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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

quinta-feira, 25 de abril de 2013

VACA MAGRA NORDESTINA



Desde o início do ano acompanhamos o drama do Nordeste com a seca. Creio que, desde quando nasci isso acontece (35 anos). A TV (Globo Rural) insistentemente anuncia, diariamente, a morte do rebanho magro. Do choro no rosto esquálido do pequeno proprietário; nem carne de pescoço ou o sal grosso é rejeitado. O manejo do solo retrata o destino da vaca. Restou os ossos. Nem água no fundo do poço, se poço há, mas nunca com a corda no pescoço. O drama, é mesmo secular.

Mais o Nordeste é rico. Segundo maior colégio eleitoral do Brasil, são 36.727.931 eleitores em 2010. A riqueza nordestina é o povo e, há tempos o povo acha que são os políticos capacitados para tal cargo de riqueza. A representação política nordestina no Congresso brasileiro, é de velha guarda e, ao povo, resta-lhes a interpretação da gramática e geometria da natureza. Até porque, vai ser difícil encontrar a boiada do Renan Calheiros em só pele e osso? E de outros também: José Sarney e família; Edson Lobão; João Lyra e outros descendentes.

Em Ezequiel 37.1-14, "O vale dos ossos secos" o nordestino sentiu a presença do Senhor que o pôs no meio de um vale onde a terra estava coberta de ossos. "(...) havia muitos ossos, muitos mesmo, e estavam completamente secos." Então o "3Senhor disse: - Homem mortal, será que esses ossos podem ter vida de novo?" "11O Senhor lhe disse: - Homem mortal, o povo do Nordeste é como esses ossos. Dizem que estão secos, sem esperança e sem futuro. (...) 14Porei a minha respiração neles, e os farei viver novamente, e os deixarei morar na sua própria terra." Não obstante, o Nordeste é para os nordestinos.

Prefiro citar nossa realidade a Sete Palmos de Terra e um Caixão do que a bíblia, dizia Josué de Castro, o mestre: "Só com a evolução dos estudos sociológicos, que desmoralizam a teoria climática e a teoria da pureza racial, caíram estas falsas doutrinas, que tudo justificavam como males de raça e males de clima. Mas como a queda dos preconceitos contra o clima tropical maléfico e contra a mestiçagem dissolvente, ficara contudo de pé o problema das secas. Das secas que, de tempos e tempos, se mostravam com sua terrível agressividade, aniquilando a economia da região e expulsando as populações pela porta da morte ou da emigração forçada. E a seca se impôs como grande vilão do filme do drama nordestino.

A miséria e o atraso do Nordeste eram produtos de suas secas periódicas. E de tal forma isto tomou ares de verdade inabalável que o Nordeste passou a ser identificado como a área das secas. (tão verdade que o Globo Rural sempre massifica em diárias pseudo-reportagens o drama... ignorância que atrasa o povo e matem a "superioridade" de uma oligarquia de pseudo-barões travestidos hoje em dia de políticos que sonham com o Agronegócio ocupando toda a área, assim vem acontecendo, vai lá Mapitoba...) Como uma terra estorricada, amaldiçoada, esquecida de Deus. E o homem do Nordeste, o cabeça-chata nordestino passou a ser retratado como um judeu-errante brasileiro, o eterno emigrante, que está sempre estendendo a mão no ar para ver se está chovendo, e sempre que a chuva não está caindo, dispara ele aterrorizado pelo campo a fora, fugindo da terra amaldiçoada e virando a mão de quem pede uma esmola, de quem implora a caridade pública."

E conclui Josué, "Foi diante desta falsa imagem de uma realidade social, que os interesses investidos queriam dissimular, que se fez da seca o cavalo-de-batalha do Nordeste. A verdade é que nem todo o Nordeste é seco, nem a seca é tudo, mesmo na área do sertão. Mas, foi preciso tempo para provar, para convencer a opinião pública dos habitantes de outras área do país, que o subdesenvolvimento e a fome do Nordeste eram mais um fenômeno de ordem social do que natural e de que suas causas estavam muito mais ligada à estrutura econômica da região do que aos episódios das secas intermitentes."  

Não é a falta d'água que mata o gado e sim o solo que se livra dele, pois precisa evoluir, precisa sobreviver. "Os nutrientes do solo são reciclados, a chuva é produzida pelas florestas e a vida é sustentada pelos ciclos anuais de morte e renascimento. Os animais mortos tornam-se alimento para outros organismos. Os galhos e as folhas que apodrecem e se decompõem enriquecem o solo e permitem que as plantas cresçam, enquanto os resíduos animais são processados pelos micróbios e fungos que os transformam em nutrientes ainda mais vitais. Assim, a Natureza substitui-se e repõe-se com eficiência total, sem criar enormes pilhas de resíduos." Dizia um príncipe europeu... 

"O nordestino é antes de tudo um forte." Os 1.558.196 km² do seu território é de puro brasileiros. Berço da descoberta. São essas a terras que lhes pertencem. O nordeste não poderá ter suas soluções adiadas ou negligenciadas. O desenvolvimento precisa sair da base, junto com o povo e para o povo e não da cúpula política, do alto da pirâmide. O povo nordestino reconhece os problemase sabem construir essa mudança. Essa mudança se iniciaria pelo voto. Não votar em latifundiário, "coroné" ou em seus descendentes. Não mandar esses representantes estáticos, de cérebro antigo, para o Senado, Governo, como por exemplo, o Fernando Collor.

Resta ao Governo ampliar a extensão técnica social, seria está a única saída emergencial para a região. Claro, que os recursos enviados sejam monitorados para que os "safados", tantas as agências públicas ou lideranças que se perderam no poder, não botem a mão naquilo que não lhes pertence. O que lhes pertence de fato e a confiança, a esperança de mudança. Portanto, esses recursos, distribuí-se-a pelas organizações comunitária de acordo com suas necessidades e diagnósticos participativos.

A vacas magras nordestinas e, outros animais, devem ser produzidos em regiões onde o solo permite a sua existência (nas terras do bilionário deputado João Lyra, por exemplo). Brinco, mais o desenvolvimento do ambiente que possa possibilitar a produção de animais, passa primeiro pela introdução de alternativas que garantam a segurança da água e a regeneração de uma flora alimentar, tanto, e em primeiro lugar que sirva a alimentação humana, como a posterior, criado um microclima, possibilitando, dependendo de cada local, a criação de animais. No manejo do solo, devem priorizar o crescimento da vegetação, o crescimento de árvores, enfim, em primeiro lugar o desenvolvimento sadio do ser humano, bem antes dos animais de estimação.



Um comentário:

Enevaldo Ferreira disse...

A SECA ATUAL NO NORDESTE,FAZ LEMBRAR A HISTÓRIA DE JOSÉ DE CANAÃ,FILHO DE JACÓ,QUE INTERPRETOU O SONHO DO FARAÓ,SETE ANOS DE VACAS GORDAS E SETE ANOS DE VACAS MAGRAS,QUE ESTAMOS VIVENCIANDO,PASSOU A SE CHAMAR JOSÉ DO EGITO,NOMEADO GOVERNADOR,POIS NOS TEMPOS DE VACAS GORDAS,FARTURAS,ARMAZENOU MUITO TRIGO E ESPECIARIAS SUFICIENTES PARA SUPORTAR OS ANOS DE SECAS...

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"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

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