"

'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Ambiente ultrassocial

..da agriCultura ao futebol

por Sebastião Pinheiro*

No mundo ultrassocial da propina é tempo de “Copa América”. Os anfitriões chilenos, então injuriados com a trave do Mineirão se assustaram com a sua balançada pelo Equador. Perdoem moro em uma cidade muito politizada com mais de cinco horas diária de programas futebolísticos nas rádios e não houve uma palavra sequer, suspicaz sobre a interferência norte-americana na FIFA quando meia dúzia de larápios cucarachas latino-americanos receberam uma chinelada por vontade e ordem da justiça dos Estados Unidos, arauto da honestidade ultrassocial e caráter sem jaça. Não estranhei que europeus ou norte-americanos tenha sido excluídos da troupe por “mais iguais”.
Futebol é coisa tão séria que na seleção yankee quinze jogadores falam melhor o alemão que o inglês. Será que no esporte, igual que na corrida “espacial e guerra fria”, a disputa será travada no Lebensraum ultrassocial germânico? Por outro lado, pobre povo russo, igualzinho em 1980 quando gastaram os tubos com a Olimpíada e tiveram o “boicott” financeiro-ideológico, mas não podiam impedir a prefeitura de Los Angeles de receber a bandeira e a chama para a próxima Olimpíada pela Sociabilidade.
Os holandeses jogam bom futebol, mas o príncipe Bernhard marido da Rainha Juliana foi convidado a “beber em celebração” à Lockheed e na empresa yankee não houve punição para nenhum CEO pelo suborno. Aliás, pela amplitude e envergadura mundial dos subornos da Lockheed era coisa bem acima da autonomia de vôo do Departamento de Estado, veja na wikipedia...
Sendo propinas & futebol coisas sérias, para esquentar os tamborins garanto que vocês não sabem quem foi Quirino Cristiani, nem nosso compatriota equivalente Anélio Latini Filho. Não, não são nomes de jogadores de futebol ou subornadores de empreiteiras ou FIFA. O primeiro é argentino e foi o autor do primeiro filme longa metragem de animação “El Apostol” em 1917 e novamente bateu o recorde com o primeiro longa metragem de animação sonorizado em 1931. Já o Anélio é nosso compatriota carioca e realizou outra proeza de igual magnitude, pois sozinho durante cinco anos (1948 a 1953) fez o primeiro longa metragem nacional “Sinfonia Amazônica”, de fantástica beleza.
O triste é que isso não é ensinado na escola nem aqui, nem lá pela mesma razão que os jogadores da seleção yankee mal falam o idioma nacional e a TV não mostra o que não lhe interessa.
Não só na educação, mas na agricultura passou o mesmo. Muitos não sabem, mas lentes e águias em edafologia/pedologia da velha escola francesa, austro-húngara ou russa foram de fenestrados das universidades e substituídos por jovens que foram aprender a ciência do “solo suporte inerte das raízes” nos EUA, onde o ludopédio e apelidado de “Soccer”.
O tempo passou e eles já terminaram seu ciclo ou senis gozam de aposentadoria, mas seus filhotes ou “peixinhos” [O termo “peixinho”, segundo o dicionário Michaelis significa: Pessoa que se sente protegida por outra, influente, e que, por isso, goza de certos privilégios.], agora retornam e assumem a nova realidade pós-moderna, onde o que era “moderno” se transformou em “agronegócios” e o espelho “alternativo” em “agroecologia” embora quase nada tenha mudado além do discurso e alienação, contudo alguma ressonância mórfica resiste enquanto todo o Carbono, Nitrogênio e Enxofre acumulado no solo agrícola desvaneceram-se nos gases do Efeito Estufa e Ameaça de Mudança Climática.
Ao que José Arguelles em seu livro Manifesto pela Noosfera... (2011) consolida:
- Vladimir Vernadsky - "A evolução tem fases ou etapas: A evolução geológica ou geosfera; a Biosfera ou evolução biológica e a noosfera ou evolução da consciência universal”;
- Teilhard de Chardin - “A Noosfera é o espaço virtual em que o nascimento da psique (noogênese) é o lugar onde ocorrem todos os fenômenos patológicos e normais - do pensamento e inteligência”. Ao dizer: “A noosfera - literalmente "esfera da mente" ou camada mental da Terra - é uma palavra e um conceito cunhado em conjunto por Jules le Roi, filósofo francês e estudante de Henri Bergson, o jesuíta paleontólogo Pierre Teilhard de Chardin e geoquímico russo, Vladimir Vernadsky, em Paris, em 1926. Na raiz da definição primária da noosfera há a percepção dual: de que a vida na Terra é uma unidade que constitui todo um sistema inteiro conhecido como Biosfera; e que a mente ou a consciência da vida como todo um sistema vivo - a camada de pensamento na Terra - é uma unidade que é descontínua, mas a mesma extensão que todo o sistema da vida na Terra, incluindo seus sistemas de suporte inorgânicos. Uma terceira premissa crucial que emerge a partir dos dois primeiros é que a noosfera define a próxima fase inevitável da evolução terrestre, que transformará a Biosfera.
Como observado por Gowdy, a "ultrasocialidade é um resultado evolutivo, e a evolução não consegue enxergar adiante”.
Cromatografia do Solo
No entanto, em nome do amor à natureza ou da governança mundial sustentável, grandes financistas e suas corporações se apropriam da energia dos sonhos e esperanças para promover o gigantismo de suas empresas, assim adquirem as cooperativas & empresas de interesse público (“PBC” ou “B”) criadas para humanizar, sociabilizar e “higienizar” a produção de alimentos e qualidade de vida. É o que faz Coca-Cola, PepsiCo, Nestlé, Danone, Cargill, Kellog’s e algumas outras. E foi assim que a pioneira Cooperativa Ecológica Coolméia foi fechada pela corrupção aliada ao ódio militante despido de visão pedagógica e cidadã, que oblitera a possibilidade de ver o "nimbus" (aura) e glória da vida em um cromatograma do microcosmo do solo.
Para aproximar a ressonância mórfica e entender a coluna/garrafa de Sergei Winogradsky do final do Século XIX e início do XX na Suíça (onde seguramente influenciou os estudos de microbiologia do químico E. Pfeiffer e a Dinamólisis de Kolisko para a construção do holograma (na parte está representado o todo) do solo vivo.
Coluna/garrafa de Sergei Winogradsky
Pela foto é fácil ver que amostras extraídas do mesmo prato teórico da coluna/garrafa e realizado seu cromatograma mostra as grandes variações no cromatograma acima ou abaixo indicando as alterações dinâmicas nos ciclos biogeoquímicos (C, N, S, M.O. Fe, etc.) no ambiente daquele prato teórico. Logo, através do seu metabolismo e autopoiese o crescimento e desenvolvimento continuo da fertilidade do solo vivo, capaz de absorver grande parte do C, N, S e outros gases do Efeito Estufa que ameaçam a Mudança Climática, mas não interessa ao poder central ou periférico, pois contraria todo o modelo atual de sustentabilidade bancária sem moral ou ética que lucra 9 bilhões de dólares ano importante para o monopólio da indústria de agri-arma-limentos.
O estudante ficou feliz em poder ler “A Máfia dos Agrotóxicos e a Agricultura Ecológica” escrito nos anos 80, mas de lá para cá discursos, propagandas, firulas dia a dia ganham espaço no denominado “período de transição” dando sobrevida às práticas incoerentes: Secado e Incineração de amostras de solo misturadas para determinar sua vitalidade, que somente serve para garantir a comercialização compulsória de fertilizantes químicos e manter o status quo do império.
Quando enxergo adiante penso no “Sinfonia Amazônica” com um fundo da Cantata Profana, Mandu Çarará de Heitor Villa-Lobos e logo percebo além do "nimbus" (aura) e glória do cromatograma da vida no microcosmo do solo a ressonância moral com seus raios éticos.

Sim, o ambiente faz a gente...

*Engenheiro Agrônomo e Florestal, ambientalista e escritor. (publicação original em sua página do facebook)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...