fins consumistas soa a enfermidade.
Na infância adorava receber “passes” tanto xintoístas, quanto cardeccistas ou umbandistas. Depois aprendi que as terapias alternativas reconhecidas pela OMS está o Reiki usa energia ativada por um campo magnético humano sobre outro. E a “Limpia” com ervas e plantas medicinais utilizam a energia da natureza também são aprovadas por aquele organismo e cada povo usa o que tem, mas quem sabe pode combinar: 

O Agüariguay - Pirul (Schinus molle), inca, asteca, mapuche; A goiaba serrana (Feijoa sellowiana), guarani; A Jurubeba (Solanum paniculatum), africana; O fruto da Toona ciliata, da Oceania; A goiaba (Psidium guayabo) maia; O hibisco (Hibiscus rosae-chinensis) da Polinésia; O alecrim (Rosmarinum officinale), celta; A rosa (Rosa sp.) egípcio-greco-romano e por fim a pimenta Bhut Jolokia híbrida (C. chhinensis x C. frutecens), da Ásia (Bhutão) para restaurar níveis ideais de energia em cada um dos nove orifícios do corpo.

Quem estuda os “florais” sabe da concentração e transformação da energia desde os
seres primitivos de 3,8 bilhões de anos até o surgimento das primeiras plantas com flores há aproximadamente 175 milhões de anos resultado da evolução reprodutiva e sua extensão no tratamento e cura dos seres humanos e animais. O renomado professor Lorenzo Parodi ensinava aos seus alunos que a flor é a parte da planta com perfeição e amor, sendo as orquídeas as mais evoluídas por transformar menos energia em sua reprodução, por tal um símbolo. Entre as orquídeas destaca-se a baunilha Vanilla sp. (foto), que é cultuada e cultivada pelos Maias e pelo amor das vovós quituteiras há mais de dois mil e quinze anos. É triste ver o marketing alienante impor o consumo de “50 tons de cinza...” como se fosse liberdade ou cultura.
Na limpeza espiritual, a percepção pelos órgãos de sentido da energia (fluído) dos ramos floridos em movimento sobre o corpo transforma a energia negativa com meneios: circular, infinito, Oroborus ou anel de Moebius significando o renascer energético que ativa o campo eletromagnético do indivíduo, família e sociedade dentro e fora do corpo e espírito, o que é res extensa.
Observando o diligente cebinho recordei do “leite de pombo”, alimento elaborado no organismo da mãe sob influência de enzimas e microrganismos indispensável para o crescimento, desenvolvimento e evolução do filhote trazido até nós no extremo ultrassocial desde os micróbios, peixes, répteis e aves. Lembre, a cor de nossos olhos é herança de microorganismos primitivos, que tantos problemas raciais causam por relações de poder.
Não só a cor dos olhos, também, muitas mulheres foram acusadas de bruxas, dominadas, subjugadas, torturadas e mortas pelo medo de desvirtuar o interesse do poder, que nunca teve cor, nem fé.
Em quase todas as teses, dissertações e monografias acadêmicas que leio há o rito de agradecimento, “primeiro a Deus...”. Esse arraigo soa estranho, atribuir maior importância à crença, relegando a um segundo plano a fé na vida que permite admirar a infinita beleza que há no Universo. O “Discurso do Método” é útil nas relações de poder, mas insuficiente nas relações de vida, e perde vigência dia a dia.

O que é mais fantástico? O Sol, uma Bomba de Hidrogênio gigantesca ou o insignificante micróbio que domou sua energia radiante e realizou a fotossíntese, produziu o Oxigênio atmosférico ou a matéria orgânica com Nitrogênio, Enxofre e Carbono fermentescível para o renascimento da vida, fertilidade infinita do solo (Húmus) e transformação de um planeta.

O amigo R. Schmidt sempre lembra o “Ponto de Mutação” de F. Kapra, pelo que comparamos: - A fissão de um ou fusão de dois átomos liberam quantidades gigantescas de energia, porém insignificantes se comparadas à energia de união de duas células para dar origem a uma nova vida, onde a variação de tons é tão infinita quanto os anseios de evolução da humanidade. Talvez por isso o folclore rio-platense recomende: “Un pelo de concha tira más que una yunta de bueyes” (Um pentelho feminino é mais forte que uma junta de bois).
A vida esconde mistérios tão impressionantes quanto às obras de Newton, Einstein, Hawking, Freud e outros, temidos por ameaçar as estruturas de poder, pelo que a fé se torna sujeito (“ideológico”) enquanto a espiritualidade é tratada como perigoso objeto, que o poder se empenha em transformar em mercadoria para gerar riqueza e alienação.
No final da década de 70 o filme japonês “Império dos Sentidos” era induzido da mesma forma na ditadura.

Vale à pena esperar os filhotes do “cebinho”, sua criação, primeiros vôos e trinados de seu canto de liberdade, pois é o mistério da evolução da Vida. Preparar e aplicar “limpias” que impeçam que a vida e espiritualidade sejam relegadas a vários tons de mercadoria, pois como disse o poeta Quintana: “Eles passarão, eu passarinho”.

fonte: facebook 


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