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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Cutrale, o MST denúncia a GRILAGEM

Protesto do MST -  Borebi/SP Foto: Elizete.
"Laranja na mesa. Bendita a árvore que te pariu. [Amor à Terra]"

Nossa poeta e escritora Clarice Lispector ao profetizar esses versos, acertadamente, viveu numa época em que a laranja foi doce. Se colhia no pé e diretamente à mesa do café da manhã servida, sem acrescentar um grão de açúcar, foi degustada. Da Laranja, a vitamina C e o ácido fólico lhes pertence, indispensável, a todas mamães, diariamente. Minha esposa é apaixonada, diariamente faço o suco...

Essa Laranja, doce, não existe mais. Vá ao mercado interno brasileiro, compre a laranja. Algumas estarão dura por dentro, tipo petrificada; muito ácidas (desequilibrada nutricionalmente), quiçá, ainda verdes. Um tipo de amadurecimento artificial entrou na jogada.

Neste aspecto, o sistema produtivo de laranjas no Brasil perdeu totalmente sua sustentabilidade. Com uma forma ambiciosa e a anos injetados em nossos pomares, dando prioridade há dois caminhos mórbidos em que o primeiro foi causa e consequência do segundo: em 1º, foi a substituição dos pequenos pomares provenientes da Agricultura Familiar, bem como o seu êxodo, e, em tempos atuais, a morosidade da Reforma Agrária. [As técnicas orgânicas foram substituídas, ou seja, os incentivos técnicos, foram substituídos quando a cartilha americana (O Serviço de Extensão Rural, no Paraná, foi criado em 20 de maio de 1956, em convênio entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos) idos anos 50 pra frente, estrategicamente, ocupou a principal autarquia (naquela época ainda não era) de extensão, logo na sua criação, a Emater no sul do país... Os pomares do Brasil, em quintais de muitas roças, sendo manejados em ambientes diversificados, em pequena escala, com técnicas agroecológicas, provinha a qualidade, se produzia a bendita laranja doce]

Em 2º, herdado então o Pacote da (in)revolução Verde, e anos após anos utilizando-se da técnica de desmatamento; gradeação profunda do solo; monoculturas; utilização de agrotóxicos (a há anos sendo usados sem controle; quiçá aqui, em novos tempo, o terrorismo agrícola: introdução de novas pragas, para promover a cura imediatista com uso de novos inseticidas, caso do pslídeo, vetor do greening) muito adubo químico e outras, também, canalhices políticas; assim, não se encontra habitat que aguenta, solo que resista a está carga tóxica e, comunidade que persista. A dependência hoje, faz-se priorizar a grande indústria ao invés das pequenas agroindústria que, em conjunto, preservaria a nossa cultura, a nossa soberania, a nossa laranja doce. Por exemplo, olhe a preferência do público americano; eles priorizam suas produções locais para seu povo:



Agora, e no Brasil?... uma pena! Lutemos então, contra os exportadores de commodities...

As laranjas produzidas hoje, neste tipo de manejo, e em grandes quantidades, são "artificiais" já na planta mãe. No site da Cutrale sua missão não condiz com a realidade, é falso. É a ideologia que não queremos para o povo brasileiro, sinto muito, à Cutrale e sua história no mercadão de São Paulo e, ao Governo que mantém a besta conduta política (o que fez recentemente o vice presidente americano, Joe Biden, inverter a ideologia praticada pelos EUA há anos, dizer que o Brasil impõe o protecionismo...) e sua morosidade secular em não intervir na questão Agrária brasileira. 

 Isso poderá se modificar. Isso tudo é necessário modificar-se. Queremos a volta da laranja doce, sim? Apoie a Reforma Agrária, apoie a luta do MST.    


MST em denúncia a grilagem de terras da 
Empresa Cutrale - Iaras/Borebi e Lençóis 
Paulista/SP

Na manhã do dia 02 de junho de 2013, 300 pessoas ocuparam a Fazenda Santo Henrique, terra pública grilada pela empresa Cutrale, no município de Iaras/Borebi e Lençóis Paulista-SP.
A área faz parte do conhecido Núcleo Colonial Monções, que tem cerca de 40 mil hectares, reconhecido como terra pública.

A empresa Cutrale está envolvida diretamente em vários danos ambientais, trabalhistas e sociais.

- Danos Ambientais:

Na produção de laranja, a empresa utiliza enormes quantidades de agrotóxicos que, além de contaminar o meio ambiente tem sido responsável pela intoxicação de trabalhadores da própria Cutrale. Além disso, a empresa não respeita as áreas de reserva legal.

- Danos Trabalhistas:

Recentemente a Justiça Trabalhista de Matão, condenou a Cutrale a pagar cerca de 1 milhão de reais por não cumprimento da legislação trabalhista.

A empresa, também, já esteve envolvida em uma série de descumprimentos trabalhistas, como as péssimas condições de alojamento, bem como as más condições de transporte dos mesmos.


- Danos Sociais:

A empresa tem grande parte da sua produção voltada para o mercado exterior, cerca de 90% do suco concentrado é destinado a exportação.

Hoje no Brasil, têm 3 empresas que controlam a produção e a industrialização do suco de laranja, e elas são acusadas da prática do crime de cartel.

No ano passado, centenas de médios e pequenos produtores de laranja, fornecedores das empresas que monopolizam o setor sofreram uma "quebradeira" em massa, devido a recusa da compra de sua produção. O interior de São Paulo foi tomado por protestos diante dessa grave situação. Durante esse período foram derrubados muitos pés de laranja e vários produtores tiveram que mudar sua atividade produtiva, somando enormes prejuízos. Por outro lado, causou grande repercussão a ocupação realizada pelo MST em outubro de 2009, com a derrubada simbólica de alguns pés de laranja. O MST teve que enfrentar forte criminalização e um ataque raivoso por parte da grande imprensa e do agronegócio.

A Cutrale é grileira. Em 2005 o Incra notificou a empresa de que deveria desocupar a área, pois a mesma foi legalmente reconhecida como terra pública. A empresa ignorou a notificação agindo de má fé.

Segundo a legislação brasileira, as terras públicas devem ser destinadas prioritariamente para reforma agrária. Portanto, as terras ocupadas irregularmente pela Cutrale devem ser futuros assentamentos de Reforma Agrária.

Contatos:

14-9784.0819
14-9868.5665
11-99768.6961
16-9758.8222


Protesto do MST, Borebi/SP Foto: Elizete

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