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"Harmonizo meus pensamentos para criar com a visão". "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível".
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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

As pioneiras da Agricultura Ecológica

  

Só agora vem à tona a dimensão do papel que as mulheres desempenharam no impulso ao desenvolvimento e à disseminação de uma agricultura alternativa. Elas foram esquecidas pela historiografia. Mesmo nomes de pioneiras como Mina Hofstetter, Lilli Kolisko ou Maria Müller são pouco conhecidos. Isso precisa mudar.

Por Annika Ross – 24 de agosto de 2022

Pesquisadoras de plantas, especialistas em compostagem, criadoras de sementes, biólogas, jardineiras. Todas as mulheres que foram as primeiras a estar preparadas para repensar a agricultura – em harmonia com a natureza. Onde estaria hoje a agricultura orgânica se essas mulheres não tivessem existido?

Já a partir do final da Idade Média (século XV, 1453), as mulheres começaram a pensar sobre a fertilidade do solo. Porquê? Porque elas tinham sua família para alimentar, e também seu próprio laboratório: seu jardim. Todas as 12.000 culturas comuns hoje finalmente passaram pelo jardim. As mulheres do final da Idade Média mexeram em seus jardins, cruzaram plantas, adaptaram a semente à respectiva natureza do solo, tentaram torná-lo mais fértil sem expô-la. Elas eram dependentes da fertilidade contínua, a fim de ser capaz de colocar comida na mesa para suas famílias.

Ao contrário dos homens que experimentaram em público, as mulheres permaneceram escondidas em seus jardins. A reputação de saber muito sobre as plantas poderia ter sido mortal para elas. Um pouco de conhecimento no herbalismo por si só foi suficiente para trazer as mulheres para a estaca como bruxas. O próprio jardim das mulheres era o seu refúgio e muitas vezes uma das poucas maneiras de ganhar algo de forma produtiva: nutrição, cura, cuidado. As mulheres tiveram que lutar por um “espaço para si mesmas” em todas as épocas – um jardim era muitas vezes a seus pés. E ele era o núcleo da "agricultura ecológica".

"Agricultura ecológica" é um termo abrangente que engloba diversos conceitos de manejo da terra surgidos a partir da década de 1920 na Suíça, na Alemanha e na Inglaterra. Todos eles defendem uma visão holística que integra ser humano, planta, animal e natureza, nascida dos movimentos de reforma do final do século XIX. O movimento de reforma da vida (*Lebensreform*) também preconizava um estilo de vida em harmonia com a natureza, alimentação saudável, vida no campo, autossuficiência em terra própria, medicina natural (*naturopatia) e uma relação mais livre com o corpo. Tudo isso surgiu como reação às profundas transformações sociais decorrentes da industrialização e da urbanização. O impulso motriz era a necessidade de dar sentido a uma existência marcada pela alienação e de vivenciar a si mesmo — corpo e mente — por meio de um modo de vida condizente com esses ideais. Entre os pioneiros mais conhecidos estão Rudolf Steiner e Hans Müller. Não é de surpreender que, nesse contexto, as mulheres também quisessem redefinir os papéis de gênero; afinal, o terreno para isso já havia sido preparado pelo movimento feminista da segunda metade do século XIX (1848). Foram fundados os primeiros institutos, faculdades e escolas voltados para a educação feminina e, por fim, conquistou-se também o acesso geral das mulheres às universidades.

Muitas das pioneiras da ecologia frequentaram as recém-criadas escolas de horticultura, tornaram-se jardineiras profissionais ou fundaram elas mesmas centros de formação, como os assentamentos femininos de Loheland (1919) ou Schwarzerden (1923), na região de Rhön. Essas mulheres queriam trabalhar abertamente com conceitos alternativos e compartilhar suas conquistas. E, excepcionalmente, elas finalmente tinham uma vantagem de "jogar em casa": a agricultura ecológica, em seus primórdios, era mais ou menos uma *terra incognita* — um território científico inexplorado, sem terminologias estabelecidas, princípios fundamentais ou métodos de pesquisa reconhecidos.

Como é possível melhorar a fertilidade do solo? Como posso alimentar melhor a família? As mulheres também se beneficiaram do fato de que suas pesquisas eram vistas como algo marginal. Nas ciências agrárias, dominadas por homens, a agricultura orgânica não era considerada ciência, mas sim ideologia. Consequentemente, as mulheres enfrentavam menos concorrência masculina e menos posturas de autopromoção.

Historicamente, a primeira fase da agricultura ecológica é conhecida como "agricultura natural". Sua grande pioneira foi Mina Hofstetter (1883–1967). Nascida em Stilli, no cantão de Argóvia, filha de uma família pobre de pescadores e jangadeiros, ela sofreu com doenças graves durante a infância. O jardim desempenhou um papel central em sua vida, ajudando a sustentar a família durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Além de hortaliças, Mina cultivava cereais em seu jardim e realizava experimentos com cobertura do solo, compostagem, rotação de culturas e ciclos lunares. Ela rejeitava o uso de agrotóxicos, alertava já naquela época para a acidificação dos solos e defendia a ideia de "solo saudável, plantas saudáveis"

Mina estudou as obras de Raoul Francé, um especialista em solos famoso na época; ela defendia o cultivo de cercas-vivas e arbustos para atrair pássaros, recomendava não remover ervas e plantas rasteiras e utilizava água argilosa, infusões de ervas e lama de rocha como produtos de pulverização na fruticultura. Graças ao plantio em linhas e ao transplante de plantas que apresentavam espigas pesadas e grandes — medindo entre 30 e 40 centímetros —, ela conseguiu aumentar enormemente a produção de grãos. Isso despertou o interesse dos agricultores. Hofstetter expôs suas espigas em feiras e recomendou a adoção de práticas agrícolas de estilo hortícola nas encostas mais íngremes. Em 1928, publicou seu primeiro manifesto, intitulado "Brot" (Pão), sob o pseudônimo — assumidamente feminino — de Gertrud Stauffacher.

Não foi apenas o subtítulo — "A solução da questão dos cereais pela mulher, livre de monopólios" — que provocou reações, mas também o conteúdo da obra. Mina, ela própria vegetariana, defendia uma agricultura sem criação de animais e o cultivo em canteiros, práticas adotadas na China há mais de 6.000 anos. Ela criticava os subsídios concedidos aos agricultores ricos e exigia do governo a disponibilização de terras para cultivo pelas mulheres, especialmente para as mães. A partir de 1929, a pioneira passou a ministrar cursos de agricultura e horticultura orgânicas em sua propriedade, a fazenda Stuhlen, em Ebmatingen, e, em 1936, fundou o centro de ensino "Seeblick". Posteriormente, foi convidada a participar de eventos por toda a Europa: na Áustria e na Dinamarca, no Dia Mundial da Paz em Paris e no congresso da associação internacional de mulheres em Viena.

A partir da década de 1930, Mina publicou artigos em periódicos ligados aos movimentos de reforma de vida (*Lebensreform*) e de vegetarianismo. Ela defendia constantemente que a agricultura deveria priorizar o cultivo de cereais em detrimento da pecuária, argumentando que essa abordagem permitiria alimentar um número muito maior de pessoas.

Foi em sua propriedade que, em 1947, fundou-se a "Cooperativa de Agricultura Biológica" (hoje: Bioterra). Sistemas agrícolas surgidos na Europa após a Segunda Guerra Mundial — e que perduram até hoje — basearam-se nas ideias de Mina. A palestra "Curso de Agricultura", ministrada em 1924 pelo guru da antroposofia Rudolf Steiner no Castelo de Koberwitz, na Silésia, é considerada o marco inicial da segunda fase da agricultura ecológica: o chamado método "biodinâmico". Steiner buscava potencializar as "forças cósmicas" da Terra, sobretudo ao aprofundar-se nos segredos da adubação. Entre os cerca de 100 participantes de suas palestras, um terço era composto por mulheres.

Após a morte dele, em 1925, foi um número expressivo de mulheres que, em Dornach (Suíça), Loverendale (Países Baixos), Stuttgart (oeste da Alemanha) e em propriedades rurais no leste da Alemanha, abraçou as ideias de Steiner e as colocou em prática na agricultura. Foi do trabalho dessas mulheres que surgiu, por fim, o selo de qualidade Demeter.

A maior pioneira daquela época foi a vienense Lili Kolisko (1889–1976). Lili vinha de uma família de artesãos; o conhecimento prático sobre materiais naturais lhe foi transmitido, por assim dizer, desde o berço. A isso somou-se a atuação científica proporcionada por seu futuro marido, Eugen Kolisko. Ele era estudante de medicina e trabalhava voluntariamente no hospital para feridos da Policlínica de Viena. Lili trabalhava no laboratório do local, realizando a coloração de esfregaços sanguíneos, o cultivo de bactérias e a microscopia celular. Foi seu marido quem a apresentou a Rudolf Steiner.

Eugen Kolisko e Steiner planejaram juntos a fundação da primeira Escola Waldorf em Stuttgart, em 1919. Lili juntou-se a eles e acabou se tornando uma aluna exemplar de Steiner. Ela realizou experimentos com animais doentes e despertou grande interesse com medicamentos derivados de substâncias secretadas pelo baço, bem como com a dinamização de substâncias através de agitação sistemática. Após a morte de Rudolf Steiner, ela dedicou suas pesquisas ao crescimento das plantas e aos órgãos.

Em 1936, Lili — que tinha ascendência judaicafugiu dos nazistas para a Inglaterra. A cem quilômetros de Londres, em Berkshire, ela conseguiu estabelecer um pequeno "instituto biológico". Lá, desenvolveu o método de "imagem de ascensão" (*Steigbildmethode*), utilizado até hoje para medicamentos homeopáticos (glóbulos). Essas imagens tornam visíveis diferenças qualitativas em plantas, alimentos e substratos biológicos. Os estudos de Kolisko sobre esse método formam a base para o desenvolvimento da "agricultura biodinâmica". Seu método foi posteriormente aprimorado por Rudolf Hauschka, fundador da empresa "Wala-Arzneimittel", de orientação antroposófica.

Durante o regime nazista, a agricultura biodinâmica viveu inicialmente um período de florescimento devido à sua ligação com a terra e à abundância das colheitas; no entanto, logo caiu em desgraça por causa de sua fundamentação antroposófica, e materiais relacionados a "doutrinas secretas" foram confiscados.

Como uma terceira vertente dos conceitos de agricultura alternativa, desenvolveu-se a "agricultura orgânico-biológica", surgida em estreita relação com o movimento camponês suíço de valorização da terra natal (*Schweizerische Bauern-Heimatbewegung*) e em forte contraposição à agricultura convencional. Esse sistema de agricultura ecológica expandiu-se na Alemanha a partir da década de 1960. Foi nessa época que propriedades rurais começaram a adotar o modelo de produção orgânico-biológico e que, em 1971, fundou-se a associação "bio gemüse", da qual viria a surgir a Bioland. Entre os pioneiros dessa corrente, destacaram-se não apenas o frequentemente citado médico e microbiologista alemão Hans Peter Rusch e o fundador do movimento de jovens agricultores, Hans Müller, mas também a esposa deste último: Maria Müller (1894–1969).

Maria cresceu em uma fazenda na região de Emmental, na Suíça. Como a mais velha de sete filhos, ela trabalhava bastante na propriedade. Interessada em ciências agrárias, acabou frequentando uma escola de horticultura. Seu futuro marido, Hans, também era filho de agricultores, mas atuava como professor do ensino secundário; foi ele quem lhe ensinou os métodos de trabalho científico. Juntos, ambos se dedicavam apaixonadamente a estudos sobre o solo e as plantas.

O ponto de partida para a adesão de Maria a métodos "alternativos" na agricultura e na horticultura foi a questão do controle de pragas. O uso de defensivos químicos contrariava tudo o que ela havia aprendido sobre plantas e cultivo. Maria estudou as obras de Mina Hofstetter e, assim como ela, passou a priorizar a fertilidade saudável do solo como base para todo crescimento e desenvolvimento, experimentando também agentes naturais de controle de pragas, como a farinha de rocha. Suas pesquisas sobre processos bacterianos serviriam, mais tarde, de base para o desenvolvimento do fermento de húmus "Symbioflor", que tornou famoso Hans Peter Rusch.

Enquanto seu marido, Hans, adorava aparições públicas, Maria preferia atuar nos bastidores. Ela estudava os fundamentos e ele os traduzia em retórica — colhendo, assim, a fama. Maria tornou-se cofundadora da associação "Mulher e Democracia" e redatora da publicação *Schweizer Frauenblatt* (Jornal das Mulheres Suíças).

Por meio de palestras e cursos para mulheres do campo na "Escola de Economia Doméstica" (*Hausmutterschule*) em Möschberg, ela levava seu conhecimento diretamente às famílias rurais. Ministrava cursos para meninas de 12 a 15 anos sobre administração doméstica, horticultura e cuidados com bebês, sempre enfatizando uma alimentação integral e saudável — afastando-se da carne e do toucinho e voltando-se para legumes e alimentos crus. Fertilidade do solo, crescimento das plantas, nutrição e saúde: esses eram os pilares do ciclo que norteava toda a atuação de Maria Müller.

Após a morte de Maria, em 1969, ficou evidente que as descobertas fundamentais para o cultivo orgânico-biológico haviam partido dela. Seu marido, Hans, passou a apenas ministrar palestras; não houve mais pesquisas inovadoras.

As pioneiras dessas três correntes desenvolveram um conhecimento que, até hoje, constitui a base da agricultura ecológica. No entanto, embora todas elas fossem muito respeitadas em vida, não foram incluídas nos registros históricos. Caíram no esquecimento.

Essas pioneiras foram resgatadas do anonimato por um grupo de pesquisadoras e estudantes da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade de Göttingen. Elas buscaram contribuições escritas, relatórios de trabalho, diários de jardinagem e correspondências, além de entrarem em contato com familiares e se reunirem com testemunhas da época. Uma das fontes mais notáveis ​​é um livro de visitas mantido por Mina Hofstetter ao longo de décadas. As pesquisadoras identificaram mais de 120 mulheres e traçaram o perfil detalhado de 51 delas. Eram mulheres que, com paixão, pesquisavam, experimentavam, produziam, publicavam e fundavam escolas, moldando assim a agricultura orgânica. A conclusão delas: quão atuais são o pensamento e a atuação dessas mulheres! Quão cedo elas alertaram para situações críticas na agricultura e na sociedade! Com que veemência advertiram sobre a degradação ambiental — já visível naquela época — e lutaram por caminhos e métodos alternativos!

As biografias dessas pioneiras demonstram que as atuais reivindicações do movimento climático não são, de forma alguma, novas. A perda de fertilidade do solo, a queda na produtividade das colheitas, a deterioração da qualidade dos alimentos e o rápido esgotamento dos recursos devido a intervenções desenfreadas na natureza — tudo isso já eram problemas por volta de 1920.

Fonte: https://www.emma.de/artikel/die-oeko-pionierinnen-339715

*é um sistema de medicina alternativa e integrativa que utiliza métodos naturais e estímulos ao estilo de vida saudável para promover a autocura do organismo. Visão holística: Trata a pessoa como um todo (corpo, mente e espírito), buscando a causa raiz do problema e não apenas o alívio dos sintomas. Capacidade de autocura: Acredita que o corpo possui um poder inato de se regenerar quando exposto a condições favoráveis. Abordagem preventiva: Foca na reeducação de hábitos e na prevenção de doenças crônicas. Práticas utilizadas: Fitoterapia: Uso de plantas medicinais e chás. Nutrição natural: Foco em alimentos funcionais e dietas equilibradas. Terapias corporais: Acupuntura, massagens e técnicas de relaxamento. Mudança de hábitos: Inclusão de exercícios físicos, meditação e controle do estresse.

🌱 CONVITE ESPECIAL | RODA DE DEBATE E TROCA DE IDEIAS 🌱

A Feira Popular da Agricultura Familiar convida toda a comunidade para uma roda de conversa com Oliver Naves Blanco, em um encontro de saberes, experiências e reflexões sobre os caminhos que constroem e mantêm vivos os nossos territórios.


🌿 Tema: TERRITÓRIOS VIVOS — As pioneiras da agricultura ecológica

A conversa propõe um olhar sobre a história da construção da Agroecologia e sobre a importância de reconhecer as diversas experiências, trajetórias e pessoas que contribuíram para o desenvolvimento e a disseminação das práticas ecológicas de cultivo e cuidado com a terra.

Também serão compartilhadas vivências e experiências de Agrofloresta em Ribeirão Preto, refletindo sobre esses espaços como territórios de saúde, alimentação, cuidados humanos e construção coletiva. 🌳🥕🌻

📅 28 de agosto
⏰ Das 17h às 20h
📍 Feira Popular da Agricultura Familiar
Rua Conselheiro Dantas, 964 — Vila Tibério
Ribeirão Preto/SP

✨ Venha participar deste encontro de saberes, trocas e construção de futuros mais justos e sustentáveis!

🌱 Agroecologia • Saúde • Alimentação • Cuidados • Comunidade

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quinta-feira, 31 de agosto de 2023

¿BIOINSUMOS?


31 de agosto

Por Tiao

Há mediocridade por muitas partes. Muda-se o nome das coisas através de neologismos sem cuidados/responsabilidades. Há apropriação do que grupos faziam como estratégia de resistência/alternativa, e por tal, identificados como loucos, e depois subversivos. Agora, truncados em seus princípios e intenções, com finalidades corrompidas. Sempre, foi assim, com quase tudo e pelas mesmas más intenções. Na bola da vez estão os BIO INSUMOS.

A história é um bom começo. Nos idos da Revolução Francesa o médico François Quesnay criou o fisiocratismo, que em poucas palavras significa que toda riqueza emana da agricultura e natureza. Sem dúvida, isso mexeu com muitas cabeças, literalmente.

Muitos naturalistas europeus tomaram conhecimento que na Selva Amazônica, as margens do rio Marañon, depois Amazonas, a tribo dos Achuar, também conhecidos por Jíbaros cortavam a cabeça dos inimigos e as exibiam, como na guilhotina, embora os indígenas as preparassem como troféus e não como aquelas. Suas cabeças troféus eram reduzidas, mumificadas e mantinham seu aspecto, embora no tamanho de uma laranja com longos fios de cabelo. Era algo macabro, mas vendidos em várias lojas de souvenires da Rua Barão de Itapetininga próximo ä praça da República.

A dúvida não é cruel, mas assoma e permite a questão pertinente: Aquela cabeça comercializada é um produto fisiocrático? A inteligência reduzida impõe que a formulação seja feita de outra forma: - O exótico macabro no mercado, constrói, aliena, ou...?

O insumo moderno foi um instrumento industrial para viabilizar a capitalização acelerada da agricultura, não como riqueza, más como circulação de moedas. Agora a substituição do “moderno” pelo “Bio” está acorde com a nova matriz “sustentável” e biotecnológica da OMC ordenada pela mesma ideologia?

Contudo, na fisiocracia o camponês (agricultor familiar) religiosa e espiritualmente organizados não usam insumos, mas manejam o ciclo da Matéria Orgânica na Agricultura, pelo qual não há insumos, nem bio-insumos apenas sabedoria e patrimônio camponês desde os tempos do Crescente Fértil ou Chinampas e Terra Preta Indígena da Amazônia solos mais férteis elaborados pela inteligência humana. É com eles que trabalhamos para obter aqueles solos em cada bioma na América Latina e África.

A normatização induzida visa impedir cercear a evolução libertária do processo tecnológico ou capturá-lo para servir como preparatório barato dos bio-insumos das grandes e gigantescas empresas corporativas que começaram com manufatoras, indústria de alimentos, Complexo Industrial Militar de Eisenhower, e agora busca a hegemonia final, através de propaganda, publicidade e normas legais, ignorando o direito consuetudinário de populações indígenas. Seria redução não referenciar o marco que marca quando o indígena passou a ter um direito, quando a terra preta existe em todas as tribos e territórios desde muito antes. Eu a conheci em Anchieta ES há mais de cinquenta anos aqui e em Serra Leoa na África no ano 2000. A insurgência determina, que o Tribunal Internacional em Haia, nos Países Baixos é um bom remédio

Nunca, antes pensei que cabeças reduzidas pudessem ser mais que macabras, agora as percebo pornográficas. Lembrei a excursão ä Nova Guiné na busca de vírus para armas militares; a importação de crianças do povo Kuru, por Gaydusek, P. Nobel e a morte de M. Rockefeller, por aqueles nativos de hábitos canibais e a represália militar então feita.

Na semana da pátria, desejo a todos, com boas cabeças, uma excelente comemoração a cidadania merece amor, humildade e fraternidade. O professor Joan Martinez Alier é uma boa leitura. Para enfrentá-los é necessário ter feito anteontem o mesmo dia do calendário do próximo século e esperá-los.

 

 

 

segunda-feira, 27 de março de 2023

Haverá Guerra Transcontinental?

 

25 de março

Por Sebastião Pinheiro

Lisarb projetou a arte do convite na tela. Cada convidado trará para si (e para cada um dos outros) quatro porções de frutas, sementes ou sobremesa preparada, a servir ao natural/quente, em 4 oportunidades, uma vez que o tema exige um corpo desintoxicado. Será a única refeição até ao final do Seminário, quando teremos Hummus (Homus) e Vinho. O Tema é: Haverá Guerra Transcontinental?

O Machi, Mapuche, já haviam separado cestas de palha com cerejas de Bío Bío e enchido uma taça com tizana de rosa mosqueta tão vermelha como a fruta e abençoada pelo toque do kultrun e do canto sagrado.

O quilombola Ialorixá trazia sementes de fruta-pão assadas na brasa e o cheiro era algo enternecedor. Abençoou-os e pediu a cada um que se servisse, pois estavam quentes e assim deviam ser comidos. Trouxe vinte cocadas, metade brancas e metade queimadas. Sua bebida era suco de Tamarindo do Raso de Catarina no meio do deserto, estava fria, também para ser servido.

O Xamã Ashaninka com tanta serenidade que parecia ver com os ouvidos, expôs suas bananas também assadas envoltas em folhas da própria bananeira. Explicou que a bênção era feita antes e depois da colheita e na chegada ao final do assado. O suco era feito de cupuaçu e pasta, irmã do cacau, que também estava resfriado. Recomendou misturar a banana com cerejas para realçar o paladar agridoce.

Spooky, abriu um saco de algodão bem branco, cheio de sementes de abóbora, torrada e com pouco sal; para complementar, trouxe também o Doce de Leite da Argentina, que é mais preto e menos doce que os dos vizinhos, que é mais doce e mais claro. Sirvam-se, pois meus dedos estão amarelos por causa da escama dos meus charutos. Lisarb projetou uma jabuticabeira bem carregada e rindo disse: É uma fruta da Argentina, Bolívia, Paraguai e Brasil. O segredo delas é comê-las devagar e cada um controlar sua vontade e apetite, acho que há o suficiente.

A Machi era a reitora entre todos, tomou um gole de tizana e com muita cerimônia, com os olhos semicerrados, disse: Os últimos cinco anos foram os piores do planeta devido ao isolamento em chamas de toda a população mundial com medo, terror pelo Sars Cov-2 e suas mais de seis milhões de mortes oficiais, 700 milhões de pessoas com sequelas das mais raras ainda em perspectiva. E se tudo isso não bastasse em meio a uma mudança de liderança econômica e financeira. O Delfín que surge, um império de três mil anos, que já foi dividido como uma pizza, em 1855; ou como o continente africano em 1885 pela mesma Europa.

Antes do fim da pandemia, tivemos no saque da URSS o agrupamento de pedaços de cinco impérios antigos se reagrupando como a Aliança Militar Europeia. A leitura e interpretação não podem ser as dos meios de comunicação, confessional e com compromissos de alienar ou fidelizar transeuntes.

Minha maior preocupação é que hoje a má educação e os comportamentos dão maiores poderes à publicidade e aos governos populistas/conservadores. É um mundo totalmente diferente de outras épocas com os mesmos riscos e choques que a história registrou. Isso faz que o trabalho de conscientização cultural-religiosa seja mais importante para combater os perigos que, a meu modo de entender, faz os riscos ascenderem muito. Vimos a eleição de um jovem presidente e um constituinte escreveu uma nova carta, mas era de demasiada ousadia. A questão é: o controle da ousadia é interno ou mais externo à sociedade e aos sonhos, quando serve de propaganda empresarial para impor o medo? Ela serviu-se de tizana quente e comeu porções de banana cozida alternadas com cerejas.

O Xamã olhou para a Ialorixá, mas com um grande sorriso ela disse que ele devia falar. Ele tomou um gole de suco de tamarindo, sorriu e disse: - Esse convite nos possibilitou trazer alimentos, todos nós trouxemos plantas que não são nativas de nossas regiões. Todos os alimentos trazidos vêm de longe dos nossos territórios, cultura e sociedades. Este é um exemplo fantástico do poder de persuasão que se tem, ainda mais para alcançar a paz, a saúde ou a fé. Porém, quando o ouro entra em disputa, tudo vai para o segundo, terceiro e até último plano, pois nós, como já foi dito, não temos poder de decisão para lidar com nossa autonomia, vontade ou futuro, mesmo que estejamos em o canto mais remoto do planeta, como nós no coração da Amazônia, o mesmo no Congo, Bornéu ou no Ártico. As soluções que beneficiem os poderosos também se tornam prioridades para todos os demais, que ficam até impedidos de buscar suas alternativas com outras prioridades, já que não é permitido dissenso ou questionamento sobre alternativas, salvo os nichos comerciais exóticos de mercado. Porém, no campo espiritual aproveitamos para ampliar o debate em meio ao isolamento com a discussão do mundo global que entrou em toda a comunidade e fomos obrigados a explicar os problemas, que não existiam para nós e assim, ao explicá-los aos nossos, começamos a perceber que nossas discussões e alternativas eram muito mais espiritualizadas e profundas do que as dos países mais avançados, ou setores nossos mais modernizados que os imitam. Este aprendizado é algo tão novo e rico que não pode ser perdido sem uma socialização com vocês. Balançou a cabeça agradecendo a atenção.

Lisarb saboreava uma tizana de rosa mosqueta e alternava jabuticaba e cereja misturando na boca. Spooky comia cocada queimada e cereja alternando os pedaços com a fruta e bebia suco de tamarindo.

Os dois olharam para a Ialorixá, mas ela ainda não queria falar e Spooky recebeu o gesto de Lisarb. Começou, amigos, é indubitável que essas duas primeiras manifestações são muito ajustadas à realidade do seminário e se complementam em todos os sentidos, como os alimentos que juntamos para atender ao nosso gosto e paladar. Após as sete rodadas do GATT, percebeu-se que a oitava rodada de Punta del Este ou Uruguai seria a última, pois era esperado que Gorbachev não ia permitir a continuidade da Guerra Fria. Mas, nós não lemos a ruptura silenciosa entre os russos e os chineses por ação dos russos.

Quando os chineses explodiram sua Bomba atômica e depois a bomba de Hidrogênio, o "tigre de papel" rugiu mais do que respirou. Começaram então as questões ambientais europeias para o mundo, como novos segmentos de serviços do terceiro setor com perfis bem europeus, até a queda do muro e a Europa, que planejava expandir suas fronteiras virtuais para a América Latina e vinha investindo na ONGs latino-americana de caridade ambientalista, teve que voltar para os países do Leste recém-saído do jugo soviético. Lá, o totalitarismo saiu do outro lado do muro e passou por aqui com os governos fascistas para se fortalecer em vários países, para além do conservadorismo de Thatcher, Reagan ou João Paulo II, em sintonia ultrafina.

A China saiu de uma guerra civil de dez anos com as transformações de Teng Hsiao Ping e em pouco tempo vimos as relações do mundo mudarem, e as manifestações ocidentais na Praça da Paz Celestial, com o ser humano parando uma coluna de tanques de guerra e a leitura latino-americana vendo versos do confucionismo rolando nas imagens. Não sabemos o que aconteceu, alguns dizem 400.000 prisioneiros. O Ocidente esperava uma Guerra Civil que eliminaria o delfín, como diziam os Machi.

Vimos a Inglaterra entregar Hong Kong sem alarde e a política chinesa em seu território é muito menos violenta do que os estrangeiros desejavam. A grande crise mundial foi em 2008 com os bancos nos EE.UU.

As provocações de Trump com as acusações tampouco elevaram a pressão sobre os chineses. O SARS-Cov2 seria a bala de prata do Ocidente contra os comunistas e terminou que os chineses tiveram o menor impacto em sua economia. O mesmo não acontece com a ilha de Taiwan (Taipei), onde Nancy Pelosi foi provocar. Enquanto no Ocidente tivemos uma concentração de riqueza nunca antes vista, mesmo nos países com os maiores índices de mortalidade pela pandemia.

Hoje novamente a situação parece ser grave devido à questão estratégica da renuclearização política da Ucrânia contra os russos, em situação idêntica à de Brest-Litvosky em 1918 onde foram criadas cinco nações e hoje os cinco desmembrados do império russo querem ser catapulta da OTAN e a Ucrânia é bombardeada há mais de um ano, onde os tanques ocupam a Central da Usina Atômica Zaporyzhyzhya.

Os chineses são os traficantes, não os russos. Porém, ninguém é louco de tentar provocar os russos.

Nós na África e na América Latina temos um problema que não é fácil, que é a questão do clima, que não se resolve com economia diplomática ou serviços. É um problema com solução local e mundial, mas não por meio da economia ou sua ideologia onde o governo do Ato Institucional N.18 impediu a fiscalização do trabalho não digno (semelhante à escravidão com mais de 60.000 vítimas) e outros genocídios.

A esperança está na natureza, na cultura e na sabedoria das minorias com suas fontes de dignidade humana, por sua independência de modelos opressores. Essa é a grande coisa que deve ser ensinada aos países industrializados com suas ocupações de territórios e meios de produção para dominar a venda de commodities como se fossem alimentos de áreas arrendadas. Isso é para te acompanhar e ver até onde você vai nas disputas internacionais com as questões da Amazônia, commodities e as grandes fusões de empresas.

Parece inverossímil, mas a autonomia e a soberania dos países em desenvolvimento com patrimônios estratégicos na natureza dependentes de suas minorias até hoje excluídas ou segregadas. No entanto, essa é uma discussão cidadã muito mais interna do que internacional.

A Ialorixá levantou-se com alegria e continuou, era o que eu precisava, uma explicação histórico-política da dependência programada dos militares corruptos e autoritários disfarçados de salvadores ideológicos que criaram as condições econômicas subordinadas a interesses externos. Entre os mais humildes, a sabedoria dos mais velhos é mais que experiência e memória, é a cultura de evolução de cada clã ou família. Com políticas públicas se transformam em construções exemplares com amplos objetivos sociais como Gandhi fez na Índia não pela independência, mas pela dignidade humana.

Por outro lado, vimos como a escola Trump/Bolsonaro usou e abusou do dinheiro público para alimentar o ódio e obter resultados ideológicos. Ambos receberam respostas dos afrodescendentes mais humildes e conscientes. Isso que suas manobras seguiram o mesmo modelo com abundância de recursos ilegais. O que precisamos na escola, na família, na juventude e na sociedade como um todo são medidas culturais de políticas públicas de orgulho e autorrespeito, exemplos para aniquilar definitivamente a corrupção segregacionista de etnia, religião, costumes e comportamentos. Este é o caminho da reconquista. O Brasil do Agronegócio é insustentável e está na contramão do mundo da saúde, da qualidade de vida, retardando os estertores do império exangue e em desespero.

Dizia-se que, nesta mesa recheada, existe a cultura do século XVI que distribuía alimentos. Só a jabuticaba é local. Porém, ela no Brasil é mais exótica que as mais conhecidas guindas-cerejas. Para o cidadão, a educação sem propaganda educa, pois não leva ao consumismo, mas à cultura o que vimos na agricultura, na saúde, na educação no período autoritário foi a importação da propaganda ao invés da divulgação social ou publicidade do amor-próprio e autoestima na humanidade, escondendo que isso era a ideologia do poder do capital privado de outros países. Essa propaganda aliena sem educar por isso ela é violenta, porque é exótica à cultura e à dignidade humana. É a minha colaboração, somos dignos.

Lisarb, com uma cara de riso: eu fui quem mais comeu e bebeu aqui. Conheço a cereja e a banana há muito tempo em seus territórios e costumes. Aqui tive a oportunidade de combinar o sabor de um antes do outro e vice-versa e agora tenho algo único que é a possibilidade de explicar como um muda o outro e quais são as consequências que observo, que não são as mesmas para cada um de você em particular.

Quando toda a nacionalidade é trazida à frente da televisão para ver comportamentos estranhos de grupos juvenis como "coelhinhos da índia - cobaias" na extração direcional, é bem diferente das campanhas de Gandhi e os objetivos são apenas o consumismo e a alienação antagônicos aos seus. Ignoramos as relações entre o "Alyah dos Judeus" da União Soviética após a Guerra dos Seis Dias em 1967 com os BBB ou os Master Chef, nem sabemos o que foram os "Diploma Tax" criados e como todos os perfis psicológicos extraídos nos Presídios e Gulags Soviéticos foram transformados em instrumentos de dominação, marketing ou políticas públicas ocidentais e de mercado, além das estratégias do nazismo, após a migração de mais de dois milhões de pessoas para a Palestina e EE.UU. Palestina que foi obrigada a distribuir mais de dois milhões de pessoas no mundo, mas não como os alimentos do século XVI, mas com ódio e exílio, que a propaganda do mercado e a ideologia alimentam, escondendo que quem experimenta a percepção e o novo paladar na comida adquire cultura e constrói como na música, na dança, que orienta. O sabor do som, o paladar da dança e da música na euritmia é o poder de aumentar e enriquecer a diversidade. Isso é a fraternidade e a paz.

Trump/Bolsonaro com suas violências buscaram estreitar a diversidade contrária à cultura. Suas fantasias ficaram expostas aos menos alienados como agressões e crimes contra a cidadania. Os ignorantes do BBB, Master Chef e seus periféricos ainda não conseguiram entender o que aconteceu, como no dia 8 de janeiro em Brasília. A reação foi forte o suficiente para derrotá-los, principalmente por parte das populações tradicionais menos influenciadas pelo consumismo que agora tem os militantes (influenciadores) do consumismo, sem dignidade, sem respeito à vida, pregando o fascismo numa sociedade diversa e que era feliz, mesmo na pobreza, que hoje cultiva o ódio e a violência na miséria. O câncer é o que mais mata crianças nas estatísticas.

Não vemos, mas esse é o problema dos militares, obrigados a seguir um regulamento porque não é permitido aprender com a diversidade. Ele é submetido ao escrutínio de preceptores ideológicos e inquisidores.

O bom exemplo no mundo são as revoluções onde os melhores exércitos regulares foram destruídos pelos insurgentes de camponeses com grande diversidade cultural e simplicidade, como no México e na China, onde a conquista ou restauração da terra cria um novo humano que é corpo e espírito daquele camponês que lutou em armas por valores diversos, ética que provoca inveja, como dizem: longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos. Mas os Estados Unidos sabem muito bem o risco que correm no tempo espaço das crises. É por isso que o mote do nosso seminário é fracasso. Não vai haver uma guerra intercontinental, mas não me anima a prognosticar a situação intestina, pois já estivemos várias vezes a 10 segundos da meia-noite do relógio nacional. Não é uma questão de medo ou esperança. É o sentido da canção, da sabedoria que faz a hora, e não espera pelo programa de televisão.

Todo o trabalho é para aumentar a biodiversidade, principalmente na cabeça de militantes preguiçosos, que se julgam importantes e vaidosos porque nunca foram camponeses, mas seus parasitas. Deixam a jabuticaba ser menos exótica. Levando-a para o mundo, alimento tão digno quanto o Hummus.

A besta retorna e o navio parte, due storie per bambini, Carpe Diem.

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