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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SIR ALBERT HOWARD


          Há quase 100 anos, na década de 1930, Sir Albert Howard, com a segurança dos sábios e a perspicácia dos gênios, previu as conseqüências nefastas para o meio ambiente, hoje inquestionáveis, do agranegócio. Howard mostrou os equívocos dos métodos da pesquisa agrícola ocidental e fez um amálgama magistral do conhecimento camponês ancestral com o saber científico da época. Propôs uma conduta para a produção vegetal e para a produção animal que, se fosse seguida, seguramente evitaria a maioria dos problemas ambientais enfrentados pela humanidade, pois o fundamento central de suas posições científicas é o incremento do húmus no solo, já que a matéria orgânica é o principal armazém terrestre de CO2, que é, por sua vez, sabidamente um dos maiores agentes de contaminação do ar.

          É neste quadro preocupante que a Editora Expressão Popular, muito oportunamente, coloca esse texto à disposição dos cientistas, professores, técnicos e agricultores. Aqui, Howard, de forma didática e em linguagem acessível, reproduz toda a sua experiência e mostra o caminho da verdadeira agroecologia, com o indispensável incremento da fertilidade do solo através de processos naturais, de acordo com a mãe natureza, como ele gostava de se referir.

          Um Testamento Agrícola é leitura obrigatória a todos – professores, técnicos, estudantes, produtores – que se preocupam com a qualidade dos alimentos, das plantas, dos animais, do solo e, finalmente, da vida humana.

Preço: R$ 15,00

1° Edição


          "A ciência tem sido chamada para auxiliar a produção. Outra característica da agricultura do Ocidente é o desenvolvimento da ciência agrícola. Esforços tem sido feitos no sentido de que diversas ciências separadas possam estudar os problemas da agricultura e assim incrementar a produção do solo. Isto levou à fundação de numerosas estações de pesquisas, as quais, anualmente, produzem um grande volume de conselhos e informações técnicas, na forma de publicações. Essas idéias apressadas de agricultura, sem dúvida fracassaram; a mãe terra privada de sua fertilização natural está em revolta; a terra está entrando em pane; a fertilidade do solo está em declínio."

          Podemos sim ter uma coexistência de sistema agrícolas e até triplicarmos nosso superavit no balancete econonômico anual, quando enfim, decidirmos: tirar das mãos dos estrangeiros o domínio econômico sobre nossa agricultura; passar realmente um pente fino fiscal na conduta sistemática das práticas agrícolas voltada à produção de comodities; parcelarmos os Latifúndios, com um objetivo primeiro: reduzir as externalidades ambientais ("se fossem, como deveriam ser, incorporadas aos custos de produção, produziria a falência da agricultura convencional") cuja ideologia o camufla ("Agronegócio, sua vida depende dele"). - Que nada, depende porra nenhuma! Assim, Albert "...vislumbrou, há quase um século, a catástrofe do agronegócio, através da destruição do húmus,..."  O húmus foi para Howard elemento essencial ao solo e aos seus estudos práticos. Com a palavra: 


          " Por outro lado, a facilidade com que os produtos químicos podem ser utilizados, fez com que se abandonasse o emprego necessário dos resíduos naturais. Se um substituto barato para o húmus existe, por que não utilizá-lo? A resposta a esta pergunta é feita de duas formas. Em primeiro lugar, os produtos químicos nunca serão um substituto do húmus porque a natureza ordena que o solo deve ser vivo e que a micorrizza deve ser um elo essencial na nutrição das plantas. Em segundo lugar, o uso de tal substituto não pode ser barato, pois a fertilidade do solo - um dos fatores mais importantes na vida de um país - se perdeu; porque as plantas artificiais, os animais artificiais e os homens artificiais não são saudáveis; e a nutrição artificial torna indispensável proteger esses seres contra parasitas, mediante o uso de pulverizadores e venenos, vacinas e soros e um sistema caríssimo de remédios específicos, médicos, hospitais etc. Uma vez que nos resolvemos a contemplar o conjunto financeiro da produção agrícola com os distintos serviços sociais criados para reparar os danos causados por métodos agrícolas equivocados (externalidades ambientais)  e uma vez que se tenha presente que nossa maior riqueza é uma população sã e vigorosa, a propaganda sobre a economia e as facilidades dos adubos químicos reduzir-se-á as suas verdadeiras proporções. No futuro os fertilizantes químicos serão considerados uma das maiores loucuras da época industrial, e os ensinamentos dos economistas agrícolas desse período serão tidos como superficiais."

          Sente a pegada do Sir Albert Howard! Clarividente em suas observações técnicas. Um intelectual da pureza harmônica do sistema agrícola voltado a vida. Isso tudo, escrito em 1943!  No Brasil, os ideólogos do AGRONEGÓCIO, insistentes gananciosos, achar que podem continuar  enganando com o falso desenvolvimento rumo a decadência de nossos solos, provocará, num futuro próximo, a abertura para uma possível entrada aos "anos de miséria". Nossas vidas não dependem do Latifúndio...e sim das FAMÍLIAS QUE VIVEM NO CAMPO.

         Howard nunca esteve tão atual. 

Oliver Blanco

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