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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Desbunde


por Sebastião Pinheiro

Não é que há dez dias um casal de tesourinhas (Tyrannus savanae) (foto) fez ninho em meu barraco. Minha alegria foi empanada pelo luto esportivo, pois nos últimos nove dias a bandeira nacional esteve a meio mastro por luto cívico em algo que se for classificado de acidente provoca risos nos países mais sisudos. Ontem ao vê-la novamente na cima do mastro vieram as catástrofes e a mídia pretendeu-me um emotivo “torcedor”:

1) A cidade do Rio de Janeiro transformou-se em uma praça de guerra. A igreja usada como parapeito de “snipers” da PMRJ, pois os desgraçados resistiam a pagar a conta dos ladrões e cafajestes com mandato;

2) Os preceptores dos “juizecos” foram chamados a consolidar o interesse de outro poder contra um arroubo de virtuosismo de um colega e acabaram sentando sobre sua “obra” que está hedionda. Pelo que renego delegar minha cidadania.

Lembrei o dia 02 de maio de 1982, quando para elevar sua popularidade e possibilidades nas eleições M. Thatcher autorizou ao submarino atômico HMS Conqueror usar a bandeira pirata (Jolly Roger) e usar um torpedo atômico contra o cruzador argentino ARA Belgrano (foto), que estava escondido no Oceano Pacifico bem distante da área conflagrada. O resultado foram 323 marinheiros mortos, que poderia ter ascendido a 1.200 não fosse a solidariedade da Armada chilena em seu território a salvar outros 800 da morte. Sim, lá o uso da bandeira pirata, o duplo 00 ou induções e manipulações com o Estado Islâmico autorizam os crimes sem alterar o estado de direito, mas isto é feito às escondidas da constituição, pois tanto o comandante do submarino, o agente secreto assassino quanto o terrorista sabem que não contam com o amparo legal para suas ações.
Estou engasgado, entalado com a ânsia de “sempre, antes na história desse país” no show televisivo a garantir a impune tranqüilidade de um contumaz malfeitor público que tripudia, “serial” com doze processos, mas foi, agora, condenado a não poder envergar a linha sucessória, até parece uma piada, pela pompa com que foi anunciada a “punição”.
Não é casualidade que faltando uma semana para o 48º aniversário do Ato Institucional Nº 5 os membros do STF faltaram não com o povo, sociedade e país, mas ex officio com sua auto-estima e amor próprio, depois do que disse o Procurador Geral do país (sim, republica é outra coisa).
Estive buscando uma palavra para definir a tudo e todos. Finalmente a encontrei: DESBUNDE. O termo originou-se nos anos 60 após a quebra do regime democrático, significando os que abandonavam a resistência deslumbrados com a propaganda das obras governamentais, futebol, bundas na TV e a miríade de modelos de carros que passaram a ser oferecidos ao público. Era muito estranho, em um país onde se lê meio livro ao ano nas livrarias havia “Mein Kampf “de Adolfo Hitler em português ou se via Bandeira do Brasil hasteada em butecos e “Rendez Vous”.
Sim, ontem surgiu o DESBUNDE TOGADO e não precisa projeto ou lei para acabar com a “Operação Lava Jato”, já moribunda, mas é diversão para a alteração constitucional na Previdência Social e confisco do direito dos esfarrapados para garantir as regalias dos togados, fardados, e, principalmente dos com “mandatos” sem que os responsáveis estejam na cadeia.
Então, os preceptores de “juizecos” se arvoram em salvadores da pátria e tripudiam como em programas do Flávio Cavalcanti, Chacrinha ou Silvio Santos para vilipendiar a lei maior. O mais duro foi ver parafraseado o poeta imortal.
Verdadeiro “luto” no significado primeiro de sua expressão: “processo de adaptação emocional que segue a qualquer perda”; ou no segundo como verbo no presente do indicativo.
Já nossos "motoboys" em Londres não engrossam a Previdência, pois não há acidentes já que a Jolly Roger não é permitida.
Pobre von Clausewitz, sim política (sem ética) é a arte do impossível em todos os poderes como em um buraco negro 48 anos depois tudo jaz como antes no quartel de Abrantes e o Primeiro Comando da Capital consegue a paz entre torcidas de futebol, o que a Lei nunca conseguiu.


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"no artigo 5º, inciso IV da Carta da República: 'é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato'."

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