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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Uma salvadora de camponesas

Ex-freira ajuda mulheres no Ceará a sair da pobreza com agricultura e técnicas para lidar com a seca

Erbênia de Souza.
"A liberdade não se conquista de joelhos, mas desenvolvendo golpe por golpe, infringindo a ferida por ferida, morte por morte, humilhação por humilhação, castigo por castigo. Que corra o sangue em correntes, pois esse é o preço de sua liberdade." Flores Magón
 
A menina de jeans tinha mais ou menos a sua idade, 17 anos. Um homem a agarrava na beira da estrada e a arrastava entre a mata da caatinga. Na manhã seguinte, a calça e a camiseta de cor clara estavam rasgadas, penduradas em um arbusto, como restos obscenos de uma refeição criminosa.

Naquela noite, Erbênia viu a jovem desaparecendo no matagal e correu para o vilarejo em busca de socorro. "É uma prostituta, o que você quer?", foi a reação, unânime, das pessoas. E aquela menina, totalmente desfigurada pelo pavor, cuja morte ela não conseguira evitar, visitou-a em pesadelos ao longo de muitos anos. Mas a decisão já tinha sido tomada: abandonar tudo –família, namorado, uma vida tranquila— para se tornar freira e ajudar as mulheres que sofrem, curando-se, ela própria, do trauma da impotência.

Erbênia de Souza tem 50 anos, mas parece não ter idade alguma. É uma pessoa de corpo miúdo, com um sorriso radiante, que usa roupas normais e não um hábito religioso, além de trazer um pequeno sol pendurado no pescoço. Vive no Nordeste brasileiro, em Crateús, uma cidade com 74.000 habitantes no coração da zona semiárida mais povoada do mundo, o sertão do qual se fala nos livros de João Guimarães Rosa, o Céline brasileiro. Aqui, a seca crônica causa prejuízos para os camponeses já afetados pelo monopólio dos latifundiários; e, quando chega a chuva, ela é violenta, superficial, incapaz de se acumular mais profundamente no solo, que é vocacionado para ser um deserto.

Crateús fica no Ceará, um dos Estados mais pobres do Brasil. Para a população local, os Jogos Olímpicos do Rio são como um universo a anos-luz de distância, assim como a crise política que culminou com a destituição da presidenta Dilma Rousseff, aprovada pelo Senado Federal em agosto passado. No Ceará, 18% da população vivem em situação de extrema pobreza, ante uma média nacional de 6%. Nas zonas rurais do interior, vive mais da metade dos habitantes mais pobres de todo o Brasil.

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Fonte: El País

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