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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

segunda-feira, 25 de julho de 2016

" Má Oi "

por Sebastião Pinheiro
O cientista Roberto da Mata em entrevista à TV afirmou que foi criança em uma casa sem livros. Minha situação era pior, fiquei órfão muito cedo e forçado a “não chorar por não ter sapatos, pois haviam aqueles que não tinham o pé”. O primeiro nome do país independente foi “Império” do Brasil. Na casa onde morava ninguém era alfabetizado, pois escola era para a elite, logo mesmo indo à escola, livro era supérfluo. Aprendi a ler sozinho antes dos 5 anos com outros primos que iam a escola. E além do jornal O Dia, lia emprestada pelo vizinho livreiro as Seleções Reader’s Digest velhas que ele colecionava.

Ler e escrever é muito bom, mas lembro que tomei uma coça aos 11 anos por contestar meu tio, que rato velho não virava morcego, pois são espécies diferentes; Outro “tio” (as aspas, pois ele era casado com minha tia) me deu outra coça, pois ele disse “Orospoque”, para o helicóptero, e eu cai na asneira de corrigi-lo. Hoje, a segurança que a leitura dá a TV retira, pois esconde a realidade ao não permitir a reflexão que ela traduz.

Meu assunto é a Convenção Republicana, seu inicio com os protestos generalizados, que me fez assistir os quatro dias, alternando CNN e FOX no show pirotécnico, algo difícil de digerir pelo pouco educativo, meus tios adorariam. O bizarro eram as prédicas diárias de pastores religiosos que levavam os convencionais ao transe hipnótico. Discursos sem conteúdo ou qualidade, apenas fé partidária dos não contrafeitos a candidatura de Donald Trump. Foi uma avant premiére sobre a decadência do perigoso Império que jamais ostentou este nome e para entender o melhor é ler Negri ou Lichtheim.
À frente da TV recordei o canastrão Collor copiando os passos de Jânio Quadros, mas sob o “script” da Plim-Plim, como “caçador de marajás”, que teve até mesmo um Globo Repórter Especial para o prefeito nomeado de Maceió poder eleger-se governador. A leitura de permite reconhecer o coxo (rengo) sentado e o cego dormido.
Lembrei na época em que estávamos ultimando a constituição, quando o tresloucado desempregado Raimundo Nonato Alves da Conceição seqüestrou o avião da VASP no vôo 375 de 28 de setembro de 1988 e queria jogá-lo contra o Palácio do Planalto. Assassinou o co-piloto e baleou o engenheiro de vôo. Ele foi abatido por três tiros, mas morreu no hospital por “anemia falciforme”, uma anomalia genética sem nenhuma relação com os tiros dos “snypers”, conforme consta na Wikipédia, o laudo foi assinado pelo famoso legista Badan Palhares, que também atuou no assassinato e suicídio do PC Farias e namorada, contraditado por peritos de renome. Sim, é da nossa índole o riso fácil, irresponsável, a pândega, galhofa ou troça herança da corte para o comportamento do povo.
Voltemos a Trump, os analistas yankees disseram, que o pior não é a eleição de Trump, mas o “trumpismo” como herança política na periferia do mundo. É isso que o Erdogan está fazendo? As corporações estimulam. Os analistas políticos yankees sabem que tudo lá já foi programado com antecedência de 50 anos no mínimo, bem diferente do que passa nas universidades periféricas caudatárias.
É razoável lembrar o “caçador de marajá” já governador de Alagoas, quando o Brasil conheceu uma tentativa de “11 de Setembro”, 23 anos antes e teria conhecido seu “Trump” também 27 anos antes, não fosse a intervenção do ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha ter descoberto um erro na filiação do apresentador Silvio Santos ao PMB que fez a justiça eleitoral impedir sua postulação (foto). Em três dias de propaganda partidária ele superava o Collor e seria o Berlusconi caboclo, mas foi indeferido.
Antes de a convenção republicana começar os golpes e atentados já somavam quase mil mortos e o dobro de severamente feridos em menos de dez dias. Durante ela o tiro policial ao afro americano foi respondido por veteranos com o tiro ao policial. Não sai nos jornais o altíssimo índice de suicídios de veteranos do Iraque, Afeganistão, mas garanto que preocupa a ação dos dois veteranos. Será que eles aprenderam algo na cultura do Oriente Médio que despertou neles a reação? Qual o risco disto se alastrar como em 1968... A impressa não pode publicar o que está fora da pauta ou do script. Eis a liberdade.
A convenção terminou com mais duas situações esdrúxulas antes do sangrento atentado em Kabul; Os tresloucados 9 assassinatos em Munique; E no Brasil houve dez prisões de terroristas”... Desinformado eu pensei que era a galhofa típica contra a corte e já começava a listar: Zika, Chikungunya, Caxumba, Dengue, Delação premiada, Preço do Feijão, Preço do Leite, Fila no Aeroporto, Gabinete do Senador, Água de Porto Alegre. Mas a coletiva de imprensa do Ministro da Justiça me intranqüilizou.
Foi o taxista quem me trouxe a tranqüilidade de volta com seu forte acento carioca: “O Dr. lembra a Greve na Siderúrgica Nacional, houve 3 mortos. Mas foram eleitos mais de vinte prefeitos nas eleições municipais e pelo menos 3 governadores no ano seguinte...” Eu não entendi e ele continuou: Esses presos da “Hashtag”, já começam a carreira política e quiçá algum possa chegar ao píncaro e soltou uma risadinhas sarcástica similar à do pica-pau rei da Mata Atlântica.
Ainda atônito ao pagar a corrida atrevi a perguntar-lhe: O Sr. lê muito, não é? - Sim, foi a única coisa que herdei de minha mãe, que me obrigava a ler todo o dia e escrever 30 linhas sobre temas que ela criava.

Voltei para casa e entendi a convenção republicana: O que aconteceu na Bósnia e Kosovo não foi só um problema racial, nem intolerância religiosa. Tanto o Império quanto as corporações não permitem existir uma fé (igreja) descentralizada; Nem meios de comunicação ou escolas fora do script, por isso tanta língua de aluguel diz bobagem sobre escola e ideologia sem ler os 14 livros de Paulo Freire, um advogado desiludido que se tornou o maior educador do Século. Se Trump ganha ou não é de menos, mas Ted Cruz seguramente será o César seguinte ao próximo. O resto é outro carnaval, como dizia o vô Nono.

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"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

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