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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Chinampas

Foto: arquivo Fundação Juquira Candirú - Colômbia/México/Brasil
Recentemente a FAO (a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) reconheceu as Chinampas como um Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Mundial - SIPAM. (vídeo FAO)

No Brasil pouco se sabem ou é divulgado sobre a riqueza destes solos. Em nossas universidades de agronomia se quer são citados por professores em sala de aula. Pela sua riqueza dynamis e a sabedoria humana acumulada no tempo merecem uma aula inteira com práticas de laboratórios para que o estudante possa tocá-lo, fazer cromatogramas e extração húmicas, bem como, se possível ter unidades de observação - reproduzir o sistema de chinampas em pequenas áreas; temos muitos pesqueiros por aí - 'pesque e pague' - que daria para iniciar algo próximo ao ideal.

Fonte: blog Carol Daemon
"A chinampa (da palavra Nahuatl chinamitl, ou seja, cobertura ou uma caixa de palitos) é um método Mesoamericano antigo para a agricultura e expansão da terra, através de uma espécie de ilhas artificiais. Eles foram usados ​​para cultivar flores e legumes e para expandir o espaço de terra utilizável na superfície de lagos e lagoas nos vales do México."  Este pequeno trecho copiado do blog da Carol Daemon que esteve visitando o México e nos compartilhou um bom post que recomendo a leitura. (blog Carol da aqui)   

O que nos diz o maestro Sebastião Pinheiro em teu mais recente livro: Saúde no Solo x Agronegócios, (pg 134, 135):

"Quanto ao húmus, na agronomia se ensina desde 1826 que, o solo é o suporte inerte das raízes, e não há importância em seu conteúdo, mas na Lei do Mínimo desenvolvida por Cal Sprengel/(von Liebig), o que foi entendido desde um centro à uma periferia com a intensidade da aculturação imposta e fidelidade devida, sem discernimento sobre os interesses financeiros, econômicos, militares ou religiosos ocultos. O acúmulo de conhecimento neste século e meio consolida o saber, tecnologia e ciência sobre a edafologia através de métodos, protocolos, convenções, legislações, normas, classificações que, agora, pela mudança de matriz são jogados de lado e "esquecidos" peremptoriamente pelo, que surge e deve lenta e gradualmente substituir o anterior sem qualquer percepção de causa-efeito. O solo mutatis mutandis continua o que sempre foi apesar da catequese confessional dos especialistas de turno.

Entretanto, no México há mais de três mil anos agricultores Tlatlelolco, Teotihuacanos, Olmecas, Toltecas e Mexicas construíram pequenas ilhas que flutuavam sobre os lagos Chalco-Xochimilco e Xochimilco-México ou Texcoco, uns eram de água salobra devido as cinzas e água dos vulcões Popocatepelt e Iztaccihuahtl, e outros de água doce, que para não se misturarem tinham diques (Albarrada) e Aquedutos de Chapultepec construídos por Netzahualcóyotl (1450), mas os espanhóis os destruíram e as águas se misturaram com problemas para o abastecimento de alimentos de Tenochtitlán, já com quinhentos mil habitantes...

Para formar estas ilhas flutuantes se afundava na água matéria orgânica que fermentava em ambiente redutor no fundo do lago. Esta lama colocada sobre estrados de madeira formava as ilhas e a matéria orgânica em contato com o ar se oxidava imediatamente, e, em poucas horas era possível cultivar legumes, hortaliças e flores, como ainda hoje vem sendo feito na cidade do México que tem vinte e cinco milhões de habitantes. Estas ilhas flutuantes com centenas de metros de solo formado pela mão humana são conhecidas como Chinampas e garantiam o sustento de seus habitantes. O interessante é que com a fermentação redutora, a matéria orgânica se decompunha em meio a gás sulfídrico, e todos, os sais eram precipitados como sulfetos altamente insolúveis (Kps = 1 x 10-18). Assim se conseguia separar o Cloreto de Sódio, sal altamente tóxico para as plantas e que impede a agricultura, pois o sal ficava solúvel na água sem transtornar a agricultura. Ao mesmo tempo em que preparavam a fermentação da matéria orgânica, eliminavam o sal, o que é fantástico. Mas, qual a importância da presença de lipídeos nessa lama, que solubiliza e retinha substâncias sulfurosas orgânicas importantes para o metabolismo dos microrganismos do Oxigênio? - Há algum grande edafólogo ou naturalista que tenha registrado em sua obra ou ensinado isso aos seus alunos nos últimos quinhentos anos? - Infelizmente, nem no México por razões óbvias.
Fonte: D E M X

As Chinampas de Xochimilco continuam tão ativa hoje, quanta aquela de dois mil anos atrás... Ainda no México pude acompanhar a produção de abacates em Michoacán, aonde se chega a colher até cinco safras em um mesmo ano. A presença do Paricutín e outros vulcões formaram ali um solo sobre cinzas vulcânicas e o ambiente fez desenvolver uma serule com predomínio de fungos micorrízicos. Estes solos negros classificados como andosoles de cor escura em solução têm alta viscosidade pela presença de glomalina, proteína desenvolvida pelos fungos micorrízicos. Trabalhando neste solo com um geólogo-agrônomo mexicano percebemos que ao usar farinhas de rocha se aumentava a atividade microbiana do mesmo comprovado pelos cromatogramas de Pfeiffer (especiais devido à riqueza de ácidos húmicos). O mesmo se pode fazer em Medelín na Colômbia em solos muito parecidos e também bastante viscosos. O uso desta terra como 'inoculante' nos compostos fermentados do tipo 'Bocashi' produz cromatogramas perfeitos."
  Sistemas de Chinampas e Canais: ...continue com a curiosidade por Aqui, estudem!

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