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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Violências dissecadas, que venha 2016


por Sebastião Pinheiro

"O período é de festas religiosas para muitos e passagem no registro do tempo para todos. Convida à reflexão, felicitações, perdão e, principalmente, esperança no futuro, mas entornou o caldo, chutei o balde. Não dá mais para aguentar, mesmo para um pacifista e equilibrado. Tudo tem limite, a violência está demais.
Toda manhã leio o UOL, e disciplinadamente aprecio os comentários nas matérias da F de SP, para sentir como andam as coisas pelo externar de opiniões. Não há adjetivo suficiente para o grau de intolerância –desfaçatez - ignorância estampados nos comentários, na grande maioria de “leitores” do meio de comunicação mais festejado do país. Por que todo esse ódio? O que está acontecendo? Será a resposta instantânea, explosiva, sem discernimento ou reflexão da mídia eletrônica? Não sejam ingênuos, não pensem que as pessoas não sabem mais contar até dez. Tudo é muito bem calculado e os comentários permitem organizar a gestão social do rebanho: Público, Privado e outros, através de análises estatísticas simples com amostras estratificadas em universos seletivos no interesse do “poder” impondo interesses financeiros atendendo ao poder imperial e seus cônsules. Na periferia, antigamente havia a escassez e até ausência do Estado para o exercício da cidadania por todos. Algo que hoje está tão central, que são poucos os Estados Nacionais que resistem, ainda por algum tempo, pois tudo é alcançado não mais por políticas públicas e educação, mas agora somente permitido através do comércio no mercado e unicamente para consumo.
Para esse poder é melhor alcançar toda e qualquer transformação por meio de suborno, prostituição, corrupção do que através de educação, saneamento, infraestrutura, pois toda lei, norma, regra é um instrumento educacional que esbarra em resistência étnica, cultural, idiossincrática e religiosa, que retardam os objetivos desejados e premeditados pelo poder que deseja ser único e imperial. Eis alguns exemplos:
1) Na primeira vez que ouvi falar do vírus Zika na TV nacional há aproximadamente um ano, a autoridade sanitária federal dizia que não era para preocupar-se que eram manchinhas na pele e uma coceirinha que em 15 dias desapareciam. Ninguém cobra do canalha inconsequente e incompetente que deu um sinal de tranquilidade, quando já dois anos antes na Polinésia Francesa uma deputada anunciava que mais de 40 mil pessoas tinham sido infectadas com diversas e severas sequelas. Hoje há um estranho ufanismo com a “descoberta” da microcefalia, mas não se tempera o seu significado macabro. Em 1900, Oswaldo Cruz desinfetou a cidade do Rio de Janeiro e exterminou a Febre Amarela urbana e o mosquito da dengue sem as tecnologias que dispomos hoje, pela ação sanitarista (franco germânica). Há 40 anos um estudante de agronomia em Seropédica a 42 Km do Rio de Janeiro identificou larvas do mosquito da dengue e levou para a Universidade Rural. O que foi feito por parte do Estado? O “Fumacê” passou a ser cantado em prosa, verso e troça sem parar a expansão do mosquito ligada as más condições de saneamento básico. É que Oswaldo Cruz eliminou as causas através de saneamento e o fumacê combate os efeitos. Verbi gratia seu contencioso com a elite do Colégio Militar do Realengo, que não era somente pela vacinação. Hoje ele é endêmico assim como a Febre Amarela voltou a urbanizar-se em zona de turismo internacional, pois o negócio é consumir veneno e não privilegiar o saneamento básico e estratégico. Há denuncias que o recurso para comprar o veneno de controle foi desviado para campanha política. Porta arrombada, o “Plim Plim” passou a recomendar que o mosquito não pode nascer, como se o crime fosse da natureza e não da ação humana inepta. Estranho, onde chove a cada quinze dias é possível ter eficiência que uma endemia requer, sem a educação de um padrão industrial ou pós-industrial? Por que será que a escola do Dr. Oswaldo não vingou no Brasil, América Latina e Africa?
2) A merenda escolar é bandeira de salvação da infância na escola (pública) e tem gente altruísta com alteridade intelectual, que afirma ser a solução social, pois é a única refeição de muitas crianças. Desvirtuando que escola é lugar de aprender e não de comer, logo algo está errado antes da escola; “Pública” está entre parênteses, pois o significado de público é para todos, o que não acontece na grande maioria dos países e menos ainda no nosso, onde os governantes pensam que estão concedendo alforria e não um direito pétreo cidadão. O duro é escutar a idiotice que diz estamos a cada dia melhor jogando o a solução para as calendas gregas. A questão é clara, um famélico não aprende, mas qual é o aprendizado de alguém depois de comer a única refeição? Isso é mais uma tortura fisiológica que docência; Nesse contexto, a propaganda de merenda escolar orgânica é indecente.
3) Quanto à saúde, o pobre SUS está transformado em distribuição de medicamentos (contrariando às empresas de comunicação com interesses nas participações e previdência privada) e não há fomento à saúde através do saneamento, nutrição e prevenção total. Todos hospitais foram transformados em Pronto Socorre para onde acorre levas de desesperados por vontade própria, sem os protocolos de triagem hierárquicos de atendimento eficiente como em todos os países onde o Estado existia, e agora resiste ao comercio de saúde. O termo “cirurgia eletiva” permite entender o desmazelo e negócio que endivida os sistemas previdenciários. Há 50 anos somos o maior consumidor de cesarianas do mundo, embora sejamos esculturalmente reconhecidos pelos “ilíacos e sacro” (glúteos). Sim minha gente somos pentaicosacampeão nos negócios das cesarianas;
4) Milhões de dólares são gastos por agentes de propaganda política oficial em Campanhas Permanentes contra agrotóxicos/transgênicos, enquanto eles batem todos os recordes mundiais de consumo sem que possa haver fiscalização, controle e educação para o agricultor, custando o tratamento das intoxicações uma parcela significativa nos gastos em saúde pública, pois é lucrativo para uma burocracia que se locupleta através de coimas e disfarça a inoperância e subjugo aos interesses corporativos internacionais.
Estes quatro exemplos se consolidam em um só: VIOLÊNCIA IDEOLÓGICA. Ela, hoje é o vetor principal do poder, mas nunca apresentada como tal e quando ocorre sua clarividência, muitas vezes atinge o alvo errado. O exemplo pode parecer hilário, mas é trágico sem ser macabro. Em 1959 os revolucionários cubanos proibiram o uso do saxofone acreditando ser ele um símbolo norte-americano, mas esse instrumento musical do século XVIII é de origem belga, embora muito executado nos ritmos ianques nos Cabarés e Cassinos da ilha de lavagem de dinheiro.
A violência de sua proibição sequer abriu uma fresta nas reflexões e comportamentos revolucionárias durante um bom tempo pela falta de ambiente para contradizer a ignorância e ódio. É dramático quando o passado e memória não ensinam, o que é mais facilmente notado nas periferias, onde o ódio é mais explosivo e mortal pela carência de escola e ambiente social. No Brasil algo ocorreu com a capoeira, principalmente na Bahia e Rio de Janeiro.
Fico chocado quando amigos chamam minhas observações de sarcásticas ou irônicas, pois o que para eles é violência para mim fica em plano inferior. Ao mesmo tempo em que o quem eu considero violência eles ignoram. É necessário desmistificar este engano dissecando a violência como vetor, meio, direção, sentido e fim do que o jornalista (filósofo) mexicano Javier Esteinou Madrid chamou de “Estado Híbrido do Século XXI” e nós nos atrevemos a antever como uma estação à Eugenia, preparatória do Estado Totalitário Mundial.
O francês Alexis Carrel, Prêmio Nobel de Medicina em 1912 e bolsista da Fundação Rockefeller no último capítulo de seu livro: “O homem este desconhecido” de 1935 aborda a necessidade da Eugenia. Ela foi amplamente aplicada como política social de saúde pública na Europa, América do Norte e teve até mesmo seguidores na América Latina e Brasil no início do Século 20, mas o Estado Nacional atrapalhava seu êxito. Agora, o Estado Transitório permite perceber o amadurecimento do mercado e por si só tem condições de alcançar os objetivos de forma lucrativa.
- Há 20 anos os agricultores franceses (paysans = camponeses) foram às cidades, estradas e enfrentamentos contra o Agrobusiness (PAC) por direitos, antevendo as ameaças eugenistas contra seu biopoder;
- Nos EUA nos últimos 10 anos mais afrodescendentes foram assassinados pela polícia norte-americana que nas décadas anteriores. Logo é violência estrutural, sistêmica.
- A roubalheira de dinheiro público e privado (FIFA) antes permitida pela necessidade hegemônica na bilateralidade, agora é reprimida pela violência ideológica do sistema financeiro imperial;
- A violência cretina de criminosos “pés de chinelo” ou “paramilitares” e terroristas, é apresentada na TV com cenas escatológicas, como ação religiosa, insultando nossa inteligência. Da mesma forma as das Cruzadas dos séculos IX a XI não são apresentados como uma blasfêmia ou o sistema de torturas da Igreja (Inquisição) não fosse uma obra religiosa. O poder exerce o monopólio da violência ideológica e a distribui na educação como propagandda;
- A cena na TV do fecho à caçada ao ex-aliado e terrorista Bin Laden acompanhada desde a Casa Branca, comemorado com vivas e aplausos de forma macabra e insana. Ou o ataque de “drones” a uma residência e morte 30 pessoas para matar um revoltado criminoso inglês, até o apelido dado tem conotação política (Jihad John). É primário que o Estado e Governo não permitem comportamento pessoal pelo respeito à todos. Toda democracia se divide em três poderes e um deles não pode usar de violência para substituir os outros, pois isso é ditadura. O atentado em Paris foi realizado pelos mesmos rebeldes psicopatas franceses e belgas. Uma resposta esperada que permite e respalda o uso de mais violência para a construção do amanhã eugenista totalitário;
- O Estado de Israel indica como seu embaixador um eugenista (organizador da expulsão e colonização de propriedades palestinas) e os meios de comunicação não sabem ou não podem ler a agressão violenta, que expõe a inépcia governamental sem que a cidadania tome conhecimento e participe da discussão, embora os lemas sejam “Pátria Educadora” e “Brasil de Todos”. Somos um dos países onde as duas comunidades convivem, compartilham e se respeitam lado a lado sem qualquer problema integrados à nação. Isso para a ideologia imperial é subversão: Não pode haver paz ou concórdia, usa-se todo tipo de violência para criar ódio e negócios rentáveis.
Permitam-me a comparação da indicação do embaixador com a transformação pelo exército japonês na Coreia entre 1910 e 1945 de 200 mil mulheres em prostitutas. O reconhecimento do crime, o pagamento pecuniário não é indulgencia que abole a violência e culpa.

Os quatro exemplos anteriores e as minhas violências dissecadas trazem as mesmas cores dos cavalos apocalípticos e seu significado conforme o quadro de V. Vanestsov (1887) (foto acima) pelo que a “Jolie Rouge” da Juquira Candiru chora sangue, mas não arrefece no combate ideológico: Feliz Ano Novo."

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"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

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