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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

MORREU MANDELA


Morreu Mandela. Rezei e me lembrei de Miriam Makeba, a cantora xhosa ousada que em 1968 denunciou a situação dos negros no Rio de Janeiro contrariando a ditadura e sua festejada democracia racial brasileira. Ela saiu daqui quase que corrida rumo à Buenos Aires. Vocês não lembram? É que não saiu na imprensa, e, História é detalhe para pesquisas.

Estou bastante assustado a sintonia entre os boletins nacionais e internacionais sobre a morte do líder africano parece uma coisa só. Contudo, percebi uma frase muito insinuante dele em sua última sessão de fotos: “Um dia na prisão, eles disseram, Madiba você pode ir para casa”.

Anos sessenta das mulheres “Maus-Maus” que liberaram o Quênia colonial, então a Suíça Africana; lembro também do filme “Guerilla” com Sidney Poitier & Rock Hudson. É que nas Rodésias (Southern & Northern), onde o racista Ian Smith representava a coroa haviam menos de três por cento de brancos e o restante estava em escravidão mesmo. Situação não diferente da que Piers Botha impunha à África do Sul, entretanto um pólo financeiro importantíssimo e a chave geoestratégica do Atlântico Sul e Índico para o socorro à Austrália e Nova Zelândia.


O que significa você pode ir para casa, Madiba? Jimmy Carter com seus Direitos Humanos jamais falou em Mandela. Será que não o conhecia? Não estranhe. Quando o tenente William Caley cometeu o massacre de crianças e civis em My Lai em março 1968 durante a Guerra do Vietnã, Carter então governador, no dia da condena à prisão perpétua instituiu o “Dia do U.S Combatente” e conclamou o povo a dirigir com os faróis dos veículos acessos durante o dia por uma semana como reação ao veredicto da condena do militar. O pior que o criminoso de guerra era cidadão da Flórida sem nenhuma passagem pelo Estado da Geórgia. Era o ano do segundo transplante de coração feito pelo Dr. Christian Barnard no dentista Blaiberg.

Mandela já estava preso há dezesseis anos quando Reagan (1980), para reforçar a importância estratégica e financeira da África do Sul declarou aquele prisioneiro: terrorista. É preciso explicar: A África do Sul por conta de sua importância estratégica ocupou a antiga colônia alemã conhecida como África do Sudoeste após o final da Primeira Guerra Mundial e a manejou como seu território ocupado por ordem superior em função das reservas de Urânio.


A ONU revogou as pretensões territoriais dos sul-africanas em 1966 quando já havia Guerra de Liberação da Namíbia (SWAPO), em 1974 com a retirada dos portugueses de Angola e Cabinda a situação ficou tensa no xadrez da Guerra Fria e a chegada de tropas cubanas com logística soviética condenou a África do Sul a desaparecer em pouco tempo. A situação era tão delicada que até o Irã do Xá Rheza Pahlevi, Israel e China enviaram apoio militar para o regime racista dos sul-africanos, que sequer podiam comprar petróleo internacional, mas discretamente eram abastecidos pelos EUA. Nesta época o mais interessante é que em toda a Europa era possível comprar as moedas de ouro de “Rands”, para custear a guerra.


Um fenômeno estranho foi registrado por satélites soviéticos na Atmosfera Antártica, a explosão de um artefato nuclear. No BBA em Detmold, Alemanha foram feitas análises de trigos argentinos para a detecção de resíduos radiativos e se saber o tipo de bomba detonada... 


Em 1988 na comemoração do meio milênio da conquista sobre o Cabo das Tormentas e abertura para o Indico foi organizada uma comemoração com os africanos recebendo os marinheiros de Bartolomeu Dias. Mas era uma praia para brancos e os africanos foram proibidos de participar. Os organizadores internacionais foram aconselhados pelos sul-africanos a pintar os atores brancos com tinta preta. E assim foi feito. - Madiba, você pode ir para casa!

Quando as tropas da SWAPO-MPLA e cubanos estavam prontas para entrar em território da África do Sul os grandes banqueiros e seus diplomatas estabeleceram o stalemate, não uma derrota ou armistício. The Piltdown Man não ocorreu na África do Sul, mas há a grande sombra sobre o uso do vírus HIV como arma militar na Guerra da Namíbia. Ali há zonas com 55% da população negra infectada.


Ainda na prisão em 1985, Mandela foi operado de hipertrofia da próstata em preparação para sua nova função. Porque não operaram antes?


Da cartola foi tirado o nome de Mandela descendente de uma dinastia tribal xhosa com liderança reconhecida nacionalmente e internacionalmente e seguramente mais confiável que os zulus. Mandela libertado em fevereiro de 1990 e sua agremiação (ANC) pode organizar-se. Foi levado ao Fórum Econômico Mundial em Davos em 1992, onde com beneplácito do CIRF recebeu a autorização da passagem de mando substituindo a de Klerk. Foi então muito festejado por Clinton e pela mídia mundial.


Mandela podia significar uma transição pacífica e estratégica no Atlântico Sul, um dos maiores centros financeiros do mundo, produtor de diamantes e ouro, além de metais estratégicos Há quem diga que a África do Sul, fora o Egito tenha quase noventa e cinco por cento do PNB da África. É sabido que a economia de Moçambique tem na África do Sul mais de 80% de sua origem. Sim, ele significou a transição, mas a situação da grande maioria negra não vai muito além do que ocorria, houve uma melhora de comportamento da elite. O massacre dos mineiros no início deste ano mostrou que a intolerância policial continua em alta e os níveis de desemprego beiram 30%.


Os Moguls (Time-LIfe, Rupert Murdoch, Ted Turner CNN, BBC) pasteurizam e recheiam as informações com ideologia política com fins mercantis. Deveríamos tomar medidas para impedir este tipo de desrespeito e aculturamento. A memória de Mandela é bem maior e sua ação merece muito mais respeito que os repetitivos estereótipos doentios.


Mandela talvez tenha dito a frase mais simbólica na sua última sessão de fotos: “Um dia na prisão, eles disseram, Madiba você pode ir para casa”. A foto de seu reflexo através do espelho é significativa. Como diria o famoso sociólogo (Pela mão de Alice): Há alguém atrás do espelho. A foto do condenado com o “Necklacing” é de Kevin Carter.

Sebastião Pinheiro


 "Perdoem. Mas não esqueçam!"

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