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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

terça-feira, 16 de abril de 2013

Mapitoba

foto do blog: Geo - Conceição
Como sorrir ao ver no Globo Rural (exibido em 14.04.2013 pela emissora Rede Globo) o "progresso brasileiro" em que o tom da reportagem especial de domingo trazia: "Agronegócio é responsável por ampliação de fronteiras da Mapitoba"? Deveras ser especial o programa em que se mostrou o sucesso da cana-de-açúcar também - creio que para cada alqueire arrendado ao destino de sua produção, acaba com o emprego de muitos técnicos no Brasil pela pouca criação e dispersão epistemológica no campo. Em outra matéria, a Embrapa mostrou sua pesquisa de como vem tratando a papilomatose em bovinos (ou de como não tratar; a pesquisadora "Velma" tá é judiando dos bichos) como também, o insucesso da Agricultura Familiar ao mostrar uma família qualquer nordestina, aquela esquecida há muitos anos por promessas, pela cúpula política de coronéis, pela seca, etc. e tal, não somente neste domingo mas diariamente em vários outros programas. Triste cunha ideológica, insistente em dizer que a Agricultura Familiar não é o caminho para o Brasil vencer. Pois vencer segundo o filho do novo latifundiário da matéria, foi vender 200 ha de terra no sul e comprar 5.000 ha em Mapitoba.

Me desculpe mais a ciência mecanicista da antiga, século XX, não emplaca no desenvolvimento interno do Agronegócio em território brasileiro como um bem durável. Quem irá herdar as externalidade ambientais (impactos sociais e naturais decorridos pelo sistema de produção voltado ao mercado externo) a posterior? Eu, neste presente, não mais! E mais, o sistema de produção tradicional que preserva a cultura local, sistema orgânico, o saber de comunidades, persistiu por 2.000 anos na Europa e 3.000 na China e ainda sobrevive por lá. O Brasil, com seus 191 anos de dependência não precisa ser destruído para depois começarmos do zero.  

Não conheço Mapitoba pessoalmente, mais pela grandeza da região, extensão do nosso Cerrado, o abastecimento alimentar do nordeste estaria assegurado. Depois do saco cheio, já parando em pé, outras políticas de viabilização da informação técnica, investimentos (contando com a não corrupção, secular, da cúpula política; sem generalizar é claro) possibilitaria a inclusão do nordeste  numa das regiões brasileiras mais ricas na produção de alimentos orgânicos, frutas e outros. Não priorizando a produção de animais.

Sacrificam uma região permitindo o desmatamento, não só em Mapitoba mais em todo o vale do Amazonas para impor um sistema de produção, um manejo da orografia do solo, totalmente degradante. Um sistema agrícola importado, quase toda informação (e eles estão de olho fi): tratores, colheitadeiras, sementes, adubos, aviões aplicando agrotóxicos e a grandeza proprietária. Diz o novo grande fazendeiro: "Quando chegamos era tudo mata"! - Cara, aquelas áreas extensas e planas eram matas?! sim. Cerrado! O produtor desmatou 80% e deixou 20%, creio? Não seria essa também, uma das causas da alteração no regime de chuvas no  nordeste?  Que beleza: plantou-se soja, milho, "gudão". Introduziu tratores, aviões, agrotóxicos e vamos ao "progresso", na marra das cidades. Agora queremos energia, estradas, saúde, casa, lazer, cinema...

_ Creio que essa notícia chegou tarde demais...............
Ambientalistas pedem preservação do cerrado e da caatinga

Norte de Minas, foto Oliver Blanco, 2007.
"Sacrifica-se o que é perpétuo ao que é provisório." Dizia Joaquim Nabuco em 1885 em discurso parlamentar na defesa do Projeto de monarquia federativa, assim como, colocou que "A prova é a imigração, que faz a grandeza dos Estado Unidos e mostra que a pátria, ao contrário do que dizia Danton, o homem a leva nas solas dos pés para colocá-la onde encontra a liberdade, a remuneração do seu trabalho, o respeito dos seus direitos individuais e o futuro da sua família."  Parafraseio novamente Joaquim; o governo ainda é centralizador na administração regional, "é uma forma grosseira de sociedade política, uma falsa democracia dando em resultado uma falsa independência."

Já se vão 191 anos de independência sem Reforma Agrária. "(...) significa o trabalho livre, é assim uma reforma econômica; significa no futuro a pequena propriedade, é assim uma reforma agrária, e como é uma explosão da dignidade humana, do sentimento da família, do respeito ao próximo, é uma reforma moral de primeira ordem."

Do mais, beijo na bunda, fui... fiquem mais um pouco com Joaquim Nabuco na veia! e com a opção econômica brasileira pelo Agronegócio voltado para exportação. Brasil, neo-colônia da gringolândia.

"Sei que a imensa expansão do nosso território é uma causa de legítimo orgulho para todos os brasileiros, e que é uma extraordinária fortuna nacional ocuparmos a parte mais talvez mais prometedora de todo o globo em uma extensão que permite que centenas de milhões, constituindo a nacionalidade brasileira dos séculos futuros, vivam e prosperem dentro do seu próprio país...

Eu  não quisera diminuir de uma polegada o domínio incomparável que nos coube na partilha do mundo e que é só por si uma garantia de que, no solo que habitamos, há de existir um dia uma das mais fortes e poderosas sociedade humanas. O que eu digo é que não encontrareis em toda terra um país livre da extensão do Brasil governado pela mesma centralização absurda."

O. Blanco



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