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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

terça-feira, 14 de março de 2017

Terra sem males

Indígena Guarani Kaiowa, sul do Brasil, 1949, © Egon Schaden


Bartomeu Meliá -
é um jesuíta e antropólogo espanhol.

“Singular e assombroso o destino de um povo como os Guarani! Marginalizados e periféricos, nos obrigam a pensar sem fronteiras Tidos como parcialidades, desafiam a totalidade do sistema. Reduzidos, reclamam cada dia espaços de liberdade sem limites Pequenos, exigem ser pensados com grandeza. São aqueles primitivos cujo centro de gravitação já está no futuro. Minorias, que estão presentes na maior parte do mundo.”

Foto: Júlio Cesar Carignano
A busca da chamada Terra Sem Mal é uma constante no jeito de ser e da concepção de mundo do povo Guarani. É um lugar intocado onde não existe nem rivalidades, violência e falta de reciprocidade. Um espaço mítico onde o teko porã (“bom proceder”) predomina em relação ao teko marã (“mal proceder”) e o mba’e meguã (“coisa má”) simplesmente inexiste.

Esta inspiração divina é que faz com que os povos Guarani sigam lutando por suas terras, por seus direitos e por seu modo de ser, uma caminhada que contrasta com o nosso triste universo permeado de cercas, propriedades privadas e onde tudo se converte em mercadoria. Inclusive a própria terra, algo inconcebível para a perspectiva das comunidades Guarani. A busca da Yvyv Marã’y segue sendo a mola propulsora da vitalidade da cultura Guarani, como uma espécie de utopia ancestral, que como já nos ensinou Galeano, tem como objetivo nos colocar a caminho.

Que sigamos caminhando inspirados nesta utopia indígena e façamos da luta pela Terra Sem Males nossa luta de cada dia!

Paulo Porto Borges, professor universitário, indigenista, fotógrafo documental e vereador em Cascavel-PR.


fonte: Terra sem males - jornalismo independente
 


“Três viajantes percorrem o caminho que os liga ao passado de suas origens. A aventura acontece nas ruínas das Missões Jesuíticas no Paraguai, Argentina e Brasil. Construídas entre os séculos XVII e XVII, hoje são Patrimônio da Humanidade. A região foi palco da guerra entre os índios missioneiros contra Portugal e Espanha pela defesa da TERRA SEM MALES. A Guerra Guaranítica dizimou a população indígena das Missões e definiu a fonteira sul do Brasil, nesse que foi um dos episódios mais sangrentos da história da América Latina.”

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