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'Ofereço-me para cooperar com amor a fim de compartilhar a abundância de meu coração.'
'Comunico-me sem apegos e descubro a harmonia de evoluir na Terra.'

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Está com a macaca

por Sebastião Pinheiro
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Esperando minha partida para os manzaneros de Chihuahua, hoje eu “acordei com a macaca”. Essa é outra expressão tomada pelo brasileiro das línguas Banto (Bantu). Estar com a macaca ou acordar com ela significa estar muito alegre, rindo à toa. Não, não tergiversem, pois não tem nada a ver com os comentários desairosos feitos por uma cretina apoiada pela prefeita lá nos States que foi obrigada a renunciar. Mas, cá entre nós, a despedida de Obama elogiando Angela Merkel não eclipsou, realçou a “nomeklatura” no governo Trump, um “golpe de manopla” (foto) no queixo do canastrão eleito; Na lista, como dizia Jânio Quadros: “Estão desde Belzebu a Mefistófeles”, enquanto na Suprema Corte Tupiniquim houve um bate boca, pois o julgar é preterido pelo governar através de sentenças.
Dois governadores presos, dias após a Presidente do 3º Poder parafrasear seu conterrâneo D. Ribeiro: “Se não forem construídas escolas, dentro de 20 anos não teremos recursos para construir presídios suficientes”. Uma pena que ela não esclareceu que aquele Ministro da Educação, amigo de Anísio Teixeira revolucionou a educação nacional em pouco tempo pelo que foi chamado a mais de 20 países latino-americanos para reformular suas escolas/universidades. Foi um dos primeiros listados para ser expulso do país na ordem do golpe norte-americano em 1964. Em seu retorno, idealizou, planejou e construiu como vice-governador quase 300 CIEPs no Rio de Janeiro. Serviu de pretexto, não de modelo para Collor construir os seus CAICs. Na mesma capital do Rio de Janeiro o atual prefeito muda o nome e chama de “Escolas do Amanhã”. Sim, não há no país do futuro as “escolas públicas do ontem” forjando talentos no desejo de Anísio Teixeira, D. Ribeiro e muitos outros, pois governadores roubam. Isto continua sendo subversão, mesmo entre os pouco letrados.
Em uma madrugada fria no inverno de (1981) indo para o Instituto onde estudava em Saarbrücken, em frente à escola secundaria estava uma aluna com uma capa amarela com lâmpadas vermelhas piscando. Ela era a guarda de transito. Todos os transeuntes e veículos à respeitavam. Passei ali durante todo o ano letivo e cada dia era um aluno diferente que servia a todos os outros chegando 45 minutos antes e saindo 45 minutos depois da aula. Aqui li um cartaz em uma greve na Universidade: “Entrem a Casa é Sua”. Confesso que já se passaram 20 anos e ainda não entendi o que estava escrito naquela faixa, pois presenciei uma jovem indígena Suiá com pinturas, plumas e colares ser recebida com deboches, assobios e gritos de filmes de Hollywood. A infeliz professora que a acompanhava pedia em desespero respeito. Sim, ainda não entendi, pois somente a ignorância tudo pode...
Sou um infeliz e para mim o tempo não passa: Ainda me coloco na situação da jovem indígena, da professora, de um transeunte e da jovem alemã agente de transito. Visitei o IFAL- campus Murici, terra de “Rei-Nan” Calheiros, o presidente do Senado que ganhou mais um processo por improbidade. Ali os alunos são obrigados a comprar uma quentinha a doze reais todos os dias, pois fazem até 100 kms para estudar. Vi três deles dividirem uma pelos parcos recursos, mas o presidente do Senado tem doze processos.
O problema é bem mais grave que o afirmado pelo Presidente Temer e não está em não saber o que é uma P.E.C. (PEC 55), mas em entender o significado de alterar uma constituição para limitar recursos à Educação quando o futuro é incerto, desculpe, mas o buraco é mais embaixo. Quem traz a reflexão não é o grevista idiota com seus gritos e assobios, nem a indígena assustada que não entendia o que “naquela casa”, sua, acontecia. Será que devemos ir a um centro espírita e por meio de um “cambono” invocar D. Ribeiro, Anísio Teixeira e outros, e psicografar os significados? Ou devemos esperar que a nomeklatura de Trump determine a “Nova Aliança para o Progresso”?

Eu não queria abordar o tema de Educação, até estava bem agrário, preocupado com o capim Annoni, que o Bolívar Annoni trouxe da Namíbia, África do Sul de contrabando e já contamina todo o Pampa. Minha preocupação é por estar cooperando com uma cientista às voltas com a recuperação de áreas mineradas. Na “ecopoiese” ou “recolonização” nas áreas mineradas, após os microrganismos surgem ciperáceas e gramíneas, que agora são “Poaceae”. Estudando encontrei que o Departamento de Agricultura dos EUA tem trabalhos científicos sobre o acúmulo de Césio137 e Césio 134, além de outros radionuclídeos mais persistentes em diversos tipos de pastos, entre eles no tenebroso capim do Bolívar Annoni. Despertei com a macaca preocupado em gritar: Quantos Becquerel será que as queimadas de pastagens liberam todos os anos? Lembrando que 1 microcurie é igual a 37.000 Becquerel.
Antes que algum apressado tente justificar a insignificância das unidades é preciso esclarecer que o importante não é o que está escrito, seja aqui ou na Lei. O que está escrito vale para “bicheiros” ou governadores corruptos e ainda os que pretendem defender-se atacando juízes. Isto não vale, pelo seu significado, para a jovem agente de trânsito na frente de sua escola, pois ela ali estava aprendendo outra coisa, que não é ser agente de trânsito. Apenas aprendendo que cidadania não se delega com o voto, nem se compra em farmácia.

Todo o resto é apenas ânsia e incompetência quando o poder é um fluxo unidirecional que não admite divisão ou compartilhamento. Será que um dia todos acordarão com a macaca para ser agente de trânsito diante da Escola. Folgo vê-lo.

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