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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Blocos Multinutricionais


Pecuária Familiar Camponesa
_prosa técnica 17_

Um ditado chinês diz que agricultura é saber colher o sol. Esse ditado começa a fazer sentido na cabeça do campesino, quando entende que o principal insumo para a produção de animais – carne ou leite -  em sua propriedade, é a energia solar. Creio então que, saber colher o sol na produção animal é saber estruturar melhor o ambiente da propriedade com uma vegetação diversificada de espécies de leguminosas e gramíneas, ao passo que selecionar extratos vegetais: rasteiros, arbustivos e arbóreos, aumentará não só a oferta de alimentos para os animais, mais também os serviços ambientais da propriedade como um todo. 
Assentamento Pirituba II, Agr. 5 Itaberá/SP


A pecuária familiar deve procurar meios de não ser atraída pela 'moderna' pecuária extensiva de grandes monoculturas de capim & insumos... até porque, "o fracasso do paradigma convencional se retrata no quadro crescente dos fracassos dos produtores agrícolas – seja de animais, seja de vegetais. Dados da Fundação Getúlio Vargas informam que, de outubro de 1994 a fevereiro de 2002, os produtores agropecuários brasileiros sofreram uma descapitalização de 44,4%! Apesar disso, os procedimentos contaminantes e capital intensivos, com o emprego de produtos de síntese química – fertilizantes e agrotóxicos – cujas matérias-primas são finitas, e as técnica agressivas de manejo e uso do solo continuam sendo utilizados, em razão de uma propaganda massiva (atualmente: Agro é Pop, por exemplo) e também porque os resultados produtivos do seu uso, ainda que enganosos, aparecem imediatamente. O que não aparece imediatamente são as consequências danosas à economia do produtor; à saúde do ambiente e à tranquilidade da sociedade”.    

Eficiência de pastejo PRV - Agr. 5 Assentamento Pirituba II, Itaberá/SP
Muitos técnicos/as de campo, envolvidos com o manejo nutricional de animais, citam o problema da estacionalidade na produção de forragem em pastagens de gramíneas tropicais. Por deveras, isso é mesmo sabido em todo território brasileiro o que faz, no meu ver, criar um reducionismo acadêmico dentro do setor de estudos das forrageiras, em anos, a procurar o Capim Milagroso 'resistente a seca' e ao pisoteio...  (a maioria dos estudos sempre estão voltados aos grandes pecuaristas..)

Não obstante, temos duas estações bem definidas - o período chuvoso e o período da seca - o que exige criatividade da pecuária familiar para que não falte alimentos para os animais no período do ano cujas condições climáticas adversas, como a redução das chuvas, da temperatura e da radiação solar, limitam o crescimento e o desenvolvimento do capim, e que também, é evidente, as mudanças no valor nutritivo das forrageiras cultivadas. Aroeira et al. (1999) observaram redução nos teores de proteína bruta e aumento da concentração de fibras, durante o período de inverno/primavera em relação ao verão/outono. Em pastagens de capim-elefante, foram verificados valores de ingestão de matérias seca por vacas em lactação de ordem de 2,2 a 3,3% do peso vivo (pv) durante o verão, e entre 0,8 e 1,5% pv durante o inverno (Aroeira et al., 1999; Lopes et al., 2004 ab; Carvalho et al., 2006). 

Piquetes de capim Tanzânia - Unesp/Jaboticabal
Rotação de pastagens, utilizando-se dos princípios do PRV - de André Voisin (pastejo rotacionado), amplamente conhecido e muito pouco implantado em nosso território, talvez por negligências, falta de encorajamento e aptidão técnica, reducionismo científico ou pressão das indústrias de rações, medicamentos animais, de sementes forrageiras e outros... é uma alternativa obrigatória! no que tange ao manejo de animais a pasto, principalmente em pequenas áreas, como também, criar bancos de proteínas - oferta de leguminosas no inverno; e, outros meios, como o pasto diferido, e o que mais é evidente para uma resposta positiva às externalidades ambientais (sequelas do agrobusiness), e, tomada de decisões no planejamento endafoclimático: a implantação de árvores e, a recomposição das Matas Ciliares (que, no Estado de São Paulo, pelo acochambramento ambiental, falta de fiscalização e ignorâncias, vem sendo finalizadas pela falta de limites técnicos do avanço erosivo da cana-de-açúcar e suas Usinas 'exógenas').  
Assentamento Pirituba II, Agr.5 Itaberá/SP

Uma alternativa acertada e já amplamente praticada por camponeses em nossa América Latina, para alimentar e complementar as necessidades nutricionais dos animais no período da 'seca' é a fabricação de blocos ou bloquetes multinutricionais. A Fundação Juquira Candirú Satyagraha, contribui com uma receita, ainda não tão conhecida e empregada na prática em nossa pecuária familiar no Brasil, exceção ao nosso Nordeste onde a prática já é conhecida e vem sendo difundida pela Emater, mas não como apresentaremos aqui, e que precisa de maior envolvimento dos técnicos/as, principalmente dos zootecnistas, na sua implantação, melhoramentos locais da técnica e investigações dos resultados


Fonte: blog nutricionzootecnia
Não obstante, segue uma contribuição:

- lembrar que antes, de fazer uma receita maior, fazer uma receita menor de avaliação (segue mais a baixo..).      

Receita para a produção de 200 kg do agregado nutricional – Bloco multinutricionais:     

  1. Queime 15 kg de fertilizante Super Triplo com 50 kg de casca de arroz, igual fizemos no MPA - movimentos dos pequenos produtores -  na queima do osso com o tubo de ferro (citamos aqui a prática de obtenção do Fosfito), longe de canos, fios, vidraças. Vai ficar ao redor de 20 kg de pó do fertilizante, cinzas da casca de arroz e 6 kg de Fósforo.
  2. Adicionar 2 sacos de 25 kg de Sal grosso de Mossoró para o gado = 56 kg  
  3. Adicionar 4 kg de flor de Enxofre = 59 kg
  4. 42 kg de Melaço em pó ou bem grosso = 101 kg
  5. 60 kg de sabugo de milho moído ou feno de capim seco picado ou palha de feijão, mas o melhor é folhas de mandioca picada e bem seca. Alguns usam a ensilagem picada a mistura de eles. = 161 kg
  6. 16 kg de esterco de galinha seco = 175 kg
  7. 4 kg de Cal Apagada = 179 kg
  8. 10 kg de Gesso = 190 kg
  9. 10 kg de Umidade = 200 kg
Bloquetes nutricionais - Fonte: jairo serrano
Misturar em uma betoneira pequena o melaço com as cinzas queimadas e adicionar o sal grosso e os sabugos umedecidos e as palhas. O esterco de galinha, depois que estiver bem misturado adicionar a Cal apagada e bater, deve ficar uma massa grossa como de bolo e; derrubar sobre um balde resistente de 10 ou 20 litros e por fim se agrega o gesso, mistura bem e comprime na forma, pois endurece. Deixar durante uma semana para que endureça.  As vacas devem lamber isso mais ou menos 500 gramas ao dia.

Antes de fazer é bom na internet, olhar os vídeos no youtube sobre “Bloques nutricionais para el ganado”.  Depois de vê-los uma duas ou três vezes, podes fazer uma amostra para avaliação.


Outros vídeos selecionados estão mais a baixo, no final deste post.

Receita para amostra de avaliação:

  1. Queime 1,5 kg de fertilizante Super Triplo com 5,0 kg de casca de arroz, igual fizemos no MPA na queima do osso com o tubo de ferro, longe de canos, fios, vidraças. Vai ficar ao redor de 2,0 kg de pó do fertilizante, cinzas da casca de arroz e 600 gramas de Fósforo.
  2. Adicionar 5 kg de Sal grosso de Mossoró para o gado = 5,6 kg 
  3. Adicionar 0,4 kg de flor de Enxofre = 6 kg
  4. 4,0 kg de Melaço em pó ou bem grosso. = 10 kg
  5. 6,0 kg de Sabugo de milho moído ou feno de capim seco picado ou palha de feijão, mas o melhor é folhas de mandioca picada e bem seca.  Alguns usam a ensilagem picada a mistura deles = 16 kg
  6. 1,6 kg de esterco de galinha seco = 17,5 kg.  A alternativa é ureia.
  7. 0,4 kg de Cal Apagada = 18 kg
  8. 1,0 kg de Gesso = 19 kg
  9. 1,0 kg de Umidade =   total de 20 kg ou 4 bloques de cinco kg cada.
O Super Triplo – de fórmula química: Ca(H2PO4)2H2O - é um fertilizante fosfatado que apresenta 45% de P2O5 (fósforo) e 14% de Ca (cálcio).

Outros vídeos para melhor exemplificar o modo de fabricação dos blocos multi nutricionais:


Contribuiu
Oliver Blanco - @extensionista - Saúde no Solo
maiores informações, emporioagricola@gmail.com 

Bibliografia consultada:

- Livro: Pinheiro Machado, Luiz Carlos - Pastoreio Racional Voisin - Tecnologia Agroecológica para o 3º Milênio. Editora Expressão Popular - 2ª edição

- Disponibilidade de matérias seca, composição química e consumo de forragem em pastagem de capim-elefante nas estações do ano. _Acesso aqui_  

_Fotos utilizadas, arquivo Oliver H. Naves Blanco..._







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