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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Havia um Império, no meio do caminho

"homem do tanque" - do massacre na praça da Paz Celestial em Pequim (China)
por Sebastião Pinheiro

sugestão de título, foto capa e epígrafe Oliver Blanco

"E vendo, sem contraste e sem braveza,
Do vento ou das águas sem corrente,
Que o nau passar avante não podia." Camões 
(epígrafe, contribuição do blog @extensionista)

O império absorve tudo, como um buraco negro (1), nem a luz escapa do seu domínio, logo não há diversão (2). A etimologia do termo significa diferentes opções, mas no totalitarismo econômico, tempo para o lazer (3).
A política subalterna pode ter os significados (1), (2) e (3).
“O chiclete Adams fabrica”; “O basquetebol foi criado em Springfield, Virgínia”; e, “Walt Disney nasceu em Chicago”. O chiclete é extrativismo maia há mais dois milênios; O Basquetebol foi criado em Montreal, Canadá; e Disney nasceu espanhol. Há quem necessite de convencimento.
Tortura: é uma forma de convencimento extremo e violento, quando outras formas como adulação, suborno, corrupção não produz efeito e emprega estigma, medo, dor, mutilação, detenção e desaparecimento. Toda reação a ela provoca repulsa nas estruturas de poder, que busca sua atenuação e controle através de publicidade, crença, mito, propaganda e diversão com intuito de “humilhação”.
Com os prolegômenos acima recebo o Relatório do Congresso dos EUA sobre a “Guerra ao Terror” detonada por Bush Jr. e suas singulares técnicas de torturas, em meio às atuais manifestações do judiciário Yankee de não abrir processo contra três policiais anglo-saxões algozes de três não-cidadãos negros, sendo um deles uma criança retardada. Aquele relatório é uma “Bula Indulgente” à corte do ex-Caesar, acima das convenções internacionais, leis e constituição nacional, e respalda a decisão dos juízes. Países foram “terceirizados” para torturas, e assim, líbios foram entregues a Kadhaffi; Sírios foram transferidos à Damasco e egípcios e paquistaneses foram entregues aos militares respectivos; outros países mais corruptos receberam a empreitada por dinheiro. Como sempre os Yankees obtiveram maior eficiência e menores custos.
O pior é que doze anos depois de detidos clandestinamente, sem formalização de processo, “alguns menos culpados” foram entregues a outro governo, que estranhamente alegou razões humanitárias para recebê-los em beneplácito ao Império e atual Caesar.
Antigamente, os mais velhos tratavam a repercussão de crimes de uma forma que as crianças tinham medo, pavor. Entre os mais notórios criminosos na metrópole estavam: - “Meneghetti” (Gino Amleto Meneghetti) conhecido como o homem-gato e – “Sete Dedos” (Benedito Lima Cézar), perigosos facínoras, o último participante na chacina da Ilha Anchieta em 1953. O folclore sobre ambos marcou o Século XX, e agora retorna, diante da realidade nacional e mundial.
É difícil transportar o tema tortura & crime de Estado de uma sociedade à outra, ou mesmo de uma época à outra, mas o pior é quando se lucra com a memória da violência.
O trabalho do bioquímico russo-belga, prêmio Nobel Ilya Prigogine sobre “Sistemas em Equilíbrio” e sua ruptura, instauração do caos (estruturas dissipativas) e o restabelecimento de um novo equilíbrio em nível mais elevado e assim sucessivamente na evolução do sistema serve de analogia para entender os artifícios e ardis da justiça do Império e elites nacionais nesse mister.
O deputado mais votado no RJ sobe à Tribuna do Congresso e ofende grosseiramente a parlamentar dizendo que ela não vale um estupro. Ele não ignora que estupro seja crime hediondo, mas seu desrespeito e grosseria violenta encobrem a disputa ideológica: Proteção aos seus pares nos crimes de Estado por ordens do Império.
Sim, eles foram reles objetos nas mãos dos Caesares e de seus cônsules, o que a acre deputada “sabe de cor e salteado”, mas há semelhança entre ambos. Enquanto o militar usa o objeto (o menor Champinha, psicopata assassino) para diminuir a maioridade penal (sujeito), a deputada em contraponto quer manter o sujeito como tal, considerando o objeto (menores infratores) fruto da sociedade e inação do Estado. O pior do oportunismo são as argumentações inadequadas.
Eles não compõem a moeda como cara e coroa que permite no lance o grau de liberdade. São como a moeda falsa com o mesmo signo de ambos os lados que sublima a decisão e dissemina engodos. Vivemos isto há 500 anos, o mesmo debate entre elites, onde discursos aparentam antagonismo, mas correspondem a ação unívoca e muita propaganda e publicidade.
Hoje vivemos as acusações palacianas que fariam ruborizar tanto o “Sete Dedos, quanto o “Meneghetti”, ambos reconhecidos pelo seu código de Ética restrito e até mesmo festejados nos ambientes menos cultos. O ambiente não mudou, pois imitamos os “torcedores” de uns ou de outros e nada muda. A Ética e Política são recorrentes enquanto a ciência e tecnologia evoluem cumulativamente. Impérios não se espelham em ética e política, mas sobre os benefícios da liberdade, ciência e tecnologia “como as estruturas dissipativas”, de Prigogine através da lei e ordem, também campo de discurso de partidos e políticos.
A diferença é que, o que aqui é aceito, debatido e até mesmo festejado por correligionários, na sede do Império, o decoro não tolera ou permite. Lá o advogado aciona a justiça não-cidadã em nome dos acionistas da Petrobrás (NY), sem privilégio de raça ou cor para reposição de perdas e correção de danos econômicos para a alegria do mercado.
Fui ingênuo em acreditar na promessa governamental de destruir a elite corrupta que há 500 anos explora e rouba a cidadania, nação, sociedade e país na gestão do Estado, mas aconteceu o contrário e o objeto se transformou em sujeito com mais violência.
Seleção Brasileira de Basquetebol, bicampeã mundial no Rio de Janeiro em 1963
Revivendo a época do “Sete Dedos” e o “Meneghetti” recordo de Wlamir, Rosa Branca, Amaury, Bispo e Waldemar e outros da Seleção Brasileira de Basquetebol, bicampeã mundial no Rio de Janeiro em 1963 (foto). Amaury era um jovem que trabalhava com seu pai no salão de beleza mais famoso da cidade de São Paulo (Antoine’s), cujo estado era governado pelo golpista Adhemar de Barros, responsável pelo slogan: “Rouba, mas faz”. Um grupo de jovens de elite, rebeldes (sujeito) roubou um cofre com milhões de dólares (objeto) da casa da amante do político facínora em Santa Tereza (RJ).
É difícil questionar ou tergiversar sobre a ação violenta. Não obstante, o sujeito foi transformado em objeto; Primeiro quando aguçou a ira e cobiça dos agentes pelo botim para evitar a expansão das ações, e patrimônio; Segundo, quando participantes aproveitaram para freqüentar famosos Salões de Beleza, exercitando os velhos vícios da elite, e depois, se vangloriaram do feito nas memórias desrespeitando mortos e desaparecidos semeando ódio, não anistia.
O ódio entre Montesco e Capuleto de Shakespeare não é o importante, sim a violência de ambos contra a plebe rude e ignara com a qual “Sete Dedos” e “Meneghetti” tinham identidade, e até autoridade, pois governos e religiões usam ardis para que todos tenham compaixão por Romeu & Julieta e mantenham intocáveis as elites reais e virtuais das novelas de TV.
Já os pobres de espírito ético & político articulam desculpas esfarrapadas e dia a dia fica mais nu, crendo que todos estão deslumbrados com a beleza da roupa nova do rei que só os “inteligentes” podem ver...
Ao ministro Chou en Lai foi perguntado sobre o significado da Revolução Francesa. Sábio e peremptório afirmou ser ainda muito cedo para uma avaliação (ética & política). Chou en Lai não conseguiu fugir para a URSS, seu avião foi derrubado e os Guardas Vermelhos sacudiram a China por dez anos na Revolução Cultural, a “Gangue dos 4” foi para a cadeia e surgiu Tseng Hsia Ping...
Zapata faz pouco tempo e Doze anos são apenas ontem, a elite desesperada faz água, pois é moeda falsa, tem a mesma face nos dois lados. Os escândalos demonstram que o nível de corrupção é exponencial com agravantes estúpidos e incompetentes: Transmutam sujeito em objeto violento na ação do discurso.
Nem tudo está perdido, pois a funcionalidade democrática permite desmascarar dia a dia as fantasias, más intenções, e devaneios da elite poderosa, singular e sistêmica que não precisa de luz, são súditos do império que tem outras prioridades.
O êxito, sucesso no tempo e espaço é inquestionável tanto aqui, quanto na sede do Império e até os “inimigos internos” concordam, pacificamente: Aquela seleção de Basquetebol será sempre inesquecível. O resto são escaramuças violentas (torturas) de um e de outro lado, compaixão & sentimentalismo para todos.
Um alerta: Antes do “cara ou coroa” olhe bem ambas as faces da moeda e escolha, lembre Aristóteles: O valor da liberdade não é crematístico.

Fonte: Facebook, publicado em 14 de dezembro de 2014.

"Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco Califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou..." Criolo

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