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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Prática para o Manejo ecológico de FORMIGAS doceiras

Formigueiro no pomar de frutíferas da Unesp, campus de Jaboticabal - SP.

Na semana passada me veio duas questões aos mesmo tempo sobre as danadas formigas. Uma pelo Lamarca – estudante de agronomia, que me perguntou: “o que fazer quando temos muitas formigas na área?” e outra pela Hindy, amiga e prima, dizendo que estava com problemas com as formigas em sua varanda e que, segundo ela, questionou a presença das pequenas por causa de ter iniciado o cultivo de uma horta com pimenta, salsa, hortelã, alface, tudo em vasos pequenos.

Interessante isso. Um caso de formigas cortadeiras e outro de formigas doceiras. Inté então, eu estava lendo um pequeno livro escrito por Angela Aurvalle, Maria José Guazzelli e Sebastião Pinheiro, AGROPECUÁRIA SEM VENENO.

Nesta semana cheguei a parte em que Maria Guazzelli fala sobre o “Controle de pragas e moléstias em hortas e pomares” p. 50. Cita sobre as Formigas e dicas de controle ecológico, cuja parte que fala sobre as formigas reproduzo aqui neste post, mais a baixo.

Eu já tinha escrito um post sobre as formigas cortadeiras: Prática para o Manejo ecológico de FORMIGAS cortadeiras que indiquei ao camarada Lamarca. Vamos ao novo post com algumas dicas para as formigas DOCEIRAS; na verdade pode-se usar para todas as formigas.
Vamos na missão em divulgar os controles e formas alternativas de conviver com os animais, sempre respeitando a unidade biológica como um todo: solo – planta – animal – homem. Nunca partir para o extermínio e sim aprender com a vida, criar alternativas; ter observação e paciência é necessário. Lembrando que, se um grupo de ET’s nos olham do espaço, somos iguais as formigas, talvez pior.

Em agosto de 2011, recebemos a capacitação do sistema PAIS – produção agroecológica, integrada e sustentável – cuja propriedade escolhida, após iniciarmos os trabalhos de perfuração, descobrimos que estávamos em cima de um formigueiro. Logo começou a aparecer imensas saúvas. Se levantássemos os canteiros de hortaliças ali, provavelmente seria um banquete a elas no futuro. O solo também, dava condições ideais.

Área escolhida para implantação do PAIS, na propriedade do Sr. Erli e Dona Eva, Vazante - MG.
Notem a cor da terra ao perfurar.
Eu, Rafael e Rogério ao fundo. Equipe premium...
Após a implantação, como ficou.
Era solstício de inverno e as formigas já estavam entocadas. A solução foi plantar em área total*, leguminosas. A família produtora optou pelo plantio de feijão. O interessante foi que o abandono da área, por falta de manejo, fez com que o mato tomasse conta, acrescido mais ainda pela irrigação. Foi perfeito, pois aumentou a matéria orgânica em superfície, proporcionou o aumento de raízes e sua contribuição física, biológica e química no circulo de plantio. A posterior, com o manejo de corte e replantio de hortaliças, no tempo e espaço de acordo com a ação do produtor na área, que dividia as atividades também com o leite, na sequencia, as formigas devem ter se mudado.

As raízes permitem a entrada de água e oxigênio em profundidade, alterando a entropia interna e as condições do próprio alimento estocado pelas formigas. A cobertura vegetal garantiu menores variações da temperatura do solo, dando condições positivas, também, para o crescimento de novos microrganismos, devendo ou não ser competidores. Deveras se por aí...

Na sequencia, fotos do sistema evoluindo até a produção de alimentos totalmente saudáveis.

Primeiro plantio.
Segundo plantio, feijão em área total dos canteiros e milho ao redor.
Segundo plantio, feijão em área total. Visita do Instituto Votorantim, com Fábio Ferraz (urbeOmnis).
Área manejada após deixar o mato crescer junto com o feijão plantado em área total.

Terceiro plantio de hortaliças na área após a saída do feijão e manejo do mato usado em cobertura dos canteiros.
Notem que os canteiros estão cobertos com matéria vegetal.

Nos corredores, nos caminhos entre os canteiros, foi posto folhas de manga muito abundante no quintal ao lado.
Tomates orgânicos.
   
"FORMIGAS (Família Formicidae)

São de dois tipos diferentes: cortadeiras e doceiras.

As cortadeiras são as saúvas (gênero Atta) e as quenquéns (gênero Acromyrmex), cuja a presença é característica de solo ressequido e sem fertilidade.

As doceiras ou açucareiras podem causar danos diretos, sugando a seiva que exuda das feridas provocadas por elas. Outras causam danos indiretos, pela simbiose com pulgões, cigarrinhas e cochonilhas, alimenta-se do líquido açucarado secretado por estes insetos. As popularmente conhecidas por lava-pés constroem seu ninho na base de troncos, principalmente de citros, danificando a casca e deixando os tecidos descobertos e suscetíveis à gomose. Também inutilizam mudas em viveiros.

Atacam: hortigranjeiros, frutíferas, gramíneas, pastagens e alguns produtos armazenados (principalmente os açucarados).

São controladas naturalmente por formigas carnívoras, mosquinhas parasitas, e diverso animais de maior porte, como galinhas, rãs e sapos. 

Sugestões de controle:

- se o formigueiro estiver fora da área a ser protegida, há diversos meios para repelir estes insetos: barreira, com farinha de osso, casca de ovo moída ou carvão vegetal moído. Em linha contínua, com pequena quantidade: “pintar” no chão ou troncos, uma barreira em faixa, com suco de pimenta vermelha forte, ou diluída em pequena quantidade de água; colocar cinta de material pegajoso.

- se o formigueiro estiver dentro da área a ser protegida: colocar cal virgem a boca do formigueiro e derramar água; colocar farinha de mandioca crua, ao lado do carreiro; derramar água fervendo; cultivar gergelim próximo ao formigueiro; em caules grossos ou troncos, fazer um anel de lã de ovelha e colocar, por cima, uma saia protetora de plástico.

- para proteger colmeias: colocar os pés dos suportes das colmeias dentro de latas ou cochos de alvenaria, cheios de água e óleo queimado; fazer funis invertidos, de zinco ou de lata, com a parte interna untada de graxa."

doceiras (2 - 10 mm)

cortadeiras (7 mm)













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Quando falamos em plantar em área total* é seguir este exemplo de fotos. Nesta área, em um sítio de Botucatu, SP, plantou-se uma muvuca (várias sementes) de leguminosas e gramíneas um poucos antes de se inserir o plantio de café, guanandi e outras espécies arbóreas em cima de uma vegetação rasteira de capim. O proprietário iniciava o plantio de um sistema agroflorestal - SAF.






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