"

"Harmonizo meus pensamentos para criar com a visão". "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível".

quinta-feira, 6 de março de 2014

O regresso à terra por Vandana Shiva





Vandana e Stédile no III Encontro Internacional de
 Agroecologia, Botucatu - SP - Brasil
Vandana Shiva (Dehradun, 5 de novembro de 1952) é uma física, ecofeminista e ativista ambiental da Índia.
Na década de 1970, participou daquele que ficou conhecido como o Movimento das Mulheres de Chipko, formado em sua maioria por mulheres que adotaram a tática de se amarrar às árvores para impedir sua derrubada e o despejo de lixo atômico na região. Uma das líderes do International Forum on Globalization, Shiva ganhou o Right Livelihood Award em 1993, considerado uma versão alternativa do Prêmio Nobel da Paz.
Ela é diretora da Research Foundation for Science, Technology, and Ecology, em Nova Déli, segundo ela "um nome muito longo para um objetivo muito humilde, que é o de colocar a pesquisa efetivamente a serviço dos movimentos populares e rurais, e não apenas fazer de conta que estamos ajudando-os". Shiva é autora de inúmeros livros, entre os quais The Violence of the Green Revolution (1992), Stolen Harvest: The Hijacking of the Global Food Supply (2000), Biopirataria: a pilhagem da natureza e do conhecimento (Vozes, 2001), Protect or Plunder? Understanding Intellectual Property Rights(2002), Monoculturas da mente (Global, 2004), Guerras por água (Radical Livros, 2006).
Shiva é figura de destaque no movimento anti-globalização e consultora para questões ambientais da Third World Network. Entre suas atividades mais recentes, incluem-se iniciativas de ampla divulgação para a preservação das florestas da Índia, luta em favor das sementes como patrimônio da humanidade e programas sobre biodiversidade dirigidos a diferentes coletividades, além de pesquisas para o desenvolvimento de uma nova estrutura legal para os direitos de propriedade coletivos, como alternativa para os sistemas de direitos de propriedade intelectual atualmente em vigor.
Antes de se dedicar integralmente ao ativismo político, às causas feministas e à defesa do meio ambiente, Shiva foi uma das principais físicas da Índia.
Fonte: Wikipédia

terça-feira, 4 de março de 2014

O triste fim do Córrego Fortuninha em Assis (SP) II

Isto é de uma consciência cidadã...

Carnaval e eu pensando. Pensando na natureza. Pois é, fui rever um local que há pouco me preocupava quando residia em Assis. Fiquei surpreso ao ver cercas, placas e o inicio de uma intervenção ambiental: um pequeno plantio de árvores.


Como estava antes quando dei voz às imagens e as imagens olhar aos cidadãos de Assis, neste post:


Agradeço muito essa atitude. Agradeço a todos e todas que lutam por um bem-estar maior de nossas cidades.

Notícia sobre o fechamento _aqui_






...o problema do lixo é anualmente acumulado nas costas de gestores públicos. Não há saída para seus munícipes geradores de lixo, sendo estes, os mesmos a dar a mínima para o seu destino. Nem ao menos separam o orgânico, reciclam (?).

O problema do lixo não é só da prefeitura caro, cara, cidadão, cidadã... é de todos e todas! Não é um problema de investimentos, obras e tal, e sim de ATITUDE. Assis chegou a um ponto cuja única maneira de reverter essa situação é através da mobilidade de seus moradores!

Assis não tem só esse local ruim...

Aterro de lixo não doméstico é interditado em Assis

ONG "CIDADANIA EM ASSIS" ENTREGA, AO SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DE SÃO PAULO, BRUNO COVAS, RELATÓRIO SOBRE A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL EM OITO APPs  URBANAS DE ASSIS/SP


domingo, 2 de março de 2014

AGROFLORESTA

Aprendendo a Produzir com a Natureza




por Walter Steenbock e Fabiane Machado Vezzani - Ilustrações de Claudio Leme


APRESENTAÇÃO

Em  uma  definição  ampla,  sistemas  agroflorestais  (SAFs)  são  combinações do elemento arbóreo com herbáceas e/ou animais, organizados no espaço e/ou no tempo.

A legislação brasileira, em diferentes instrumentos legais (Brasil, 2009 Brasil, 2011), tem definido sistemas agroflorestais como “sistemas de uso e ocupação do solo em que plantas  lenhosas perenes são manejadas em associação com plantas herbáceas, arbustivas, arbóreas, culturas agrícolas forrageiras  em  uma mesma  unidade  de manejo,  de  acordo  com  arranjo espacial e  temporal, com alta diversidade de espécies e  interações entre estes componentes”.

Quando caracterizados pela alta diversidade de espécies e pela ocupação vertical de diversos estratos, os sistemas agroflorestais são comumente chamados, na literatura, de sistemas agroflorestais multiestrata (Angel-Pérez & Mendoza, 2004; Benjamin et al., 2001; Caja-Giron & Sinclair, 2001 Staver et al., 2001; Granados, 2005; Silveira, 2005; Holguin et al., 2007).

Muito embora diferentes definições de sistemas agroflorestais caracterizem estas áreas, grosso modo, como consórcios entre árvores e culturas agrícolas, é relevante destacar, nestes sistemas, o cuidado com o manejo da  luminosidade, da produtividade primária, da sucessão natural, da reciclagem de nutrientes e das relações ecológicas.

Em outras palavras, mais do que  identificar os  componentes de uma agrofloresta – árvores, arbustos e culturas agrícolas –, é importante caracterizar que intervenções ou práticas de manejo estão por trás dessa estrutura. Mal comparando, pode-se caracterizar uma praça como um loca que contém brinquedos infantis, como escorregador, balanço e gangorra. Entretanto,  são as  crianças balançando nos balanços, brincando na areia, rodando com o avô, jogando bola, subindo ou descendo do escorregador ou andando de bicicleta que fazem a praça.

De forma análoga, caso não considerarmos os elementos definidores da estrutura agroflorestal, corremos o risco de manter a mesma lógica produtiva da artificialização de agroecossistemas, comum na agricultura convencional, para a produção agroflorestal.

Na agrofloresta, não se trata de artificializar as condições para a germinação e crescimento das espécies de interesse, mas de potencializar os processos naturais para a otimização da produção, tanto das espécies de interesse quanto da biodiversidade como um todo. É justamente nessa diferença de orientação do processo produtivo que a prática agroflorestal pode contribuir para a sustentabilidade da produção de alimentos.


Para Götsch (1995), “os sistemas agroflorestais, conduzidos sob o fundamento agroecológico,  transcendem qualquer modelo pronto e sugerem sustentabilidade por partir de conceitos básicos fundamentais, aproveitando os conhecimentos locais e desenhando sistemas adaptados para o potencial natural do lugar”. A partir dessa definição, Götsch (1995) propõe que “uma intervenção é sustentável se o balanço de energia complexificada e devida é positivo, tanto no subsistema em que essa intervenção foi realizada quanto no sistema inteiro, isto é, no macrorganismo planeta Terra; sustentabilidade mesmo  só  será  alcançada  quando  tivermos  agroecossistemas parecidos na sua forma, estrutura e dinâmica ao ecossistema natural e original do lugar da intervenção (...)”.

Esta concepção se mescla ao pensamento contemporâneo de conservação ambiental, que vem assumindo cada vez mais a importância do uso sustentável da biodiversidade como paradigma e, neste paradigma, o envolvimento da dinâmica da biodiversidade associada à dinâmica do uso humano.

Cada vez mais se concebe a natureza não como uma imagem estática, na qual a sustentabilidade do uso represente algo como poder tirar um pedaço pequeno dessa imagem, sem comprometer sua integridade – o que de fato seria impossível. O uso sustentável só é possível na prática de contribuição deste uso com os processos naturais, no rumo crescente da integração, da troca e do aumento de biodiversidade e de produtividade.

A  concepção  geológica,  climática,  biogeográfica,  evolutiva  e  ecologicamente dinâmica da biodiversidade  indica que, mais que a preservação  das espécies ou comunidades de forma isolada, o objetivo central da conservação biológica é possibilitar a continuidade dos processos evolutivos e ecológicos (Pickett & Rozzi, 2000). Richard Primack, um dos mais expoentes representantes da biologia da conservação atual, em conjunto com outros colegas, descreve que, se pensarmos metaforicamente que a vida é como a música e esperarmos que a música  siga  vibrando, então não devemos pretender guardar os instrumentos musicais em vitrines e evitar que sejam tocados por seres humanos, mas sim devemos estimular que os músicos possam tocar delicadamente as cordas em um quarteto, reverberar os tambores e respirar com as lautas, mantendo o movimento musical adequado ao tempo. É com essa perspectiva que se trará a biodiversidade em nível de  genes,  populações,  espécies,  comunidades  biológicas,  ecossistemas  e regiões (Rozzi et al., 2001).

Fazer agrofloresta, nesta metáfora, é perceber e tocar a música. A prática agroflorestal envolve captar e entender como os processos vitais, os ciclos biogeoquímicos e as relações ecológicas estão acontecendo, identificando como potencializá-los para o aumento de fertilidade, produtividade e biodiversidade naquele espaço.

Essa identificação deve recorrer, sem dúvida, ao uso de conhecimentos acumulados, tanto a partir da prática acadêmica quanto a partir da prática produtiva – ou seja, ao uso do conhecimento científico e do saber ecológico local. Mas,  essa  identificação  envolve  também,  com  igual  importância,  o “perguntar” ao ambiente o que ele está fazendo no rumo do incremento de fertilidade e biodiversidade. Assim,  fazer agrofloresta  consiste em  trazer as  ferramentas  do  conhecimento  para  utilizá-las  nos  processos  naturais daquele espaço, naquele momento, em um movimento constante e balanceado entre percepção e prática. Em outras palavras, fazer agrofloresta é manter  um  diálogo  constante  com  o  ambiente  natural,  conversando  com seus processos e relações, perguntando o que é mais adequado ao seu luxo e, ao trazer sua contribuição a este luxo, receber dele a produção de alimentos. Assim, fazer agrofloresta é, também, educar-se ambientalmente.

Este  livro  traz alguns conceitos de ecologia, discutindo sua aplicação na prática agroflorestal. Não parte, entretanto, de hipóteses da aplicação desses conceitos, mas, principalmente, de “trazer ao papel”, ainda que de forma fragmentada, a aplicabilidade desses conceitos, experienciada, especialmente, por agricultores familiares associados à Cooperafloresta (Associação de Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo - SP e Adrianópolis - PR). Há quase duas décadas, agricultores e  técnicos destes municípios, no Alto Vale do Rio Ribeira, entre Paraná e São Paulo, vêm produzindo alimentos  em  conjunto  com  o  incremento  de  fertilidade  e  conservação  do solo, de biodiversidade, de autonomia e de segurança alimentar, por meio da agrofloresta. Hoje, nessa região, mais de uma centena de famílias têm na prática agroflorestal sua opção de produção e reprodução familiar, demonstrando, assim, esse caminho.

Na primeira parte deste  livro, apresentam-se e discutem-se conceitos ecológicos de  forma  contextualizada  com a prática agroflorestal. Na  segunda  parte,  descreve-se,  brevemente,  como  as  famílias  agricultoras  da Cooperafloresta fazem isso. Longe da pretensão de detalhar profundamente os conceitos, e mais longe ainda da pretensão de descrever  todos os aspectos  relacionados à prática agroflorestal, pretende-se que este  livro possa ajudar estudantes, agricultores  e  professores  a  utilizarem  a  agrofloresta  como  caminho,  ou como música.

Fonte: livro





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