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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

sexta-feira, 28 de julho de 2017

AGRONOMIA E PODER NO BRASIL

Rio Paraíba do Sul por Johann Moritz Rugendas, (1820-25)
Sonia Regina de Mendonça
Programa de Pós-Graduação em História (UFF)
Investigadora do CNPq - Brasil


- Não lhe agrada fazer as coisas diferentemente. Pensar com independência, estar apartado, é penoso; se sofre... Em vista disto, que muitos agrônomos adere ao rebanho. 'A vida é algo extraordinário e não estaciona'. Não tornemos apenas uma mente que acumula, decora, imita, copia e por assim ser, não compreende e perde a capacidade de criar. Sabemos que é difícil e é luta que segue, mas, se não tentardes, nunca apalparás o real experimentar, quiçá da real independência, já que historicamente vivemos numa falsa, e corrupta e ilusória democracia. '...a inteligência é a liberdade da pressão do tempo;' de alguma maneira, investigue...    
Investigue!  e viva a vida. abraços O.Blanco

ESTADO, SABER E PODER NO BRASIL

RESUMO

O trabalho analisa as relações estabelecidas entre Estado, Saber e Poder no Brasil da primeira metade do século XX, enfatizando o caso do Ensino Superior Agronômico, a partir do estudo de duas das mais importantes escolas de agronomia do período: a de Piracicaba e a do Rio de Janeiro. A análise baseia em densa pesquisa sobre o perfil dos corpos docente e discente de ambas as instituições – sua procedência regional, social, familiar, etc. - bem como na apreciação das estruturas curriculares vigentes nas duas escolas estatais e respectivas alterações dentro dos marcos cronológicos estipulados. A partir desses dados é possível verificar a existência da formação de dois habitus de classe distintos, segundo as instituições frequentadas e as frações de classe a cada uma delas vinculadas: um destinado basicamente à reprodução da condição de classe dos agrônomos, e outro voltado para a construção de uma “nobreza de estado”.
Palavras-chave: Estado, Poder, Ensino Superior, Agronomia.


Agronomia, agrônomos e política no Brasil (1930-1961)

RESUMO 

Estudo comparativo dos projetos para a agricultura brasileira veiculados por duas entidades profissionais de agrônomos no Brasil entre 1930 e 1961: a Sociedade Brasileira de Agronomia e a Sociedade Paulista de Agronomia. A pesquisa nos periódicos das agremiações aponta suas principais práticas e fornece seus quadros dirigentes, dando inteligibilidade a ambos os projetos. Se os dirigentes da SBA defendiam o incentivo estatal à diversificação agrícola para exportação, os agrônomos da SPA, articulados à grande burguesia industrial paulista, propunham, já nos anos 1940, a industrialização da agricultura mediante a utilização de insumos industriais, sobretudo tratores. 

Palavras-chave: Estado, agrônomos, Sociedade Brasileira de Agronomia, Sociedade Paulista de Agronomia.


Estado e Ensino Rural no Brasil na Primeira Metade do Século XX: Balanço Historiográfico

A questão das relações entre grupos dominantes agrários e Estado no Brasil tem sido objeto de minhas reflexões, sobretudo no que se refere ao âmbito do mundo rural, embora permanentemente redefinida e ampliada1 como no caso do presente artigo, cujo objeto é a crítica à historiografia sobre as políticas de Ensino Rural - primário e médio - no decorrer da primeira metade do século XX.

O Ensino Agrícola -em seus níveis elementar, médio e especial - foi originalmente implantado no Brasil pelo Ministério da Agricultura na década de 1910, uma vez que a conjuntura do imediato pós-abolição da escravidão havia tornado premente, para os grupos dominantes do país, estabelecer balizas mínimas que redefinissem e assegurassem o controle e a tutela sobre a dita “população rural brasileira”, agora também integrada por ex-escravos e seus descendentes. Daí o surgimento das primeiras instituições dedicadas ao “Ensino Agrícola”, cuja premissa consistia em fixar a terra jovens filhos de rurícolas - a serem dotados das noções elementares de um saber prático – e também a infância desvalida das cidades, encaminhada ao campo para viver em regime de internato.  Entre 1920 e 1930, os debates sobre este ramo de ensino se complexificaram em face da multiplicação de atores sociais auto-investidos da legitimidade de ingerir junto à matéria, polarizando a disputa sobre as políticas de Educação Rural em torno a duas propostas: 1) a escola rural como instrumento de alfabetização ou 2) a escola rural como instrumento da qualificação para o trabalho. A vitória desta última posição não impediria que, a partir da implantação da ditadura de Getúlio Vargas, entre 1937-45, fosse resgatada a chamada vertente ruralizadora do Ensino Agrícola, centrada no binômio Educação e Treinamento/Capacitação.

Ou seja, até as décadas de 1940 e 1950, seria a instituição escolar o elemento viabilizador de ambas as vertentes. O contexto da Guerra Fria do imediato Pós II Grande Guerra, entretanto, ao favorecer a multiplicação de acordos de cooperação técnica entre os governos brasileiro e norte-americano, promoveria uma ruptura nesse quadro, levando à substituição da escola rural por agências de cunho assistencialista, tanto técnica, quanto socialmente falando.

 

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