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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Pós de estrelas

por Sebastião Pinheiro

O novo símbolo da Juquira Candiru Satyagraha é o ícone dos Hopis ou Puelos o “Kokopilli”, símbolo de fertilidade, que através da música supera as dificuldades e faz germinar suas sementes. O juntamos ao “Kultrun” para maior harmonia no pulsar do coração do solo saudável que nos cura através de sua vibração e Luz.
Cidadãos em sociedades soberanas não necessitam de adjetivos junto aos nomes para esclarecer valores, pois entendem a significação e significado semântico nas coisas, senso comum ou consciência coletiva. Sociedades dominadas ou alienadas adoram adjetivos embelezando substantivos.
Há aproximadamente 30 anos começamos a escutar os termos: “sustentabilidade”, “segurança alimentar”, “sementes crioulas” repetidos de forma impertinente nos movimentos sociais, mídia, órgãos de governo, e, principalmente nos documentos dos organismos multilaterais. Sempre que uma ordem está para ser implantada os neologismos surgem para educar e aculturar consumidores e gestores políticos heteronômicos.
A repetição à exaustão por pessoas humildes leva ao messianismo, o que é bem explorado pelo poder e mercado.
O termo “segurança alimentar” substituído pelo de “soberania alimentar” por radicalismo político subalterno, sequer notado entre os locais e apropriado pela indústria de alimentos que foi beneficiada com a troca.

No mundo a maior indústria é a de alimentos e seu postulado é libertar-se totalmente da natureza pelo poder infinito, o que significa crescimento exponencial.

Sugestivo, um irônico yankee diz: - É por isso a segunda indústria é a de medicamentos.
Diversos artigos em revistas científicas começam a propalar o novo vocábulo: “segundo cérebro”, neologismo para os intestinos, pois o seu funcionamento garante a qualidade do “primeiro”, o mais vital do corpo. A ciência comprova que o funcionamento dos intestinos influi sobremaneira nos sistemas imunológico, endócrino e nevrálgico através do cérebro [The enteric nervous system consists of some 500 million neurons,[6] (including the various types of Dogiel cells),[1][7] one two-hundredth of the number of neurons in the brain, and 5 times as many as the one hundred million neurons in the spinal cord.[8] The enteric nervous system is embedded in the lining of the gastrointestinal system, beginning in the esophagus and extending down to the anus.] wikipedia
Há uma epidemia mundial de “Disbiose Intestinal” ou Síndrome do Intestino Irritável com mais de um milhão de pacientes e que já matou somente nos EUA 50 mil pessoas, pois a indústria de alimentos é hegemônica às refeições. Os principais agentes da disbiose são o Clostridium difficile e as Salmonelas. Estes dois patogênicos oportunistas são facilmente controlados por saprófitos através de sideróforos, mecanismo que somente os saprófitos dispõem para solubilizar os sais de ferro no ambiente tornando o metal indisponível para os patogênicos.
Quanto mais diversa e abundante a Microbiota Fecal (nos intestinos) mais facilmente são controlados os referidos patogênicos.
Embasados nos estudos da velha medicina chinesa os cientistas e médicos norte-americanos optaram por uma solução menos radical, ideológica e mais rentável a “sopa dourada”. Uma sopa de excrementos recém expelidos e naturais administrada ao paciente. Este tratamento escatológico recebeu o pomposo nome de Transplante de Microbiota Fecal. Seu desenvolvimento como biotecnologia de ponta trouxe a projeção de um mercado superior ao trilhão de dólares. Pelo que no Massachusetts Institute of Technology (M.I.T) foi criado o OPENBIOME BANK para a compra de excrementos humanos já representa um segmento de bilhões de dólares. Hoje o pagamento é de 40 dólares por dose de fezes além de um bônus de 10 dólares para a doação continua por cinco dias seguidos. O transplantado paga pelo menos duzentas vezes este valor.
O interessante é que médicos e cientistas nos Estados Unidos e México garantem que a epidemia é exarcebada a partir dos resíduos de herbicida Glyphosate® nos alimentos transgênicos e água permitido legalmente.
Ocorre que o principio ativo do Roundup® foi registrado como fungicida e bactericida em 2014 pela Monsanto precavendo-se de responsabilidades perante as autoridades sanitárias e povo norte-americano, pois ele é termoestável até 370ºC e mesmo dimerizado, volta a se formar na acidez do estomago mantendo seu poder fungicida e bactericida.
Ocorre que tanto o Clostridium difficile e algumas Salmonelas são resistentes a este herbicida pelo que, seus resíduos destroem a diversidade dos saprófitos na microbiota fecal e permite a instalação dos mesmos nos intestinos provocando a epidemia que já matou mais de 50 mil pessoas e estranhamente é tratada como infecção hospitalar.
Em microbiologia molecular há o neologismo Metagenômica, (do grego: além da genômica). No intestino há uma diversidade de 4 a 6 x 10 elevado à potencia 30, ou seja: De 4 a 6.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 indivíduos, dos quais as técnicas tradicionais de cultivo em laboratório e identificação alcançam na atualidade somente 0,1%. Contudo, a biologia molecular permite extrair seu DNA/RNA, mas não identificá-los em separado.
Trabalhar com esse universo desconhecido exige mudanças radicais. Desde Pasteur, na saúde e Liebig, na indústria de alimentos e agricultura, o dogma é esterilização total e absoluta como base da higiene. Na Metagenômica há um universo desconhecido que necessita ser identificado e conhecido para entender como faz funcionar melhor o primeiro cérebro descortinando um mundo biológico, econômico, financeiro gigantesco que fará tudo existente até agora ser comparado à descoberta da luz e do fogo. Este segmento científico, tecnológico, sanitário, industrial vale muitos bilhões de dólares.
Para as indústrias de Alimentos e Medicamentos o Openbiome Bank é acelerador de seu axioma de liberdade da natureza, que enquanto não chega fará o que tem muito dinheiro comer orgânicos (vitalizados) certificados. Quem tiver pouco dinheiro tomará a sopa dourada, idem, certificada, quem não tiver sofrera as conseqüências da eugenia biológica, parte do seu dogma capitalista.
Se, a indústria de alimentos chama a endosimbiose em nosso intestino de “segundo cérebro” por razões mercadológicas, mais propriedade há em afirmar que a Microbiota do Solo que alimenta aquela diversidade através da simbiogênese, de Kozo-Poliansky é muito mais o "segundo coração da humanidade", e seu vínculo ético-moral com o camponês que professa a saúde no solo (Biopoder camponês).
Quando o camponês recebeu a fórmula do biofertilizante sabia que os micróbios eram a nova ferramenta tecnológica, sem se preocupar com sua ação ou identidade, necessidade implícita da indústria de alimentos e sistema financeiro. Quando por resistência Julius Hensel começou a usar pós de rochas não era necessário defini-lo como um "transplante de células-tronco da rocha-mãe" para a restauração do sistema imunológico do solo vítima da agricultura moderna que provoca a epidemia de disbiose em humanos que agora procura à sustentabilidade e soberania alimentar para os ricos, através da segurança mercantil dos seus neologismos.

Em agroecologia, sem a industria de alimentos, o Biopoder camponês “elimina as causas” protege o “segundo cérebro” e elimina as desigualdades, através da saúde no solo, mas somente as "Pedagogia da Autonomia" e Pedagogia da Indignação (Paulo Freire) nos fazem entender que somos pós de estrelas ou “espíritos em jornada humana”, como alertou Theilard du Chardin.

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